Conforme indicamos, o rompimento de José Reinaldo Tavares com o grupo Sarney foi, num primeiro momento, motivo de desconfiança em virtude do longo e estreito vínculo que o governador mantinha com José Sarney, sua família e grupo
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político. Esses elementos se fixaram de tal modo à sua identidade que ele ficou conhecido e reconhecido por essas adesões.
É razoável admitir que alguns fatores favorecem a fixação de identidades, entre eles, o longo tempo de permanência numa determinada posição, a visibilidade conferida ao agente e a condição de representante ou porta-voz dessa posição. Contudo, vale destacar que para um individuo pode haver identidades múltiplas, no entanto, essa pluralidade é fonte de tensão e contradição (CASTELLS, 1999). Neste sentido, a ruptura do governador com o grupo dominante é representativa das contradições que envolvem os processos de construção de identidade, envolvendo, não apenas a subversão de imagens já cristalizadas a seu respeito, mediante sua nova autodefinição, mas também a produção de efeitos sociais mais amplos e de reconhecimento público.
Essas questões envolvem disputas por representação, lutas para “impor a definição legítima de divisões do mundo social” (BOURDIEU, 1997, p.113). A definição das identidades também passa por essas disputas, o que explica o fato da ruptura de José Reinaldo demorar a ter eficácia, pois não existe correspondência automática ou imediata entre a imagem projetada e a imagem recebida e, além disso, havia uma (re)significação dessa identidade pelo grupo do qual ele se afastou como demonstrado na passagem seguinte, do jornal O Estado do Maranhão:
Primeiro, ele ganhou de presente a Direção Geral do DER. Logo em seguida, foi secretário de Viação e Obras. Deixou esse cargo para ser secretário estadual de planejamento. Não passou muito tempo e foi mandado para Brasília onde assumiu ali a superintendência da Companhia Urbanizadora da Nova Capital, a Novacap. Depois, ganhou outro presente: a Secretaria de Viação e Obras do Governo Federal. Dali, foi guindado para o plano nacional na condição de Diretor Geral do Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS). Foi puxado para o degrau de cima ao assumir a Superintendência da Sudene. E, para completar, ganhou o Ministério dos Transportes. De lá, saiu para um mandato de deputado federal, também ganhou de graça, e dois mandatos como vice-governador sem fazer
o mínimo esforço, para em seguida tornar-se governador substituto e,
finalmente, governador reeleito.
Essa foi a trajetória do sr. José Reinaldo Carneiro Tavares em mais de três décadas de vida pública. Com um detalhe que todo Maranhão conhece, mas que ele agora faz questão de esquecer: todos os cargos que ocupou, sem
qualquer exceção, incluindo o mandato de governador, lhe foram dados pelo senador José Sarney.
Por mais absurdo que possa parecer, é exatamente contra o senador José Sarney que o Sr. José Reinaldo se volta agora, renegando uma história de benefícios e de prestígio. E o faz sem nenhuma razão [...].
(O Estado do Maranhão, São Luís, 28 de dez. de 2004, p.03; grifo nosso).
Os vínculos entre José Reinaldo e Sarney e a “benevolência” deste último em relação ao primeiro, expressa em sucessivos “presentes”, foram reivindicados nessa
matéria do jornal O Estado do Maranhão. Ela traduz as disputas por representação e fornece dados para que esse vínculo não se perca e seja reatualizado, não para reintegrar o governador ao grupo que o senador construiu em seu entorno, mas como um dispositivo de controle a ser acionado quando o governador desqualificar José Sarney ou seu grupo, fazendo com que ele se desqualifique simultaneamente, visto seu histórico de ligação e vantagens decorrentes desse alinhamento.
O acionamento desses vínculos e as alusões aos “presentes” oferecidos por Sarney a José Reinaldo foram um meio desse jornal demonstrar que o rompimento deste último simbolizava uma “traição” ao primeiro, o que se expressa em afirmações como: “o governador selou seu destino, coberto com a vergonha de sua conduta de traidor [...]”39. A ideia de traição era utilizada em oposição à de lealdade que, neste contexto específico, estava relacionada a uma espécie de dever de gratidão que o governador deveria ter para com Sarney e seu grupo político.
