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No capítulo primeiro, vimos como a política educacional das Escolas Estaduais de Ensino Médio Profissionalizante do Estado do Ceará se alinha às diretrizes mundiais para a educação dos países periféricos dos organismos e agências multilaterais. Vimos também a política educacional brasileira para a educação básica e profissional, que contou com a inserção direta e estratégica da classe empresarial nas suas reformulações, sob uma roupagem de consenso, através de ações não-governamentais.

Dentre essas diretrizes, está a redefinição do papel do Estado nas políticas públicas sociais, que centraliza as tomadas de decisões estratégicas e seu controle avaliativo ao mesmo tempo em que descentraliza decisões operacionais específicas, na busca de adquirir flexibilidade administrativa e na responsabilização pela eficiência da escola.

Esse marco institucional garante a unidade e a governabilidade de tais políticas, que também têm como principal diretriz a educação básica e profissional no preparo para o trabalho, sob as exigências de um mercado de trabalho e de um mercado mundial cada vez mais competitivos e excludentes.

Assim, o programa de educação básica de nível médio integrado à educação profissional do Ceará está assentado nas bases materiais do modo de produção capitalista, que não permite o livre desenvolvimento das forças produtivas, sendo uma delas a integração entre trabalho intelectual e manual, teoria e prática e a compreensão da totalidade da produção moderna por parte dos trabalhadores que a opera. No contraponto dessa proposta e sob a urgência histórica de uma substancial e fecunda integração entre trabalho e educação, destacamos a politecnia de Marx.

Algumas defesas de viés reformista no trabalho como princípio educativo vêm se indiferenciando da atual proposta burguesa, que amplia seus tentáculos sobre a educação dos trabalhadores de acordo com as novas exigências do modelo de acumulação flexível do capital.

Tratamos, no segundo capítulo, da crise do modelo de acumulação de tipo fordista, assentado no modelo político de “Estado de bem-estar social”. Seu esgotamento se deu, sobretudo, pela “rigidez” sobre os mercados de trabalho, os mercados mundiais, os estados-nações, a produção, o mercado financeiro, etc. Era preciso desobstruir e flexibilizar tais mecanismos para uma intensa acumulação de capitais. O desmonte dos Estados, de direitos sociais e da educação pública; a desregulamentação do mercado de trabalho através

sobretudo do desemprego; o ataque aos sindicatos e a reestruturação produtiva permitiram, sob graves consequências sociais, a ampliação de capitais e de miséria no mundo.

Este quadro se agrava ainda mais na particularidade política, social e econômica do Brasil. Sendo um país marcado por severas desigualdades sociais, de capitalismo dependente, de uma política conservadora e de se situar na Divisão Internacional do Trabalho, na qual os postos de trabalho de menor qualificação se perpetuam e proliferam, as contradições entre capital e trabalho tomam dimensões insuportáveis.

A compreensão por parte das classes dominantes de que a educação básica pública resguarda grande parte da futura e ativa força de trabalho, leva as iniciativas de atrelá-la às intensas extrações de mais-valia.

A proposta político-pedagógica das EEEPs, no compromisso de satisfazer as exigências de qualificação por parte do mercado de trabalho, prepara ao modo técnico, ideológico e comportamental a força de trabalho juvenil através de toda sua estrutura educacional.

O estágio curricular das EEEPs vai além do preparo e insere o estudante neste mercado. A política nacional para a expansão dos estágios, amparada por lei, amplia esse instrumento didático-pedagógico, que já vinha sendo denunciado pela realidade como um instrumento de flexibilização e precarização das relações de trabalho, para satisfazer as empresas e, desse modo, a precarização e a flexibilização tornam-se legais sob a tutela da instituição de ensino.

A indiferenciação entre o que é de interesse do mercado de trabalho em termos de formação e do que é de interesse da escola, principalmente quando este mercado de trabalho oferece ocupações nas quais o alto conhecimento científico não é só desnecessário, como também prejudicial aos interesses do capital, permite que se perca a função social da escola em repassar o conhecimento científico sistematizado através da história da humanidade. As consequências desse panorama são incalculáveis, mas a dialética que age sobre a história abre as possibilidades da superação.

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APÊNDICE A - ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA COM UM EGRESSO DE ESTÁGIO DO CURSO TÉCNICO-PROFISSIONALIZANTE DE EDIFICAÇÕES DA

EEEP

PESQUISADORA: Anita Pedrosa Fontes

TÍTULO: Os estágios nas Escolas Profissionais do Estado do Ceará

Você está sendo convidado a participar de nossa pesquisa. Sua participação é importante, porém, não deve participar contra a sua vontade. Nosso objetivo é analisar o processo de estágio das EEEPs. Informamos que seu nome não será divulgado em hipótese alguma. Se você consentir, na entrevista será utilizado gravador para melhor apreensão dos dados coletados.

Apresentação

1. Em qual escola/cidade você estudava? 2. Qual curso profissionalizante você realizou? 3. Quando você começou o estagio?

