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Shifting cultivators' response and changes in adaptation"

4 A case study from Seberida, Riau, Sumatra

4.5 Shifting cultivators' response and changes in adaptation"

O ideário cidade-jardim foi amplamente disseminado no Brasil. Vários Estados incorporaram essa matriz de pensamento, como o Rio de Janeiro, em 1930, com o plano do urbanista francês Alfred Agache para a Ilha do Governador e a Ilha de Paquetá; em Goiás, com o plano para a zona residencial sul de Goiânia, de Atílio

52 Segundo Hall (1995) “ [...] de 1924 a 1928, tomaram eles Sunnyside Gardens, área intra-urbana de

77 acres ainda não urbanizada, a apenas 5 milhas de Manhattan, e fizeram seu planejamento com base em grandes superquadras livres de trafego, criando assim vastos espaços de jardins internos [...]. Lewis Mumford, que foi um de seus primeiro moradores, testemunhou, muito tempo depois, a qualidade de vida, tanto física quanto social, que o lugar propiciava; só que não era uma cidade- jardim ( p. 146)”.

53 “A proposta de Stein para Radburn era baseada em cinco pontos: superquadras estreitas e de

forma retangular e forte hierarquização, com vias de serviço para acesso direto às edificações, vias secundárias coletoras circundando as superquadras, vias principais ligando as vias secundárias aos vários setores e às vias expressas; e as vias expressas – autoestradas ou parkways - que a conectavam com outras comunidades e com a região central (STEIN, 2006. p. 176 apud VELOSO, 2009, p. 112)”.

54Segundo Hall (1995) “o boom suburbano alicerçou-se em quatro pontos principais, a saber: as

novas estradas que penetravam por terras situadas fora do alcance do velho trólebus e do

transporte de interligação sobre trilhos; o zoneamento dos usos do solo, que produzia áreas

residenciais uniformes com valores imobiliários estáveis; as hipotecas, que, garantidas pelo governo,

possibilitavam prazos longos e juros baixos absorvíveis pelas famílias de renda modesta; e a

explosão de natalidade que ocasionou um súbito aumento na demanda de casas unifamiliares onde

a petizada pudesse ser criada (p. 345, grifos nossos)

55 [...] Rigidamente segregado por idade, renda e raça. Os que foram ali morar eram

preponderantemente casais jovens, de renda média baixa e, sem exceção, brancos: em 1960, Levittown não tinha ainda um único negro e, em meados da década de 80, os que tem não atingem quantia signifcativa.[...] Portanto, Levittown, bem como seus incontáveis imitadores, eram lugares homogêneos: semelhantes viviam com semelhantes. E, segundo mostraram eloquentemente como St. Louis, grande parte da população que fugia da cidade para o subúrbio era branca: aqui, como em outras partes, os negros vinham dos campos para a cidade, enquanto, simultaneamente, os brancos deixavam as cidades pelos subúrbios (HALL, 1995, p. 351).

Corrêia Lima, entre outros. Mas será a obra do Jardim América, executada pela Companhia City em São Paulo, uma das melhores expressões da incorporação deste ideário na construção de um padrão residencial para as classes média e alta no Estado de São Paulo.

A extensão de 109 hectares que hoje corresponde ao Jardim América foi adquirida pela Companhia City em 1913, e foi planejado na Inglaterra pelo escritório de Barry Parker e Raymond Unwin, Parker veio ao Brasil em 1917 e permaneceu até 1919 para executar o projeto encomendado pela Companhia City.

Figura 9 - Jardim América, 1941: o primeiro bairro-jardim implantado no Brasil

Figura 10 - Jardim América,1977: um dos “pulmões verdes” da metrópole paulista

Fonte: Acervo histórico da Companhia City (2014). [http://www.ciacity.com.br/novo/index.php]

Segundo Ottoni (2002, p. 71) o projeto do Jardim América previa lotes de aproximadamente 1.450 m², dispostos em ruas sinuosas, com jardins internos às quadras, para o uso coletivo dos moradores. O bairro era estritamente residencial, fora dois clubes e a igreja Nossa Senhora do Brasil. Os jardins permeavam todas as áreas, com residenciais que não podiam exceder a área de projeção de um quinto do terreno. A separação entre terrenos e rua, foi feita por cercas vivas, o que conferia faixas de verde contínuo. Os jardins internos às quadras não foram aceitos, tendo sido loteados a partir de 1932, menos um que se transformou no Clube Harmonia de Tênis. A novidade do projeto para o Brasil, o rigor de sua implantação e controle, o belo resultado de jardim contínuo e o bom nível geral da arquitetura produzida, conferiram status aos seus moradores, transformando o empreendimento em grande êxito.

