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Silence réel des dieux ou refus possible de les écouter ?

Chapitre VI : Les héroïnes dans l’univers magico-religieux

IV. L’omniprésence du chaos : un plaidoyer contre l’impotence de l’Omniscience

IV.2. Silence réel des dieux ou refus possible de les écouter ?

As relações sociais na família e nas redes sociais do indivíduo representam fatores fundamentais para a sua saúde e bem-estar. A família, sob qualquer arranjo ou configuração, constitui o núcleo social mais próximo dos indivíduos, no qual podem se estabelecer relações interpessoais de apoio e proteção, mas ao mesmo tempo relações de conflitos e tensão. Em muitos casos, é no ambiente da família que os idosos são submetidos à violência e aos maus-tratos, sobretudo quando tais membros os consideram como pessoas inúteis, como quem voltou a ser criança, não sendo mais capaz de tomar decisões, com autonomia. Ainda, há situações de negligência, quando o cuidador do idoso se recusa, ou se omite, quando deveria oferecer os cuidados necessários.

Viver mais, quase, necessariamente, representa conviver com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas, doença pulmonar crônica, depressão, demências, doenças

85 renais, artrite e artrose, com complicações e agravos que já representam cerca de 2/3 da carga de doenças no Brasil. As estratégias de prevenção e controle das doenças crônicas e seus agravos têm sido impotentes para oferecer aos idosos, melhor qualidade de vida. Os fatores responsáveis pela epidemia de doenças crônicas que atingem principalmente os idosos estão relacionados à dieta, ao sedentarismo, à dependência química de tabaco, álcool e outras drogas, ou seja, são de natureza comportamental e relacionados aos estilos de vida.

O acesso aos espaços públicos e as interações sociais, que aí se realizam, são de suma importância para a saúde dos indivíduos, em especial dos idosos. Ampliar as possibilidades de deslocamentos ativos, pode melhorar não só a saúde física, mas também a saúde mental dos idosos. Há que se pensar, ainda, nas oportunidades de sair de casa para atividades cotidianas, como trabalhar, ir ao banco, ao supermercado, a casa de parentes e até ir à praça, para encontrar os amigos ou, simplesmente, passear e divertir-se, como parte das necessidades de integração social e emocional com as pessoas e o lugar onde vive. O envolvimento dos idosos em grupos sociais e religiosos ou ações de cidadania na comunidade também constroem motivos para tirá-lo do isolamento social e do enclausuramento da casa, mantendo os vínculos territoriais.

Uma estratégia para se conseguir ampliar a mobilidade dos idosos, que poderá aumentar as possibilidades de deslocamentos ativos, é ampliar sua rede social. Os vínculos sociais que um indivíduo constrói, no decorrer da vida, são constituídos pelo grupo familiar, pelos vizinhos e pelos amigos. Manter

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essa rede social, com interações frequentes e apoio solidário o ajuda a envelhecer com saúde.

Mas, o indivíduo que envelhece vê, progressivamente, sua rede social sendo diminuída. Primeiro, os parentes e amigos também envelhecem e vão morrendo. Com a velhice, doenças crônicas, mobilidade reduzida, perda de autonomia, dificuldades para sair de casa, o idoso vai perdendo contato com as pessoas. Também, o papel importante que antes exercia na família, vai tornando-se secundário. De provedor, passa a ser cuidado pelos filhos ou por um cuidador profissional. Tudo isso pode trazer-lhe uma tristeza profunda e, mesmo, uma enorme desmotivação para a vida, o que aumenta o isolamento social. O apoio da família e a presença dos velhos amigos que ainda restaram vivos serão fundamentais para resgatar o indivíduo e trazê-lo ao convívio social. O idoso que pode contar com a família, com vizinhos e amigos está mais fortalecido para enfrentar suas dificuldades e limitações.

Sujeitos que não possuem um suporte social, seja ele com familiares e/ou amigos, tendem a ter mais dificuldade para lidar com o estresse, comparados aqueles que tem o suporte social. A ausência de parentes mais próximos, tais como cônjuge e filhos, esta associada com doenças e mortalidade na terceira idade. O suporte familiar produz efeitos positivos na saúde. (ARAÚJO et al., 2012).

Para confirmar que as relações sociais são fundamentais para a vida e a saúde dos idosos, Gomes

et al. (2013) estudaram a influência na mortalidade

do estado marital dos idosos, em São Paulo, sendo que entre os homens idosos solteiros é 61% maior do que entre os casados. Mulheres idosas separadas e viúvas apresentaram taxas de mortalidade 82% e

87 35%, respectivamente, maiores que a observada para as casadas.

Há, ainda, um aspecto que justifica reconhecer, e mesmo ampliar, a rede social dos idosos, melhorando a qualidade das conexões sociais, que são construídas por contatos pessoais regulares de amizade, vizinhança, e afiliação institucional (associações, igrejas, ONG’s), porque isso pode ser importante para ações de tratamento e prevenção das doenças e promoção da saúde.

Quase sempre, o agravamento das doenças crônicas como Diabetes Mellitus e hipertensão está relacionado a um estilo de vida que poderíamos chamar de não saudável, devido a uma dieta alimentar que produz altas taxas de glicemia no sangue, pressão arterial descontrolada, sedentarismo e falta de adesão adequada ao tratamento. Geralmente, fracassam as ações de prevenção, ou de educação, para que o indivíduo reconheça seu estado de saúde e adote um estilo de vida que favoreça o controle da doença. Mesmo que o indivíduo não soubesse o que deveria ser feito e agora o saiba, isso não garante que ele vá fazê-lo.

Lima (2016) professa que a situação de saúde dos indivíduos e populações é determinada pelo modo de vida que representam aspectos comportamentais relacionados aos hábitos e normas sociais, que não podem ser mudados com prescrição.

Grande parte das prescrições médicas não é seguida pelos indivíduos, em parte porque não as compreendem, e em parte porque os contextos de vida os impedem. Os problemas de saúde relacionados às doenças crônicas e à dieta, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo são exemplos de como a prescrição e a simples transmissão de

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informação são inócuas, ou pouco resolvem. (LIMA, 2016).

Para Lima (2016), a informação e o conhecimento podem influenciar no comportamento dos indivíduos, embora sustente que não é verdade que basta ganhar informação para que este mude, automaticamente. Os hábitos e os comportamentos que estão relacionados ao estilo de vida não são escolhidos pelos indivíduos, mas determinados pelos contextos da vida. Ainda afirma que a prescrição e a informação como base de programas de prevenção das doenças é o principal erro cometido nos programas de educação em saúde, que mesmo diante do insucesso, insistem com a mesma estratégia de transmissão de informação e prescrição.

Os hábitos são determinados ao longo da vida e as normas sociais que se impõem sobre o indivíduo são estabelecidas pelos grupos sociais aos quais fazem parte: a família, o grupo de amigos, os colegas de trabalho, o grupo religioso. Participar do grupo significa comungar valores, atitudes e comportamentos. Programas de prevenção e promoção da saúde devem considerar as redes sociais dos indivíduos, e trabalhar para que possam instituir normas sociais que estabeleçam hábitos saudáveis.

IDOSOS DE UBERLÂNDIA