Na versão de O Estado do Maranhão as bases ou fundamentos desses laços foram rompidos pelo maior beneficiário e, por este motivo, houve “traição”. No entanto, em entrevista ao jornal O Globo40, Alexandra Tavares se refere a esta questão como uma “defesa aos ataques” que o governador e sua gestão vinham sofrendo dos veículos de comunicação da família Sarney. A primeira-dama declarou que, “Ele [José Reinaldo] não é ingrato. Eu sei o quanto dói nele [...]”, destacando a importância dessa relação para o governador e clara percepção da força desse rótulo para a desconstrução de imagens públicas41.
Neste sentido, as informações acumuladas sobre o longo vínculo entre ambos geraram desconfiança em relação ao novo posicionamento político de José Reinaldo. Houve uma tensão entre as informações acumuladas sobre os vínculos do governador com Sarney e seu grupo político e as mudanças que se processavam na política estadual, de tal maneira que mesmo quando seu afastamento do grupo tinha se tornado público e a troca de insultos pelos jornais era frequente havia crenças de que esse distanciamento não passava de estratégia política ou “uma farsa”, como preferiu chamar o deputado
39 Jornal O Estado do Maranhão (09/01/ 2005, capa). 40 Jornal Pequeno (06/03/2004, p. 05).
41Considerando o conteúdo moral que a lealdade e a traição adquirem na sociedade, assim como a força
dos rótulos “leal” e “traidor” possuem na construção/desconstrução de imagens públicas, cabe destacar a tese de Maquiavel sobre a sabedoria que o príncipe deve ter para agir conforme as circunstâncias, não sendo necessário ter todas as qualidades valorizadas pelos governados, “mas é muito necessário que aparente todas” (MAQUIAVEL, 2007, p.94).
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Aderson Lago (PSDB)42. Isto confirma que não há uma causalidade automática entre a identidade reivindicada e reconhecida.
A impossibilidade dessa correspondência imediata entre dar a conhecer e fazer reconhecer (BOURDIEU, 2007) contribuiu para que esse afastamento fosse visto com desconfiança por muitos integrantes das oposições, como no depoimento seguinte em que o ex-presidente do PT no Maranhão, Roberto Lobato, em sua coluna do Jornal Pequeno43, reduz à simples “rebeldia” a atitude do governador:
Não é possível sabermos com certeza os desdobramentos da rebeldia de José Reinaldo. Aliás, não é possível nem mesmo termos a certeza da perenidade dessa rebeldia. Sarney está calado. Há uma amizade de décadas entre o governador e o ‘senador amapaense’. Tudo pode acontecer inclusive nada.
As primeiras declarações públicas de José Reinaldo sobre a ruptura com o grupo Sarney contribuíram para essa desconfiança. Em entrevista à revista Época44, José Reinaldo afirmou que Roseana rompeu com ele, ao mesmo tempo, evitava falar em rompimento com José Sarney. Quando interrogado pela revista, ele disse que não colocaria a questão desse modo “Porque com Sarney eu tenho uma ligação muito grande um respeito muito grande. Acho que ele ajudou muito o Estado. É outra questão”.
Este tipo de declaração demonstra as tensões e contradições que envolvem a ação e autorrepresentação dos indivíduos. A este respeito, Bernad Lahire (2003, p.40) nos fala sobre a heterogeneidade das experiências socializadoras e destaca que “[...] os atores saltam a cada instante de uma interação pra outra, de uma situação pra outra, de um universo social para o outro [...]” e, segundo o autor, “[...] essas experiências não são sistematicamente coerentes, homogêneas e mesmo totalmente compatíveis e que nós somos, todavia, o seus portadores”.
