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Skadelige omsorgssituasjoner

In document Når barn begår onde handlinger (sider 39-46)

Evidenciando o termo praça como foco principal desta pesquisa, foram identificados na literatura vários autores que contribuem para sua definição:

Praças são espaços livres públicos com função de convívio social, inseridos na malha urbana como elemento organizador da circulação e de amenização pública (...), geralmente contendo expressiva cobertura vegetal, mobiliário lúdico, canteiros e bancos (CARNEIRO, MESQUITA, 2000, p.28),

Elemento morfológico das cidades ocidentais, (...) distinguindo- se de outros espaços (...) pela organização espacial e intencionalidade de desenho, (...) a praça pressupõe a vontade e o desenho de uma forma e de um programa, (...) constituindo lugar intencional do encontro, da permanência, dos acontecimentos, de práticas sociais, de manifestações de vida urbana e comunitária e de prestígio e, conseqüentemente, de funções estruturantes e arquiteturas significativas (LAMAS, 2000, p.100).

Elemento primordial no desenho urbano e de interação social, intimamente ligado à atividade econômica e ao poder político, como fruto de um processo histórico e cultural de ocupação do espaço da cidade (ALMEIDA, 2006, p. 43)

De fato, desde a Ágora grega, passando pelo fórum romano e pelos espaços medievais e renascentistas, a praça pública sempre desempenhou multifunções na cidade, sendo a principal delas agregar a coletividade em atividades de lazer, comércio, debates e celebrações, além de constituir ponto para troca de informações e onde se fazia a justiça. Zuliani (1995) afirma que desde a antiguidade a praça mostrou-se o melhor e mais tradicional local para o encontro e o comércio. Por ser um nó formal para onde convergem diversas ruas, ela centra em si inúmeras energias sociais: quem compra, vende, passa, passeia, contempla, conversa etc. Nesse enfoque têm-se a ênfase dada à múltiplas atividades que podem ocorrer nesses ambientes e que conferem vitalidade à eles.

Por sua vez, Lamas (2000) expõe que, na cidade tradicional, as praças, assim como as ruas, estabelecem “estreita relação do vazio (espaço de permanência) com os edifícios, os seus planos marginais e as fachadas (...), organizando o cenário urbano” (p. 102). Este é, no entanto, um aspecto menos presente na praça da urbanística moderna, tendo em vista “as dificuldades de delimitação e definição provocadas pela menor incidência dos edifícios e fachadas” (idem). Ao caracterizar a praça pela intencionalidade e como resultante de um programa, o autor a diferencia de espaços como o largo do mercado, o adro fronteiro à igreja, o terreiro e outros pequenos espaços vazios, caracterizados como acidentais, ou seja, como vazios ou alargamentos da

estrutura urbana que, com o tempo, foram apropriados e usados pela população, e não podem ser formalmente entendidos como praças.

Além da questão espacial, a literatura ressalta a importância da dimensão política, econômica e social da praça, reforçando seu caráter público e seu papel como locus de cidadania. Nesse sentido, Almeida (2006) tece uma crítica às praças contemporâneas afirmando que na atualidade elas acomodam cada vez mais usos privados e individuais, o que provoca alterações no seu significado e valor.

Para Gehl e Gemzøe (2002) tal mudança ocorreu principalmente no século XX, quando o acelerado desenvolvimento tecnológico e científico promoveu rápidas mudanças nos hábitos, conhecimentos, objetivos, receios e estilo de vida das pessoas, alterando significativamente seu modo de encontro e a troca de informações. A praça pública não ficou indiferente a estas transformações, sofrendo variadas mudanças físicas, sociais e culturais. Para os autores, o tempo foi abreviado não só no modo de contato e diálogo entre as pessoas (que hoje pode ser feito por telefone, e-mail, Internet etc.), mas, também, pela mobilidade individual, que proporciona autonomia e rapidez nos vários tipos de deslocamentos.