4. Quanto era a carga horaria e como ela foi dividida? 5. Quanto foi a bolsa que vocês receberam?

6. Qual empresa você estagiou?

7. Como a escola prepara os estudantes para o estágio? 8. Como foi sua apresentação na empresa?

9. Você estagiou junto com outros estudantes? Quantos?

10.Como era o relacionamento com seus supervisores e demais funcionários? 11.Descreva as atividades que você realizava na empresa?

12.Você considerou o estágio significativo para sua formação técnica? Havia correspondência com o curso e com a teoria e pratica vivenciada na escola?

13.Você sentiu dificuldades em relacionar o estagio com seus estudos de contra-turno? 14.O que ocorria na “mediação” na escola?

15.Você escrevia relatório sobre suas atividades? Em quanto tempo? Isso ia para a avaliação? 16.A empresa fazia relatório, junto ou não com o orientador, e você assinava esse relatório? 17.Houve desvio de função em algum momento? Se sim, explique. Você comunicou a

escola? O que ela fez?

18.Como você avalia sua experiência de estágio?

19.Você quis continuar na área técnica escolhida? Por que?

20.Você tem os relatórios, plano de estagio, termo de compromisso ou termo de realização do estágio? Posso ter acesso.

APÊNDICE B - ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA COM UM ORIENTADOR DE ESTÁGIO DO CURSO TÉCNICO-PROFISSIONALIZANTE DE TRANSAÇÕES

IMOBILIÁRIAS DA EEEP

PESQUISADORA: Anita Pedrosa Fontes

TÍTULO: Os estágios nas Escolas Profissionais do Estado do Ceará

Você está sendo convidado a participar de nossa pesquisa. Sua participação é importante, porém, não deve participar contra a sua vontade. Nosso objetivo é analisar o processo de estágio das EEEPs. Informamos que seu nome não será divulgado em hipótese alguma. Se você consentir, na entrevista será utilizado gravador para melhor apreensão dos dados coletados.

Apresentação

1. Em qual escola/cidade você trabalha? 2. Qual curso profissionalizante você orienta?

3. Na matriz curricular o estágio é dividido entre base profissionalizante e base diversificada. Existe diferença? Se sim, qual o critério para o estágio no eixo diversificado do currículo? 4. Há quanto tempo você é orientador de estágio?

5. Qual é a sua área de formação?

6. Você recebeu alguma formação para exercer a função de orientador de estágio? 7. Como é feita a seleção e a escolha das empresas?

8. O que faz o orientador de estágio?

9. Por média quantos estagiários você orienta por semestre?

10.No espaço da “MEDIAÇÃO” normalmente o que é mais tratado? O que os estagiários normalmente mais evidenciam?

11.O instrumento: Manual do Itinerário Formativo Avaliação e Acompanhamento do Estágio é elaborado por quem e no que consiste? Como posso ter acesso a esse material?

12.Como você elabora o plano de estágio? Posso ter acesso a um?

13.Como é a forma de acompanhamento e avaliação dos estágios? Quais os instrumentos/metodologia utilizados?

14.Como o estudante obtém os pontos para sua avaliação e quais os critérios avaliados, tanto na Avaliação Prática como na Avaliação das Atitudes?

15.Como e quem faz a coleta dos dados/pontos para a avaliação ?

16.Quais as competências e habilidades desenvolvidas/avaliadas no estágio?

17.Como as empresas recebem/vem a política de estágio? Na pesquisa de satisfação quais os apontamentos mais levantados? As empresas enviam relatórios das atividades

desenvolvidas?

18.Existe algum espaço para o estudante se posicionar no processo e na avaliação do estágio? O estagiário faz algum tipo de relatório de suas atividades?

19.Como você avalia está política de estágio, seus avanços e limites? Como você acha que poderia melhorar?

APÊNDICE C - ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA COM UM DIRETOR DE EEEP

PESQUISADORA: Anita Pedrosa Fontes

TÍTULO: Os estágios nas Escolas Profissionais do Estado do Ceará

Você está sendo convidado a participar de nossa pesquisa. Sua participação é importante, porém, não deve participar contra a sua vontade. Nosso objetivo é analisar o processo de estágio das EEEPs. Informamos que seu nome não será divulgado em hipótese alguma. Se você consentir, na entrevista será utilizado gravador para melhor apreensão dos dados coletados.

Apresentação

1. Há quanto tempo você é Diretor de EEEP? 2. Qual a sua formação acadêmica?

3. Como foi o processo de seleção e o preparo para o cargo de Diretor? 4. A política de estágio começou quando?

5. Como a comunidade escolar, local e os empresários vêm a política das EEEPs? 6. O que foi (vem) sendo mudando nessa política?

7. Quais as principais dificuldades no trabalho da escola com os estágios? 8. Como você avalia a política de estágio?

9. De que forma as empresas intervêm na criação, organização dos cursos profissionalizantes?

10.Os índices de conclusão e evasão nos estágios e nas EEEPs como todo, como estão? Como você avalia esses índices?

ANEXO A - GRADE CURRICULAR DO CURSO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO EM