4. Analyse og drøfting
4.5. Skolelederollen
Neste estudo estamos nos baseando no conceito de clima escolar apoiado em elementos de natureza subjetivo como a percepção e a sensação do aluno sobre o clima escolar. Embora não faça parte deste estudo examinar a “veracidade” ou
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não do clima dentro da escola tal como percebido pelo aluno, é interessante identificar a existência de relações entre as características concretas das escolas e o tipo de clima constatado. Nas analises anteriormente feitas surgiram algumas indagações do tipo: Será que o tamanho das escolas, como nas SRE’s influenciam? Será que as escolas melhor infraestrutura tendem a ter desempenho mais alto e clima escolar percebido como satisfatório? Será que as escolas desse grupo estão mais na zona urbana?
Para nos auxiliar a procurar evidencias que possam responder a essas indagações e vir a distinguir as escolas do grupo de alto desempenho e clima escolar satisfatório, das do grupo de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório, vamos analisar algumas características de natureza objetiva das escolas estaduais e municipais separadamente. Examinando as seguintes variáveis: localização da escola - urbana ou rural; tamanho da escola - o número de salas e quantidade de funcionários e os níveis de ensino ofertados; acesso a serviços básicos como água potável, energia e esgoto; e a qualidade da infraestrutura da escola verificando a presença de dependências como sala da direção, dos professores, banheiros e refeitório entre outras.
4.5.4.1 Localização da escola: zona rural ou urbana
Uma primeira hipótese a ser examinada para tentar estabelecer a diferença entre os grupos de análise poderia ser a localização em área urbana ou rural. No entanto, as escolas estaduais e municipais estão, em sua grande maioria, na zona urbana. Por essa razão, considera-se que essa variável não seja relevante para discriminar esses dois grupos.
4.5.4.2 Níveis de ensino ofertados
Outra variável que poderia oferecer melhores indícios seria a dos níveis de ensino ofertado: anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio. Essa variável também não ofereceu indícios para a distinção dos grupos de análise.
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Todas as escolas estaduais dos dois grupos analisados são de ensino regular e oferecem o ensino fundamental, há uma variação com relação ao ensino médio, 63,2% se encontram no grupo de alto desempenho e clima escolar satisfatório e 43,5% no grupo de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório.
Todas as escolas municipais dos dois grupos de análise são de ensino regular e têm o ensino fundamental. A grande maioria das escolas municipais do grupo alto desempenho e clima escolar satisfatório e as do grupo baixo desempenho e clima escolar insatisfatório têm somente o ensino fundamental e a educação infantil. Por esses dados, percebe-se que essa variável referente ao tipo e nível de ensino não demonstra relevância em relação à distribuição das escolas entre as duas categorias de análise.
4.5.4.3 Tamanho das escolas e quantidade de funcionários
Para determinar o tamanho da escola, foram utilizadas duas variáveis: quantidade de funcionários e de salas de aula utilizadas. Para a análise dessa variável separamos o número de salas existentes em intervalos de 5 em 5 até chegar a 30. Para os funcionários utilizamos intervalos de 20 em 20 até chegar a 160. Utilizamos como referência o grupo com maior percentual de escolas nos intervalos. Nas escolas estaduais do grupo alto desempenho e clima escolar satisfatório, 38,1% possuem de 11 a 15 salas e 34,6% possuem de 41 a 60 funcionários. No grupo de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório esse percentual é de 35,9% para 11 a 15 salas e quase o mesmo percentual de funcionários. Esses números indicam que as diferenças entre os dois grupos são mínimas, o que exclui o tamanho da escola como variável relevante.
As escolas municipais apresentam resultados semelhantes. Nas do grupo de alto desempenho e clima escolar satisfatório 50,2% possuem 6 a 10 salas e 38,9% de 20 a 40 funcionários. Nas do grupo baixo desempenho e clima escolar insatisfatório, as escolas são maiores porque o maior percentual está em escolas
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que possuem de 11 a 15 salas e 20% de 61 a 79 funcionários. Portanto, há diferenças no tamanho das escolas municipais.