No que se refere à vida nesses espaços e aos esforços para promover a vitalidade neles por meio de projetos ou diretrizes projetuais, autores como Carr et al. (1992), Cooper-Marcus e Francis (1997), Carmona et al. (2003) e Shaftoe (2008) ressaltam que o uso é capaz de atrair mais usuários e a configuração espacial dos espaços públicos pode ser pensada de forma a permitir a permanência do indivíduo, funcionando, portanto, como um diferencial na estrutura urbana. Note-se, aqui, que, em relação à percepção do espaço o uso pode ser incorporado em duas posições: (i) enquanto parte do circuito psicológico da experiência ambiental individual o uso é fruto da percepção individual, pois a percepção é uma das bases do comportamento, antecedendo-o; (ii) uma vez que esteja instalado no local, o uso passa a ser parte das informações emanadas do ambiente, podendo ser entendido com um dos indutores da percepção.

Compartilhando o entendimento das praças enquanto local propicio para a vitalidade urbana, e também salientando a relação entre usos e configuração espacial, Lynch (1999) defendia que, no contexto urbano, elas são espaços de encontro, lazer e escape, cujo objetivo é proporcionar o bem-estar aos indivíduos. Para tanto, a presença de mobiliário, equipamentos e cobertura vegetal é indispensável para atrair a população, favorecendo conforto no espaço público.

Caldeira (2007) investigou a trajetória da praça brasileira (desde a chegada dos portugueses até os planos modernistas de urbanização das cidades) sob o ponto de vista morfológico e funcional, associado às mudanças ocorridas no seu desenho e nas formas de apropriações existentes, ao papel desempenhado no contexto urbano e ao seu caráter simbólico. Para a autora, ao mesmo tempo que acompanhou a evolução da sociedade brasileira, sendo palco de manifestações populares, cívicas e religiosas, a praça também se “recolheu”, face ao enorme crescimento das dimensões das cidades. O estudo também evidencia a mudança de padrão de uso que levou à condição de praça de local de lazer barato à de espaço de passagem ou lazer transitório, embora sem perder sua importância enquanto local de sociabilidade.

A respeito do debate sobre o conceito de praça e a noção de espaço público, Alex (2008) ressalta, que atualmente as influências do paisagismo norte-americano interferem marcantemente no entendimento e nas formas de conceber o projeto desses espaços urbanos. Para este autor, a praça é simultaneamente um vazio e uma construção e, mais do que apenas um espaço físico aberto, revela-se um centro social integrado ao tecido urbano, sendo também importante pelo seu valor histórico e pela sua participação contínua na vida da cidade.

Seguindo um enfoque semelhante, ao tratar da praça como “um espaço aberto, contido por formas harmoniosas, articulado aos restantes elementos morfológicos urbanos, com pavimento rígido na sua maior extensão” (p. 82), cuja função é acolher usos como passear, contemplar, ler, conversar etc, Alves (2003) sugere que sua análise confronte aspectos morfológicos e funcionais,

considerando as referências pessoais dos usuários, e a dimensão humana na composição dos espaços públicos.

Finalmente, Macedo e Robba (2003) comentam que a praça é um dos mais importantes espaços públicos urbanos, desempenhando um papel essencial no contexto das relações sociais, como ponto de convergência da população, seja para o ócio, o comércio, a troca de idéias, ou para o desempenho da vida urbana (recreação, contemplação, celebrações, comércio e debates). Assim, para atender às demandas de tais atividades, ela deve ser acessível e manter uma relação harmônica com o entorno.

Diante do referencial exposto até esse ponto, nesta tese entende-se praça como um espaço aberto, público e urbano, que é definido por elementos naturais e construídos potencializadores do seu uso, atua como marco na cidade, agrega uma carga simbólica e proporciona o encontro de pessoas por motivos sociais, culturais, políticos e econômicos.

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