4.2 Presentasjon av par 2
4.2.2 Renate sine opplevelser av prosjektet
4.4.1 Expedientes políticos da interventoria na intermediação dos interesses central e local
No início de seu governo o jovem interventor precisava se afirmar perante as lideranças estaduais, para isso precisou utilizar de vários expedientes, como concessões e cooptações, conseguindo angariar prestígio político e congregar em torno de si parcelas significativas do poder local, fato conseguido em meio a forte instabilidade política e oposição de muitos políticos influentes do estado.
A composição inicial do secretariado do governo Punaro Bley na primeira interventoria foi montada com integrantes do movimento revolucionário no Estado, visando integrar os quadros dirigentes a nível de Secretaria de Estado, assentando temporariamente as disputas pela direção do Governo Estadual. Com isso Bley seria colocado no centro de uma velha disputa política que lhe exigiria tempo e muita astúcia para manter o novo equilíbrio político instaurado. O próprio interventor reconheceu tal fato posteriormente em suas memórias onde afirma que “somente o otimismo e a audácia da mocidade permitiu-me aceitar tão arriscada e difícil missão.” 203
202 PACHECO, 1998. 203 Bley, Memórias, p. 68.
Para composição de sua Secretaria de Estado buscou nomear envolvidos nas disputas políticas pelo poder da interventoria antes de sua nomeação, procurando acalmar temporariamente os ânimos. Ficando composto da seguinte forma o Secretariado de Estado: para Secretário do Interior nomeou Afonso Correa Lírio, para Secretário de Educação João Manoel de Carvalho, para Secretário da Fazenda João de Albuquerque Tovar, para Secretário de Agricultura José Sinval Monteiro Lindenberg e para prefeito da capital Asdrúbal Soares.
O governo Bley enfrentou dificuldades de ordem política que foram causadas pelos choques e incompatibilidades geradas dentro do próprio governo entre as forças políticas na direção do governo do estado, devido à forma como foi constituída a nova direção, a qual acomodou forças divergentes no interior do bloco regional do poder, gerando a necessidade de ajustes e novas acomodações.
O fato de não ter sido eleito pelo povo, mas escolhido numa conjuntura de exceção, e ter sido nomeado justamente por não haver um consenso entre as facções estaduais que disputavam o poder em indicar um nome para assumir o cargo, sendo seu nome cogitado, porém em situação provisória até que uma solução mais adequada fosse encontrada, mostra o ambiente em que João Punaro Bley teve que se firmar, e os esforços empreendidos para legitimar-se nessa nova posição.
O discurso de posse, escrito por ele mesmo, na viagem para o estado, afirma que seu programa de governo era simples e modesto devido a situação financeira em que se encontrava o estado, mas que para o sucesso de sua administração contava com a cooperação do povo, “[...] que consistia em acatar com serenidade e confiança as medidas que fossem tomadas, na certeza de que elas visavam sempre o bem da coletividade.”204
A administração estadual nos primeiros anos da década de 1930 sempre que precisava encaminhar medidas de controle das finanças, fiscalizações, demissões, redução de salários, dentre outras, de caráter nitidamente autoritário, usava o discurso revolucionário como justificativa para as mudanças que empreendia de centralização político-administrativa, que também se encaminhavam no âmbito federal, sempre alegando a necessidade de tais medidas
para realização dos ideais revolucionários e liquidação dos resquícios da administração corrompida da República Velha, buscando, dessa forma, a legitimação de seus atos perante a população e a elite local.
Estas primeiras medidas da administração interventorial zelando pela “execução fiel do programa revolucionário” desagradaram muita gente, tornando o jovem interventor impopular. As providências tomadas objetivando o saneamento financeiro do estado foram as que mais contribuíram para sua impopularidade, como por exemplo, o fato de ter cortado as recepções costumeiras à “boa sociedade local” regada a comes e bebes todas as quintas, aceitando recebê-la, de bom grado, mas apenas com um cafezinho, por considerar os gastos anteriores desnecessários. Devido a isto passou a ser considerado o “inimigo número um da sociedade local”.Vejamos abaixo na descrição de Bley a forma como suas primeiras medidas de saneamento econômico e organização administrativa do estado foram recebidas:
Apesar de ter reduzido meus vencimentos de 8 contos para 5, o que representou para mim uma perda de 420 contos nos 12 anos que governei o Estado, as medidas que tomei levantaram grande celeuma no funcionalismo, que passou a considerar-me como seu inimigo número um.