TABELA 13 Número de salas existentes e utilizadas nas escolas estaduais e municipais dos grupos de alto desempenho e clima escolar satisfatório e de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório
Dependência
0 a 5 6 a 10 11 a 15 16 a 20 21 a 25
26 a
30 mais de 30 % % N % N % N % N % N % N % Alto desempenho e clima satisfatório - Escolas Estaduais Nº de salas de aulas existentes 15 6,5 103 44,6 84 36,4 20 8,6 8 3,5 1 0,5 0 0 100% Nº de salas de aula utilizadas 14 6,1 99 42,8 88 38,1 20 8,6 8 3,5 2 0,7 0 0 100% Baixo desempenho e clima insatisfatório Escolas Estaduais Nº de salas de aulas existentes 8 3,6 81 36,8 80 36,4 34 15,4 11 5 5 2,3 1 0,5 100% Nº de salas de aula utilizadas 10 4,5 79 35,1 80 36,4 32 14,5 14 2,3 4 2,3 1 0,5 100% Alto desempenho e clima satisfatório Escolas Municipais Nº de salas de aulas existentes 16 8,3 98 50,8 60 31,1 12 4,1 2 1 2 1 3 1,5 100% Nº de salas de aula utilizadas 17 8,8 97 50,2 50 25,9 20 12,3 6 3,1 2 1 1 0,5 100% Baixo desempenho e clima insatisfatório Escolas Municipais Nº de salas de aulas existentes 19 4,7 96 24 130 57,5 98 24,5 29 7,2 17 4,2 11 2,7 100% Nº de salas de aula utilizadas 23 5,7 95 23,7 127 31,7 89 22,2 28 7 20 5 18 4,75 100% FONTE: Elaboração própria com base nos dados do PROEB 2011.
4.5.4.4 Local de funcionamento e oferta de serviços públicos básicos
Por fim, foram analisados o local de funcionamento, a infraestrutura dos prédios e a oferta de serviços básicos como água filtrada, energia pública e coleta de lixo nas escolas.
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O local de funcionamento não apontou evidências que pudessem discriminar as escolas dos dois grupos porque em sua quase totalidade, as escolas funcionam em prédios próprios. Essa constatação vale tanto para a rede estadual, quanto para a municipal.
A oferta de serviços públicos também não se mostra significativa porque praticamente todas as escolas estaduais dos dois grupos de análise dispunham de serviço de água filtrada, energia elétrica, esgoto da rede pública e com coleta periódica de lixo. Na rede municipal o único serviço que não atingiu a quase totalidade das escolas nos dois grupos foi a coleta periódica de lixo. Nesta análise de local de funcionamento e a oferta de serviços não se encontraram indícios suficientes de discriminar os dois grupos em ambas as redes de ensino.
4.5.4.5 Infraestrutura das escolas
Na análise da infraestrutura, considerou-se a existência de sala para a direção, para os professores, sala de leitura e sala para atendimento especial. Também foram consideradas quadras cobertas e descobertas, cozinha, biblioteca, refeitório, secretaria, banheiro dentro do prédio e a existência de laboratório de informática e de ciências, de área verde dentro da escola e de pátio interno. Para isso, examinou-se a existência ou não de tais itens nos dois grupos de análise da rede estadual e municipal separadamente.
Na rede estadual, quase todas as dependências tiveram percentual semelhante, nos dois grupos, constando variação menor de 5%. A exceção foram as quadras coberta e descoberta, que estão mais presentes no grupo de escolas de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório. Isto pode ser explicado porque a rede estadual já havia um esforço de dotar as escolas com essas dependências consideradas mais básicas.
Nas escolas municipais em muitas dessas dependências ocorreu o contrário. Em muitas delas a presença delas foi maior no grupo de escola de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório como: sala de professores, laboratório de ciências,
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sala de atendimento especial, quadras de esportes coberta e descoberta, biblioteca, secretaria, auditório e pátio coberto. As demais dependências como sala dos professores, laboratório de informática, cozinha, sala de leitura, sanitário dentro e fora do prédio, refeitório e pátio descoberto estão mais presentes nas escolas do grupo de alto desempenho e clima escolar satisfatório. É importante ressaltar que a explicação para essa falta de uniformidade das escolas municipais, deve-se que, como dito anteriormente, estamos tratado de várias redes municipais e de municípios muito diferentes entre si.
