O fenômeno das viagens não é novo na história da humanidade; desde que se formaram as primeiras sociedades o homem sempre viajou pelos mais diversos motivos: econômicos, políticos, sociais, culturais, esportivos. Nas primeiras sociedades humanas os deslocamentos se destinavam à busca de alimentos, através da caça e da coleta de frutos e sementes.
Na antiga Grécia, surgiam, por volta de 800 a.C., os jogos olímpicos, que eram realizados em Olímpia. Acorriam para esses jogos milhares de pessoas, que vinham de lugares conhecidos hoje como Espanha e Ucrânia; acredita-se que alguns jogos tenham atraído até 200.000 pessoas, quando a principal cidade grega na época, Atenas, possuía 250.000 habitantes. Havia uma grande falta de água potável e de acomodações. Havia multidões de vendedores de comida, de vinho e de suvenires que surgiam nesses cindo dias de jogos (Wolf, 1999).
Os romanos, por sua vez, construíram numerosas estradas durante seu domínio, o que facilitava os deslocamentos dos viajantes, que gozavam de uma certa segurança.
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Criaram-se rotas de comércio, ligando a Europa romana, ao Oriente e ao Norte da África.
Durante a Idade Média cresceram as viagens por motivações religiosas, como a peregrinação de muçulmanos a Meca, ou de cristãos a Santiago de Compostela ou a Jerusalém; as motivações comerciais fizeram o veneziano Marco Pólo (1254-1323) empreender viagens ao Oriente, chegando até a China e a busca por novas terras tornou Cristovão Colombo o descobridor da América, e Pedro Álvares Cabral, ao viajar para as Índias em busca de especiarias, descobriu o Brasil. Se fossem enumerar as viagens e escolhêssemos as mais importantes, um único livro não bastaria para descrevê-las. O fato é que os viajantes, naqueles tempos, desafiavam toda a sorte de perigos em busca de aventura ou pela simples curiosidade. Mesmo os peregrinos e romeiros que se moviam pela fé e os comerciantes que iam em busca de novos produtos para comercializarem tinham grande dificuldade para se descolarem. Esses diferentes grupos se hospedavam em pousadas, residências familiares ou igreja e movimentavam o comércio nas localidades de destinos. (Dias; Aguiar, 2002)
O fato importante a destacar é que, de um modo ou de outro, ocorreram deslocamentos contínuos de pessoas em toda a história da humanidade. Essas viagens serviam sempre para satisfazer a curiosidade humana de explorar novas culturas, novas terras, outros caminhos. A descoberta, a exploração e a aventura motivaram muitos viajantes, que contribuíram para estreitar os laços entre diversos povos, nos mais distantes pontos do mundo. No entanto, até o século XIX, predominava uma concepção individualista no ato de viajar.
As viagens empreendidas a lugares sagrados das mais diversas religiões: hindus, cristãos, budistas, muçulmanos e de outras crenças, eram repletas de relatos feitos por peregrinos que lá estiveram e que, ao voltar, se tornavam uma importante fonte de informação para que outros a empreendessem com segurança. Faziam, na realidade, o
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durante a Idade Média, na Europa. Relatos de pessoas em viagens de negócios ou enviadas por seus governos a lugares remotos também constituíam importante fonte de experiências e observações. A Carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal, ou as cartas de Américo Vespúcio aos governantes de Florença constituem exemplos.
No século XVI começou a haver um incremento do número de pessoas que visitavam os centros culturais e as grandes cidades, surgindo dessa época uma importante corrente migratória entre os países europeus. Estes grupos atingiram tal importância, sobretudo na França, que foi publicado por Saint Maurice em 1672 o
“Guia fiel dos estrangeiros nas viagens pela França”. Nele o autor dava detalhes de
mudanças e lugares de interesse, assim como dos diferentes dialetos. Também descreveu diferente atrativos, e lugares para diversão nos arredores de Paris, utilizando as expressões Le grand et le petit tour para descrevê-los.