[...] Estava condenado por todos quantos tiveram seus interesses contrariados [...] Por ter reorganizado o quadro de professores públicos, acabando com a classe de adjuntas, constituída de moças da sociedade de Vitória, protegidas do governo e determinando que só depois de 4 anos passados em escolas do interior do Estado, poderiam então vir para a Capital, passei a ser considerado o inimigo número um do professorado primário. Por ter cortado a verba de representação dos magistrados, passei a ser considerado inimigo da magistratura. Proibindo o fornecimento de passagem de favor, passei a ser considerado inimigo de todos que, pelo seu prestígio [...] com autoridades estaduais viajavam de graça.205
Novato na política, nos hábitos e costumes locais, regados de boa dose de coronelismo, Bley acaba tomando medidas que desagradam, a princípio, grande parte da sociedade capixaba, do que posteriormente se arrepende, após tomar conhecimento de como funcionavam os bastidores políticos, em especial o do Espírito Santo:
Otimista e até mesmo ingênuo, ainda não provado pela maldade da maledicência humana, acreditava que o povo compreendesse os meus propósitos e exemplos, nas medidas drásticas para salvar o estado da situação caótica em que se encontrava. [...] Hoje, com a experiência que tenho, não teria reduzido vencimentos nem cobrado imposto de um dia de vencimento. Teria organizado o orçamento de 1931 com déficit, de vez que nenhuma culpa me cabia pelo descalabro financeiro em que vivia o Estado.
Dessa forma, Punaro Bley teve que contornar os primeiros desencontros e trabalhar para ganhar a confiança das autoridades locais e ao mesmo tempo impor-se enquanto representante das diretrizes federais no âmbito estadual. No entanto, como já mencionado anteriormente, é importante lembrar que as transformações propostas por Bley não objetivam uma mudança radical no status quo estabelecido, apesar de realizadas políticas públicas mais atentas a questão social, estas não visavam mudar o corpo social existente, mas adequar o estado à nova realidade trazida pela revolução e às mudanças políticas, econômicas e sociais que se processavam no âmbito federal.
Nos primeiros anos da administração Bley vários expedientes foram utilizados para manter vivo e aceso o chamado “espírito revolucionário”, como por exemplo, a fundação da praça que levou o nome do falecido João Pessoa, com discursos de autoridades na inauguração e concentração popular. Lembrava-se nas oratórias o fatídico comício do dia 13 de fevereiro de 1930 comparando o tratamento antes dispensado ao povo e a mudança com a vitória da revolução, que encaminhava as questões sociais em novos moldes, buscava-se manter viva a imagem da revolução com a missão de salvadora do povo.
Foram instituídas datas comemorativas lembrando momentos importantes da revolução, que era homenageada nas revistas e jornais, a exemplo a Revista Vida Capixaba, Chanaan e o jornal A Gazeta. Comemorava-se o aniversário da revolução, dentre outras datas ligadas ao movimento, instituindo uma espécie de “calendário da Revolução” que divulgasse os aspectos positivos do movimento revolucionário e estabelecesse perante o povo a aceitação das medidas autoritárias que eram implementadas, legitimando, dessa forma, o regime instituído tanto no âmbito federal como no estadual. Mostrando que as medidas tomadas, muitas vezes duras, eram necessárias para “garantir a mudança” e instituição dos princípios defendidos pela revolução, dentre eles derrubar a corrupção e imoralidade do regime deposto em beneficio da coletividade.
