5. Presentasjon av funn
5.5 Skolelivet etter diagnosen
As leis econômicas que regem o futebol-negócio diferem de outros mercados. Desse modo, o sucesso do clube e da liga disputada está interligado, uma vez que o interesse do torcedor incide sobre a incerteza, assim quanto maior a dúvida quanto aos resultados da partida e do grande vencedor maior será o público presente nos estádios. O equilíbrio entre as equipes mobiliza as torcidas e quando dois times similares se encontram a expectativa é de estádio cheio e grande audiência televisiva.O contrário se verifica quando uma equipe forte disputa com uma fraca, por conseguinte quanto mais disputa, maiores as receitas.
Os adversários precisam estar em pé de igualdade, pois a rivalidade é peça fundamental neste mercado esportivo diferenciado,em que os competidores necessitam-se para produzirem o que vendem. A transformação das partidas em eventos constitui outra lei econômica do futebol. “Os times deveriam disputar campeonatos organizados e conectados, em que todos os jogos valham pontos que levem ao título, e, este, a um campeonato mais importante e com maior grau de dificuldade”, segundo Aidar e Leoncini (2002, p. 117). Além disso, os jogos não devem ser excessivos para que o caráter especial não seja retirado.
Decorre dessas leis a importância de uma liga forte e de um bom calendário. A reestruturação dos estádios para garantir maior conforto aos torcedores também influencia os números desse mercado, pois muitos indivíduos pertencentes às classes média e alta deixam de comparecer aos jogos por estes não oferecerem comodidade e/ou segurança. A transformação dos estádios em arenas diversifica os negócios, favorecendo o consumo de alimentos e bebidas alcoólicas, a venda de itens esportivos – bonés, camisas dos clubes, entre outros. Um bom exemplo de obsolescência planejada é a mudança das camisas oficiais que ocorre anualmente. Aidar e Leoncini (2002) comparam a diversificação das fontes de renda dos clubes da atualidade com os do passado:
Se os times que ganham mais jogos nos gramados faturam mais que os vitoriosos do passado, a explicação está na multiplicação das fontes de faturamento. Décadas atrás, se um elenco era imbatível, ganhava, no máximo, mais dinheiro com mais ingressos porque mais gente estava interessada em ver os esquadrões em ação. Hoje, quem faz mais gols e fatura mais partidas aparece mais na TV, que gera melhores contratos de patrocínio e merchandising. E mesmo a tradicional bilheteria dos estádios passou a valer mais, pois o torcedor que vê seu time ganhando não se contenta em pagar para ver os jogos ao vivo: ele quer, e pode comprar centenas de produtos licenciados criados pelos departamentos de marketing dos novos clubes- empresas. (AIDAR E LEONCINI, 2002, p 108)
34 Na base da geração de receitas estão os milhões de torcedores apaixonados, conforme Aidar e Leoncini (2002, p.121), “mas desde que parte dessa legião se transforme em clientes”. O tamanho da torcida determina o potencial da receita que cada clube pode gerar, logo, o valor de uma equipe sofre influência direta do número de torcedores. Alterar o tamanho da torcida demanda tempo e depende do desempenho dos jogadores em campo, em outras palavras, a torcida relaciona-se com a tradição e com os resultados positivos. Por outro lado, torna-se inviável não se levar em consideração o fator emocional quando se trata do torcedor, pois o mesmo não muda de time, embora este apresente fracassos, o que pode ser alavancado é a formação de futuros torcedores.
O potencial de geração de receitas para os times com maior torcida é enorme, se levarmos em consideração, por exemplo, conforme pesquisa pela Pluri Consultoria em 2012, que o Flamengo conta com uma massa de cerca de 29 milhões de torcedores, o Corinthians possui 25 milhões, o São Paulo 9,7 milhões, o Grêmio 5,8 milhões, o Cruzeiro 4,4 milhões. Em se tratando do campeonato cearense as duas maiores torcidas são a do Ceará com 1 milhão e do Fortaleza com 990 mil. Ainda para Aidar e Leoncini (2002, p.133) o torcedor constitui-se como o consumidor ou cliente final, os clientes intermediários se dividem em duas categorias – mercado de revenda (TV, mídia e empresas licenciadas) e mercado industrial (empresas interessadas em marketing), como demonstra a figura 2 a seguir.