TABELA 14 Número de dependências existentes nas escolas estaduais e municipais dos grupos de alto desempenho e clima escolar satisfatório e do grupo de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório
Escolas Estaduais Escolas Municipais Dependências Alto e Satisfatório Baixo e Insatisfatório Alto e Satisfatório Baixo e Insatisfatório N % N % N % N % Sala Diretoria 222 96,5 210 94,2 179 95,7 371 92,7 Sala dos Professores 211 95,7 206 92,4 168 87,6 372 93 Lab. De Informática 202 87,4 186 83,4 161 83,4 315 78,7 Lab. De Ciências 37 16,1 28 15,5 10 5,2 91 22,7 Sala de Atendimento. Especial 46 19,9 27 12,1 45 23,3 121 30,2 Quadra de Esp. Coberta 94 40,7 105 47,1 77 39,9 230 57,5 Quadra de Esp. Descoberta 75 32,5 83 37,2 57 29,5 122 30,5 Cozinha 229 99,1 220 98,6 193 100 398 98,2 Biblioteca 214 92,6 206 93,7 163 84,4 351 87,7 Sala de Leitura 14 6,1 13 5,8 19 9,8 25 6,2 Sanitário Fora do Prédio 28 12,1 15 6,7 23 11,9 51 12,7 Sanitário Dentro do Prédio 229 99,1 218 97,7 192 99,5 397 99,2 Secretaria 147 63,6 122 50,2 134 69,4 309 77,2 Refeitório 112 48,5 76 34,1 129 66,8 247 61,7 Auditório 17 7,4 9 4 22 11,4 69 17,2 Pátio Coberto 56 24,2 52 23,3 70 36,3 153 38,2 Pátio Descoberto 108 46,8 81 36,3 109 56,5 159 37,7 Área Verde 59 25,5 47 21,1 83 43 110 27,5 FONTE: Elaboração própria com base nos dados do Censo escolar 2011.
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Esses resultados contraditórios entre as duas redes não favorecem que se diga, neste caso, que a infraestrutura seja de fato um forte indicador para discriminar os grupos de análise. E também que, mesmo nas escolas estaduais onde há um padrão, houve uma variação entre os dois grupos. Nas escolas do grupo de alto desempenho e clima escolar satisfatório as dependências analisadas estavam mais presentes.
Essa conclusão está alinhada com os achados de Rutter (1979) que a infraestrutura não auxiliava na construção de um bom clima escolar e, sim, outros fatores mais subjetivos como presença de regras, sanções e recompensas. Cornejo e Redondo (2001) também chegaram a essas mesmas conclusões ao apontarem que os contextos regulativos e imaginativos – fatores mais subjetivos – tinham mais peso na aprendizagem dos alunos segundo as suas próprias percepções do que os aspectos mais objetivos da infraestrutura da escola.
Com isso, não se está defendendo que as escolas não devam ter boa infraestrutura e, sim, que somente dotar as escolas de quadras, laboratórios, banheiros e salas, ou seja, o investimento no ambiente físico, não contribui de forma tão significativa para a construção do bom clima escolar na percepção dos alunos.
Se, por um lado, a análise dos fatores mais objetivos não auxiliou a explicar de forma contundente as diferenças entre os dois grupos de escolas, de alto desempenho e clima escolar satisfatório e de baixo desempenho e clima escolar insatisfatório, o nível socioeconômico e a percepção e sensação sobre as Práticas de convivência, de gestão e pedagógica auxiliou na distinção desses.
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5 CONCLUSÕES DA PESQUISA
A motivação original para esta pesquisa se derivou do sentimento que as escolas não estão sendo bem sucedidas no seu propósito de dar aos alunos o domínio dos conteúdos básicos e nem de oferecer o essencial de uma formação humana. As avaliações internacionais como PISA, nacionais como o Saeb e estaduais como o Proeb em Minas Gerais mostram o quanto ainda é necessário evoluir para alcançar as médias ostentadas pelos países mais desenvolvidos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e por alguns dos nossos vizinhos latino-americanos como Chile e Uruguai. A respeito da formação humana, os casos de violência e bullying estão proliferando dentro das escolas demonstrando que o ambiente interno dos estabelecimentos de ensino não está bom, contrariando aquilo proposto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Somou-se a essa motivação inicial outra que foi a de avaliar o sucesso da proposta do governo de Minas Gerais no sentido de investir na melhoria do ambiente das escolas para modificar esse cenário.
