como partes do esforço de ocupação. Aqui se ressalta a consideração de duas abordagens: a da imagem do Campus desde a cidade, apresentado como setor urbano que se integra à paisagem desta e a da imagem do Campus que é fixada pela configuração dos espaços construídos e urbanizados, implicada na proposta de setorização e zoneamento.
A imagem do Campus, no conjunto da paisagem de Brasília, cidade modernista, deve ser objeto de consideração, pois não houve a implementação de um projeto original, datado do início da construção da cidade, que lhe desse a unidade arquitetônica e urbanística que é característica da maior parte dos setores urbanos do Plano Piloto. O Plano Diretor Físico do Campus não define critérios para essa unidade arquitetônica e urbanística no sentido plástico, nem deveria. A imagem do Campus no conjunto da paisagem de Brasília dever-se-á formar por meio da contribuição de diferentes arquitetos, engenheiros e artistas. Numa certa medida, é exatamente isso que ocorre, sem, contudo, se promover a avaliação do impacto que cada projeto isolado provoca no conjunto. A diretriz de planejamento a ser implementada consiste em encaminhamento pela explicitação desse impacto a cada nova proposta de ocupação. O valor de cada contribuição deve ser colocado no contexto dos espaços existentes, explicitando-se o modo pelo qual a nova proposta de ocupação (uma nova edificação nas Unidades Físicas ainda desocupadas, como a situação mais visada) debate e se coloca como elemento de formação da paisagem do Campus.
O Campus tem faces; sua aproximação das vias que lhe dão os principais acessos deve implicar aspecto expressivo, com qualidades de excelência plástica. O próprio Plano Piloto foi, ao longo dos anos de sua consolidação, acometido por péssimos episódios de ocupação e projeto, em que não se avaliou o impacto resultante sobre a imagem da cidade. Mais uma vez, aponta-se o procedimento simplista existente na projetação de edifícios isolados e fora de contexto, com localizações improvisadas, e expostos a regras de livre expansão, desfocados até mesmo do ponto de vista do planejamento institucional, como causa de paisagens desqualificadas e caóticas: sequer se discute, nesse procedimento, a qualidade da paisagem
resultante.
O Campus tem paisagens interiores, em que são, potencialmente, numerosas as situações nas quais a imagem interna valorada se formará pela conjunção da arquitetura e do urbanismo nas Unidades Físicas ocupadas. Há a formação de eixos e seqüências visuais que não podem deixar de ser avaliados, sob o risco de se investirem pessimamente os recursos disponíveis para a sua ocupação: a “favelização” do Campus, o improviso da pressa e da falta de visão em longo prazo, as decisões sem fundamento na avaliação da paisagem pela comunidade universitária e pelas instâncias de planejamento físico, entre outros fatores, trazem resultados de qualidades estéticas negativas. Seu oposto é o que denominamos a paisagem valorada, bela, agradável, civilizada, como se tira das lições de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Alcides da Rocha Miranda, de João da Gama Filgueiras Lima, o Lelé, entre outros. Esse nível de excelência da paisagem do Campus pode ser atingido com extraordinária simplicidade.
No grande conjunto das paisagens internas, tem-se especial atenção pelas vistas sobre o Lago Paranoá, de possível alcance em um grande número de potenciais implantações de novas edificações. O aproveitamento do declive existente em todo o Campus acarreta situações de vista desobstruída e outras situações em que a vista é filtrada por edificações distribuídas nas faixas de nível mais próximas do Lago. Esse é um dado simples, óbvio, mas que parece ainda pouco valorizado, pois são poucas as edificações que lançam mão desse recurso privilegiado da paisagem natural existente.
A avaliação do impacto sobre a paisagem, das iniciativas e propostas de ocupação deve ser feita, primordialmente, no próprio esforço de projetação: um mínimo de qualidade do projeto e da resultante paisagem é acrescentado quando se tem como diretriz de planejamento e projeto a obrigatória consideração do referido impacto em seu memorial, no caso de uma proposta particular, seja qual for a orientação estética, expressiva, plástica, do propositor.
