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É importante ressaltar a preocupação dos autores na problemática que se dá ao realizar o ensino das práticas integrativas, pois, o seu conhecimento envolve uma análise profunda das teorias e práticas de MTC. A adaptação dessas às práticas ocidentais deve respeitar também os princípios e diretrizes da Medicina Tradicional Chinesa. (PALMEIRA, 1990; QUEIROZ, 2000; MACIOCIA, 1996; CAPRA, 1982).

Teixeira et al. (2005) relata que há um restrito uso das práticas integrativas no ensino médico no Brasil, quando comparados a outros países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, e União Européia e o nível de conhecimento de alunos da graduação e médicos residentes em relação às terapias integrativas é muito baixo o que compromete o desenvolvimento dessas práticas no país. Entretanto, há o relato dos alunos sobre o alto interesse na introdução da homeopatia e acupuntura no ensino médico e no serviço público de saúde. (TEIXEIRA et al. 2005).

Existem estudos que demonstram que alguns profissionais exercem ou indicam práticas integrativas baseados no empirismo sem a capacitação teórica e prática, isso foi confirmado em um trabalho realizado em nove unidades do serviço público do distrito de Santo Amaro - São Paulo, que objetivou verificar o saber e o fazer das enfermeiras em relação às terapias integrativas. Ele revela os seguintes dados: 89% da população entrevistada acreditam na eficácia das práticas integrativas; 88,90% não sabem como se especializar na área, 94,40% não fizeram cursos em práticas integrativas, porém, 44,40% aplicam alguma técnica em si mesmo, e 11,10% em usuários das unidades pesquisadas. (NUÑEZ E CIOZAK, 2003).

A investigação de 178 acadêmicos de enfermagem da cidade de São Paulo sobre as práticas integrativas, revela que: 89% conhecem alguma prática integrativa, porém, 85% destes a conhecem pelo senso comum e recomendam a sua utilização pela crença de sua eficácia. Quando questionados sobre como se especializar em alguma prática integrativa, eles afirmam: 41% que a especialização em práticas integrativas é uma forma de cuidar que é função do enfermeiro, 25% que o enfermeiro pode se aprofundar no tema estudando, 14% valorizando as

práticas ou afirmando saber de sua importância na atualidade. (TROVO et al. 2003).

Segundo Barbosa (2001), a temática é pouco abordada durante a formação do estudante de medicina no Brasil. O autor acredita que somente o ensino das duas frentes, a medicina integrativa e alopatia, proporcionarão condições de escolha para que a melhor terapêutica seja adotada, e se a prática integrativa está sendo muito procurada por profissionais e por diversos segmentos da sociedade é porque seus mecanismos de cura resolvem problemas e atendem as necessidades da população. (BARBOSA ET AL.2001).

A MTC, através da prática assistencial da acupuntura foi implantada na Universidade Federal de São Paulo em 1988, foi introduzida paulatinamente no currículo médico, é matéria obrigatória no sexto ano como módulo da disciplina ortopedia e disciplina eletiva para alunos do primeiro ao quarto ano. Paralelamente foi fundada a Liga Acadêmica de Acupuntura, aberta a alunos de todas as séries, que desenvolve atividades de ensino e pesquisa. Na visão de estudantes da graduação de medicina da Unifesp, a medicina tradicional chinesa e a medicina ocidental são integrativas e complementares, assim podem compreender o ser humano em sua complexidade. Enquanto uma tem uma abordagem mais holística e humanista baseada na relação médico – paciente a outra tem uma abordagem mais tecnológica, portanto, se a temática relacionada à MTC é discutida em apenas alguns períodos do curso, limita-se a abrangência que essa discussão poderia provocar. (IORIO et al. 2004).

O distanciamento da MTC das universidades contribuiu para a inserção de cursos e instituições não oficiais na formação em MTC. Essas instituições, muitas delas de procedências duvidosas, ensinam a MTC para qualquer pessoa

interessada com formação superior ou não, sem uma determinação curricular estabelecida. (LUZ, 20055; QUEIROZ, 2000).