No século XVIII já se empregada na Inglaterra a frase de origem francesa “Faire le grand tour”, para referir-se aos jovens que, para complementar sua educação, organizavam grande percursos nos diferentes países europeus. A esses viajantes se
começou a chamar de “turista” termo que, depois, na França, foi utilizado para designar
toda pessoa que viajava por prazer, curiosidade ou por qualquer outro motivo. Em pouco tempo, outros países, nos seus próprios idiomas, foram adotando o termo
“turismo” com o sentido de viagens sem objetivo lucrativo, que ocorriam com
finalidade de distração, descanso, busca de tratamento de saúde, satisfação da curiosidade cultural, desejo de conhecer outros lugares e costumes. De modo geral estas viagens duravam um tempo relativamente longo, eram pouco confortáveis e algumas vezes perigosas, além de terem um custo muito alto. (Dias; Aguiar, 2002).
Uma característica das viagens, que é importante destacarmos, sempre foi a profunda interação com o meio ambiente. Desde os tempos mais remotos, as viagens sempre tiveram a características de provocar alterações no meio ambiente. A criação dos novos caminhos, a captura de animais, a propagação de novas doenças, a ocupação
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desordenada de novos territórios, a criação de postos intermediários de descanso dos viajantes provocando o surgimento de novos aglomerados urbanos, a propagação de plantas e animais exóticos, são algumas das mudanças provocadas pelas viagens ao longo da história. Desse modo, a relação meio ambiente e viagens, consequentemente turismo, é bastante estreita e indissociável. O turismo está indissoluvelmente ligado ao meio ambiente, e só tem sentido dentro de uma perspectiva que considere esta interação permanente.
O homem foi e continua sendo o maior gerador de modificações no meio ambiente, e cada progresso no campo da ciência e da tecnologia aumentou sua capacidade de provocar mudanças ainda mais profundas.
A Revolução Industrial e as Viagens, podemos considerar a Revolução industrial
do século XVIII, na Inglaterra, como o acontecimento mais importante na transformação geral do conceito de viagens. Com a revolução Industrial chegaram a urbanização e as horas de trabalho limitadas. Também o ócio começou a ter um valor mais importante que antes, quando a maioria das pessoas vivia no campo e trabalhava
na agricultura, o conceito de “tempo livre”, como o conhecemos hoje, não exisria
porque o trabalho era diferente, sem limites claros.
No inicio da Revolução Industrial, as condições de trabalho eram subumanas e praticamente não existia o tempo livre. Com o passar do tempo houve uma evolução nas condições de trabalho, e passou-se a jornadas menores, com a existência de um tempo livre que servia basicamente para reposição de força física do trabalhador. Criaram-se jornadas que previam horas de tempo livre, fins de semana de descanso e férias anuais.
O ócio passou a ser valorizado como benéfico para aumentar a eficácia e a eficiência do trabalhador, como acrescentam Dias e Aguiar (2002).
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Por outro lado, a introdução de inovações tecnológicas, como a máquina a vapor, com a consequente criação dos trens e barcos a vapor, melhorou sensivelmente as comunicações e facilitou o acesso da sociedade mais geral. Houve uma importante modificação da situação no século XIX, com o surgimento da estrada de ferro, que provocou um formidável incremento no numero de viajantes. A primeira estrada de ferro Stockton-Darlington, foi estabelecida na Inglaterra em 1825. Fruto desse desenvolvimento tecnológico, que facilitou o deslocamento das pessoas, é no século XIX, que podemos situar o inicio da atividade turística organizada.
Em 05 de julho de 1841, um trem partiu de Leicester, na Inglaterra, levando um
grupo de 570 passageiros, membros da “Sociedade da Esperança”, cujo objetivo era
encontrar novos, novas pessoas e novas coisas; iam participar de um Congresso de Longhborough. Assim começou a primeira viagem organizada, dirigida por Thomas Cook, praticamente iniciando a época moderna do turismo. Este acontecimento marca uma época de transição bastante clara, já que assinala o surgimento dos grupos organizados com fins lucrativos. Estes deslocamentos se acentuaram nos fins do século XIX, primeiramente dentro dos próprios países, constituindo-se o que convencionamos
denominar hoje de “turismo nacional” ou interno, em contraposição ao “turismo internacional” ao externo.