A partir desse ponto, começamos a pesquisar sobre o ambiente escolar nos documentos oficiais e chegamos a um conceito de clima escolar que associava a redução da violência na escola a melhorias nos resultados educacionais. No entanto, esse estudo inicial mostrou algumas divergências entre os textos oficiais da Secretaria de Estado de Estado de Educação – SEEMG, os textos do Ministério da Educação – MEC e o conceito de clima encontrado na bibliografia especializada examinada. Nos documentos estudados a nomenclatura do clima escolar também pode ser encontradacomo clima escolar social, clima de sala de aula, ambiente escolar, ethos, entre outros. Isto fundamentou nossa hipótese de trabalho que embora os textos indicassem as contribuições do clima escolar para a melhoria dos resultados educacionais, essa polissemia do conceito associado à
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construção do conceito de clima com base em elementos de natureza diferentes, ora subjetivos, ora objetivos, não permitia que se verificasse as reais contribuições do clima escolar para a melhoria dos resultados educacionais. Esta pesquisa desenvolveu-se neste contexto de investigar as reais contribuições do clima escolar para o desempenho dos alunos do 5º ano do ensino fundamental das escolas públicas – estaduais e municipais, do Estado de Minas Gerais. Para atingir esse objetivo, foi necessário depurar o conceito de clima escolar retirando os elementos de natureza objetiva e centrando-se somente nos elementos de natureza subjetiva, focados na percepção e sensação dos alunos sobre vários elementos da vida escolar. Com base nesse novo conceito de clima, foram definidas uma série de modificações ao questionário contextual aplicado aos alunos na ocasião da avaliação do PROEB e usado para investigar entre outras variáveis, o clima escolar. Posteriormente à aplicação do novo questionário, foram realizadas as análises estatísticas necessárias para verificar se de fato o clima escolar tem a relação esperada com o desempenho escolar ao ponto de poder ser considerado uma contribuição para a melhoria dos resultados da escola. Assim, ao final deste trabalho chegamos a algumas conclusões. O investimento feito na depuração das diversas definições existentes, na elaboração de novo conceito e na modificação do questionário contextual em virtude desse novo conceito foi proveitoso, porque a partir dele foi possível testar a relação entre o clima escolar e o desempenho médio dos alunos. As etapas percorridas para a validação estatística do modelo de clima escolar, da medida de desempenho dos alunos e do clima escolar, por meio dos indicadores elaborados descritos com detalhe na metodologia e análise de dados, nos permite concluir que existe de fato a relação entre o clima escolar considerado satisfatório na percepção dos alunos com o alto desempenho escolardo 5º ano do ensino fundamental das escolas municipais e estaduais do Estado de Minas Gerais.
Como resultado da população avaliada pelo PROEB 2011, temos 453 escolas estaduais de alto desempenho, sendo que destas 231 (50,9%) combinam alto desempenho e clima escolar satisfatório. E, no outro extremo, das 510 escolas de baixo desempenho, 209 (40,10%) combinam baixo desempenho e clima escolar
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insatisfatório. Das 394 escolas municipais de alto desempenho, 193 (48,10%) combinam alto desempenho e clima escolar satisfatório. E, das 1.041 escolas de baixo desempenho, 397 (38,14%) combinam baixo desempenho e clima escolar insatisfatório. A associação entre o clima positivo e melhor desempenho fica ainda mais evidente ao constatar a baixa probabilidade de uma associação entre clima insatisfatório e desempenho alto. No caso das escolas municipais, a conjugação de alto desempenho e clima escolar insatisfatório se mostrou ainda menos provável. Nesse caso foram somente 28 escolas ou 4,27% do total de escolas de desempenho alto ou 1,2% do total de escolas municipais que mostraram simultaneamente essas duas características. Em outras palavras, quando o clima escolar é satisfatório é alto o percentual de escolas com alto desempenho escolar e, por outro lado, quando o clima é percebido como insatisfatório é alto o percentual de escolas com baixo desempenho escolar, tanto na rede estadual quanto na municipal.