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In document Bølgemodellering i kystområder (sider 63-67)

De Quentin Tarantino, lançado em 2003, Kill Bill Vol. 1 é um filme que mistura ação, drama e algum suspense, com longas sequências de lutas inspiradas no cinema japonês. Narra a história de uma assassina que foi quase morta por seus comparsas por ter abdicado de sua vida de crime. Ao acordar do coma de vários anos, adota como objetivo de vida exterminar aqueles que tentaram matá-la.

A montagem do filme segue uma lógica temporal não linear. Há alguns retornos a algum momentos do passado, e as cenas do filme não seguem

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Com base no metascore do Metacritic. Disponível em: <www.metacritic.com>. Acesso em: 6 jan. 2016.

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3. Metodologia

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linearmente a cronologia dos fatos contados. Por exemplo, quando Black Mamba, a protagonista, termina a primeira luta do filme e vai riscar sua oponente da lista, vemos um nome já riscado, de O-Ren Ishii, com quem Black Mamba luta em uma das últimas sequências do filme. A última sequência do filme mostra Black Mamba escrevendo essa lista, enquanto viaja de avião para encontrar Hattori Hanzō, que forjou a espada que ela utiliza em suas lutas. Essa sequência é intercalada por cenas que mostram Hattori Hanzō passando ensinamentos a ela, cenas de Kill Bill Vol. 2 que apresentam dois personagens com quem ela ainda não lutou e uma cena, também do Volume 2, que mostra o diálogo dela com Bill, quando ele a encontra antes de tentar matá-la. O filme intercala também momentos de imagens filmadas com animações e fotografias.

Cores muito vivas, cenas em preto e branco, por vezes apresentando algum elemento colorido, efeitos de luz e efeitos especiais exagerados, como pessoas voando após serem atingidas por um golpe ou esguichos de sangue jorrando intermitentemente após um corte de uma cabeça ou um membro, indicam uma estética não realista.

Em razão do tratamento de sua trilha, sobretudo pela forma de utilização do silêncio, este foi o filme que motivou inicialmente a realização desta pesquisa.

Tem sua trilha sonora formada por uma variada seleção de músicas de diferentes autores, épocas e gêneros, com fortes intensidades e saídas repentinas. Essa seleção fundamenta-se na atmosfera gerada pelas músicas selecionadas, algumas vezes de maneira bastante irônica, e não em um estudo de contexto histórico e geográfico.

Os ruídos e efeitos sonoros são inseridos com volumes que estão acima do padrão recorrente do cinema comercial, que apresenta uma abordagem realista de inserção de ruídos, tornando-se assim muito evidentes. Nota-se uma estética farsesca em grande parte dos ruídos apresentados, que lembram cartoon em alguns momentos e filmes B29 ou seriados de luta japoneses em outros. Alguns ruídos irreais, como do brilho das espadas ou do movimento de mexê-las em movimentos rápidos e curtos, ocorrem constantemente.

Ao longo do filme são gerados contundentes contrastes sonoros, tanto no que diz respeito aos estilos quanto aos parâmetros do som (timbres, intensidades, etc.). Em alguns momentos, o silêncio é o que marca esses contrastes. Cenas fortemente

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B movie. Termo que classifica filmes de baixo orçamento, considerados de baixa qualidade, mas que acabaram adquirindo um status de cinema cult, na atualidade.

ruidosas são sucedidas por profundos silêncios, que são por sua vez interrompidos subitamente por sons de grande intensidade. O silêncio está presente em diversos momentos do filme, contrastando com o excesso de som de outros momentos. Ações que acontecem acompanhadas por músicas de intenso movimento e posteriormente em silêncio também evidenciam o papel do silêncio como gerador de sentido.

Dessa maneira, os silêncios são neste filme muito explícitos, como se fosse objetivo do diretor dar ênfase a esses momentos, sem deixá-los passar despercebidos.

Figura 3 – Frame do filme Kill Bill Vol. 1

Fonte: Captura de tela

3.2.2 12 Anos de Escravidão30

De Steve McQueen, lançado em 2013, 12 Anos de Escravidão é um drama histórico que narra a vida de um negro livre que vive nos Estados Unidos no século XIX, que é sequestrado e vendido como escravo, passando a viver sob essa condição. A trilha sonora original é composta pelo renomado compositor Hans Zimmer.

A história se passa no século XIX, principalmente em ambiente rural, com sua peculiar paisagem sonora, inundada de silêncios e sons de baixa intensidade. Dessa forma, caminhando em sentido contrário ao cinema comercial atual e adotando uma trilha sonora realista, o filme já se apresenta bastante silencioso, dado o ambiente sonoro em que as cenas se inserem. De modo geral, as músicas são suaves, formadas por notas longas, pouco movimento rítmico, articulando-se diretamente com a paisagem sonora local e o aspecto lento das cenas.

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3. Metodologia

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Excetuando-se alguns poucos momentos de sequências de recordação e a primeira sequência do filme, que dá um panorama sobre a vida de escravo de Solomon, o protagonista, antes de realmente iniciar sua história, o filme apresenta uma montagem linear. O aspecto visual do filme também indica uma estética realista, sem exageros em cores, luzes e formas.

De modo geral, o filme apresenta uma abordagem realista também no tratamento de sua trilha sonora. Há ambiências preenchendo o plano de fundo da trilha durante quase todo o tempo, havendo muito pouca ocorrência de silêncios absolutos. Os sons de natureza, com pássaros e insetos, estão quase sempre presentes, já que quase todo o filme se passa no contexto rural.

Alguns momentos de silêncio podem ser percebidos na composição desta trilha sonora, aprofundando o drama vivido por seus personagens. A ideia de impossibilidade de ação imposta aos escravos, bem como o vazio de suas vidas, é por vezes amplificada pela inatividade sonora da cena. O silêncio adquire nessa produção grande força dramática nos momentos em que se intensifica.

As pausas, que ocorrem em diversos momentos, permitem a assimilação das informações e a constante reelaboração do pensamento acerca da realidade apresentada e a reflexão sobre a temática abordada.

A contribuição deste filme para a pesquisa será demonstrar de que maneira opera o silêncio em um filme já bastante silencioso: como se percebem os silêncios, como ocorrem os contrastes e que sentidos eles podem gerar.

Figura 4 – Frame do filme 12 Anos de Escravidão

In document Bølgemodellering i kystområder (sider 63-67)