Del 2: Instituttenes funksjoner i dagens system
5.3 Samarbeid med næringslivet
5.3.4 Skjevheter i systemet
Já na coleta de dados junto à associação, a Acordo Verde, criada após a criação do projeto Acordo Verde, em 2007, descobrimos que esta encontra-se mais organizada no que se refere às condições de trabalho, bem como no cotidiano de uma associação (CHANIAL; LAVILLE in HESPANHA, 2009).
Foi relatado, pela presidente da associação, que ocorrem reuniões entre os associados e há uma intensa interlocução com os gestores da EMLUR, que parece estar dando mais apoio à associação (em relação à ASTRAMARE). Os relatos mostram que, na Acordo Verde, a prefeitura é mais presente na assistência: “Ah, os carrinhos e as “quentinhas” são oferecidas pela EMLUR. Essas coisas tudo, bota, luva, foi a EMLUR” (Presidente, informação verbal, 2011).
Portanto, foi relatado que a EMLUR vem dando apoio logístico aos(as) catadores(as) da associação Acordo Verde no transporte dos(as) catadores(as) entre suas casas até o galpão da Cidade Universitária e, também, para carregar os materiais coletados pela Universidade Federal da Paraíba e bairros mais próximos.
Também foi relatado pelos(as) catadores(as) da Acordo Verde que a EMLUR vem fornecendo almoço diário, transporte, uniforme (fardamento, na linguagem local), equipamentos de trabalho (como carrinhos para transportar o material coletado nas ruas), prensas, luva, máscara, etc: “Só quem dá assistência aqui é a EMLUR, só a EMLUR (...)” (Gestor, informação verbal, 2012).
Quanto à organização do trabalho, foi relatado que as equipes estão divididas entre os galpões do Jardim Universitário e Mangabeira, e que se revezam entre a coleta em rotas estabelecidas pela EMLUR, onde os(as) catadores(as) percorrem ruas dos bairros do José Américo e Castelo Branco e também recolhem o material separado na Universidade.
O trabalho de separação é feito nos galpões. Os cerca de 25 catadores(as) se dividem entre as rotas, a coleta no campus da universidade e as atividades de separação nos dois galpões.
Assim, os bairros de José Américo e do Castelo
Branco, é feito pelo caminhão e não pelos catadores(as), na 2.ª e 4.ª. Nestes dias, toda a equipe fica na triagem no galpão. Um dia é feito pelo galpão, deste galpão e o outro pelo de Mangabeira (...) Bancário, 2.ª e 5.ª....José Américo, 3.ª e Sexta. (...) Aí, faz rota também (Gestor, informação verbal, 2012)
Após a seleção dos materiais de acordo com o tipo (metal, papel, plástico e vidro), o material é acondicionado e preparado para a venda que é realizada mensalmente. Foi informado pelo gestor do Galpão da Cidade Jardim Universitário que os(as) catadores(as) conseguem juntar de oito a dez toneladas a cada quinze dias. Os pagamentos aos(as) catadores(as) também são feitos quinzenalmente. A explicação para esta sistemática foi dada pelo fato de que, quanto maior o volume/peso de material, melhor o preço a ser obtido pela venda. Assim, espera-se esse período para que se possa acumular mais material.
Entretanto, uma outra informação nos chamou a atenção sobre a organização do trabalho. Foi relatado pela presidente que são criados grupos de três catadores para trabalhar conjuntamente: “a pesagem do grupo é separado, o dinheiro é dividido entre as três pessoas do grupo” (Presidente, informação verbal, 2011).
Dessa forma, o conjunto dos catadores foi dividido em grupos de três pessoas (aproximadamente). Assim, a pesagem é feita por cada grupo de três trabalhadores
e o montante vendido é dividido por três. Isto é realizado em cada grupo de catadores. A explicação dada para esse formato de divisão foi facilitar a organização do trabalho e divisão das vendas, feitos pelo gestor do galpão.
No que diz respeito à dependência das associações do poder público (LANNA, 2004), fica bastante evidente a ingerência da EMLUR sobre as atividades e direcionamento da associação. Quando perguntamos se a associação participa de algum movimento dos(as) catadores(as) ou entidade de apoio, oupercebi, de uma catadora (membro da direção de uma das associações):
não tenho conhecimento se ela tem participação em nenhum desses movimento. Me lembro que (fulano) [da Coordenação da EMLUR], uma vez me procurou para colocar em um projeto aí, mas parece que ele não preparou a papelada da associação e passou do tempo de entregar, mas eles tão querendo ajeitar a papelada (a parte legal) (Catadora, informação verbal, 2011).
O gestor de um dos galpões confirmou a interferência e dependência de ações administrativas da prefeitura na associação com a informação de que há um completo controle, por parte da EMLUR, sobre as atividades desempenhadas pela associação dentro dos galpões, inclusive no que se refere às relações da associação com outras entidades e atravessadores.
