5. DISCUSSION
5.1 Discussion of main findings
5.1.5 Sex differences
O presente estudo teve como finalidade identificar as conceções de um grupo de quatro alunos do 1.º ano de escolaridade, acerca da temática flutuação em líquidos, explorar a temática com os alunos e verificar se houve ou não evolução dessas conceções para ideias mais próximas das cientificamente aceites, em consonância com a idade e nível de desenvolvimento cognitivo dos alunos. De acordo com esta finalidade pretendeu-se dar resposta à seguinte questão problema: ―Como evoluem as conceções dos alunos relativas à flutuação e afundamento de objetos em água a partir de uma intervenção, que inclui atividades práticas de cariz experimental, concebida com essa finalidade?‖.
Relembra-se que para levar a cabo o presente estudo se realizou um teste de papel e lápis que se passou em dois momentos - numa primeira fase, como pré-teste, que teve como objetivo fazer um levantamento de ideias das crianças acerca da temática do fenómeno da flutuação e numa segunda fase como pós-teste com a finalidade de fazer um levantamento das alterações das ideias das crianças acerca da temática do fenómeno da flutuação após a realização de atividades experimentais. Em cada momento, após a realização do teste realizam-se entrevistas aos quatro alunos selecionados para o estudo. No período de tempo decorrido entre a passagem dos testes, decorreu uma fase de intervenção, em que foram realizadas atividades destinadas a levar as crianças a alterarem as suas ideias acerca da temática do fenómeno da flutuação para ideias mais corretas e cientificamente corretas. A partir deste momento, fez-se uma análise qualitativa e comparativa das ideias das crianças acerca da temática referida antes e após da fase de intervenção.
As análises realizadas mostraram que se verifica uma evolução das conceções dos alunos relativamente ao fenómeno da flutuação e afundamento, assim como das causas dos fenómenos, em conceber que um corpo que não flutua passe a flutuar e vice-versa, bastando por exemplo alterar-lhe a forma ou o conteúdo e ainda que a objetos feitos do
67
mesmo material possam ocorrer, quando colocados em água, fenómenos diferentes. Tendo em conta as categorias de referência para as ideias apresentadas pelas crianças, relativamente à categoria 1 e 2, os alunos demostraram perceber que o fenómeno que ocorre a um dado objeto depende das suas características, tais como massa, volume, forma e conteúdo e não ―causas mágicas‖. Relativamente à categoria 3 e 4 os alunos demonstraram começar a perceber que um mesmo objeto pode não flutuar e passar a flutuar alterando-lhe a forma, como foi o caso da plasticina ou o conteúdo.
Houve progresso nos conhecimentos dos alunos acerca do tema do fenómeno da flutuação, mas também emergiram outras ideias, tais como que o fenómeno da flutuação é uma capacidade inerente ao objeto ―barco‖ e que o fator peso determina o fenómeno da flutuação, ideias que será necessário mais tarde tornar a trabalhar.
Analisando os dados de cada aluno pode-se concluir que os alunos selecionados pelo seu melhor aproveitamento escolar, L e SM, não alteraram tanto as suas conceções como os alunos selecionados pelo seu menor aproveitamento escolar, S e AL, designadamente no que se refere a alterações de conceções, os alunos associaram o fenómeno da flutuação/afundamento ao peso dos objetos, esta associação evoluiu do pré-teste para o pós-teste e foi reforçada pelas atividades. Refira-se ainda que estes dois alunos não justificam a maior parte das respostas às questões do pré-teste, tendo passando a fazê-lo nas questões E, F e G no pós-teste.
As mudanças mais significativas de todos os alunos verificaram-se nas respostas às questões (E); (F) e (G), relativamente à previsão do comportamento em água de objetos por mudança de forma (da plasticina) e por mudança dos conteúdos dos frascos de vidro e do seu tamanho. Uma vez que no pré-teste houve mais respostas incorretas e no pós- teste as respostas eram já corretas e justificadas. Nestas questões as ideias que foram alteradas referem-se ao ponto 3 e 4 das categorias de ideias, os alunos demonstraram perceber que um mesmo objeto pode não flutuar e passar a flutuar alterando-lhe a forma ou o conteúdo.
Nestas questões (E, F e G) foi possível identificar as seguintes conceções, 1., tal como refere S e AL, o objeto ―está a nadar‖, conceção esta que no pós-teste se alterou e evoluiu e os alunos passaram a referir o fenómeno do objeto como estando a flutuar. Outra conceção é 2., os alunos associaram o fenómeno da flutuação/afundamento ao
68
peso dos objetos, como refere SM o objeto afunda ―porque é pesado‖, esta associação evoluiu do pré-teste para o pós-teste e foi reforçada pelas atividades, 3. e 4., como foi o caso da plasticina, em que AL não diferenciou a ocorrência de fenómeno embora alterasse a forma da plasticina, ou no caso dos frascos que bastava alterar os conteúdos dos mesmos para referirem que o fenómeno que ocorre é diferente.
Atendendo a toda a investigação levada a cabo e procurando dar resposta à questão de investigação, parece-nos que as atividades práticas, podem exercer uma influência significativa nas ideias das crianças acerca do fenómeno da flutuação.
A fase de intervenção contribuiu para a mudança de conceções das crianças aproximando-as de conceções mais corretas, visto ter ocorrido evolução das conceções das crianças acerca do fenómeno da flutuação, quando comparados os resultados obtidos no pré-teste com os resultados obtidas no pós-teste tendo em conta as categorias definidas. Contudo, também em alguns casos as atividades experimentais se calhar não foram suficientemente compreendidas e /ou exploradas, em particular nos casos em que os raciocínios envolveram mais do que uma variável independente, de forma a que os alunos percebam que uma delas tem de ser controlada para que possam fazer comparações – casos em que peso e volume estão em causa.