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Siv Sjøgren

In document Parsing of Esperanto (sider 28-33)

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2.2 Siv Sjøgren

As ferramentas empregadas para escrever, ainda hoje, são o lápis, a caneta e o papel. Essas ferramentas são úteis, essenciais, mas podem ser complementadas com o computador.

Quando propusemos a reescrita através do uso do computador, não imaginávamos que ao observar os colegas entusiasmados e procurando imagens, reescrevendo com criatividade e originalidade, a maioria dos alunos se sentiria

motivada a ler e a reescrever com dedicação, pois o produto final trabalho, ou seja, a reescrita não era somente o cumprimento de uma obrigação escolar e não seria somente leitura da professora, mas todos os colegas veriam e leriam os trabalhos.

A leitura deixou de ser, nesse momento apenas uma tarefa de cumprimento de dever e passou a ser um processo de reconstrução da história diante de uma nova sociedade. A obra vicentina apresentava a sociedade portuguesa no século XVI e a reescrita apresentou a sociedade brasileira no século XXI.

Manguel (1997, p. 54) afirma que “ler, então não é um processo automático de capturar um texto como um papel fotossensível captura a luz, mas um processo de reconstrução desconcertante, labiríntico, comum e, contudo pessoal”. Os alunos do 1º ano do Ensino Médio tiveram essa experiência ao ler uma obra cânone da literatura, como observamos quando lemos ou assistimos as apresentações escritas por eles.

Reescrever o texto com a possibilidade de escolher figuras que representem as personagens, com a possibilidade de utilizar instrumentos da tecnologia da informação e com a liberdade de empregar as mídias de seus próprios interesses, garantiu uma leitura significativa e proveitosa.

Ao orientá-los durante as aulas, percebemos, na maioria dos grupos, a preocupação de não alterar o sentido original da história e nem reduzir a importância das personagens. Rildo Cosson (2009, p. 22) afirma que

falta a uns e a outros uma maneira de ensinar que, rompendo o círculo da reprodução ou da permissividade, permita que a leitura literária seja exercida sem o abandono do prazer, mas com o compromisso de conhecimento que todo saber exige. Nesse caso é fundamental que se coloque como centro das práticas literárias na escola a leitura efetiva dos textos, e não as informações das disciplinas que ajudam a constituir essas leituras, tais como a crítica, a teoria ou a história literária.

Os professores de Arte e História auxiliaram muito ao trabalharem com os alunos a arte da época vicentina e as características históricas da Europa nesse período. Segundo os PCNs (1998, p. 15) “há habilidades e competências, no entanto, cujo desenvolvimento não se restringe a qualquer tema, por mais amplo que seja, pois implicam um domínio conceitual e prático, para além de temas e disciplinas”.

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Muitos alunos, ou seja, a maioria deles executou as tarefas com boa vontade, com dedicação, entendendo e sabendo o que estavam fazendo e por que estavam produzindo aquele texto. Os resultados foram muito satisfatórios e, certamente, mais efetivos do que se ao final da leitura houvesse apenas uma prova de verificação.

Tínhamos cinco turmas com trinta e cinco alunos em média e recebemos sete ou oito trabalhos por turma. Desse montante, a maioria dos trabalhos apresentou como já dissemos resultados muito satisfatórios, embora tenhamos alguns trabalhos que nos apontam que há arestas a serem aparadas nessa estratégia.

Como professora-pesquisadora anseio poder perceber em todos os alunos todas as características da consciência crítica que Paulo Freire nos aponta em seu livro Educação e Mudança (2008, pp. 40/1):

1. Anseio de profundidade na análise de problemas. Não se satisfaz com as aparências. Pode-se reconhecer desprovida de meios para a análise do problema.

2. Reconhece que a realidade é mutável.

3. Substitui situações ou explicações mágicas por princípios autênticos de causalidade.

4. Procura verificar ou testar as descobertas. Está sempre disposta às revisões.

5. Ao se deparar com um fato, faz o possível para livrar-se dos preconceitos. Não somente na captação, mas também na análise e na resposta.

6. Repele posições quietistas. É intensamente inquieta. Torna-se mais crítica quanto mais reconhece em sua quietude a inquietude e vice- versa. Sabe que é a medida que é e não pelo que parece. O essencial para parecer algo é ser algo; é a base da autenticidade. 7. Repele toda a transferência de responsabilidade e de autoridade e

aceita a delegação das mesmas. 8. É indagadora, investiga, força, choca. 9. Ama o diálogo, nutre-se dele.

10. Face ao novo, não repele o velho por ser velho, nem aceita o novo por ser novo, mas aceita-os na medida em que são válidos.