Ficou claro, também, que a sua documentação legal fica sob guarda da administração da EMLUR. A alegação dada sobre o assunto seria o convênio firmado entre a EMLUR e a associação. Ao ser perguntado sobre atas ou outros documentos da associação ou se ela mantinha algum vínculo ou convênio com outra instituição ou entidade, oupercebi: “Aí eu acho que é com a EMLUR. Até a documentação é toda com a EMLUR” (Gestor do Galpão, informação verbal, 2011).
Ao ser perguntada sobre quem organiza a documentação da associação, a presidente de uma das associações nos relatou que tudo ficaria sob controle da EMLUR, mesmo tendo declarado que é líder da associação há cerca de quatro ou cinco anos: “Ele que mexe (...), quando a gente mexe com papelada ou doação, ele me busca pra ir lá e assinar” (Presidente, informação verbal, 2012). Tal relato nos remete à característica de patronagem (LANNA, 2004) nas relações de solidariedade e dádiva verificadas em campo.
Quando confrontamos algumas respostas acerca das condições de trabalho dos(as) catadores(as) no Galpão da Cidade Jardim Universitário, podemos constatar as informações dadas pela EMLUR quanto ao fornecimento, por ela, de alimentação, carrinhos e equipamentos de proteção individual (EPI), à disponibilidade do galpão àquele grupo de catadores(as) e transporte até os galpões: “Ah, os carrinhos e as “quentinhas” são oferecidas pela EMLUR. Essas coisas tudo, bota, luva, foi a EMLUR” (Catadora, informação verbal, 2011).
A informação acima nos chamou a atenção, tendo em vista que, na coleta de dados junto a outra associação, foi relatado pelos catadores que a única ajuda que a EMLUR vinha fornecendo era o ônibus que fazia o transporte entre o centro da cidade até o Aterro Sanitário onde funciona o Galpão onde trabalham.
Ao tentarmos identificar a causa para a diferença na assistência entre as duas associações, somente nos restou inferir que as relações entre EMLUR e a outra associação (ASTRAMARE) encontrava-se enfraquecida e não havia interesse em investir mais recursos naquela entidade, ao menos naquele momento, quando pesquisamos. As relações de conflito naquela associação pareceram fortes. Diferentemente da Acordo Verde, cujas relações pareciam mais amistosas.
A falta de autonomia e autogestão (FRANÇA FILHO in HESPANHA, 2009) também pôde ser verificada quando indagamos aos catadores sobre o quantitativo de material que acumulam quinzenalmente: “não tenho a menor ideia, eu não sou de fazer conta não. Eu anoto todo dia, aí a (fulana) [aponta para a colega ao lado] leva para o computador e ele mostra tudo direitinho.” (Catadora, informação verbal, 2011).
Ao tentarmos averiguar a possibilidade de haver atividades de reciclagem de material pela associação, com o fim de ampliar as atividades restritas à coleta e separação, foi evidenciado, tanto pelos gestores quanto pela presidente da associação, que não tem ocorrido incentivo para atividades de reciclagem. Pude evidenciar essa situação em algumas falas: “Não. Isso aí foi só promessa. Ensinar a fazer vassoura e ensinar a fazer o sabão caseiro, mas nunca veio aqui uma professora pra ensinar a gente a fazer” (Catadora, informação verbal, 2011). As atividades desenvolvidas assim, nas associações, se restringem à separação e armazenamento para fins de comercialização junto aos catadores, conforme podemos identificar na figura abaixo.
Figura 8 - Catadora organizando os fardos para comercialização
Outro ponto observado por minha pesquisa se refere à existência de fundo financeiro da associação. Ao contrário da outra associação pesquisada, que rateia diariamente a venda dos materiais e não possui fundo financeiro, a Acordo Verde possui fundo financeiro a partir da contribuição de R$ 5 quinzenais de cada catador: “Parece que é tirado R$ 5 de cada um, toda quinzena” (Presidente, informação verbal, 2011). Entretanto, não ficou claro se a contribuição foi decidida em conjunto com os catadores.
De todo modo, ficou evidenciado que os preços são determinados pelos compradores de modo sazonal ou de acordo com as oscilações de mercado cujos preços são demosntrados num mural escrito à gis, a cada negociação.
Figura 9. Relação de preços e de contatos para venda
Conforme explicado anteriormente, na associação ACORDO VERDE, a divisão do dinheiro obtido está organizado de maneira coletiva. Entretanto, a divisão ocorre a cada grupo de três trabalhadores(as) que se organizam para dividir as tarefas em grupo de três pessoas, que repartem os ganhos obtidos por aquele grupo. Tal tipo de divisão, embora não seja extamente coletivo se aproxima mais de uma partilha mais simétrica entre os trabalhadores, diferentmente do que ocorre na ASTRAMARE que preferiu instituir salários fixos aos membros da diretoria da associação, repartindo o restante entre os demais associados.