Em seus primeiros anos de governo Bley sempre buscou se mostrar um militar no poder, antes de ser político era o militar que estava à frente do governo estadual, fazia questão de ser tratado como Capitão Bley e não como senhor interventor. Ao falar à imprensa oficial o
interventor afirmou: “No Espírito Santo não existe propriamente política, há apenas administração, porque não sou político, nem desejo me tornar.”206
Empreendeu várias visitas ao interior do estado, buscando conhecer todos os municípios, seus políticos e população, afirmava estar a trabalho e não a passeio, para melhor conhecer o estado que administrava. Suas visitas eram bem registradas por fotos que eram publicadas nos jornais e revistas divulgando os trabalhos do interventor. Apesar de sua impopularidade inicial, Bley conseguirá conquistar prestígio perante a sociedade local no decorrer de seu governo, prestígio conseguido mediante expedientes e atitudes “populistas” do interventor como descreve Renato Pacheco:
O interventor de fato se torna popular – visita orfanatos, recebe o povo em audiência, dá o chute inicial em jogos de futebol, visita com a família cidades do sul. O aniversário de sua esposa, Alzira Duat Bley é festivamente comemorado, porque embora há pouco residente em nosso meio a aniversariante, pela sua afabilidade e bondade de coração, granjeou grande número de simpatias, vendo-se sempre cercada de pessoas amigas, das mais distintas de nosso mundo social. [...] a consagração vem com uma festa que é oferecida ao casal governante, no Clube Vitória, onde se reunia a fina flor da sociedade, e à qual até o bispo Dom Benedito compareceu. [...] eram o tenente Bley e senhora dois desconhecidos, que se integravam à fechada sociedade local.207
Buscando dar transparência a sua administração e também angariar respaldo perante a população, Punaro Bley desde o início exigia a publicação diária e afixação para consulta pública, do demonstrativo de movimento de caixa do Tesouro Estadual, especificando as operações financeiras realizadas com relatório das receitas e em quais despesas foram gastas.
Em 1931, na volta de viagem a Curitiba, devido ao falecimento do pai, Punaro Bley passa pelo Rio de Janeiro e lembra ao chefe do Governo provisório que se fazia próxima a hora de ser substituído na interventoria, pois voltaria para o curso na Escola de Estado-maior do Exército objetivando concluir o curso interrompido no período revolucionário, ao que obteve a seguinte resposta: “O senhor vai indo bem, sem criar casos. Fique mais um ano, tratarei de providenciar a transferência de sua matrícula na Escola de Estado-maior para 1932”.208 Voltando Bley para o estado com maior segurança, sabendo que estaria a frente do governo por um período maior de tempo. É interessante observar, também, o motivo elencado por Vargas para sua permanência no cargo, pois Bley governava “sem criar casos”, ou seja, sem
206
Jornal Diário da Manhã, Vitória, 20 jan.1931.
207 PACHECO, 1998, p. 36. 208 BLEY, Memórias, p. 74.
opor grande resistência as diretrizes emanadas do Governo Federal e conseguindo uma conciliação com as oligarquias locais.
Para empreender a empreitada de entrosamento na política estadual o interventor buscará alianças com vários segmentos da sociedade civil, como a Igreja Católica, a maçonaria (oscilando entre momentos de tolerância e de repressão a alguns de seus integrantes devido à presença de integralistas entre os maçons e também para agradar a igreja), o Rotary Club, revistas, jornais e sindicatos.
Era bispo no Espírito Santo, desde 1918, Dom Benedito Paulo Alves de Souza, filho de tradicional família paulista. Culto e influente na sociedade local, Dom Benedito era assim descrito por Pacheco:
Grande orador, falava nas ocasiões próprias, da religião, ou em festas familiares. Quando a elite, desejando cooptar o novo interventor Bley, oferece-lhe um baile, no Clube Vitória, o bispo comparece. Interfere na vida das famílias, recomendando que não matriculem os filhos no Colégio Americano Batista, do pastor Loren Reno. Fundou a Academia Espírito-Santense de Letras, foi seu primeiro presidente, e a instituição só sobrevive em sua primeira fase enquanto o bispo esteve em Vitória.209
Cansado e com problemas de saúde, Dom Benedito pede um auxiliar em setembro de 1932, mandam-lhe Dom Luiz Scortegagna que, em setembro de 1933, acaba sendo designado para a diocese em substituição a Dom Benedito que parte para o Rio de Janeiro como bispo auxiliar dos Cardeais Dom Sebastião Leme e depois Dom Jayme de Barros Câmara.
