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Simplicial modules and the Dold-Kan correspondence

Frei Sergio Antonio Görgen

Agrocombustíveis são combustíveis, líquidos ou gasosos, para motores à combustão, provenientes da agri- cultura. Os mais conhecidos entre os agrocombustíveis líquidos são o álcool (etanol) e o biodiesel. O biogás é um combustível gasoso que pode ser pro- duzido a partir do estrume de porcos, vacas etc., mas seu uso hoje é limitado, por causa da necessidade de adaptação mecânica dos motores. Normalmente é aproveitado para a geração de energia elétrica, uso doméstico e secagem de cereais. Já o álcool e o biodiesel são usa- dos em larga escala no Brasil, Europa, Estados Unidos e Índia.

A principal matéria-prima para a produção de álcool é a cana-de-açúcar, mas ele também pode ser produzido tendo como matéria-prima o sorgo sacarino, a mandioca, a batata-doce, a beterraba, o milho, o arroz etc. Em princípio, todos os vegetais que con- têm açúcar podem ser matéria-prima para a produção de álcool. O álcool, como combustível, substitui a gasolina ou é misturado a ela.

Já o biodiesel é produzido tendo como matéria-prima os óleos vegetais, mas também podem ser utilizadas gor- duras animais, especialmente sebo bo- vino e banha de porco.

O biodiesel, como combustível, substitui ou é misturado ao diesel de petróleo. No Brasil, por meio da lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, o go- verno brasileiro estabeleceu, em 2011, um percentual de 5% de biodiesel mis- turado no diesel mineral, mas ele pode ser usado em percentuais maiores – na Europa, usa-se o biodiesel puro, sem necessidade de adaptação de motores diesel. Convencionou-se denominar B5 ao diesel que traz 5% de biodiesel misturado ao diesel de petróleo, caso do Brasil; quando a mistura é de 20%, diz-se B20; o biodiesel puro, sem mis- tura, denomina-se B100.

O óleo vegetal puro, pré-tratado e microfiltrado também pode ser uti- lizado como combustível, bastando para isso a adaptação dos motores. O inventor do motor diesel, que se cha- mava Rudolf Diesel, fez seus primeiros experimentos com óleo de amendoim. Na tecnologia de motores Elsbett, os motores são movidos a óleo vege- tal. Infelizmente, as multinacionais das indústrias de motores impediram até hoje a produção em escala dos motores movidos a óleo vegetal puro.

No Brasil, há dois modelos antagôni- cos de produção de agrocombustíveis: 1) o do agronegócio, de produção em

grande escala e com a terra organizada em latifúndios, concentrando riqueza, com cada vez maior controle das em- presas transnacionais, com monocultu- ras de cana e soja, gerando pobreza e fome, sem sustentabilidade ambiental e criando uma competição inaceitável entre produção de alimentos e energia; 2) o da agricultura camponesa, voltado para a soberania alimentar e energética das comunidades camponesas, combi- nando produção de alimentos e ener- gia com proteção ao meio ambiente (alimergia – alimento, meio ambiente, energia), com produção diversificada e consorciada e sistemas industriais de multifinalidades, de pequeno e médio porte, descentralizados.

A produção de biodiesel se inicia com a produção de grãos oleagino- sos, e, deles, os mais utilizados hoje no mundo são soja, canola, girassol, amendoim e mamona. Em seguida, é feita a extração do óleo, por método mecânico ou por meio de solvente quí- mico. Após a extração do óleo vegetal, a torta ou farelo restante é um produto que pode ser utilizado na alimentação humana e animal (caso do girassol e do amendoim), na alimentação animal (caso da soja e da canola) e para fazer adubos orgânicos (caso da mamona, do pinhão manso e do tungue).

Por fim, temos a produção do bio- diesel, que pode ser realizada em uni- dades industriais de porte pequeno, médio ou grande (refinarias) para fazer o processo da transesterificação, pelo qual o biodiesel é separado da gliceri- na mediante uma reação química com metanol ou etanol, soda e elevação de temperatura. No final, temos como produto principal o biodiesel, mas te- mos também, como subprodutos, o próprio álcool e a glicerina, que pode

ser industrializada e utilizada na produ- ção de sabonetes, sabões, cosméticos ou mesmo na queima para produção de energia. Há também outro método de produção de biodiesel com óleos vegetais chamado craqueamento, que se dá pela quebra e separação de mo- léculas em uma coluna separadora, por meio do aumento da temperatura. Em- bora pouco usado, esse método pode ser muito útil para o autoabastecimento de pequenas comunidades.

A produção de álcool se inicia com o cultivo de plantas ricas em sacarose. No Brasil, é utilizada exclusivamente a cana-de-açúcar, mas em alguns países as matérias-primas fundamentais para a produção de álcool são a beterraba ou o milho. A cana-de-açúcar pode ser transportada até a usina ou microusina de processamento de álcool combustí- vel, por meio de carretas tracionadas, caminhões e outros, onde é descarrega- da manualmente. A cana também pode ser moída diretamente na lavoura, uti- lizando-se moenda móvel (moenda tra- cionada a trator), e somente o caldo já decantado, pronto para ser utilizado na fermentação, é transportado. A ponta da cana é destinada à alimentação de bovinos. O bagaço e o bagacilho são utilizados como alimentação bovina e para adubação de solo agrícola. Nas grandes usinas, é queimada para gerar calor e energia elétrica necessárias à própria usina.

Após ser extraída da cana-de-açúcar, a garapa é filtrada, processo no qual são eliminadas eventuais sujidades pre- sentes nela. A decantação é outra etapa da purificação da garapa. O decantador possui cinco estágios, para que a ga- rapa fique isenta de qualquer sujidade que venha a atrapalhar a fermentação e, consequentemente, o rendimento do processo.

