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4.4 El análisis de la mitigación

4.4.1 Situación 1: Pedir prórroga

A eleição do Prefeito Cido Spada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) foi a primeira tentativa de romper com a política conservadora local em 2001. Para a Secretaria de Educação, foi convidado o professor assistente José Luiz Araújo da Universidade Estadual de Maringá e ex-Vereador de Mandaguaçu (1997-2000) pelo Partido dos Trabalhadores. Um dos principais problemas identificados na rede de ensino foi a alta taxa de repetência. A fim de tratar desse problema, entre outros, a Secretaria Municipal de Educação pré-ideou cinco princípios para sustentar a sua prática escolar: a) democratização do acesso e da permanência; b) democratização da gestão; c) qualidade social da educação; d) valorização profissional; e) democratização do esporte e da cultura. Esses princípios foram selecionados para atender à finalidade indicada pela Secretaria Municipal de Educação que era formar “cidadãos

emancipados” (ARAÚJO, 2006). Além de serem desdobramentos de dois eixos estabelecidos

pelo Governo Democrático Popular eleito nessa cidade: 1) inclusão social e 2) radicalização

da democracia. O município de Sarandi-PR contava, em 2008, com aproximadamente 87.000

habitantes. Tinha uma renda per capita de R$187,00 reais. Seu IDH-Educação era de 0,858. Dentre os 14 municípios que constam no Paraná com população entre 50 e 100 mil habitantes, Sarandi possuía a menor arrecadação de impostos. (SARANDI, 2006).

A rede de ensino de Sarandi-PR, no ano de 2005, possuía 17 escolas de educação infantil e ensino fundamental que atendiam cerca de 8570 educandos e oito centros municipais de educação infantil que atendiam cerca de 1170 crianças de zero a cinco anos. A fim de realizar seu trabalho educativo, o município tinha 387 professores e 566 funcionários (SARANDI, 2006).

Para efetivar os princípios acima citados, a Secretaria Municipal de Educação iniciou uma série de medidas. Realizou um processo de formação continuada para os seus professores, elaborou o plano de cargos e salários dos profissionais do ensino, realizou oito Encontros de Educação, encaminhou a proposta de formação do Conselho Municipal de Educação para a Câmara de Vereadores em 2008, incentivou os professores a fazerem o curso de Pedagogia financiando 50% das mensalidades, organizou as primeiras eleições para o

cargo de diretor de escola, fez concursos públicos para nomear professores, reformou escolas e construiu mais oito salas de aulas, criou 800 vagas novas, entre outras medidas. Uma das objetivações conquistadas foi a redução de 50% dos alunos reprovados (ARAÚJO, 2006).

A formação continuada dos professores foi investigada por Cardoso (2006). Em seu estudo, a pesquisadora mostra que 50% dos professores entrevistados frequentaram a formação continuada, visando aprender conteúdos, acreditando que o seu domínio é o que faz o bom professor. Conteúdos voltados para a gramática, a geometria, a história foram os anseios de apropriação que esse grupo manifestou. Cerca de 25% de professores participaram da formação continuada visando entender qual a contribuição filosófica da Pedagogia Histórico-Crítica para a sua prática. Outra preocupação identificada por Cardoso (2006) indicou que 15% das professoras estavam na formação continuada para se apropriar de conhecimentos que lhes permitissem organizar as condições pedagógicas para a inclusão. Com isso, os(as) professores(as) ansiavam por aprender metodologias e mediações pedagógicas para realizar a meta estabelecida. Por fim, cerca de 5% dos(as) professores(as) buscaram a formação continuada para ter elementos que lhes permitissem aliar teoria à prática. Com isso, Cardoso (2006) concluiu que os(as) professores(as) buscaram, na sua maioria, a formação continuada para reter saberes fragmentados. Em outras palavras, precisamos refletir: por que 50% dos professores buscaram a formação para aprender conteúdos? Isso talvez seja um indicativo da necessidade de se apropriar da cultura clássica. Visto que os conteúdos não eram valorizados na Educação de Sarandi na década de 1990. O currículo por projetos fez com que aulas da primeira série fossem semelhantes às aulas da quarta série. Ou seja, o neoconstrutivismo sendo objetivado. O fato das professoras quererem aprender os conteúdos é de extrema relevância em virtude de uma hegemonia na educação neoconstrutivista e neotecnicista que desvaloriza a apropriação da cultura clássica.

O Relatório do Secretário de Educação em 2006 indicou a Pedagogia Histórico- Crítica, de acordo com o Filósofo da Educação Demerval Saviani, como o fundamento da proposta curricular do município desde 2003. Faz uma afirmação que o governo popular, desse município, selecionou essa tendência pedagógica com a finalidade de desenvolver uma educação emancipadora e de qualidade para todos.