Dom Luís Scortegagna, escolhe como padrinhos de sagração para o bispado João Neves da Fontoura e João Punaro Bley. O catolicismo que predominou no período em questão no estado caracterizou-se pelo cumprimento de ritos e festas. Ao que tudo indica, Dom Luís parecia estar mais alinhado aos novos tempos trazidos pela revolução. As relações do interventor com a Igreja mostram que ambos os bispos apoiavam o governo discricionário com a ocorrência de troca de favores entre as partes, como auxílio financeiro para a construção de igrejas, apoio as suas escolas, incentivo ao ensino religioso e do outro lado apoio ao governo legitimando sua autoridade perante a sociedade.
No caso da maçonaria, como citado acima, o comportamento de Bley oscilava em momentos de tolerância e apoio a seus integrantes e momentos de repressão. Nesse período a rivalidade entre a Igreja e a ordem Maçônica serviu ao governo estadual como instrumento, visto que Bley usava algumas perseguições à maçonaria para ficar bem perante a Igreja que possuía força política muito maior.
No âmbito federal a pressão sobre Vargas pela reconstitucionalização do país era crescente e diante das circunstâncias incentivava a criação de partidos estaduais para que servissem de apoio aos interventores e ao Governo Federal na futura elaboração da Constituição que não tardaria. Dessa forma, foi criado no estado o PSD, organizado por Carlos Lindenberg e controlado diretamente pelo interventor e depois governador Bley. Analisaremos melhor os fatos ocorridos na eleição estadual neste período, pois são exemplos importantes da margem de manobra do governo Bley perante o poder local e federal e dos expedientes utilizados por ele para manter-se no poder.
Partidários jeronimistas, parte dos integrantes do antigo Partido Republicano do Espírito Santo e uma parcela das forças que fizeram parte do governo Bley, mas se incompatibilizaram com a orientação do Interventor, se uniram e formaram o Partido da Lavoura. Por outro lado, o grupo que fazia parte do governo Bley, parte das forças agro-fundiárias e mercantis exportadoras, juntamente com alguns jeronimistas uniram-se e fundaram o Partido Social Democrático do Espírito Santo. Dessa forma, foi entre essas forças que se travaram os embates sucessórios em 1935.
O PSD estadual foi organizado por Carlos Lindenberg que associado à influência política da interventoria e ao prestígio de seu tio Jerônimo Monteiro210 atraiu antigos coronéis para o novo projeto político da situação. O partido foi criado para dar respaldo político ao interventor e ao Governo Federal a partir das bases municipais já devidamente controladas e teve em sua composição a integração de antigos e novos coronéis que representavam o âmbito municipal, permanecendo algumas características do coronelismo, porém agora subordinados a uma maior centralização política. Como bem coloca Achiamé:
O regime democrático instituído pela Constituição de 1934 exigiu que o sistema político centralizado, montado de cima para baixo, funcionasse também na outra
210 Jerônimo Monteiro apesar de não aceitar fazer parte do partido deu carta branca para que o sobrinho
direção, de baixo para cima, forçando a capilaridade com a qual foi estruturado – dos redutos eleitorais, controlados pelos antigos e novos coronéis, passando pela administração estadual, até chegar ao chefe do Governo Federal.211
Além do PSD outras agremiações estavam presentes no estado, como o Partido Proletário (PP), Ação Integralista e Partido da Lavoura (PL). Os dois primeiros possuíam pouca expressão no cenário político estadual, sendo o último o principal concorrente do PSD nas eleições.