Quando identificarmos (PCNEM, 1999), se não todas, pelo menos a maioria dessas características em nosso aluno, certamente, teremos o cidadão que sabe confrontar opiniões, que compreende e usa a Língua Portuguesa como geradora de significação, que analisa e interpreta e aplica os recursos expressivos da linguagem e, principalmente, que respeita e preserva as manifestações da linguagem, utilizados nos diferentes grupos sociais.

A esperança de que professores e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos à nossa alegria.

Paulo Freire

O entendimento de que a utilização das tecnologias da informação e da comunicação na educação jamais substituirá o professor, faz com que reconheçamos que o trabalho docente pode ser apoiado e ampliado por esses meios.

O trabalho do professor é fundamental nos projetos de inovações tecnológicas até porque “a qualidade educativa destes meios de ensino depende, mais do que de suas características técnicas, do uso ou exploração didática que realiza o docente e do contexto em que se desenvolve.” (LIGUORI, 1997, p. 57).

Vários autores discutem de que forma a utilização da tecnologia no processo educativo é proveitosa. O professor precisa deixar de ser o repassador do conhecimento para ser o criador de ambientes de aprendizagem e facilitador do processo pelo qual o aluno adquire conhecimento. O papel do professor não é mais apenas ser o do profissional habilitado para ministrar aula, pois isso pode ser feito através da televisão ou do computador. (MORAN, 2006, p. 35)

O professor é o orientador do processo construtivo do aluno e deve orientá-lo com eficiência, motivação e organização. As novas mídias podem propiciar uma nova experiência às relações convencionais entre os professores e os alunos, entretanto, esse novo professor deve ser aberto, humano, valorizar a busca, o estímulo, as formas de pesquisa e comunicação mais democráticas. Segundo Paulo Freire (1996, p. 14)

é nesse sentido que reinsisto em que formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas, e por que não dizer também da quase obstinação com que falo de meu interesse por tudo o que diz respeito aos homens e às mulheres, assunto de que saio e a que volto com o gosto de quem a ele se dá pela primeira vez. Daí a crítica permanentemente presente em mim à malvadez neoliberal, ao cinismo de sua ideologia fatalista e a sua recusa inflexível ao sonho e à utopia.

Os PCNs abordam o trabalho da língua e da literatura como um trabalho com as linguagens, o educando precisa entender que “a língua materna gera significação

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para a realidade e fundamenta a identidade cultural [...] e a compreensão da identidade cultural”. (1998, p. 26)

Por isso, é importante que o aluno compreenda que, hoje ou no passado, conhecer o caráter histórico da construção das representações da sociedade é importante para podermos compreender nossa história enquanto seres sociais.

A boa formação dos professores é sempre relevante, pois se bem formado e informado, o professor poderá assumir posições conscientes e conhecer as teorias pedagógicas e os modelos experimentados e testados para o bom empenho de uma prática pedagógica eficiente. Corrobora com essa afirmação Paulo Freire (1996, p. 22) quando afirma que “a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo”.

Geralmente, os professores de língua portuguesa e literatura apresentam hábitos enraizados em suas práticas educacionais. Muitas vezes eles seguem os mesmos modelos, usam as mesmas práticas e os mesmos instrumentos com os quais aprenderam. Entretanto, os tempos mudam e por permanecerem com as mesmas práticas, há anos, esses docentes tornam-se profissionais insatisfeitos.

Quando percebemos que algo não está caminhando como esperávamos no processo de ensino-aprendizagem, precisamos buscar dados novos, buscar possíveis soluções para os problemas detectados.

Sendo assim, o professor tem o poder de decidir sua ação com base em um conhecimento teórico e prático, porém, é preciso abandonar a zona de conforto, é preciso muitas vezes abandonar aquilo que já está inerente em sua prática. O abandono só será possível se o professor, por meio de reflexões, leituras e pesquisas desenvolver novos processos e instrumentos de ensino e de avaliação. O professor precisa integrar a ação educativa a fins sociais mais amplos.

Marli Elisa D. A. André (1997, p. 78) assegura que

a realização de estudos e pesquisas sobre o cotidiano da escola de primeiro e segundo graus, utilizando diferentes enfoques teóricos, tem sido considerada uma forma rica de conhecimento da prática escolar e seus resultados têm oferecido importante contribuição para o movimento de revisão crítica e redimensionamento da Didática.