Assim, a relutância do governador em falar de rompimento com José Sarney reforçava as desconfianças em relação à veracidade e consistência do seu afastamento, fazendo com que a possibilidade de aproximação entre o governador e setores oposicionistas fosse vista com reservas. É o caso de deputados estaduais do bloco oposicionista que temiam creditar sua confiança ao governador e se decepcionar com uma “provável reconciliação” entre ele e o grupo dominante, como pode ser observado nas palavras do deputado Mauro Bezerra (PDT): “Se nós nos aliamos hoje ao
42 Jornal Pequeno (03/08/2004, p.03).
43 Jornal Pequeno (28/07/ 2004, Coluna do Lobato, p.02). 44 Jornal Pequeno (10/08/2004, p. 03).
governador e amanhã ele se recompor com o senador José Sarney (PMDB-AP), nós vamos ficar com cara de cachorro que corre atrás de carro e quando o veículo para fica com cara de besta” 45.
Até então, José Reinaldo era tido como representante de um grupo político que havia se estabelecido na política maranhense há mais de quarenta anos e que, de acordo com a visão das oposições, era responsável pelos baixos indicadores econômicos e sociais do Estado. Isto pode ser observado no seguinte relato do deputado Rubem Brito (PDT e integrante do bloco de oposição ao governo na Assembleia Legislativa), publicado pelo Jornal Pequeno (25/01/2004, p.03):
[...] Este primeiro ano de governo do José Reinaldo é a continuidade de um período de quarenta anos no Maranhão, de um modelo sócio-econômico que privilegia uma minoria e levou a grande maioria do nosso povo à extrema pobreza e a estagnação econômica do Estado, que de um Estado produtor na década de [sic] a um Estado que tudo que consome vem de fora. Foi um ano de aprofundamento das desigualdades e dos privilégios aos grandes grupos econômicos no campo e na cidade e da continuidade da política do ‘quero, posso e mando’ [...].
O discurso do deputado Rubem Brito enfatizam indicadores sociais e econômicos, visando cercar-se de verdade através do discurso científico que se cruza a vários outros discursos com o objetivo de (des)qualificar as práticas do grupo Sarney. Nesse sentido, a imagem de José Reinaldo estaria imersa numa rede de representações que fazem com que sua identidade que é produto de uma cadeia simbólica e discursiva seja associada a práticas desqualificadas socialmente e pelos oposicionistas.
Apesar da atribuição sistemática de características se integrar à identidade através de representações, esta também é marcada por indeterminações e instabilidades. Conforme observação de Silva (2000, p.84) “o processo de produção da identidade oscila entre dois movimentos: de um lado, estão aqueles processos que tendem a fixar e a estabilizar a identidade; de outro, os processos que tendem a subvertê-la e a desestabilizá-la”.
Observa-se que apesar de haver uma tendência à fixação das identidades, elas estão sempre escapando através da possibilidade de “cruzar fronteiras” e transitar pelos territórios das diferentes identidades (SILVA, 2000). Nesse sentido, as declarações de José Reinaldo à Folha de São Paulo46 afirmando sua ruptura com grupo Sarney
45 Jornal Pequeno (03/08/2004 p.04). 46 Jornal Pequeno (03/08/2004, p. 04).
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representaram essa travessia, pela qual o governador redefine publicamente sua posição e busca afirmar uma nova identidade.
Não é sem importância que essas declarações tenham sido dadas à Folha de São Paulo que é um dos maiores jornais do país e de circulação nacional, pois por essa via o rompimento se apresenta para além da política local e se dirige ao próprio líder do grupo no estado, o senador José Sarney, cuja atuação política se desenvolve em nível nacional.
