Foram utilizados dois instrumentos de coleta, o formulário e a entrevista semiestruturada que foram pré testados através de um estudo piloto.
O formulário é um instrumento que visa à obtenção de dados generalizáveis e objetivos, é um documento com campos pré-elaborados e estruturados conforme as necessidades da pesquisa, que possibilita o registro e a formalização dos dados obtidos. (OLIVEIRA, 2005).
Visando uma exposição mais clara dos dados o que facilitaria o processo de coleta e análise dos dados. O formulário composto por 17 itens e uma tabela de práticas, foi dividido em três campos (anexo 1)
A. Perfil Profissional, que incluiu as questões do número 1 a 13; B. Formação profissional, que inclui as questões de 14 e 15;
C. Concepções e Práticas sobre MTC com as questões 16 e 17 e tabela de prática em MTC.
A entrevista semi-estruturada foi escolhida como procedimento de coleta para esse trabalho porque promove a exploração profunda de dados e temas complexos. Na entrevista semi-estruturada algumas perguntas são efetuadas pelo pesquisador, mas o entrevistado responde com os seus próprios termos. (MAZZOTTI E GEWANDSNAJDER, 1998).
Para Mazzotti e Gewandsnajder (1998, p. 168)
Por sua natureza interativa, a entrevista permite tratar de temas
complexos que dificilmente poderiam ser investigados
adequadamente através de questionários, explorando-os em profundidade.
A entrevista semiestruturada permite uma maior flexibilidade em relação às questões abordadas, o que possibilita adaptações e conseqüentemente melhor compreensão de pontos obscuros, além de promover a interação entre o entrevistado e o entrevistador. (LUDKE, 1986).
Segundo, LUDKE (1986, p. 34)
Enquanto outros instrumentos têm seu destino selado no momento em que saem das mãos do pesquisador que os elaborou, a entrevista ganha vida ao se iniciar o diálogo entre o entrevistador e o entrevistado.
Assim, o roteiro de entrevista possibilitou mudanças necessárias e adequações aos objetivos do estudo.
O roteiro foi elaborado após a incursão na literatura e levantamento das questões norteadoras, considerando a previsão de análise, portanto, respeitou uma seqüência lógica. Desta forma ficaram definidos três tópicos centrais que agrupavam itens pertinentes aquele determinado tópico: Pratica em MTC; Formação em MTC e Inserção da MTC no SUS. (anexo 2).
A coleta de dados foi realizada após o contato formal e assinatura do termo de consentimento pela gerência de cada unidade (anexo 3). A própria gerência realizou o contato com os funcionários e definiu junto a esses as datas e horários para a execução da entrevista e formulário. Foram aplicados os dois instrumentos em um único encontro, após a explicitação dos objetivos do trabalho, esclarecimento sobre o sigilo das informações e assinatura dos termos de consentimento. Primeiro foi realizado o preenchimento do formulário seguido da realização da entrevista que foi registrada em gravador digital. A duração da aplicação de ambos variou entre 30 a 90 minutos.
A coleta de dados foi feita em uma das salas da unidade, durante o período de trabalho de cada funcionário. Os médicos entrevistados tiveram uma participação mais rápida, em média 30 minutos, porque participaram da coleta enquanto seus pacientes os aguardavam na sala de espera. Porem, todos os itens do formulário e entrevista foram respondidos. Os demais profissionais entrevistados ficaram totalmente disponíveis para a coleta, pois ela foi realizada em momentos que estavam livres de suas atividades.
No geral os entrevistados ficaram confortáveis e foram receptivos ao trabalho, não senti qualquer restrição que comprometesse a exposição real de suas concepções e experiências.
3.3.1 A visita nas Unidades de Saúde
O primeiro contato com as unidades de saúde ocorreu através da gerente da Unidade de Medicinas Tradicionais Centro, Luci Lurico Oi, que me recebeu devido à indicação da Dra. Elisa Kozasa da Psicobiologia da Unifesp, em janeiro de 2007. Ela
se prontificou a ajudar imediatamente, explicou sobre a organização do SUS em São Paulo e se manifestou favoravelmente em relação ao trabalho. Porem, como a unidade era coordenada por dois gerentes, ela solicitou uma reunião com a equipe, para apresentação dos objetivos do trabalho. Essa reunião foi realizada 15 dias após o primeiro contato e os resultados foram positivos, o trabalho também foi bem acolhido pela equipe.
Na Unidade de Medicinas Tradicionais - Centro foi fornecido um folheto da Coordenadoria Centro-Oeste que listava as unidades da supervisão técnica da Sé que ofereciam práticas de MTC em seu quadro de atendimentos.
Foram assim definidas, os seguintes locais: Unidade Básica de Saúde Cambuci, Unidade Básica de Saúde Santa Cecília- Dr. Humberto Pascale, Unidade Básica de Saúde Humaitá- Dr. João de Azevedo Lage, Serviço de Atendimento Especializado Dst/Aids-Campos Elíseos, Unidade de Medicina Tradicionais-Centro.
A autorização para a realização da pesquisa em cada unidade foi efetivada pela responsável geral pelas unidades, a supervisora técnica da região Sé. Portanto, ela quem assinou o termo de consentimento institucional requerido pelos dois comitês de ética, da UNIFESP e da Secretaria de Saúde de São Paulo.
Além dessa autorização foi obtido o consentimento da gerência de cada unidade para realizar a pesquisa. Porém surgiram algumas dificuldades, a primeira estratégia frustrada de contato com as gerências das unidades selecionadas foi através de telefonema, com o propósito de agendar um horário para esclarecimento em relação ao trabalho, mas foi descartada após várias tentativas. Uma segunda estratégia adotada foi à visita nas unidades, mas outro obstáculo foi encontrado: A indisponibilidade de alguns gerentes para o meu atendimento. As horas que fiquei aguardando em salas de espera, me proporcionaram um contato intimo com os
usuários do SUS e com o ambiente das unidades, o que contribui para uma maior aproximação com o contexto de pesquisa e melhor observação da realidade. Embora não fosse objetivo da pesquisa, obtive relatos dos usuários que sinalizaram algumas dificuldades como: longas filas de espera e precária infra-estrutura, contrastando com depoimentos sobre a maior aproximação com os profissionais, vínculo de amizade com outros usuários e facilidade para continuar o tratamento com a MTC.
Optou-se, assim pela elaboração de uma carta (anexo 3), na qual, foram explicitados os propósitos do trabalho e anexados documentos com a aprovações de ambos comitês de ética e o termo de consentimento com a assinatura da supervisora da Região Sé. Essa carta foi entregue pessoalmente em cada unidade ao funcionário administrativo que trabalhava com o gerente, após essa estratégia consegui finalmente contato com alguns gerentes.
Apesar das dificuldades encontradas em relação à abordagem às gerências das unidades, o mesmo não ocorreu com os sujeitos da pesquisa, esses responderam favoravelmente ao trabalho e assim que houve a possibilidade de interação, a coleta se deu rapidamente sem qualquer intercorrência.