A análise morfológica da PçAL (nas três escalas) agrega informações acerca dos elementos que compõem o espaço (resumidos na Figura 10). a) Escala do raio de influência de 500m
Nota-se que na área predomina o uso residencial, embora outros também se façam presentes. A maior parte dos imóveis não comerciais funciona dois períodos (matutino e vespertino) e se localiza nos eixos viários de maior hierarquia (vias estruturais e coletoras), onde também se concentram os maiores fluxos. Ainda quanto às vias, verifica-se a presença de muitas vias de alta circulação, por apresentar mais de três vias coletoras (Avs. Romualdo Galvão, Rodrigues Alves e Afonso Pena) e duas estruturais (Avs. Prudente de Morais e Hermes da Fonseca). Com essa configuração a área é considerada com uma diversidade mediana em relação ao turno de uso do solo (condição razoavelmente favorável à vitalidade) e contendo várias vias de grande fluxo (condição pouco favorável à vitalidade). Além disso, na área existem 102 PGTs
Figura 9- PçAL- Planta baixa e de localização esquemática.
distribuídos por todo o perímetro, a maioria representada por condomínios verticais, o que configura alta presença desses empreendimentos (situação favorável à vitalidade).
b) Escala do entorno imediato
Nas quadras que circundam a PçAL, o uso do solo também é majoritariamente residencial (52,3%), com a presença de habitações uni e multi familiares. A área também apresenta atividades cotidianas (como padarias e academia - 9,2%), atividades eventuais (como salão de beleza e farmácia - 15,3%) e atividades opcionais (lojas e igrejas - 21,5%), mostrando alta diversidade no uso do solo (condição favorável à vitalidade).
Na caracterização das vias, o entorno é composto principalmente por vias locais, com exceção do eixo Av. Romualdo Galvão/Av. Rodrigues Alves, como coletora. Essa composição, por apresentar poucas vias com alta circulação de veículos, é considerada pouco favorável à vitalidade. Quanto à acessibilidade
das calçadas, dos 07 trechos de calçadas ao redor da PçAL, 02 foram
considerados pouco acessíveis, com problemas como: presença de barreiras arquitetônicas (escadas e corrimãos), desníveis acima de 15 cm e rampas na faixa de rolamento. As demais calçadas conseguem manter largura média de 1,50m, resguardar as faixas de rolamento de barreiras e de desníveis acentuados. Esta situação classifica a acessibilidade na área como alta (favorável à vitalidade).
A diversidade no turno de uso é mediana, pois a maior parte dos imóveis comerciais da área são de categoria II (funcionam pela manhã e à tarde, mas fecham à noite) e apenas dois, o bar e a academia, são de categoria III (aberto nos três períodos do dia). À noite as duas igrejas funcionam, mas não todos os dias da semana reduzindo a presença de pessoas nesse período. Em geral, esse quadro configurou-se como razoavelmente favorável à vitalidade.
Foram registrados três imóveis com fronteiras suaves (a loja de materiais de construção, o restaurador de móveis e o bar), dispersas no entorno imediato da praça e em quadras distintas, os quais apresentam atividades e horários de
distintos. Com essa disposição a presença de fronteiras suaves é considerada baixa (em menos de 33% dos imóveis), tornando-se pouco favorável à vitalidade local. Ainda foram detectados vários imóveis que se abrem para o espaço público por portas e janelas (Categoria IV), ou por portas ou portões (Categoria III), o que favorece a comunicação entre os indivíduos. Apenas um imóvel foi computado como muro cego. A maioria dos edifícios de categoria IV (com porta/portão e janela) está localizada na R. Joaquim Fagundes. Essa alta presença de “portas e janelas”, é considerada favorável à vitalidade.
c) Escala do ambiente
Em termos de mobiliário e equipamentos urbanos, os bancos, o
playground, a ATI, a quadra, a banca de revista, a escultura e o depósito estão
limpos e conservados, alta qualidade que favorece a vitalidade do local.
Na arborização notam-se algumas árvores de médio e grande porte, distribuídas de maneira esparsa pela área, algumas vezes agrupados e outras isolados. Os agrupamentos arbóreos contribuem para a formação de pequenas zonas sombreadas, com a copa de algumas árvores se tocando e formando um dossel natural. Contudo, estes conjuntos são mais raros e se localizam em áreas restritas, deixando a maior parte da praça sem sombra. Essa disposição faz com que o sombreamento seja avaliado como razoável, condição que pouco favorece à vitalidade.
