Organizado basicamente em três estágios: cultivo, produção do açúcar ou álcool e comercialização do produto final, algumas corporações atuam nos três estágios, mas a maioria utiliza parcerias e contratos de longo prazo, principalmente para as atividades de fornecimento de cana-de-açúcar e comercialização, mantendo seu foco na produção.
A estimativa da receita bruta, gerada no setor, segundo Neves et al. (2009), foi de cerca de USD 86.833,00 milhões no ano de 20087. Para os autores, somando apenas as vendas dos bens finais, retirando o faturamento dos bens e serviços intermediários utilizados na produção, tem-se uma estimativa do PIB do setor, da ordem de USD 28.153,10 milhões, o equivalente a 1,5% do PIB nacional.
Em relação aos empregos formais, em 2008, foram contabilizados 1,28 milhões de postos de trabalho, o equivalente a 2,15% dos postos de trabalho no Brasil, sendo 38% no cultivo da cana-de-açúcar e 62% na produção de açúcar e etanol. A massa salarial foi estimada em USD 738,33 milhões. Do total de empregos contabilizados no ano, 54% dos profissionais terminou o ano sem vinculo empregatício, fato que normalmente se repete,
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Utilizando a cotação media do dólar americano no ano de 2008, equivalente a 1US$ = $1,84
São Paulo Centro-Oeste Sul Sudeste Nordeste Norte
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devido aos empregos sazonais que são gerados no pico da safra. O saldo de empregos, em 2008, foi de 588.826. Considerando os empregos informais, estima-se que tenham existido 1,43 milhões de empregos no setor. Entre empregos diretos e indiretos, chega-se à marca de 4,29 milhões de pessoas alocadas em trabalhos relacionados com a cana-de-açúcar, (NEVES et al., 2009a).
Considerando apenas os impostos sobre o faturamento (IPI, ICMS, PIS e COFINS), estimou-se que, em 2008, o setor tenha desembolsado o equivalente a USD 9,86 bilhões. Desse total USD 3 bilhões são relativos à venda de insumos agrícolas e industriais; e USD 6,86 bilhões se referem a impostos agregados do setor (NEVES et al., 2009a).
A cadeia sucroenergética, porém, tem início antes do plantio da cana-de- açúcar, com a compra dos insumos agrícolas, que no ano passado, atingiu USD 9,2 bilhões. Só em relação a fertilizantes, a cultura da cana-de-açúcar realizou gastos de USD 2,3 bilhões, o que é equivalente a 14% da venda de fertilizantes no Brasil. Trata-se do terceiro maior mercado para fertilizantes, atrás apenas das culturas de soja e milho. Também foram comprados 3.970 tratores em 2008, o que movimentou USD 320,9 milhões (9% das vendas). O setor foi responsável pela compra de 47% dos tratores vendidos com potencia acima de 200 cv. O faturamento com implementos, como arados e pulverizadores, foi de USD 425,7 milhões. Quanto aos defensivos agrícolas, o setor movimentou USD 768,4 milhões (9,5% das vendas no País). A venda de colheitadeiras para o setor cresceu 52%, em 2008, atingindo 981 unidades, o que quase dobrou a frota usada nas lavouras de cana. Uma das razões para tal crescimento foi a exigência do fim das queimadas. Neste ano, foram vendidos também 1.962 caminhões, com mais de 40 toneladas (5% das vendas), (NEVES et al., p. 11, 2009a).
O DIEESE (2007) sinalizou que o agronegócio sucroalcooleiro faturou direta ou indiretamente R$ 40 bilhões por ano, o que corresponde a aproximadamente 2,35% do PIB nacional, e foi responsável pela geração de 3,6 milhões de empregos diretos e indiretos.
A safra 2009/2010, de acordo a CONTAG/ DIEESE (2010), movimentou R$ 51 bilhões (produção) o equivalente a 1,76% do PIB, com a geração de 4,5 milhões de empregos diretos e indiretos, produziu 34 milhões de toneladas de açúcar e 25,8 bilhões de litros de álcool, recolhendo R$ 13 bilhões em impostos, conforme demonstra a figura 02.
44 Figura 02: Os Números do Setor. Fonte: DIEESE Subseção CONTAG/ DIEESE (2010) a partir de dados PROCANA/CONAB8
Até maio de 2011, o País contava com 439 usinas, sendo 123 de álcool, 11 de açúcar, 302 do tipo misto, e 3 sem lançamento, distribuídas em 23 Estados da federação. A previsão é que, até 2025, o país tenha 615 usinas de etanol9, o que demonstra sua pujança. Por outro lado, tem gerado uma série de contenciosos diplomáticos.
A preocupação mundial com as prováveis consequências do aquecimento global tem se elevado, com base nos relatórios científicos divulgados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), o que tem incentivado a busca de energias alternativas aos combustíveis fósseis. O Governo brasileiro tem realizado esforços diplomáticos, para garantir melhores condições de acesso do etanol no mercado internacional, a exemplo da inclusão deste produto como um bem ambiental nas negociações com a Organização Mundial do Comércio. Em maio de 2007, os Estados Unidos, União Europeia e outros países industrializados apresentaram uma lista de bens ambientais, excluindo o etanol (ESPÍRITO SANTO & ALMEIDA, p. 5, 2007).
O Governo Brasileiro reagiu de imediato a essa proposta.
Em outubro de 2007, o Brasil submeteu, então, outra proposta à OMC (JOB (07)/146), com o intuito de contribuir para a discussão sobre bens ambientais no âmbito da Rodada Doha, em relação a barreiras tarifárias e não-tarifárias. A proposta argumenta que a liberalização comercial de bens ambientais não deve objetivar o aumento das vendas destes produtos, mas
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Disponível em: <http://www.contag.org.br/imagens/f1309cana.coletivo.assal.03-2010.pdf>. Acesso em: 26/08/2011.
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Disponível em:
<http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/Desenvolvimento_Sustentavel/Agroenergia/Orientacoes_Tecnicas/D
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promover a participação dos países em desenvolvimento neste comércio, de forma a lhes garantir um real benefício ambiental. Nesse sentido, deveria se ter em consideração não apenas as diferenças de desenvolvimento entre os países e suas necessidades socioeconômicas, mas, sobretudo, o apoio ao desenvolvimento de indústrias locais que contemplem padrões de consumo sustentáveis. Tais bens ambientais abarcariam, assim, os produtos agrícolas não incluídos nas listas tradicionais de Bens e Serviços Ambientais (em especial, os biocombustíveis) (HASNER e SHIKI, 2008).
O que se observa, nessa arena de disputa global, é a necessidade de constantes (re)avaliações sobre oportunidades e ameaças para o etanol de cana brasileiro. Questões sobre prospecção de mercados, capacidade instalada de produção (ociosa e/ou futura), custos de produção, mecanismos de proteção de mercado, difusão tecnológica para a criação de um mercado de fornecimento global, e os impactos socioambientais, estão na ordem do dia.
Questões dessa natureza não possuem soluções pré-fabricadas. Exigem arte na elaboração de soluções não necessariamente acabadas, mas que possuam, dentro de si, o espírito da melhoria contínua. Como enfrentar, por exemplo, a questão da associação entre a expansão da produção do etanol e o risco do desflorestamento da Amazônia, levantado por alguns governos, ONG’s e ambientalistas.