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Conforme explicitado acima, duas famílias, por espontaneidade, aceitaram participar da pesquisa. Seguimos os preceitos éticos de não revelar as identidades das pessoas envolvidas no estudo. Desta forma, para fazer referências às famílias, utilizamos a denominação família I e família II e para não expor a identidade de nenhuma das pessoas, utilizamos nomes fictícios para representá-las. Os (as)

colaboradores (as) da pesquisa de modo geral, solicitaram que os nomes fossem definidos pela pesquisadora, desta forma, para caracterizar a criança e o adolescente, optamos por nomes de origem africana e indígena, cujos significados correspondem às características que os familiares atribuíram a eles; para os demais utilizamos nomes fictícios mais comuns.

Antes de apresentar os procedimentos utilizados para coleta de dados, faremos uma breve apresentação das duas famílias colaboradoras da pesquisa.

Conhecendo a Família I

Esta é a família do Abayomi, (nome africano, de origem Iorubá que significa “nascido para trazer alegria”), um garoto de 6 anos que mora junto de seu pai, sua mãe, avó materna e seus quatro irmãos. Abayomi não é filho biológico da família I, ele foi adotado.

Não foram todos os membros da família I que se dispuseram a participar da pesquisa. Respeitou-se a vontade de cada um, assim, participaram das entrevistas o pai, a mãe e o irmão mais velho do Abayomi; o garoto não conversou diretamente com a pesquisadora, mas esteve presente em alguns momentos das entrevistas com seus familiares.

O pai que chamaremos de José estudou até a 4ª série do ensino fundamental, trabalha fazendo “bicos”, é evangélico, pai biológico de quatro filhos (duas meninas e dois meninos) e pai de coração do Abayomi.

A mãe a quem chamaremos de Ana, é esposa do senhor José, terminou o ensino fundamental, trabalha como diarista, é evangélica, mãe biológica de quatro filhos (duas meninas e dois meninos) e mãe de coração do Abayomi. Ela foi quem acompanhou o filho durante as internações hospitalares para realização do tratamento do câncer.

O irmão, que chamaremos de Lucas, tem 17 anos, é o mais velho dos irmãos, trabalha durante o dia e estuda a noite. É muito apegado ao Abayomi, considera-o como um filho e disse que acompanha de perto tudo que acontece com ele, faz questão de participar de tudo que seja referente à vida do pequeno. Lucas ajudou dona Ana com a criação e com os cuidados dedicados ao Abayomi.

Abayomi um garoto de seis anos, é uma criança muito especial, esperta, carinhosa, curiosa, tem facilidade para fazer amizades, encanta todos (as) que convivem com ele. Adora brincar de carrinho, de moto de brinquedo, mas também não tem

problemas nenhum em brincar com bonecas, acha importante que a boneca tenha um pai e que o pai participe dos cuidados com a filha. Também gosta de animais, tem uma gatinha de estimação, a qual mima muito, segundo os pais, ela vem resistindo bem aos apertões calorosos que ele lhe dá. Frequenta a Casa sede do CAACCH no período da manhã e à tarde vai para a escola.

De acordo com os integrantes da família I, o Abayomi foi um presente de Deus, é o “xodó” da família, desperta ciúmes dos irmãos mais velhos e também de alguns amiguinhos da escola e do CAACCH, pois é muito querido e mimado pelos pais e professores. Sua mãe disse que quando ele ficou internado, também conquistou muitos corações dentro do hospital, cativando a amizade de médicos (as) e enfermeiros (as).

Abayomi nasceu em uma fazenda e seus pais biológicos não tinham condições psicológicas e nem sociais para criá-lo. Foi então, que os pais do coração, como eles mesmos preferem dizer, levaram-no embora dali, para oferecer proteção, carinho e muito amor. Segundo Ana, ela e seu esposo sentiram que Deus colocou Abayomi em suas vidas, para que cuidassem dele e para que fossem ainda mais felizes.

Quando o garoto tinha quatro anos de idade, começou a apresentar sinais e sintomas que levaram ao diagnóstico de uma patologia considerada grave: linfoma (um tipo de câncer que afeta o sistema linfático). Ele foi encaminhado para um hospital de referência para tratamento da doença. O tratamento durou cerca de um ano; durante esse período ele vivenciou experiências bastante dolorosas, os efeitos da quimioterapia, a separação da família e dos amigos, alteração na aparência física (emagrecimento, perda de cabelo, uso de sonda), entre outras.

Felizmente, com Fé em Deus, amor, carinho e apoio da família, superou tudo isso e hoje retorna ao hospital com menos frequência, agora, para acompanhamento de seu estado de saúde.

Conhecendo a Família II

Esta é a família do Kaluanã (nome indígena, de origem Tupi que significa “grande guerreiro”), um adolescente de 13 anos de idade. Ele mora com seu pai, o João, sua mãe, a Isabel e seu irmão mais novo, o Matheus. Há algum tempo, a família foi morar em um sítio, na estrada entre São João da Boa Vista e Vargem Grande do Sul para tomar conta do mesmo.

Neste caso, todos da família, por vontade própria, participaram das entrevistas, inclusive o Kaluanã.

O pai, João, tem 32 anos, escolaridade incompleta, é católico e trabalha como caseiro em um sítio; cuida do campo e dos animais, diz que cada dia aprende uma coisa nova no trabalho.

A mãe, Isabel, tem 33 anos, considera-se uma mulher forte, amparada por Deus. Ajuda o marido a cuidar do sítio, foi quem acompanhou o filho durante as internações hospitalares para o tratamento do câncer.

Kaluanã é um adolescente de 13 anos. É bastante tímido, não faz amizades com tanta facilidade. Há algum tempo afastou-se da escola em razão do tratamento do câncer; tem poucos amigos que de vez em quando fazem uma visita. Não gosta muito de sair, prefere ficar em casa desenhando, escrevendo ou então jogando vídeo game; além de escrever e desenhar, também adora ouvir música. É muito apegado a sua mãe. Tem dois cachorros de estimação dos quais gosta muito.

Há dois anos Kaluanã descobriu que tinha uma doença conhecida como Sarcoma de Ewing, um tipo de câncer que caracteriza-se pela presença de um tumor maligno que afeta principalmente os ossos. No caso dele, o tumor instalou-se na perna e mais tarde nos pulmões. Passou por cirurgia, quimioterapia e transplante de medula óssea. Ficou sem andar por algum tempo e atualmente luta para voltar a andar normalmente, como antes. Quase todos os dias vai à fisioterapia e está tentando caminhar com ajuda de muletas; também já está pensando em retornar à escola e à catequese.

Matheus tem oito anos, é o irmão caçula do Kaluanã. Quando era menor, sentia ciúmes da mãe com o irmão mais velho, mas hoje isso mudou e se relaciona muito bem com todos da família e se empenha em ajudar a melhorar a autoestima do irmão. Adora uma pista de skate, gosta de sair para comer lanche, vai à escola no período da tarde e sempre que possível, vai pescar com o pai ou com a mãe.

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