Muitos dos profissionais que atuam com a MTC, possuem a formação embasada na experiência prática, pois, o método pedagógico oriental, defende que o conhecimento da MTC é subjetivo e individual e promove a mudança de atitude do aprendiz através do conhecimento experimental, ou seja, é através da experiência prática que o indivíduo aprende, em seu próprio ser, os princípios da MTC. (SÁ, 1995).

Entretanto, a predominância do método oriental de ensino na formação de profissionais para as práticas integrativas, pode prejudicar a evolução da MTC no ocidente, uma vez, que essas não satisfazem as exigências e os padrões críticos reflexivos do método pedagógico da sociedade atual. A interação das lógicas pedagógicas ocidentais e orientais, considerando as possibilidades e limitações de ambas, pode contribuir para um método de ensino mais eficaz. (FEET e FEET, 2009).

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Existe uma expansão do uso das práticas integrativas, das quais se destacam a MTC. É evidente que existe um grande movimento favorável à implantação e a utilização das práticas integrativas no serviço público e na formação dos profissionais da saúde no Brasil, porém, há uma lacuna na identificação como e se esses profissionais se preparam tecnicamente para exercê- las, quais são as práticas mais usadas, com que concepções de saúde eles trabalham.

É em um contexto contraditório que as práticas integrativas estão sendo institucionalizadas, por um lado encontramos as resistentes raízes de uma medicina convencional altamente tecnológica, fragmentada, influenciada pelo paradigma cartesiano-positivista, por outro lado a recente incorporação e crescente aceitação do modelo biopsicosocial que privilegia a visão holística do paciente e a relação médico-paciente mais humanizada.

Uma nova demanda em relação à procura dos profissionais da saúde e da própria população para o uso das práticas integrativas; a comprovação de sua eficácia e a mudança do paradigma que influenciam nas diretrizes da educação do profissional da saúde abre espaço para a introdução do ensino das práticas integrativas nas Universidades e institucionalização destas.

A preocupação em comprová-las cientificamente revela a projeção que as práticas integrativas atingiram, e a necessidade de aproximá-las ainda mais da universidade e da pesquisa.

Entretanto, introduzir e desenvolver as práticas integrativas em um cenário, composto por uma população culturalmente influenciada pelo modelo biomédico

positivista e tecnológico, é um grande desafio. É evidente que a aprovação da PNPIC não é suficiente para que realmente sejam estabelecidas as práticas integrativas no serviço público, ela é de fato imprescindível, porém, se não houver um processo de educação dos usuários, dos profissionais da saúde e dos gestores do serviço público, as práticas Orientais não serão utilizadas ou serão parcialmente, desconsiderando os princípios essenciais da filosofia Oriental como os de auto cuidado e de prevenção.

No Brasil essa é uma área pouco estudada e muitos problemas ainda não foram discutidos. Assim, acredito que essa investigação trará contribuições para a ampliação e efetivação da MTC no serviço público de saúde. Na medida em que, analisando as práticas as concepções, o perfil e processo de formação em MTC dos profissionais que a exerce, poderemos nos aproximar de alguns aspectos da realidade de São Paulo, e então, sugerir um projeto educativo em MTC, uma vez que, é necessário a priori caracterizar o objeto para depois planejar um processo de ensino-aprendizagem. É assim que idealizo contribuir para que o processo de implantação da MTC no SUS cumpra com os seus objetivos, segundo o recomendado pela PNPIC.

Acreditando na eficiência da MTC, entendendo da necessidade do uso de terapias mais humanizadas e holísticas no serviço público de saúde, e visualizando que muitos desafios deverão ser superados para sua completa utilização, entre eles, a melhor compreensão do processo atual. Elejo as seguintes questões norteadoras:

Qual o perfil dos profissionais que realizam a Medicina Tradicional Chinesa em unidades de saúde da cidade de São Paulo

Quais são as concepções e práticas pertinentes a MTC utilizadas

Quais as facilidades e dificuldades vivenciadas por esse profissionais no exercício da MTC no serviço público.

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Caracterizar as concepções, as práticas, e o processo de formação em Medicina Tradicional Chinesa dos profissionais que atuam em unidades do Serviço público de saúde na cidade de São Paulo.