Em agosto de 1934 convidado a passar alguns dias em Cachoeiro de Itapemirim, onde recebeu várias homenagens, João Punaro Bley, acompanhado de sua esposa Alzira, realizou uma maratona de visitas aos municípios do sul durante 10 dias de viajem. Ao retornar a Vitória reúne a Comissão Executiva, formada por prefeitos e secretários, expondo sua intenção de retomar suas funções no Exército e deixar o governo para uma pessoa da região dando a eles o poder de decisão sobre a escolha do nome para candidato ao governo constitucional do Espírito Santo. Como desfecho do fato Bley afirma em suas memórias que:
Chamado, novamente, à sala, foi-me comunicado debaixo de palmas e vivas que a Convenção, por unanimidade, isto é sem voto contra, havia homologado meu nome para futuro Governador do estado, em consideração aos serviços que já havia prestado, bem como para manter a continuidade da obra que estava realizando. Aduziram, ainda, que o fato de não ser espírito-santense não tinha a menor importância, de vez que o estado, em épocas anteriores, já havia sido governado por fluminenses e mineiros.212
Apesar de seu comportamento e de sua aparente posição de não ter intenção de permanecer a frente do governo do estado, a satisfação com que aceita a homologação de seu nome como candidato nos leva a crer que o real interesse de Bley era a continuidade de sua gestão no governo estadual, do que posteriormente se arrepende, em suas Memórias, em vários momentos, afirma que teria sido melhor não ter aceitado a proposta e retornado ao Exército.
O período que precede as eleições no estado foi extremante tumultuado, com mudanças de posicionamento político dos envolvidos, acirradas disputas entre as antigas forças políticas e as forças de apoio ao situacionismo estadual e uma mescla de disputas coronelísticas, mas como já citado anteriormente, em novos moldes. Os jornais de oposição, como era o caso de A Gazeta de Alegre, teve sua circulação autorizada somente se não veiculassem ataques
211 ACHIAMÉ, 2005, p. 196. 212 BLEY, Memórias.
grosseiros e pessoais a autoridades do município e do estado, conforme orientação do interventor João Punaro Bley. A oposição se queixava de perseguição e os incidentes se multiplicavam.
A todo momento Vargas é chamado a interferir nas disputas políticas do Espírito Santo, como ocorreu também em outros estados no período. As lideranças políticas buscavam seu apoio que poderia significar a diferença entre a vitória e derrota nas eleições. Por várias vezes Vargas recebeu a visita de Punaro Bley, Asdrúbal Soares, Geraldo Viana, Jerônimo Monteiro Filho, Carlos Lindenberg, dentre outros ligados às disputas políticas locais do Espírito Santo. Buscando realizar a função de árbitro nas disputas Vargas atendia a todos.
Na verdade muitos que hipotecaram apoio à candidatura de João Punaro Bley o fizeram por interesses próprios porque precisavam de seu prestígio para se elegerem, passadas as eleições muitos destes romperam com Bley. Realizadas as eleições para deputados, o Partido Social Democrático elegeu 3 dos 4 deputados federais e dos 25 deputados estaduais foram eleitos 16 restando nove para a oposição. Em janeiro de 1935, confirmando os boatos de rachas dentro do partido ocorreu o rompimento de Asdrúbal Soares logo depois apresentado como candidato ao governo pelo Partido da Lavoura. Além de Asdrúbal mais 6 deputados estaduais romperam com o PSD, hipotecando apoio ao candidato do Partido da Lavoura ficando o PSD em minoria com 10 deputados.
A posição de Bley perante a eleição para governador em 1935, relatada em depoimentos e em suas Memórias, era clara: o importante era garantir que o PSD, partido de apoio ao centralismo federal, fosse vitorioso em detrimento daqueles que estavam ligados a dissidência patrocinada por Asdrúbal Soares, levando-o a fazer composições com a oposição, o PL, para garantir a vitória do PSD, abdicando até de concorrer como candidato ao governo. No entanto, ao que tudo indica o posicionamento de Bley diferia, em parte, das determinações advindas de uma instância maior, do próprio Getúlio Vargas, que orientava os políticos locais favoráveis ao situacionismo que o que realmente importava era a eleição de alguém comprometido com a administração central, não importando quem fosse, e advertindo-os para não se prenderem a nomes. Orientava-os a fazer composições com a oposição caso fosse necessário.