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Who get their share of water? Who doesn’t get sufficient provision?

In document Justice in basic water distribution (sider 53-57)

4 How is South Africa delivering? The national level

4.6 Who get their share of water? Who doesn’t get sufficient provision?

A casa comercial foi fundada em 1886 pelos portugueses Antônio José Duarte e José Gonçalves da Costa Beiriz. No entanto, não consistiu em uma sociedade premeditada do outro lado do Atlântico e executada aqui. Faz-se necessário conhecer a trajetória desses dois imigrantes para compreendermos a formação da sociedade.

José Gonçalves da Costa Beiriz nasceu na cidade de Póvoa do Varzim, Freguesia de Beiriz, em Portugal. O sobrenome Beiriz foi incorporado ao seu nome devido sua origem. Aos quatorze anos, órfão de mãe, seu pai emigra para o Brasil, em 1857, com os demais filhos e fixa moradia em Benevente, atual município de Anchieta.

Mais tarde, José Gonçalves da Costa Beiriz, conhecido simplesmente por Beiriz, consegue juntar algum capital e muda-se para o povoado de Piúma onde estabelece uma modesta casa de comércio. Em 1871, casa-se com Anacleta Leopoldina de Paula, filha de um fazendeiro de Alfredo Chaves.

A pequena casa comercial avoluma-se e seu irmão torna-se sócio, com a denominação Beiriz & Irmão. Em 1877, ele deixa o comércio na mão de seu irmão para se dedicar a outros negócios: aquisição de terras. Adquire propriedades no interior do povoado de Piúma e forma a Fazenda Crubixá, transferindo sua moradia e aos poucos foi comprando terras incultas ou de particulares nas margens do Rio Iconha, compreendendo a região de Laranjeiras, próxima a Piúma, até a sua fazenda, no alto Rio Iconha.

Nesse trecho, comprou terras que hoje compreendem as localidades de Solidão, Taquaral, Jaracatiá e parte de Pongal. O povoado de Iconha, então denominado de Santo Antônio de Olaria, também passou a fazer parte de seus domínios, bem como a Fazenda Tocaia.

Em termos geográficos, podemos afirmar que Beiriz era proprietário de terras entre o povoado de Piúma e o interior do atual município de Iconha, ou melhor, dizendo, suas posses estavam compreendidas no 2º Território da Colônia do Rio Novo, conforme mapa apresentado no capítulo anterior.

Nessas terras instala famílias italianas que as adquiriam para pagá-las com as futuras colheitas de café. No entanto, percebe que era necessária uma casa comercial para evitar as idas dos imigrantes até Piúma. Desse modo, propõe sociedade a um pequeno comerciante que havia pouco tempo chegara ao povoado de Iconha, Antônio José Duarte.

Antônio José Duarte, assim como Beiriz, era português, sendo esse da freguesia de São Paio de Merlins, veio sozinho para o Brasil em 1870, com 12 anos, e desembarcou no Rio de Janeiro para trabalhar como caixeiro na Casa Comercial Natividade, de proprietários portugueses, o que nos permite afirmar que ele veio para o Brasil intermediado ou teve o apoio de alguém de sua nacionalidade. Esse cenário pode ser assim explicado:

Entre os portugueses pobres que aqui chegaram, constituiu-se uma categoria comum à época: os caixeirinhos portugueses ou galegos [espanhóis] que, jovens, chegavam á cidade e, sem laços familiares, passavam a trabalhar, dormir, viver nos locais de trabalho. Diante das condições adversas de vida, tornaram-se agregados. Quando perdiam o emprego, perdiam tudo (OLIVEIRA, 2001, p. 30).

O Duarte teve melhor sorte entre seus conterrâneos. Em 1874 a firma em que trabalha abre uma filial em Piúma para onde é transferido, que ia explorar curtume, olaria e plantas de tecelagem.

No entanto, dois anos depois é aberta outra filial, agora no povoado de Iconha, com o objetivo de obter no interior os produtos que buscavam. Devido a sua experiência, Antônio José Duarte, ou simplesmente Duarte, torna-se gerente, com 18 anos, da filial em Iconha.

Como os negócios prosperaram para a firma Natividade, ela se associa à firma Monte-Negro e abrem uma filial em Nova Mantova, Alfredo Chaves e Duarte são transferidos para gerenciar o novo negócio. Permanece até 1879 quando um amigo oferece-lhe um crédito de 6:000$000 contos de réis e ele abre seu próprio comércio em Iconha que na época era um modesto arraial, mas já recebia os primeiros imigrantes, vislumbrando assim o promissor mercado.

Uma publicação do Rio de Janeiro, denominada Argos (1919, p. 7) traz uma edição especial sobre o Duarte com informações preciosas sobre ele e a região, embora deva ser analisada de forma crítica pois é clara sua intenção de enaltecer a figura do Duarte, ela nos relata a trajetória do imigrante português:

Lá esta no seu novo posto Antônio José Duarte, palmilhando por ínvios caminhos simples picadas perigosas e atoleiros e tremendos caldeirões, palmo a plano, na costa de burros, levando a estes novos cultivadores do solo brasileiro, muitos desalentos com a rudeza da vida e o vigor da floresta a ser derrubada, o encorajamento de uma tenacidade de ferro e os recursos necessários à vida do colono, fornecendo-lhes roupa, gêneros alimentícios e ferramentas, a longo prazo, e recebendo em pagamento os produtos quando colhidos [café].

A região começa a prosperar e Beiriz e Duarte começam a se destacar pelos seus negócios. Desse modo, em 1886, Antônio Jose Duarte e Jose Gonçalves da Costa Beiriz associam-se e formam a Casa Comercial Duarte e Beiriz.

Esse empreendimento será o ponto convergente das relações econômicas, políticas e sociais de Iconha. Duarte assume a gerência da casa comercial e Beiriz atua na compra e venda de terras aos imigrantes.

A partir de 1886, a biografia dos comerciantes não fica limitada a imigrantes portugueses que se dedicaram ao comércio, vão tornar-se coronéis e senhores da região, valendo-se do poder propiciado pelas relações comerciais.

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