Ao longo do processo de afirmação da sua mudança o governador reitera a sua nova posição ao mesmo tempo em que rebate críticas como as apresentadas, no estado, pelos meios de comunicação do Sistema Mirante. De acordo com José Reinaldo as “calúnias” das quais era vítima, deviam-se à sua “coragem em romper com as estruturas que amarravam o desenvolvimento do Estado” 47. O governador justifica o rompimento, enaltecendo a ideia de mudança:
Mudar sim! Porque toda minha experiência no governo que me antecedeu forneceu elementos para que eu compreendesse que não há explicação para o tamanho do atraso social deste Estado tão rico em potenciais naturais, tão privilegiado por natureza. (Jornal Pequeno, 26/06/2004, p.04).
Mas, para que se operasse a magia social (BOURDIEU, 2007) e José Reinaldo tivesse autoridade para impor uma “di-visão” dessa realidade, fazia-se necessário que ele se reinventasse, passando a se (re)presentar através de novos símbolos e novas práticas. Nessa perspectiva, confirma-se a ideia de estreita articulação entre representações e práticas, no sentido proposto por Chartier (1991), qual seja que as representações existem à medida que comandam atos.
Entre as ações que passaram demarcar a nova posição do governador, destaca-se a “reorganização da estrutura administrativa do executivo”, que retomou a antiga denominação de “Secretarias de Estado”, extinguindo as “Gerências” instituídas pela ex-governadora Roseana Sarney sob intensa propaganda na mídia local e nacional de que estaria implantando um novo modelo administrativo, símbolo da sua gestão48. Outra manifestação da ruptura de José Reinaldo com seu antigo grupo político foi a sua saída do PFL, o mesmo de Roseana Sarney, para se filiar ao PTB. Essa migração partidária redefiniu várias posições no espaço político maranhense, visto que o governador foi seguido por um grupo de integrantes tanto do PFL quanto de outros partidos49.
47 Jornal Pequeno (26/06/2004, p.04). 48 Jornal Pequeno (09/06/2004, p.03). 49 Jornal Pequeno (07/12/2004, p.02).
A saída de várias lideranças dos quadros do PFL foi o estopim dos conflitos que vinham se delineando no interior do grupo Sarney e, por consequência, na Assembleia Legislativa. Mesmo antes de estar consumada a ruptura de José Reinaldo com o grupo Sarney e posteriormente com o PFL, esse conflito já havia chegado ao Legislativo Estadual com parlamentares vinculados ao governador sendo despojados de importantes funções nessa Casa50, ainda controlada por uma maioria fiel ao grupo Sarney que identificava nesse grupo o caminho de acesso aos benefícios da máquina governamental.
Esse fato demonstra que já havia uma movimentação dos agentes nesse espaço e que o rompimento do governador com o grupo dominante, assim como sua saída do PFL, precipitaram novas tomadas de posição e alianças, ocasionando reconfigurações na política estadual, bem exemplificadas no processo de eleição do presidente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.
O governador deu inicio a uma fase de negociações no Legislativo Estadual com o objetivo de conquistar a presidência da Casa e assegurar a formação de uma maioria e, consequentemente, a governabilidade. Nesse processo buscou uma aproximação com parlamentares que até então estavam na oposição ao seu governo e que a essa altura já sinalizavam possibilidade de aliança. A esse respeito, ele faz a seguinte afirmação:
Eu acho que chegou a hora de somarmos as forças. A oposição tem uma bancada bastante numerosa na Assembleia Legislativa, de forma que eu fico muito satisfeito de contar com o apoio dela, pois vivemos um novo momento no Maranhão e vemos com muita simpatia esse aceno da oposição para o governo. (Jornal Pequeno, 10/09/2004, p.03).