O Jardim América, segundo Wollf (2001), procurou atender uma nova clientela que se formava na cidade, a da classe média e alta, que buscava se diferenciar de outras classes sociais através de novos modos de vida, o que incluía a residência, tornando-se um empreendimento paradigmático para compreender o

estilo de vida da elite paulistana. Segundo a autora, o Jardim América estabeleceu uma setorização, pelo zoneamento, das classes sociais e criou um padrão diferenciado do resto da cidade através do plano e da arquitetura. Criou um moderno procedimento comercial pautado pela propaganda, que associava ao empreendimento a ideia de conforto, modernidade, sofisticação e exclusividade. E um método eficiente de financiamento, através do banqueiro Lord Balfour, governador geral do Banco da Escócia e presidente da São Paulo Railway, e um dos quatorze diretores da Companhia City. Contava com ruas sinuosas, em oposição ao traçado tabuleiro de xadrez, limpas, ajardinadas e arborizadas; as casas eram delimitadas por cercas vivas, e possuíam fachadas similares à das casas da elite tradicional presente na Avenida Paulista, Campos Elísios e Higienópolis.

O Jardim América construído pela Cia. City, para além do seu sucesso comercial, imprimiu uma “identidade paisagística” (WOLLF, 2001) que irá caracterizar quase todos os empreendimentos imobiliários posteriores destinados às classes média e alta. O padrão anglo-americano incorporado pela Cia. City tornou- se modelo, pelo menos em nome, para 1.200 bairros em São Paulo (OTTONI, 2002, p. 71) até meados dos anos 70 do século XX e estará presente no desenvolvimento, com algumas modificações e adaptações, do padrão do condomínio residencial horizontal fechado da cidade de São Paulo e das cidades do interior paulista nos anos posteriores.

As construtoras dos condomínios residenciais fechados incorporaram o imaginário dos subúrbios ajardinados americanos, já disseminados e consolidados no Brasil pela Companhia City, inicialmente com o Jardim América, como meio de distinção e valorização desses empreendimentos. O traçado sinuoso das ruas e a presença de extensas áreas verdes circundando todo o empreendimento são largamente utilizados nos projetos dos residenciais fechados e largamente enfatizados em seus materiais publicitários.

No projeto gráfico abaixo do empreendimento Damha localizado em São Carlos percebemos a ênfase dada às áreas florestais, o predomínio da cor verde para caracterizar o empreendimento, a oposição entre uma cidade adensada e cinza e a baixa densidade do empreendimento Damha, repleto de áreas livres e verdes, que remete a tranquilidade e o contato com a natureza. O projeto também exclui os bairros que circundam o Damha, especialmente o bairro Jardim Jockei Club, contíguo ao Village I, e socioeconomicamente carente. A imagem busca apresentar

um projeto de cidade que interessa ao futuro morador dos condomínios Damha. Nesse projeto interessa apenas o centro comercial da cidade (feio, monótono, cinza), os eixos rodoviários formado pela Rodovia Washington Luiz (que dão acesso a São Paulo e Ribeirão Preto), a UFSCar, o Parque Eco Tecnológico (potencial lugar de trabalho dos moradores Damha), a Estação Damha Mall (centro de conveniência), o campo de Golf Damha e o Museu da Tam (local de lazer). Esboça- se assim uma urbanidade completa e totalmente apartada do resto da cidade.

Figura 11 - Projeto gráfico do complexo Damha em São Carlos

Fonte: Site Damha Urbanizadora (2014). [www.damha.com.br]

Como ressalta Caldeira (2000), a cidade-jardim, formulada por Howard no final do século XIX, procurava dar respostas aos problemas das cidades industriais, como as péssimas condições sanitárias e o alto custo do solo nas cidades. O ideal das cidades-jardins proporcionaria cidades mais equilibradas, em termos ambientais, e mais justas e democráticas, em termos sociais. A incorporação desse ideário pelos condomínios residenciais fechados, segundo Caldeira, assinala, antes, a destruição de seus ideais democráticos, pois, ao invés de promover um ambiente mais justo e igualitário, os condomínios residenciais fechados promovem a distância social e a separação. Logo o uso do ideário cidade-jardim pelas construtoras busca mais marcar distinções sociais como o poder econômico e o prestígio para promover a valorização dos empreendimentos, do que a promoção de ideais sociais mais amplos ou soluções urbanísticas inovadoras.

E embora as propagandas das construtoras enfatizem a exclusividade e a inovação dos seus produtos imobiliários, podemos perceber uma repetição e certa monotonia na utilização do modelo. Como podemos ver na imagem abaixo,

novamente aparece o predomínio da cor verde no projeto gráfico, extensas áreas florestais, um mix de espaços residenciais, comerciais (torre laterais) e de trabalho (torres centrais), marcadas pelo total isolamento do centro urbano, bairros, etc.

Figura 12 - Terras de Santa Martha, lançado em 2011, pela construtora Cipasa em Ribeirão Preto - SP

Fonte: Página virtual Cipasa Urbanismo (2014).

[http://www.cipasa.com/empreendimento/detalhe/default.aspx?id=3]