Resgatar o saber, a cultura científica sistematizada pela humanidade e organizá-la numa trajetória escolar, num processo de ensino-aprendizado para os filhos da classe trabalhadora constitui, para Saviani (1986), uma possibilidade de organizar a Pedagogia Histórico-Crítica. Essa pedagogia visa inserir a escola como uma das instituições que venham a contribuir com a organização da sociedade socialista. Saviani indica que as pedagogias

tradicional, ou da essência, a pedagogia escolanovista, ou da existência, e a pedagogia tecnicista foram propostas da classe dominante para consolidar os seus valores. A escola tradicional, hegemônica até a década de 1920, esteve em meio a uma tensão social, possibilitando algumas contradições, nessa instituição, a favor da classe que vende a sua força de trabalho. Havia uma preocupação política com a escola em virtude de uma série de movimentos sociais. A partir da década de 1930, quando o escolanovismo tomou impulso nas referências pedagógicas, houve uma inversão da prioridade nas pedagogias conservadoras. Com a pedagogia tradicional, a preocupação era “como ensinar”, com a pedagogia escolanovista há um novo viés: o “como aprender”. A escola nova, ao ter uma preocupação com o aprender em detrimento do ensino dos conteúdos e dos objetivos, proporcionou uma melhora do ensino para as elites, enquanto a classe trabalhadora teve a perda da qualidade do ensino em sua formação (SAVIANI, 1986). Na década de 1970, com a reconfiguração do capital, o Brasil organizou a LDB 5692/71 e, com ela, organizou-se a flexibilidade como princípio para sua ação. Essa flexibilidade contribuiu na precarização do ensino das camadas populares na medida em que as condições locais seriam determinantes na trajetória de ensino fundamental com oito anos, seis anos ou quatro anos para formar as crianças. Essa “adaptação curricular” indicou um fato que demonstra o processo de precarização do ensino ao longo do século XX para os filhos da classe trabalhadora. Por meio dessa análise, o professor Saviani indica que os conteúdos são fundamentais para serem ensinados aos filhos da classe trabalhadora. Dominar os conteúdos culturais clássicos é uma das condições necessárias para a classe trabalhadora fazer valer sua teleologia numa sociedade cindida em classes (SAVIANI, 1986).

A partir disso, o professor Saviani (1986) começou a fazer uma análise das relações humanas na organização do trabalho educativo. Indicou que o trabalho educativo deve considerar a diferença entre os alunos no início do processo de ensino, mas alerta que, no final da trajetória, deve-se visar a igualdade da apropriação do saber pelos alunos. Nada mais reacionário do que considerar as diferenças entre os alunos como justificativa para manter as diferenças, conforme as indicações do construtivismo. Palavras do Professor Saviani. A Pedagogia Histórico-Crítica deve considerar a igualdade entre os homens e organizar uma trajetória de ensino em que haja a apropriação do saber científico por parte da classe trabalhadora. Contudo, uma Pedagogia Histórico-Crítica, ou uma prática de esquerda não pode ser idealista e reforçar o otimismo pedagógico na educação. A educação é um elemento determinado pela sociedade. Todavia ela pode influenciar essa sociedade desde que não esteja isolada de outros movimentos sociais os quais visam à transformação do modo de produção

regido pelo capital. Todos a favor de um modo de produção dos trabalhadores livremente associados.

Esses pressupostos iniciais indicados pelo professor Demerval Saviani são importantes para termos uma caracterização da Pedagogia Histórico-Crítica. Pois, as desconsiderações epistemológicas e ideológicas da mesma podem incorrer numa apropriação dessa tendência pedagógica com o viés idealista e conservador. (SAVIANI, 2007).

Ainda no processo de localizar pistas a respeito da história da educação nesse município, pesquisamos em seus jornais mais recentes. No ano de 2005, constatamos uma reportagem a respeito da semana teatral e o incentivo à leitura (PREFEITURA REALIZA SEMANA TEATRAL E INCENTIVA LEITURA, 2005) [Anexo P]. Dois fatos localizamos em jornais locais, em 2006. Um que tratava do projeto ‘Informática Educacional” e outro tratava da criação dos Conselhos Escolares (PREFEITURA DÁ INÍCIO AO PROJETO “INFORMÁTICA EDUCACIONAL”, 2006) [Anexo N]. Além disso, outra matéria tratava do VI Encontro de Educação, cujo tema fora “Conhecimento Científico: Instrumento Essencial para Emancipação” (PREFEITURA REALIZA VI ENCONTRO DA EDUCAÇÃO, 2006) [Anexo O]. A partir disso, iniciamos uma observação das reuniões da Secretaria Municipal de Educação (gestão 2001-2008) que preparava o seu VII Encontro de Educação.

A Secretaria de Educação de Sarandi realizou uma reunião a fim de efetivar os últimos encaminhamentos para o VII Encontro de Educação, cuja temática foi: “Ensino Aprendizagem e Desenvolvimento na Perspectiva Histórico-Cultural”, no dia seis de julho de 2007. Esse encontro correspondia a uma das atividades da Secretaria Municipal de Educação para atender à formação continuada dos professores da Rede. Além disso, ele reforçaria o fundamento da proposta curricular do município, a Pedagogia Histórico-Crítica. Contudo, aqui identificamos fatos contraditórios.