11.7 - IMPACTO EM RECURSOS HUMANOS
PARTE II - DIRETRIZES DE PROJETO E OCUPAÇÃO / IMPACTO DAS ATIVIDADES
aspectos físicos da ocupação do Campus, devem-se considerar as diversas formas de impacto que o processo de ocupação imprime sobre recursos humanos - e vice-versa. A consideração simultânea de diretrizes de planejamento institucional e físico caracteriza o enfoque dado ao Plano Diretor Físico do Campus Universitário Darcy Ribeiro.
Em primeiro lugar, a ocupação plena do Campus dar-se-á pela expansão da organização acadêmica - e seu apoio técnico- administrativo - da Universidade de Brasília. A ocupação não é fruto de decisões conjunturais e se baseia numa visão consolidada das finalidades da Universidade de Brasília. A incorporação de organizações não-universitárias tem fundamento nas finalidades acadêmicas da UnB e somente se justificam se contribuírem efetivamente para o alcance dos objetivos universitários. Deve ser objeto de preocupação, portanto, o modo pelo qual o planejamento institucional e o planejamento físico se relacionam ao longo do processo de ocupação (em prazo indeterminado), se possuem coerência de objetivos e ação.
Cada etapa de ocupação (realizada pela implantação de instalações físicas para novas Unidades Acadêmicas) deve ser analisada em termos do seu impacto sobre a disponibilidade de recursos humanos: a) evitando a duplicação de serviços que podem ser providenciados por órgãos de apoio já existentes, ou a criar, a depender da economia de escala que se possa atingir, internamente, pela expansão dos órgãos de apoio existentes; b) evitando a subutilização ou a ociosidade de recursos humanos, o que ocorre nas situações em que várias modalidades de contratação e regimes de trabalho se sobrepõem e existe o tipo de autonomia em que determinados órgãos universitários passam a realizar contratações independentemente de uma coordenação central de recursos humanos. Caso ocorra a duplicação de serviços, bem como subutilização, gera-se, de imediato, uma situação de difícil gerenciamento dos espaços físicos. Situações assim consideradas, de difícil gerenciamento, caracterizam-se pela expansão desproporcionada das instâncias - e espaços - de natureza administrativa e de apoio técnico, bem como pela desproporcionada elevação das despesas com pessoal.
Em segundo lugar, deve-se considerar o surgimento de novas demandas, originadas pelo alcance de patamares de maior complexidade, envolvendo a composição (cargos e funções, níveis de especialização e de regime de trabalho) e distribuição dos recursos humanos. Além das funções de apoio direto às atividades acadêmicas, ganha importância o apoio a esse apoio, dado que o gerenciamento dos recursos humanos nos diversos níveis administrativos e os recursos de promoção do bem-estar dos servidores - sua saúde, segurança, alimentação, transporte, entre outros aspectos - devem ser redimensionados.
Em terceiro lugar, a própria organização física, a concepção dos edifícios, importa em maior ou menor facilidade para seu uso, limpeza, vigilância e manutenção - para citar algumas das funções básicas associadas à criação de novas edificações, como custos
novos e permanentes. A instituição pública trabalha com recursos
escassos, como qualquer outra organização, e a sustentação do processo de expansão pode envolver crescimento não-linear dos custos associados a pessoal. O projeto das novas edificações deve conter a análise desses custos no próprio instrumento de programação arquitetônica, como requisito para a análise de sua viabilidade e do controle do impacto sobre os recursos humanos, em especial.
11.8 - IMPACTO NOS SISTEMAS DE MANUTENÇÃO
Deve-se ter a perfeita compreensão do que um novo empreendimento custará não apenas para a sua imediata construção mas também com relação a seus custos permanentes. O impacto anteriormente referido, dos recursos humanos, é de prioritária análise, pois as atividades universitárias são intensas utilizadoras de recursos humanos - organizados, por sua vez, para a formação de recursos humanos por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Mas as atividades a serem abrigadas nas edificações consomem materiais diversos: são milhares os itens a serem adquiridos como material de consumo numa universidade, representando parcela signficativa de seu orçamento total. Deve-se ter o levantamento desses custos para o primeiro ano de funcionamento da nova