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organizacional, centrada nos pilares de desempenho, conformidade e responsabilidade, vista segundo Fahy, Roche, Weiner (2005), fornece em termos conceituais e práticos um modelo sistêmico, abrangente, e proativo para o desenvolvimento e gestão de programas de capacitação

blended learning.

Dessa forma, o gerenciamento dos programas passará a ser menos ‘segmentado’ em diferentes dimensões de modelos de gestão, tais como as dimensões pedagógica, tecnológica, ou acadêmica, como tradicionalmente acontece na prática.

Um aspecto relevante da governança organizacional é a ênfase nos processos, responsabilidades e registros, associados à preocupação em definir mecanismos explícitos de feedback a partir de todos esses elementos, visando tornar os programas mais eficazes com o tempo. O exposto indica ainda que a importância da governança nos programas de capacitação tenderá a ser mais preponderante quanto maior for a escala e abrangência dos programas.

Na Figura 24 são representados os elementos conceituais inerentes à visão de governança organizacional que servirá de alicerce ao framework, baseada nas dimensões de desempenho, conformidade e responsabilidade.

Figura 24 - Governança organizacional para gestão estratégica da capacitação

Fonte: adaptada de Weill (2006) e Fahy, Roche, Weiner (2005).

A partir deste momento a questão que se deve responder é: como implementar essa visão na prática? Caberá ao Conselho Federal de Contabilidade estabelecer o delineamento das diretrizes das capacitações e os principais elementos que deverão ser abordados nos relatórios de diretrizes, execução, verificação e revisão de acordo com a Figura 25, que demonstra a visão do framework proposto.

Figura 25 - Framework de gestão das capacitações proposto

Para melhor explicitar a aplicação do framework proposto, apresenta-se a Figura 26 a visão pragmática do ciclo de desenvolvimento das capacitações. D: Diretrizes. P: Planejamento. D: Execução. C: Verificação. A: Revisão - ações corretivas.

Figura 26: A visão pragmática do ciclo de desenvolvimento das capacitações. D: Diretrizes. P: Planejamento. D: Execução. C: Verificação. A: Revisão -

ações corretivas.

Fonte: elaboração própria (2012).

O delineamento de diretrizes corresponderá na prática a um documento aonde é apresentada a visão conceitual dos principais elementos de governança. Este documento terá uma redação de caráter geral, dados os diversos tipos possíveis de capacitação.

Quando necessário, o documento conterá diretrizes específicas do tipo de capacitação. Por meio das diretrizes pretende-se direcionar o planejamento e execução de capacitações de parte das instituições, e a coleta de dados relevantes para a fase de avaliação pós-execução. Ao mesmo tempo, a maneira de implementação dos processos e das ações ficará a cargo da instituição participante, em co-participação eventual com os CR´s. Dessa forma, o CFC respeitará a autonomia, a cultura

organizacional e a execução das instituições participantes, sem ferí-las na sua autonomia.

O Quadro 21 relaciona os principais elementos a serem abordados no relatório de diretrizes.

Quadro 21 - Elementos dos documentos de diretrizes para o desenvolvimento de capacitações mediadas por tecnologia

• Elementos-chave • Objetivos

• Elementos de contexto • Tecnologia empregada

• Conteúdos e objetos de aprendizagem • Descrição do processo decisório • Metodologia

• Competências dos professores • Avaliação e acompanhamento • Relacionamento institucional • Planejamento da qualidade • Processos e indicadores • Promoção da ética • Riscos envolvidos

• Relatório de execução das capacitações Fonte: elaboração própria (2012).

Caberá às instituições executoras a elaboração do relatório de execução da capacitação. O modelo de conteúdo e de estrutura deste relatório estará contido no relatório de diretrizes. Este relatório deverá conter os principais elementos necessários para compreensão do processo de capacitação realizado, e deverá fornecer os elementos necessários para a fase seguinte do ciclo de desenvolvimento das capacitações, a fase de verificação.

O Quadro 22 relaciona os principais elementos a serem abordados. Quadro 22 - Elementos do Relatório de Execução das Capacitações

Contextualização Dados básicos: • Instituição • Curso • Objetivos • Titulação

• Responsáveis de cada processo • Metodologia • Tecnologia • Stakeholders Desenvolvimento • Avaliação • Indicadores da qualidade

• Módulos, conteúdos, objetos de aprendizagem • Custos

• Informação e conhecimento identificado • Indicadores da gestão do capital intelectual • Boas práticas aprendidas

• Problemas evidenciados Considerações gerais

Fonte: elaboração própria (2012).

A terceira fase do ciclo PDCA de gestão das capacitações, correspondente à verificação (check), será realizada por membros convidados. Esta estratégia pretende respeitar o princípio básico da gestão de qualidade aonde “quem executa não audita, e reciprocamente”. Além disto, os membros externos proporcionarão o elemento exógeno de inovação necessário, trazendo para a análise suas próprias experiências e conhecimentos. Dessa forma, a avaliação do conjunto de capacitações é guiada pela análise e pesquisa dos dados coletados, aonde se procura incentivar um equilíbrio dinâmico entre análise, avaliação, e busca de melhoria continua.

Uma vez realizada a etapa de avaliação do ciclo, corresponderá ao CFC e aos Conselhos Regionais avaliar os relatórios de execução para decidir sobre prováveis alterações (que neste caso representam melhorias) no ciclo. Nesta etapa, chamada de “revisão”, haverá um intenso intercâmbio de conhecimentos entre os participantes. Ainda nesta etapa, será oficializada a consolidação de dados coletados, assim como tomadas de decisões à respeito das diretrizes e do modelo de relatório de execução do projeto. A cada ciclo serão revisados os indicadores, com um olhar pragmático, procurando melhorar a descrição da execução e a posterior verificação. Ao todo, a execução sucessiva dos ciclos irá constituir a espiral de aprendizado das capacitações.

Realizada a descrição do framework proposto, apresenta-se na próxima seção, a análise e interpretação de resultados do Método Delphi.

4.2 RESULTADOS EMPÍRICOS