4.2 Fisheries-based sampling
4.2.4 SGRN 06–03 (Anon., 2007) recommendations
As atividades desenvolvidas ao longo das oito semanas de prática pedagógica na sala laranja, num total de 120 horas, correspondente a três dias semanais foram traçadas e delineadas semanalmente em planificações diárias.
Do ponto de vista de Zabalza (2003) a planificação é a conversão e representação de uma ideia, previsão e metas num plano, para o desenvolvimento da ação, isto é, um projeto a concretizar baseado em pressupostos pessoais, com vista à obtenção de um objetivo, conseguido através de um conjunto de técnicas selecionadas após a clarificação da ação.
No caso concreto da educação de infância, a planificação é o registo de uma ação pensada, delineada e não findada sobre o decurso da intencionalidade educativa do educador, sendo um instrumento de organização das suas ideias, flexível e facilmente alterável face a novos acontecimentos. É assim um instrumento que permite a todos os intervenientes educativos, incluindo os pais, a conhecer, identificar e até participar com recursos na abordagem a várias áreas de conteúdo.
As planificações diárias organizaram-se em forma de grelha segundo sete aspetos, representados na Figura 29, para uma compreensão clara do que se pretendeu fazer, o contexto da temática e o modo de participação (ativo) da criança.
Figura 29. Os sete aspetos constituintes das minhas planificações
A organização das minhas planificações deu-se em grelha e com primazia, sobretudo para as competências, pois uma planificação com enfoque sobre objetivos não reflete uma intencionalidade educativa de qualidade nem pensada na criança como ser ativo, construtor da sua aprendizagem e não como “ (…) um cientista solitário, mas uma participante activo de uma comunidade e de uma cultura.” (Spodek, 2002, p. 265). Uma planificação alicerçada no desenvolvimento progressivo de competências da criança permite ao educador organizar a ação focada nesta e refletir sobre o seu papel ativo ou não.
Tendo por base Ainscow (1995, citado por Grave-Resendes & Sousa, 2002) e Grave- Resendes e Sousa (2002) a planificação centrada na criança, no seu desenvolvimento e nos seus interesses permite pesquisar e aplicar novas metodologias pedagógicas, sendo um plano flexível e sujeito a adaptações face às reações das crianças, melhor conseguido em trabalho cooperativo e em equipa.
O período de observação decorrido na primeira semana de intervenção pedagógica, nos dias 7, 8 e 14 de outubro, foi decisivo para pensar a forma de organizar a planificação. A partir do observado teria de pensar numa organização de planificação que me permitisse, ao mesmo tempo que a construía, refletir se corresponderia ao que o grupo necessitava e à aplicação na prática dos meus pressupostos teóricos para esta práxis, aprendizagem significativa e cooperativa. A observação, como foi referenciada no capítulo II, permite ao educador observar a criança em ações espontâneas de exploração do mundo, as suas dificuldades e as estratégias que utiliza para as superar e conseguir responder à sua curiosidade.
As atividades aqui apresentadas estão organizadas segundo temáticas específicas, surgidas e fundamentadas com o plano anual de atividades da sala laranja e nas festividades culturais, decorridas nos dois meses de estágio, outubro e novembro. Estas foram alvo de uma reflexão diária, redigida com base em conversas informais com a educadora cooperante e das observações sobre o impacto na criança, a dinâmica por mim criada como estagiária e as novas estratégias para a mesma, passíveis de ler nos Apêndices 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7, organizados por semana e findados com a avaliação da mesma.
Neste sentido, semanalmente foi criada uma avaliação com as informações obtidas na observação participante e nas conversas informais com a equipa pedagógica, registadas em diários de bordo, havendo uma reflexão do meu papel nas atividades como significativas ou não para a criança, representando sentimentos, concretizações, espectativas e fracassos, sendo a avaliação o meio de proporcionar “ (…) à equipa pedagógica uma oportunidade de transcender os seus sentimentos subjectivos em relação a determinado dia.” (Hohmann, Banet & Weikart, 1987, p. 144). Dado que as atividades foram traçadas, delineadas e apresentadas em grelha para representar o enfoque na criança de aceder e compreender o funcionamento do mundo que a rodeia, a sua identidade e cultura, a avaliação desenvolvida ao longo destas oito semanas deu-se tendo em conta as competências delineadas, observadas por mim e pela equipa pedagógica.
A utilização de avaliação por competências decorre de forma a compreender como a planificação delineada corresponde ao objetivo principal de fomentar o desenvolvimento da
criança, um desenvolvimento avaliável pelas competências adquiridas, isto é, as capacidades de fazer uma determinada tarefa utilizando corretamente as potencialidades do seu corpo.
As competências desenvolvem-se a vários níveis, partindo do simples para o complexo, destacadas por Morgado (2004) com base em Creemers (1994, citado por Morgado, 2004) como fulcrais para o desenvolvimento da aprendizagem, sugerindo a compreensão para a prática educativa do princípio construtivista de aprendizagem. Este, entende-se como o desenvolvimento de competências complexas partindo das mais simples, resultante de uma sequência adequada e ordenada de conteúdo, face às necessidades do grupo e acrescento à pertinência cultural da mesma, por exemplo abordar a lenda de São Martinho na altura em que está a decorrer, para que aquela nova aprendizagem tenha sentido para a criança. A este princípio junta-se, sempre na ótica do mesmo autor, o princípio da prática e execução constante das competências para que estas se aperfeiçoem e não se percam.
Assim, as competências foram o enfoque da minha avaliação como forma de verificar o impacto significativo ou não das minhas atividades, para o desenvolvimento da criança e como forma de observar o seu crescimento no manuseamento dos materiais, formando-se as bases das competências simples no momento, mas importantes para o suporte de competências complexas. A observação constituiu o instrumento principal desta minha avaliação, onde a interação visual permitiu à criança sentir-se apoiada e não julgada, um instrumento preciso, descrito da seguinte forma por Dahlberg, Moss e Pence (2003) a “ (…) a observação da criança assume uma verdade objetiva, externa, a qual pode ser registrada e representada com precisão.” (p. 192).
Estas avaliações encontram-se, como referido nos Apêndices 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 do CD- ROM deste relatório, redigidas com base na transformação e tratamento de dados dos meus diários de bordo, que como objeto de observações e reflexões pessoais não estão disponíveis, e onde os nomes das crianças foram alterados segundo uma codificação por mim definida, mantendo uma postura ética de proteção à criança, aspetos destacados pela APEI (2011) como parte do sigilo profissional.