Quanto aos elementos compositivos não são expressivos: há canteiros gramados que acomodam poucos arbustos distribuídos sem uma composição aparentemente elaborada. O gramado não se mostra conservado, e em algumas áreas inexiste. Com essas características o paisagismo local mostra-se apenas razoavelmente trabalhado (categoria II), o que é razoavelmente favorável à vitalidade.
Em relação aos elementos sentáveis, como formais têm-se a presença de bancos de madeira e ferro e também de concreto, além de escadarias e muretas que se configuram como informais. Além desses, registra-se a presença de uma arquibancada (formal) na área da quadra que favorece a permanência no lugar.
No que diz respeito à quantidade, observou-se que o local possui 470,45m de elementos para sentar (151, 81m de espaços sentáveis formais e 318,64m de espaços sentáveis informais) e uma área de 3190m2 de área, que nos dá 6,78m considerada uma quantidade boa pela escala sugerida. Em relação à qualidade, nota-se que todos os bancos estão enquadrados na alta qualidade, já que seu conjunto está limpo e conservado. Já quanto à variedade, existem três tipos de bancos (de madeira e ferro, de concreto e só de ferro). Diante disso esse quesito foi considerado favorável à vitalidade.
5.1.2 O uso
A PçAL foi dividida em três (03) seções, conforme padrões de uso: 1) quadra poliesportiva; 2) área da ATI e 3) porção inferior (Figura 11).
Na quarta-feira a PçAL mostrou-se um espaço principalmente de permanência (71 usuários), e ainda com a presença de muitas pessoas que estavam apenas de passagem (45). Pela manhã a maioria dos visitantes fazia atividade física (14) em quantidade aproximada com aqueles que estavam apenas de passagem (13). No período da tarde/noite, foram registrados 86 usuários dos quais a maior parte exercia atividades de permanência, principalmente jogar/brincar (19) e conversar/namorar (14).
Nesse dia o setor 2 foi o mais utilizado (42) especialmente por aqueles que utilizavam a ATI (22), sendo o horário das 18 h o que recebeu maior quantidade de pessoas (51). Dos três dias observados, esse foi o que mais usuários foram vistos na PçAL (116) (Figura 12).
No sábado registrou-se uma quantidade de usuários semelhante à quarta- feira (sábado=113) e mais uma vez as atividades de permanência foram as que
Figura 12- PçAL- Usuários mapeados na quarta-feira.
Fonte: a autora (2014).
Fonte: a autora (2014).
mais atraíram os usuários ao local (82), em detrimento àqueles que estavam apenas de passagem (31). Os principais usos foram: fazer ativ. física (31), jogar/brincar (26) e conversar/namorar (14). Semelhante à quarta-feira, os períodos da tarde/noite foram os mais movimentados e o horário das 18 h o que mais acolheu visitantes (38) que em sua maioria jogavam/brincavam (26) ou realizavam exercícios (20). Nesse dia, o setor 2 foi o mais utilizado (64) onde foram realizadas atividades físicas na ATI (Figura 13)
O domingo foi o dia em que um número menor de usuários foi visto (109). Estar de passagem teve um número expressivo de registros (48) entretanto, notou-se mais indivíduos utilizando o espaço para atividades de permanência (61), como conversar/namorar (27) e jogar/brincar (19). Poucas pessoas exerceram atividades físicas (3) e nesse dia foi computado uma pessoa que dormia na praça em dois momentos (6 e 8 h). Assim como nos demais dias o setor 2 foi o mais visitado (49) e o horário do final da tarde foi o de maior movimento (18 h: 49) (Figura 14).
Fonte: a autora (2014).
Figura 14- PçAL- Usuários mapeados no domingo.
Fonte: a autora (2014).
Os resultados mostram a variação de uso do espaço nos três dias de observação e salienta a importância da ATI e da quadra poliesportiva como atrativos e importantes elementos à promoção da vitalidade e nos levam a avaliar o desempenho do espaço da seguinte maneira:
- Em relação à variedade de atividades desenvolvidas: têm-se um ambiente com alta diversidade já que foram observadas 5 tipos de atividades de permanência como jogar/brincar, conversar/namorar, fazer atividade física, trabalhar, passear com pessoa/animal, sentar/contemplar (Figura 15). Essa condição mostra-se favorável à vitalidade.
- Em relação à densidade de uso: considerando que a praça possui uma área de 4 738m2 e o momento de maior visitação contou com 51 usuários (quarta- feira às 18 h), têm-se uma área de 92,9m2 por indivíduo, evidenciando densidade baixa (Figura 15) sendo pouco favorável à vitalidade.