O professor pode, através de sua pesquisa, conhecimento e prática, influenciar outros ao longo de sua vida docente, embora haja muita resistência em

reconhecer e valorizar o saber do professor. O professor bem capacitado exerce um papel fundamental nas relações existentes na sociedade contemporânea e pode influenciar com seu saber profissional e com a experiência que ganha ao longo de sua vida. Oliveira e André (1997, pp. 83-84) asseguram que

Em geral, nós, professores universitários, temos bastante resistência em reconhecer e valorizar o saber do professor e fazer esse saber interagir com o saber acadêmico. Nos cursos de formação inicial esta questão é ignorada. Quanto às atividades de formação continuada oferecidas pelas universidades ou outras agências, nelas os professores muitas vezes são tratados como se não tivessem um saber, têm que partir do zero, como se não tivessem ao longo de sua profissão construído um saber, principalmente um saber da experiência, que tem de entrar em confronto e interlocução com os saberes academicamente produzidos.

É nesse contexto, contemporâneo, que o professor de língua portuguesa e literatura precisa estar atento para trabalhar a necessidade fundamental de aproximação entre seus alunos e a leitura da literatura. O professor precisa tornar o trabalho com o texto, muitas vezes escrito, há muitos séculos, em um trabalho mais rico e reflexivo. Rildo Cosson (2009, p. 28) afirma que

estamos diante do equívoco de tratar a leitura literária como uma atividade tão individual que não poderia ser compartilhada, mas já sabemos que é justamente o contrário. O efeito da proximidade que o texto literário traz é produto de sua inserção profunda em uma sociedade, é resultado do diálogo que ele nos permite manter com o mundo e com os outros. Embora essa experiência possa parecer única para nós em determinadas situações, sua unicidade reside mais no que levamos aos textos do que no que ele nos oferece. É por essa razão que lemos o mesmo livro de maneira diferente em diferentes etapas de nossas vidas. Tudo isso fica ainda mais evidente quando percebemos que o que expressamos ao final da leitura de um livro não são sentimentos, mas sim os sentidos do texto. E é esse compartilhamento que faz a leitura literária ser tão significativa em uma comunidade de leitores.

O professor indagador e dinâmico, certamente já percebeu que as tecnologias de informação e comunicação estão presentes em todo e qualquer ambiente social. Por que não utilizar e conciliar a leitura, a literatura cânone, a reescrita e as linguagens digitais nas atividades escolares? Evidentemente o professor que souber aproveitar as ferramentas do mundo digital para enriquecer, embasar e aprofundar

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os conhecimentos atingirá seus objetivos diante das práticas de ensino aprendizagem.

É o que provou a experiência apresentada ao longo deste trabalho. Além da leitura ter acontecido de maneira efetiva para a maioria dos alunos, sem recorrerem aos resumos publicados na internet e encontrado em cadernos de resumo de diversas instituições e editoras, a atividade gerou um envolvimento e um aprendizado significativo para grande parte dos educandos.

Eles apropriaram-se da leitura, refletiram sobre a obra, sobre o contexto em que ela foi escrita, sobre o autor e puderam transpor esses conhecimentos diante da sociedade à qual pertencem, ou seja, a sociedade do século XXI. Nosso objetivo era formar leitores e escritores com competência de interagir com a literatura em qualquer movimento literário.

Empregando as palavras de Chartier o primordial, ao longo dessa pesquisa, foi “incentivar a relação dos alunos com um patrimônio cultural cujos textos servem de base para pensar a relação consigo mesmo, com os outros e com o mundo”. Para Chartier (http://revistaescola.abril.com.br) em uma entrevista publicada na revista Nova Escola a escola se distanciou da literatura

principalmente no Brasil, porque está preocupada em oferecer ao maior número possível de crianças as habilidades básicas de leitura e escrita. Mas acredito que os professores devem acolher a literatura novamente, da alfabetização aos cursos de nível superior, como mostram várias experiências pedagógicas. Na França, por exemplo, um filme recém-lançado exibe uma peça do dramaturgo Pierre de Marivaux (1688-1763) encenada por jovens moradores de bairros pobres.

O educador que conhece o seu verdadeiro papel pode modificar toda uma realidade existente, pode movido por posturas e sentimentos largamente defendidos por educadores progressistas e democráticos, atingir resultados satisfatórios diante da proposta de trabalho de leitura e reescrita junto aos seus alunos.

Esse projeto valorizou a leitura crítica, a leitura imagética, a interdisciplinaridade, o diálogo, a reflexão entre aluno e aluno, professor e aluno, professor e professor, ou seja, as relações básicas e concernentes ao processo de ensino e aprendizagem.

Como em todo processo, algumas falhas foram detectadas e mesmo elas, definitivamente, contribuirão, pois aqueles que a sanarem estarão aperfeiçoando este processo de ensino, aprendizagem e leitura.

Não podemos, como educadores, deixar de buscar a formação constante, deixar de buscar resultados cada vez mais satisfatórios junto aos nossos alunos, deixar de lutar para a real e significativa aprendizagem.

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