A grande contribuição de Thomas Cook foi a organização da viagem completa – transporte, acomodação e atividades no local de destino – que foi copiada no mundo todo. Com essa invenção, Cook contribuiu para mudar a imagem das viagens: “de uma atividade necessária e nem um pouco aprazível de uma tarefa árdua e voltada para a educação, para um prazer, um entretenimento e um novo conceito – férias” (Lickorish; Jenkins, 2000).
Em 1851 foi o ano da Grande Exposição de Londres, que recebeu mais de 6 milhões de visitantes, especialmente dos países europeus: embora os preços de estadias e de transporte fossem excessivamente caros, os ingleses demonstraram sua alta capacidade de organização. Calcula-se que pelo menos 165.000 pessoas fizeram uso dos
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serviços oferecidos pela agência de Cook. Em 1856, sua agência organizou a primeira viagem ao Continente Europeu: em 1866, a primeira excursão aos Estados Unidos: e, em 1872, a primeira volta ao mundo com um grupo de 9 pessoas, que teve a duração de 222 dias (Montejano,1999).
A invenção da estrada de ferro deu um novo impulso ao interesse de viajar dos turistas, logo se incluindo o turismo destinado às praias ou ao banho de mar como uma das principais atrações. A preocupação com a saúde e o bem-estar provocou o surgimento de vários balneários na Europa, como as de Bath, Birghton,Ostende e Vichy.
Com dito o ócio organizado, chegou o desejo de diversão durante esse “tempo livre”, e foram surgindo novos espaços destinados ao lazer dos viajantes; desse modo se
estabeleceu o primeiro Cassino na Bélgica e o primeiro Parque de Diversoes Tivoli na Dinamarca. Nos Estados Unidos, se estabeleceu o primeiro Parque Nacional do Mundo, o Yellowstone, em 1872.
Os transportes se desenvolveram bastante durante esse período, instalando-se linhas férreas em diversos pontos do planeja, facilitando o deslocamento das pessoas em
grnades número. No Brasil, a primeira estrada de ferro foi a “Estrada de Ferro Mauá”,
construída pelo Barão e Visconde de Mauá em 1854. Em 1858, inaugurou-se a “D.
Pedro II” (hoje Central do Brasil), e em 1885 foi inaugurada a “Paranágua – Curitiba”,
seg uiu-se a construção de ferrovias de Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, todas no século XIX, facilitando as viagens entre diversos pontos do país (Silva; Bastos, 1976).
Houve um importante aumento da necessidade de se conhecer a natureza nos mais diversos pontos do mundo, e para isso se organizavam muitas expedições com a participação de intelectuais, cientista, pintores e aventureiros de modo geral. Motivados por esse interesse, no século XIX o Brasil recebeu um grande número de escritores,
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pintores e intelectuais, que registraram nossos hábitos e costumes, ainda como analisaram (Dias; Aguiar, 2002).
No fim do século XIX teve inicio o turismo de inverno, com o desenvolvimento de atividades próprias para o frio, e outras modalidades de turismo, como aquele voltado para a saúde, com o uso de sanatórios e banhos termais.
O início do século XX cresceu a utlização do automóvel como importante meio de locomoção, que atualmente predomina como meio de transporte, sendo o mais utilizado no turismo. Até depois da segunda guerra mundial, o automóvel ainda era um meio de transporte reservado para as classes mais abastadas. Durante este período, as estradas de ferro permitiam a viagem de um número maior de pessoas, pelo seu baixo custo.
A França criou uma organização nacional de turismo em 1911, o Office National de Tourisme.
Nessa época o crescimento do turismo foi contínuo e crescente. O primeiro voo transatlântico da KLM foi em 1919. Em 1925, a fundação da União Internacional das Organizações Oficiais de Propaganda Turistica (UIOOPT) em Haia significou uma mudança de percepção do turismo. Essa organização foi criada com objetivo de promover o turismo em toas às nações para “seu progresso econômico, social e cultura” e é a antecessora da Organização Mundial do Turismo.
