Os resultados do Banco do Brasil apresentaram p-value superior ao nível de significância de 5% em quase todos os eventos, indicando, alta probabilidade de manutenção de retornos normais. Nestes casos, os p-values dos eventos estudados nesta pesquisa variaram de 11,1% até 97,8%.
Os p-values do Banco do Brasil variariam de 21,1% até 97,8% na primeira liberação de depósito compulsório, de 25,7% até 89,3% no evento da criação do DPGE, de 14,2% até 97% na segunda liberação do depósito compulsório e de 37,7% até 94,2% na redução da taxa de juros.
Nota-se, assim, que os investidores do Banco do Brasil, de um modo geral, reagiram de forma eficiente aos eventos analisados. Parte desta previsibilidade refere-se ao fato do Banco do Brasil ser o maior banco do país com milhões de correntistas e considerado “grande demais para quebrar”. Em momentos de crise, dada tal fortaleza, o banco claramente se beneficia do seu perfil de risco reduzido em que os investidores privilegiam segurança, ao invés de alta rentabilidade.
No entanto, apesar de toda esta previsibilidade, a alta volatilidade dos mercados nos momentos da crise financeira e crise européia não pouparam o Banco do Brasil de apresentar retornos acionários com anormalidade estatisticamente significativa.
Além dos casos sistêmicos abordados no tópico anterior, em que praticamente todos os bancos da amostra apresentaram retornos anormais, na janela de 10 dias da crise européia, o p-
value encontrado no Banco do Brasil também foi inferior a 5%.
Nesta janela, equivalente ao dia 10 de maio de 2010, como desdobramento da crise fiscal européia, a bolsa de valores apresentou grande volatilidade, após anúncio do pacote de ajuda a Grécia de Eur 750 bilhões e incertezas sobre países da zona do Euro.
Cabe ressaltar, no entanto, que além do evento analisado por si só, outros motivos podem ter contribuído para um incremento na volatilidade do preço das ações do Banco do Brasil neste período. Nas janelas de 10 dias antes e depois do evento da crise fiscal européia ocorreram, respectivamente, a incorporação do Banco do Estado de Santa Catarina em 13 de abril de 2010 e do Banco Nossa Caixa em 11 de maio de 2010.
5.3.2 Itaú Unibanco
Assim como o Banco do Brasil, o tamanho e diversidade de operações do Banco Itaú Unibanco caracterizam-no como um “banco grande demais para falir”. Desta forma, os resultados
obtidos através do método de estudo de eventos confirmaram a eficiência do mercado de forma antecipada, ao apresentar, de modo geral, p-value com nível de significância maior que 5%.
Os p-values variaram de 6,9% a 96,4% no caso das ações ordinárias e de 6% a 90,4% nas ações preferenciais. Exceções a estes valores referiram-se às janelas de crise financeira, primeira liberação do compulsório e crise européia, em que mais que 70% dos bancos da amostra apresentaram p-values inferiores a 5%, como já descrito no tópico anterior. Nestas janelas, os p-
values estão descritos na Tabela 5:
Tabela 5: Resultado das ações do Itaú com p-value inferior a 5%
Evento Janela P-Value: Ações
Ordinárias
P-Value: Ações Preferenciais
Crise financeira 10 dias 4,3% 0,4%
Crise financeira 20 dias 0,1% 0,1%
Compulsório 1 20 dias 2,7% 4,3%
Crise européia 20 dias 0,7% 0,4%
Fonte: Elaborado pela autora
Nos demais eventos em que a hipótese nula proposta neste estudo foi aceita, os p-values variaram de 33,7% até 87,5% e de 42% até 85,8% nas ações ordinárias e preferenciais no evento do DPGE, de 43,9% até 74,1% e de 17,6% até 83,3%, respectivamente na segunda liberação do compulsório e de 52,3% até 96,4% e 41,1% até 90,4% na redução de juros.
5.3.3 Bradesco
O método do estudo de eventos para o retorno das ações do Banco Bradesco confirmou que o mercado foi eficiente para quase todos os eventos estudados nesta dissertação. Apesar de ser o terceiro maior banco do Brasil por ordem de volume de ativos e apresentar grande variedade de produtos e serviços financeiros, o Banco Bradesco, ao contrário dos demais bancos grandes incluídos na amostra, não apresenta estratégia de internacionalização de suas atividades, ficando, assim, menos exposto aos eventos de crise e de medidas anticíclicas para combate às mesmas.
O Bradesco também, conforme anunciado em suas apresentações de resultados na época da crise financeira, não realizou operações com derivativos exóticos, denominadas “target
forward” ou outras operações alavancadas, especialmente com seus clientes. Este tipo de
operações especulativas, especialmente cambiais, gerou muitas tensões nos mercados, sobretudo bancário, em função da desvalorização do Real no período. A valorização da moeda norte- americana resultou em altas perdas acumuladas por empresas, entre elas Aracruz e Sadia e, consequente, incremento no nível de inadimplência bancária.
Neste sentido, dentre todas as instituições financeiras analisadas neste estudo, o Bradesco foi o único banco de grande porte que apresentou menor nível de incidências de p-values inferiores ao nível de significância de 5%. Tais resultados confirmaram a eficiência do mercado de forma antecipada para a maioria dos eventos.
Os p-values variaram, de uma forma geral, de 5% a 94%; sendo que na primeira liberação do compulsório ficaram entre 14,9% até 75%, no DPGE, de 10% até 61,4%, na crise fiscal européia de 18% até 63,1%, na segunda liberação de compulsório, de 23,8% até 94% e na redução de juros, de 24,9% até 86,2%.
Exceções a estes valores ocorreram na crise financeira, na janela de 5 dias e, num movimento similar aos demais bancos da amostra, nas janelas de 10 e de 20 dias de tal evento, em que a anormalidade verificada no retornos das ações retratou um efeito generalizado e sistêmico na bolsa de valores. Nestas janelas, os p-values do Bradesco foram, respectivamente, 0,3% e 0,013%.
5.3.4 Banco Panamericano
Juntamente com o Banco da Amazônia, o Banco Panamericano, logo após o Banco Pine, foi o banco que apresentou maior número de incidências de p-values superiores a 5%. Parte destes resultados refere-se ao seu perfil de negócios mais arriscado, voltado ao mercado de financiamento ao consumo e, assim, mais exposto a aumentos do nível de inadimplência e suscetível a um natural descasamento de prazo entre ativos e passivos.
Além dos eventos em que a amostra em geral apresentou alta probabilidade de anormalidade de retorno de ações, o Banco Panamericano apresentou p-value equivalente a 1,5% nas janelas de 5 dias após o evento da crise financeira, rejeitando, assim, a hipótese nula proposta.
A criação do DPGE, em março de 2009, também resultou em retornos anormais nas ações do Banco Panamericano, com p-values de 4,5% e 0,3%, respectivamente, nas janelas de 10 e de 20 dias do evento. Como melhor abordado na análise financeira, o Banco Panamericano, dada a
natureza de suas operações, apresenta um perfil de captação mais volátil, concentrado e de curto prazo vis-a-vis uma carteira de crédito diversificada e de longo-prazo.
No evento da segunda liberação do compulsório em dezembro de 2011, o retorno das ações do Banco Panamericano mantiveram-se normais em praticamente todas as janelas, com p-
values superiores a 5%, confirmando, assim, a hipótese nula. No entanto, na janela de 20 dias do
evento, o p-value do Panamericano foi de apenas 1,6%, rejeitando a hipótese nula e, indicando, anormalidade estatisticamente significativa no retorno das ações.
Nesta janela, que correspondeu ao dia 18 de janeiro de 2012, o Banco Panamericano anunciou aprovação de aumento de capital, bem como proposta de incremento de distribuição de dividendos obrigatórios. Neste sentido, pode-se inferir que o evento, por si só, não influenciou no retorno das ações do banco neste período.
A redução da taxa de juros, anunciada em março de 2012, também não teve impacto no retorno das ações do Banco Panamericano, indicando que o mercado foi eficiente antecipadamente a este evento. Os p-values, neste evento, variaram de 61% a 99,9%.
5.3.5 ABC Brasil
A análise do desempenho do retorno das ações do Banco ABC Brasil demonstrou, de forma, geral, que o mercado reagiu eficientemente de forma antecipada a ocorrência dos eventos estudados, com exceção da crise financeira e da primeira liberação do depósito compulsório.
Nestes dois eventos, o Banco ABC Brasil apresentou p-values equivalentes a 0,5% e 0,0012% nas janelas de 10 e de 20 dias após a crise financeira, em um movimento idêntico a 90% dos bancos da amostra deste estudo. De forma também sistêmica, o p-value de 2,27% ficou abaixo do nível de significância na janela de 20 dias após a primeira liberação do depósito compulsório, identificando a alta volatilidade no retorno das ações provocada pela crise financeira e seus desdobramentos subsequentes.
Além dos datas mencionadas acima, notamos que a primeira liberação do depósito compulsório teve um efeito maior sobre o retorno das ações do Banco ABC Brasil do que na maioria dos bancos da amostra. Similar ao desempenho de Pine e de Banco da Amazônia (Basa), nas janelas de 5 e de 10 dias deste evento, os p-values do Banco ABC Brasil ficaram abaixo do nível de 5%, indicando, assim, alta probabilidade de retornos anormais. Os p-values encontrados foram, respectivamente, 0,97% e 0,9% nas janelas descritas acima e, podem ser explicados pela
maior sensibilidade dos bancos médios à volatilidade de mercado provocada pelos efeitos da crise financeira.
Além dos eventos por eles mesmos, parte deste desempenho diferenciado no retorno das ações pode estar relacionado a outras medidas adotadas pelo Banco Central do Brasil, como a isenção de recolhimento compulsório de bancos menores, anunciada em 25 de setembro de 2008. Soma-se a veiculação de notícias a respeito da performance financeira de bancos médios nas datas de 9 e 16 de outubro de 2008. Tais resultados, desdobramentos do período de crise financeira, podem evidenciar que o desempenho no retorno das ações do Banco ABC Brasil não foi influenciado exclusivamente pelos eventos estudados.
Nos demais eventos analisados, os retornos das ações do Banco ABC Brasil posicionaram-se acima do nível de significância de 5%, indicando, eficiência de mercado de forma antecipada.
Os p-values do Banco ABC Brasil variaram de 9,11% até 99,15% no evento da criação do DPGE, de 6,02% até 38,74% no crise fiscal européia, de 13,8% até 97,69% na segunda liberação do depósito compulsório e de 12,23% até 99,86% na redução de taxa de juros.
5.3.6 Daycoval
O Banco Daycoval foi uma das instituições finnceiras da amostra que apresentou a menor incidência de retornos anormais no preço de suas ações nos eventos analisados na presente pesquisa. Assim, os resultados do Banco Daycoval, de forma geral, confirmaram a eficiência de mercado de forma antecipada, ao apresentarem resultados com p-value superior ao nível de significância de 5%.
Tanto no evento da crise financeira como no da primeira liberação do depósito compulsório, o retorno das ações do Banco Daycoval mantiveram alta probabilidade de retornos normais, ao contrário dos resultados apresentados pela indústria bancária, em geral. Pode-se inferir que, parte desde resultado, deva-se ao programa de recompra de ações de emissão própria lançado pelo Daycoval em abril de 2008 visando capturar um potencial importante de criação de valor em razão do preço das ações do Banco no mercado nos meses anteriores. O Programa teve duração de 360 dias, sendo permitida a aquisição de no máximo 6.426.316 (seis milhões, quatrocentas e vinte e seis mil e trezentas e dezesseis) ações preferenciais, o que representou dez
por cento (10%) das ações preferenciais em circulação no mercado, conforme anunciado pelo banco.
Os p-values do Banco Daycoval variaram de 25,3% até 91% no evento da crise financeira, de 44,6% até 84% na primeira liberação do depósito compulsório, de 12,2% até 80,5% na segunda liberação do depósito compulsório e de 25,3% até 91% na redução de juros.
Exceções ocorreram no evento da criação do DPGE e na crise fiscal européia. Na janela “0” do evento do anúncio da implementação do DPGE, o p-value do Banco Daycoval foi de apenas 2%, confirmando a hipótese alternativa proposta nesta dissertação. Comportamento similar foi verificado na janela de 20 dias do efeito da crise fiscal européia, em que o p-value apresentado pelo banco foi de 0,6%.
5.3.7 Banco da Amazônia
Além de apresentar p-values superiores a 5% nas janelas em que a amostra de bancos em geral, também tiveram alta probabilidade de retornos anormais, o Banco da Amazônia foi significativamente impactado pela primeira liberação do depósito compulsório em outubro de 2008 e, parcialmente, pelos eventos subsequentes.
Na primeira liberação do depósito compulsório, os resultados obtidos com a metodologia de estudo de eventos indicaram que os investidores não reagiram de forma antecipada ao evento específico. O Banco da Amazônia apresentou p-values de 0,7%, 1,7% e 0,6% nas janelas de 5, 10 e 20 dias após o evento, respectivamente. Tais resultados, assim, confirmaram a hipótese alternativa proposta nesta dissertação.
Similar comportamento foi observado na crise européia com p-value de 2,28% e 0,9% nas janelas de 10 e de 20 dias após o evento, em que as ações do banco se mostraram mais suscetíveis em relação aos temores oriundos do default da Grécia e contágio para outros países da zona do Euro.
Com menor impacto, na criação do DPGE e na segunda liberação do depósito compulsório, o banco também apresentou p-value inferior a 5%, respectivamente, nas janelas de 20 dias (4,59%) e na janela 0 (1,12%) dos eventos. Infere-se destes resultados que tais eventos, por eles mesmos, não impactaram o retorno das ações.
A redução da taxa de juros, anunciada em março de 2012, também não teve impacto no retorno das ações do Banco da Amazônia, indicando que o mercado foi eficiente antecipadamente a este evento. Os p-values, neste evento, variaram de 62,7% a 68,4%.
5.3.8 Pine
Dentre os bancos analisados neste estudo, o Banco Pine, de uma forma geral, foi o banco que mais apresentou retornos dos preços de ações com alta probabilidade estatística de anormalidade.
Na crise financeira de 2008, o Banco Pine foi o único banco que apresentou p-value inferior ao nível de significância de 5% na janela “0” do evento, indicando, assim, que a probabilidade de retorno anormal no preço de ações no período estudado foi alta. Nesta data, o p-
value do Banco Pine foi de 2,2%, rejeitando, assim, a hipótese nula proposta nesta dissertação.
Resultados similares foram encontrados nas janelas de 10 e de 20 dias ao evento, conforme já observado na seção de resultados gerais, em que os p-values do Banco Pine foram respectivamente, 0,4% e 0,1%.
No segundo evento estudado nesta pesquisa, referente a primeira liberação do depósito compulsório ocorrida em outubro de 2008, os resultados do Banco Pine rejeitaram a hipótese nula nas janelas de 5, 10 e 20 dias após o evento. Os p-values encontrados nestes períodos foram respectivamente, 0,2%, 3,6% e 1,3%. Além da janela de 20 dias após o evento em que os bancos, em geral, apresentaram p-value inferior ao nível de significância de 5%, a alta probabilidade dos retornos das ações do Pine apresentaram anormalidade estatística nos demais períodos pode ser explicada pelo evento da crise financeira e os mecanismos de suporte a liquidez aos bancos médios.
Especificamente em relação a necessidade de otimização do fluxo de liquidez, nota-se que a carteira de captação do Pine, melhor explicada na seção de análise financeira, reduziu aproximadamente 40% entre junho a dezembro de 2008, confirmando a alta aversão ao risco de investidores aos bancos médios.
Diante desta conjuntura de alta volatilidade e aversão ao risco, o Banco Pine, num movimento similar a outras empresas de capital aberto, anunciou nos dias 01 de outubro de 2008 (após janela de 10 dias do evento crise financeira) e 16 de outubro de 2008 (janela de 10 dias do evento liberação do compulsório) a aquisição de ações de emissão da própria companhia e
cancelamento de ações de emissão própria e de ações em tesouraria. Este movimento de recompra de ações pode ter sido resultante do aumento na volatilidade do preço dos ativos negociados no mercado mobiliário, situação comum em momentos de crise econômica, em que as ações tendem a estar subavaliadas, tornando-se assim, uma boa opção de investimentos para a própria companhia (NASCIMENTO, GALDI E NOSSA, 2008).
Soma-se que na janelas acima, o Banco Central isentou os bancos menores a recolherem depósito compulsório, melhorando, assim, o nível de liquidez dos mesmos; além de serem veiculadas notícias na internet sobre a perspectiva de redução de rentabilidade de bancos médios. Contrariamente ao ocorrido nos dois primeiros eventos, na criação do DPGE, a hipótese nula foi aceita, com o mercado reagindo com eficiência antecipada a mais uma medida de injeção de liquidez aos bancos médios durante a crise financeira. Os p-values do Banco Pine nesse período foram respectivamente 42,1%, 51,7%, 67,8% e 16,0%, portanto, superiores ao nível de significância de 5%, indicando, assim, alta probabilidade de retornos normais.
Novamente os retornos do Banco Pine mostraram sensibilidade ao evento de crise em 2010, quando eclodiu a crise fiscal européia. Embora o p-value de 6,7% na janela “0” do evento tenha indicado alta probabilidade de manutenção de retorno normal, os p-values encontrados nas janelas de 5, 10 e 20 dias, respectivamente: 1,8%, 0,1% e 0,02%; mostraram a ineficiência de antecipação do mercado diante do evento. Em ambas janelas de 5 e de 10 dias após o evento, houve volatilidade da Bolsa em função do temor sobre default da Grécia e contágio em outros países com elevada razão de dívida e PIB e, posterior, anúncio de pacote de socorro a Grécia.
Cabe ressaltar que o evento da crise européia pode não ter sido o único responsável para a anormalidade das ações, uma vez que, nas datas posteriores ao mesmo, o Banco Pine apresentou resultados do primeiro trimestre de 2010 em 12 de maio de 2010, bem como teve seus ratings externos elevados pela agência de ratings Fitch em 25 de maio de 2010.
Nos eventos posteriores estudados nesta pesquisa, o Banco Pine, de forma geral, apresentou p-values superiores ao nível de significância de 5%, que variaram de 5,4% a 85,3%. Exceções a estes valores ocorreu na janela “0”da segunda liberação do depósito compulsório (p-
value de 2,6%). Nesta data, além do evento estudado, o Banco Pine também anunciou a captação
de recursos externos no montante de US$ 25 milhões com o organismo multilateral francês Proparco do grupo Agence Française de Développement - AFD por 10 anos, indicando, assim, acesso de liquidez ao mercado externo.
Ainda na janela de 10 dias da redução da taxa de juros, os retornos das ações do Banco Pine também apresentaram p-value de 4,8%, indicando alta probabilidade de retorno anormal.
5.3.9 Sofisa
As ações do Banco Sofisa apresentaram grande volatilidade durante o evento da crise financeira de 2008. Apresentando p-values inferiores ao nível de 5% nas janelas de 5, 10 e 20 dias do evento, o mercado não reagiu totalmente de forma antecipada ao evento. A generalizada aversão ao risco, especialmente aos bancos de nicho e com porte menor, impactaram não apenas as ações do Sofisa, como também do Panamericano de uma forma mais recorrente que os demais bancos da amostra.
Os p-values apresentados pelo Banco Sofisa nas janelas de 5, 10 e 20 dias do evento da crise financeira foram, respectivamente, 3,8%, 0,2% e 0,01%, confirmando a hipótese alternativa proposta nesta dissertação. A alta volatilidade dos preços das ações no período motivaram o Banco Sofisa a anunciar dois programas de recompra de ações: em 13 de outubro de 2008 e em 1 de dezembro de 2008.
Conforme informado nas demonstrações financeiras anuais de 2008 do Banco Sofisa, o programa de recompra de ações para permanência em tesouraria ou cancelamento sem redução do capital social visou maximizar a geração de valor para o acionista na eventualidade de cancelamento das respectivas ações. Ainda, neste relatório, o Banco Sofisa comentou que a performance de suas ações foi impactada pela crise global, que fez com que investidores estrangeiros se desfizessem de ações ao redor do mundo, principalmente de instituições financeiras.
Não obstante os desdobramentos da crise financeira e anúncio da liberação do compulsório em outubro de 2008, um motivo adicional e, eventualmente complementar para o p-
value de 1,3% apresentado pelo Sofisa na janela de 20 dias do evento do compulsório, pode ser
auferido pela divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2008 nesta data (30 de outubro de 2008).
Neste trimestre, como melhor explicado no tópico de análise financeira, o Banco Sofisa