Após o processo de filtração e de- cantação, tem-se o caldo da cana pro- priamente dito e pronto para o proces- so de fermentação (mosto). Devem-se medir os sólidos totais (Brix, símbolo ºBx) do caldo com a ajuda de um den- símetro sacarímetro. O mosto deve ser diluído até 11ºBx para que a fermenta- ção ocorra corretamente.

O caldo de cana a 11ºBx é levado, por gravidade, para as dornas de fer- mentação. A fermentação é realizada pela adição de fermento específico para fermentar o caldo da cana. A levedura utilizada é a Saccharomyces cerevisiae. A fermentação ocorre à temperatura am- biente, mas é necessário o controle da temperatura para que a mesma não ul- trapasse 32ºC, pois a temperatura ideal de trabalho das leveduras é de 28ºC. A fermentação alcoólica é a transforma- ção em etanol da sacarose presente no caldo da cana.

Pelo controle do Brix presente no mosto é que se sabe quão avançado está o processo de fermentação. Quando o mosto atinge 0ºBx é sinal de que todo o açúcar foi transformado em etanol, e o vinho pode seguir para a destilação. Deve-se deixar o vinho em repouso por aproximadamente três horas, a fim de que ocorra a decantação das leveduras e se mantenha o pé de cuba– designação popular para a cultura enzimática que fermenta o caldo de cana, provocando a separação do álcool dos demais com- postos químicos – no fundo das dornas, para ser utilizado na próxima fermenta- ção. O vinho é, então, transferido para o alambique por gravidade ou pela utiliza- ção de bomba apropriada. Com o vinho na dorna volante, pode-se dar início à destilação do mesmo.

O processo de destilação se dá me- diante o aquecimento do vinho pelo

vapor d’água produzido na caldeira. O alambique pode atingir temperaturas de até 104ºC e a coluna de destilação, de até 80ºC. Com isso, o etanol evapora e vai, através de tubulações, para as colunas de destilação, onde ocorre a separação do etanol da água. Depois de separados, ocorre a condensação do vapor de etanol e, por consequência, a mudança de fase do mesmo, que pas- sa a ser líquido. Após essa última eta- pa, o etanol sai do sistema e vai para o armazenamento.

O álcool combustível, com gradua- ção entre 92º e 96ºGL, é armazenado em um tanque aéreo de aço carbono. O vinhoto é o principal resíduo da produção de álcool. Nas microusinas, o vinhoto é armazenado em piscina apropriada, com volume máximo de 120 m3, revestida de uma geomembra-

na sintética impermeável de polietileno de alta densidade (Pead), com 1 mm de espessura, a fim de evitar infiltrações. O destino desse vinhoto é a aplica- ção na lavoura, pois o vinhoto é mui- to rico em matéria orgânica. Além de matéria orgânica, o vinhoto contém mi- nerais, entre os quais o potássio que, juntamente com o cálcio, aparece com destaque. Também pode ser usado na alimentação de bovinos e porcos.

alimergia

Alimergia é um novo conceito em agricultura, pecuária e floresta que pro- cura desenvolver formatos produtivos que integrem, de maneira sinérgica, a produção de alimentos e de energia com a preservação ambiental. A alimer- gia visa à soberania alimentar e energé- tica das comunidades e dos povos de maneira integrada e harmônica com os ecossistemas locais. No entanto, isso só será possível com a utilização de

sistemas agrícolas de base ecológica, em especial a agroecologia, que implica sistemas complexos de policultivos.

Porém, a alimergia não é apenas um novo conceito que procura unir, em um processo produtivo integrado e sistêmico, alimentos, meio ambiente e energia. É um novo paradigma, ne- cessário para responder aos desafios e às exigências objetivas que a comuni- dade humana e a sobrevivência da vida da biosfera colocam em termos ener- géticos, alimentares e ambientais para o presente e, dramaticamente, para a construção do futuro.

Um novo paradigma é uma nova forma de ver, analisar, pensar, projetar e fazer. A necessidade desse novo para- digma, no cenário que analisamos, é ur- gente. Levá-lo à prática exige reposicio- nar a ciência e a produção – e, no nosso caso, reorganizar a vida no campo e a produção agropecuária –, tendo como eixo organizador da vida social e produ- tiva o novo paradigma alimérgico.

Os sistemas camponeses de produ- ção, juntamente com as formas indíge- nas, respondem melhor e com maior eficácia a esse novo desafio. Os mo- nocultivos extensivos em grandes la- tifúndios encontram-se na contramão desse novo paradigma, que se coloca como necessário e incontornável para uma comunidade humana que precisa comer com dignidade, diversificar suas fontes de energia e limpar a atmosfera dos gases responsáveis pelo efeito estu- fa. Isso requer e propõe formatos pro- dutivos diversificados e multifuncio- nais, geradores de postos de trabalho e renda, organizadores de sistemas in- tegrados de produção agrícola, pecuá- ria e florestal.

Os novos formatos produtivos nas comunidades camponesas, ou mesmo

nas rururbanas, envolvem muita gente e muito trabalho direto, organizando sistemas industriais flexíveis e descen- tralizados com circuitos comerciais e distributivos readequados, conforme a localização da população. Para isso, é preciso redistribuir as pessoas no es- paço geográfico, o que traz a exigência da Reforma Agrária. Esse novo siste- ma produtivo é possível e necessário, e o sujeito social qualificado e capaz de construí-lo são os camponeses, que resistiram bravamente nas últimas dé- cadas à voracidade destruidora do ca- pitalismo no campo.

Energias renováveis e