Essa aproximação entre o governador e seus antigos opositores no legislativo é uma expressão literal de negociações e reposicionamentos que os agentes realizam no curso de sua trajetória e que ajudam a construir suas identidades, inclusive no que esta tem de contingente. Demonstra também, como os indivíduos são produtos de múltiplas experiências de socialização e que participam de variados universos sociais, ocupando posições diferentes neles (LAHIRE, 2003). José Reinaldo e seus aliados não assumiam
50 Desentendimentos entre parlamentares na Assembleia Legislativa provocaram uma dissidência no
bloco que dava apoio ao governo, “Bloco Parlamentar Democrático”, originando o “Bloco Popular”. As tensões ocorreram depois que parlamentares vinculados a José Reinaldo foram despojados de importantes funções no Legislativo Estadual. De acordo com informações do Jornal Pequeno, o deputado Wilson Carvalho foi forçado a deixar a presidência do “Bloco Parlamentar Democrático” e perdeu a presidência da Comissão de Saúde que ficou com o deputado Humberto Coutinho. Outro que não conseguiu integrar comissões na Assembleia Legislativa foi o deputado Stênio Resende que perdeu a presidência da comissão mais importante da Casa, Comissão de Constituição e Justiça, para Teresa Murad que é casada com o cunhado ex-governadora Roseana Sarney, Ricardo (Jornal Pequeno, 07/03/2004, p.03).
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apenas uma “nova” posição na política maranhense, mas reconstruíam suas identidades ao mesmo tempo em que reconfiguravam o próprio espaço em disputa.
A adesão de vários deputados à base de apoio ao governo alcançou até os oposicionistas mais contundentes Aderson Lago (PSDB) e Domingo Dutra (PT), o primeiro declarou reconhecer “uma nova postura do governo em relação à oposição” 51, enquanto o petista afirmava: “nós estamos vendo um governador que nasceu na chamada oligarquia Sarney se libertando do grupo e tomando atitudes que indicam que essa rachadura não tem soldador que dê jeito” 52.
Por esta via o governador começava a ser reconhecido na política estadual como oposicionista ao grupo Sarney. A produção dessa crença (LEVI-STRAUSS, 1975), associada ao governismo tradicional na política brasileira (FIGUEIREDO e LIMONGI, 1998; MELO, 2001; BEZERRA, 1999)53 pode ser percebida nas mudanças de posição e de discursos vários deputados, inicialmente, críticos ou receosos quanto a esta aliança.
Com o propósito de tornar crível e legítimo seu novo posicionamento político, José Reinaldo lançou mão de várias estratégias, incluindo uma (re)leitura do seu próprio passado desvinculando-se da visão que tradicionalmente lhe era imputada, sem críticas, de apadrinhado do senador Sarney. Nessa nova fase, José Reinaldo ressignificava a sua trajetória, associando seu histórico de ocupação de cargos públicos à sua condição de técnico e procurando se diferenciar da visão tradicional atribuída aos políticos, centrada na busca de poder. Diz ele através do Jornal Pequeno (29/07/2004, p.03):
Tive uma trajetória muito grande no funcionalismo federal e em outros Estados. Entrei na política com 51 anos, portanto não sou de fazer essas jogadas que os políticos costumam fazer, gosto dos políticos, mas me considero um técnico, no sentido de querer realizar alguma coisa do que propriamente um sonho de poder. Eu não tenho esse sonho de poder, o que eu quis foi ter uma participação se ser governador para resolver os problemas do Estado, e eu estou mostrando em dois anos que é possível [...].
A utilização desses elementos para construção de uma nova imagem do governador demonstra que as identidades não são fixas, muitos menos estaques, mas estão relacionadas a uma ideia de movimento e transformação, remetendo a um “tornar- se”, como na proposta de Butler (2003). Deste modo, a identidade se afasta de uma
51 Jornal Pequeno (05/09/2004, p.03). 52 Ibid.
53Nossa referência ao governismo na política brasileira, associada à posição que o governador José
Reinaldo assumiu na política estadual, está relacionada ao peso que os recursos governamentais e seu poder de barganha exercem sobre os alinhamentos e realinhamentos políticos, tanto na esfera eleitoral quanto parlamentar.
concepção essencialista, aproximando-se de uma visão mais estratégica e posicional e, nesse sentido, a ruptura de José Reinaldo e a forma como ele se re(a)presentou a partir desse momento refletem as negociações e os posicionamentos que ele assumiu.