Figura 2 - Mercados do Mundo do Futebol
Fonte:(Adaptado)A nova gestão do futebol (2002)
Os mercados produtor, intermediário e consumidor relacionam-se entre si e geram vários tipos de receitas a partir destes relacionamentos. Adair e Leoncini (2002, p.98) destacam algumas:
1 Mercado produtor
(Organizações de futebol – ligas e clubes)
2 2
Mercado intermediário de revenda Mercado intermediário industrial
(TVs, empresas licenciadas) (Empresas de marketing) 3
Mercado consumidor
35 relacionamento comercial 1 – relacionamento com a TV (direitos de transmissão);
relacionamento comercial 2 – relacionamento com o patrocinador principal (uso via marketing/co-gestão);
relacionamento comercial 3 - relacionamento com loterias (exploração de jogos de azar);
relacionamento comercial 4 – relacionamento com o cliente torcedor / amante do futebol (bilheteria/ merchandising);
relacionamento comercial 5 – relacionamento com o patrocinador técnico (uso via marketing);
relacionamento comercial 6 – relacionamento com empresas produtoras de bens (exploração da marca via licenciamento / placas de publicidade);
relacionamento comercial 7 – relacionamento com outros clubes / federações / empresas patrocinadoras (negociações de jogadores).
Na conjuntura do futebol brasileiro, o papel dos jogadores torna-se essencial, uma vez que se apresenta como a principal fonte de renda de muitos clubes nacionais. Ainda sobre cadeias de relacionamentos no futebol negócio destaca-se o papel da mídia como “instrumento de divulgação, a propaganda como negócio, o comércio de mercadorias esportivas e a construção da logomarca de um produto”, conforme Adair e Leoncini (2002, p. 98).
Ter um produto que não sofra alteração de demanda quando seu preço se modifica e ao mesmo tempo tenha sua demanda incrementada com o crescimento da renda é o ideal para qualquer produtor. Economicamente o produto deve ter baixa elasticidade em relação ao preço e alta elasticidade em relação à renda informam Aidar e Leoncini (2002, p.115). O futebol quando bem gerido pode apresentar as duas condições expostas: baixa elasticidade em relação ao preço e alta elasticidade em relação à renda. A demanda por futebol é considerada inelástica em relação ao preço, já que não se abala fortemente à mudança de preço. Tornar esse segmento sem substituto para o torcedor é tarefa possível para uma gestão eficaz que se valha de todos os recursos e estratégias condizentes com as leis econômicas especiais aplicadas ao futebol.
A respeito da gestão,Santos (2002) enfatiza que atualmente o mundo dos negócios se faz presente cada vez mais no mundo do futebol e esta é uma tendência mundial. Para o
36 autor não há ainda certezas sobre tal realidade, todavia hoje a gestão amadora está definitivamente obsoleta. “O capital exige um mínimo de previsibilidade ou, ao menos, condições de calcular o risco do investimento. Para isso é necessário que haja uma gestão profissional que garanta um mínimo de organização.” (2002, p.34)Santos ainda reitera que décadas atrás, exigia-se tão somente a formação de um bom time para o campeonato seguinte uma dose de sorte, poderia definir o campeão. Hoje, até a alimentação dos atletas deve ser controlada e balanceada de acordo com as necessidades de cada jogador durante o ano.
Na história da evolução do futebol moderno, inúmeras batalhas forma travadas: amadorismo versus profissionalismo, esporte-prática versus esporte-espetáculo, esporte de elite versus esporte popular, clube social versus clube empresa profissional e mais recentemente gestão amadora versus gestão profissional. Para Aidar e Leoncini (2002, p. 81), em cada dessas batalhas um sistema esportivo responsável pela oferta de produtos esportivos se posiciona configurando a oferta do setor. Para os autores citados, essa oferta compõe-se por um sistema de instituições e agentes direta ou indiretamente ligados à existência de práticas e de consumos esportivos:
agrupamentos esportivos (clubes, ligas, CBF e federações estaduais);
produtores e vendedores de bens necessários à pratica (equipamentos esportivos, exemplo: Nike, Adidas e etc.);
produtores e vendedores de serviços diretos ( professores, treinadores, médicos especialistas e outros);
produtores e vendedores de espetáculos esportivos e bens associados ( loterias esportivas, transmissões pelas TV e outros).
Logo, o futebol insere-se na indústria do entretenimento com todas as suas peculiaridades e acompanha os novos rumos da economia local e global. A profissionalização irreversível dita tais caminhos a serem trilhados e exige leis que a regulamente.
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