O Período Posterior à Segunda Guerra Mundial ainda durante a Segunda Guerra
Mundial, principalmente logo após conflagração, as férias deixaram de ser concebidas
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legislações nacionais estabeleceram de forma explícita o período obrigatório de férias, desenvolvendo o que convencionamos chamar hoje de Turismo Social.
Logo após encerra a II Segunda Guerra Mundial, e no bojo da criação da Organização das Nações Unidas (ONU), criaram-se a Comissão Euopéia de Turismo e a Associação Mundial de Agencias de Viagem.
Durante a segunda metade do século XX, o turismo creceu mais rapidamente que a atividade industrial. Durante muito tempo pensamos somente nos aspectos positivos do turismo: os vários benefícios econômicos, o desenvolvimento de infraestrutura, a criação de emprego, a valorização do patrimônio histórico-cultural e das paisagens naturais de modo geral. Num primeiro momento, na comparação com a indústria pesada, não se apercebiam os impactos negativos das atividades turísticas mais comuns, como desfrutar de uma praia, admirar monuntenos históricos, admirar os animais selvagens etc. Hoje, embora as condições de observação não tenham se alterado substancialmente, sabemos que o turismo pode produzir vários impactos negativos se tanto ambientais, como sociais ou culturais. Esses aspectos negativos se tornaram mais evidentes na medida que se desenvolveu o turismo, tornando-se cada vês mais um turismo de massa.
Quando centenas de milhares de pessoas visitam um monumento que lá está há séculos, provocam abalos incomparáveis nessas atrações. Quando cada uma dessas pessoas, numa atitude predatória inconsequente, procura levar um pedaço por menor que seja como lembrança, está provocando a destruição irreparável do patrimônio.
A primeira vez que se tratou do problema do turismo e do meio ambiente foi durante a Assembleia da IUOTO em 1960, quando se adotou a resolução na qual se
afirmava que “chegou a hora de tratar dos problemas criados pelo turismo e que estão
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das Nações Unidas Travel and Tourism na cidade de Roma, fato de primordial importância, pois foi a primeira vez que se incluiu o turismo na agenda internacional no mais alto nível, e se estabeleceu seu papel para a economia mundial. Relevando a
importância que o turismo estava assumindo, no ano de 1967 comemoramos o “Ano do Turismo Mundial”.
Nas décadas de 60 e 70, aumentou consideravelmente a preocupação mundial em relação às questões ambientais. A ONU realizou em Estocolmo a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, e, como resultado, se criou o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) com o objetivo de manter um estudo permanente das condições ambientais em todo o mundo e propor soluções para serem enfrentadas pelos governos.
No mesmo ano, 1972, foi firmado o “Convênio para a Proteção do Patrimônio Mundial” em Paris, por iniciativa da UNESCO, que objetiva “a proteção do patrimônio
cultural e natural de relevância mundial, assim como o estabelecimento das medidas de
assistências técnicas e econômica para tornar factível essa proteção”. O primeiro lugar
declarado parte do Patrimônio Mundial foram às ilhas Galápagos, no Equador, onde estvam ocorrendo graves problemas causados pelo excesso de visitantes – que excederam sua capacidade de suporte -, ocasionando prejuízos importantes para fauna e a flora. (Dias; Aguiar, 2002).
Em 1974, Arthur Haulot, na época Comissão Geral de Turismo de Bélgica, publicou sua tese de doutorado intituda Tourisme et environnement, onde define meio
ambiente nos seguintes termos: “O meio ambiente é portanto para nós, no sentido de
nosso trabalho, o conjunto de elementos do meio humano, histórico e cultural, físico e moral, geográfico e técnico, susceptíveis de afetar o movimento turístico ou de verem-se
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Ainda em 1974, em Madrid, se cria a Organização Mundial do Turismo (OMT),
com o objetivo de “promover e desenvolver o turismo para contribuir com o
desenvolvimento econômico, a compreensão internacional, a paz, a prosperidade e o respeito universal, a observância dos direitos humanos e as liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião.