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Discussion and Implications

9.2 Overview of the findings

9.2.1 Significant results

A problemática de se transpor categorias peculiares de uma língua (as quais são erroneamente vistas como universais) para outra deve ser considerada e abordada em dois aspectos:

1. o aspecto referente às noções gramaticais. 2. o aspecto referente às categorias gramaticais.

Vale a pena fazermos algumas considerações iniciais a respeito do termo categoria:

Tradicionalmente, categoria é a atribuição de alguma propriedade predicativa que nos dá o princípio classificatório. Podemos falar de categorização dentro do nome e do verbo por eles serem partes constituintes do discurso (fala). Na terminologia inglesa, por exemplo, o termo categoria é usado para designar aquilo que era uma parte do discurso e que depois passou a ser designado como “classe sintática”. Já na tradição européia, o termo “categorias” dentro da expressão “categorias gramaticais” é usado para se referir a categorias maiores da atividade linguageira (ou linguagística): aspecto, modalidade, número, determinação, etc. Vale ainda dizer que as categorias gramaticais são comumente representadas por marcadores e os interlocutores por suas vezes interagem entre esses marcadores.

Observando mais detalhadamente a questão aqui tratada, perceberemos que há todo um conjunto de fenômenos relacionados a esses marcadores que caracterizam as categorias gramaticais numa dada língua. Tomando por exemplo o caso do aspecto, perceberemos que, por um lado, há uma noção propriamente dita em relação às propriedades aspectuais: pontualidade, interatividade, continuidade, etc, e por outro, quando temos uma forma verbal conjugada, certos valores são marcados por formas específicas (perfeito / imperfeito, por exemplo) que estão fora do domínio das noções.

Vale também dizer que problemas relacionados ao aspecto estão ainda associados a problemas de quantificação e qualificação: tratam-se de alguns problemas como por exemplo, o da conação. Muito freqüentemente tem-se o valor conativo ligado à noção em si ou àquilo que pode ser designado como uma noção, por exemplo quando nos esforçamos para fazer ou conseguir algo:

“Estou vendendo meu carro” = “Estou tentando vender meu carro”

Tomemos brevemente algumas outras construções: “Levar a uma conclusão...”

“Está começando a...”

Com a construção “levar a uma conclusão” pretende-se enfatizar o atingido, o fim contemplado; com a construção “está começando”, enfatizar-se-á a incompletude, o contínuo.

Já na frase: “A carta está escrita”, a ênfase está na estabilidade, o processo se deu de tal forma que ele se tornou irreversível (não podemos dizer por exemplo “A carta foi “desescrita”). Logo ocorreu uma transformação em algum lugar que não nos permite retornar ao ponto inicial como se pode fazer por exemplo com uma frase do tipo: “Alguém abriu a janela” cuja forma reversa é “Alguém fechou a janela”.

No tipo de noção ß encontrar-se-á também aquilo que a tradição dos estudos relacionados à TOPE denomina, em inglês, como gnomic aorist22, isto é, quando se está lidando com verdades gerais (universais) em várias línguas e que uma outra forma, além da do presente, surge. Isso ocorre quando um enunciado puder ser apreendido de uma forma não relacionada a todo evento particular.

Por exemplo o provérbio: “Deus ajuda a quem cedo madruga” tem como ponto de partida uma experiência do mundo físico, onde se tem a idéia de que “o mundo é daqueles que levantam cedo” e logo, isso se dá como um resultado de um processo que “aplaine” diferentes ocorrências onde, procede, de uma certa forma, que elas não aparecem em suas individualidades em relação uma com a outra.

De acordo com Culioli (1990, p. 183), pode-se encontrar uma forma tanto particular (aorist) quanto uma forma denominada, no inglês, por “granular scanning”. (varredura23 em português) e, no entanto, cada ocorrência é preservada, pois a mesma

é tomada em sua individualidade, mesmo que seja considerada e/ou apresentada como fictícia, e assim, finalmente, constrói-se uma conclusão geral a respeito dela, como algo do tipo: “aconteceu que...”.

Adentrando o problema da performatividade, perceberemos que também se trata de uma questão relacionada ao aspecto por introduzir censuras (do inglês strictures) sobre ela.

Vejamos um exemplo tomado da língua inglesa no qual uma forma progressiva não pode ser usada com um performativo, exceto quando for uma recusa:

“I refuse to obey such orders” (Eu me recuso a obedecer tais ordens) e

22 O termo gnomic aorist refere-se à noção de uma expressão proverbial que indica uma verdade

atemporal. É como dizer algo do tipo “O sol nasce pela manhã”, isto é, esse fato independe de marcas temporais como ontem, hoje, amanhã.

“So you are refusing to obey” (Então você está se recusando a obedecer)

Concluindo este subitem, podemos afirmar que noções nunca são puras no sentido de que se poderia falar do aspecto sem se relacionar essas noções a outros problemas, pois elas (as noções do tipo ß) sempre estão ligadas, entre outras coisas, à modalidade e à determinação.

Em termos gerais, podemos falar então que nos são dadas ferramentas de uma Rµ (representação metalingüística), a qual nos possibilita falar sobre esses problemas sem estarmos presos pelas especificidades de uma determinada língua.

Ao mesmo tempo que trabalhamos com categorias gramaticais baseadas em marcadores que interagem (fato este que estará numa relação incomum de correspondência , ou seja, não uma relação de termo por termo), trabalhamos também com noções que nada mais são que representações da ordem da atividade corpórea.

Enfim, o estudo que um lingüista pode comprometer-se a fazer, será sustentado precisamente na relação entre as noções e as categorias gramaticais, pois como frisa Culioli, o lingüista deve sempre dar um passo para trás na língua no sentido de buscar interesse pelas áreas que não são necessariamente classificadas como sendo partes constituintes da atividade denominada lingüística.

2.1.3 A noção do tipo

O terceiro nível ( ), o qual é definido dentro da TOPE como sendo pertencente ao “conteúdo do pensamento” e como sendo uma rede de relações entre noções do tipo ( ), corresponderá àquilo que vem a ser um enunciado, por exemplo com <meu irmão – vir – amanhã> no qual estabelece-se simplesmente a relação entre <irmão>, <vir> e <amanhã> onde cada um desses termos é destinado a grupos de feixes (propriedades) e assim podem ser trabalhados e variantes de caráter semântico ou lexical podem ser introduzidos.

Logo, um número de termos ( ) pode ser combinado para nos dar noções complexas, sendo que o nível ( ) é aquele que se preocupa com essas questões. Com

o “conteúdo de pensamento”, tem-se um conjunto de termos constituintes a serem processados, ou toda uma proposição que será processada ao se propor, ao rejeitar, ao desejar ou ao assertar uma questão.

Em síntese, trabalhar-se-á nesse nível sobre o fenômeno observável extraído de situações conversacionais.

Fazendo um breve resumo dos tipos nocionais, verificamos que o tipo nocional ( ) pertence ao domínio lexical e que é um conjunto de propriedades físico-culturais estruturadas, o tipo ( ) é uma rede de noções gramaticais e o tipo ( ) é uma rede de relações entre noções do tipo ( ).