4.1 Severin Myre
4.1.3 Severins undergang og død
MATERIAIS E DESCRIÇÃO EXPERIMENTAL
Neste capítulo serão descritos os materiais e as técnicas experimentais utilizados para realizar o trabalho. Os materiais que são alvos deste estudo são poliestireno, ácido oléico e betacaroteno formando blendas poliméricas. As amostras analisadas são de poliestireno (PS), um polímero convencional encontrado em quase todos os objetos plásticos, e o ácido oléico (AO) componente majoritário de grande parte dos óleos vegetais e o betacaroteno. As técnicas usadas parta estudar as blendas PS/AO e PS/BC fornece informações a respeito das características dielétricas e térmicas das amostras e como elas mudam em função da temperatura.
3.1. Poliestireno
Polímeros são longas cadeias em que uma molécula (monômero) se repete inúmeras vezes originando uma macromolécula com alto peso molecular, este ainda pode ser sintética ou natural. Os polímeros naturais são encontrados na maioria dos seres vivos na forma de proteínas ou até mesmo em um fio de cabelo. Os polímeros sintéticos são fabricados pelo homem e estão por toda parte sendo usados desde garrafas a aparelhos eletrônicos.
As propriedades físicas dos polímeros são representadas por valores médios devido às longas cadeias estarem dispostas aleatoriamente. Outras características peculiares como elasticidade, resistência a abrasão, flexibilidade e transparência estão intimamente ligadas ao tamanho e disposição dessas cadeias [38].
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Para este trabalho obtemos o PS a partir do seu monômero estireno, contendo 10-15 ppm de 4-terc-butilcatecol, que foi destilado sob pressão reduzida, em banho de óleo, para remoção do inibidor de polimerização [6].
O poliestireno (PS) é um dos polímeros sintéticos mais antigos (e utilizados) fabricado pelo homem, sua descoberta data de 1831 [9] e logo depois teve sua utilidade prática verificada. Porém, sua produção em escala comercial esbarrava em problemas tecnológicos da época como obtenção do monômero estireno, estocagem, transporte, etc. A unidade fundamental do PS é mostrada abaixo:
Fig. 3.1 - Monômero do poliestireno.
O poliestireno tem inúmeras aplicações, principalmente por causa de suas propriedades mecânicas únicas [37], além do baixo custo e do fácil processamento. A ampla área de aplicação do PS que vai desde embalagens, revestimentos térmicos a fabricação de micro peças, torna-o um dos materiais mais versáteis que existe. Algumas propriedades físicas do PS são listadas na tabela (3.1).
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Tabela 3.1 – Propriedades Físicas do Poliestireno [37].
3.2. Ácido Oléico
O ácido oléico é um ácido graxo mono insaturado (possui uma dupla ligação) encontrado em grande quantidade (> 40%) na maioria dos óleos vegetais como óleo de buriti, andiroba, babaçu, etc. O AO ocorre naturalmente na forma cis e sua cadeia carbônica é longa, contendo 18 átomos de carbono, sendo que entre o nono e o décimo átomo de carbono existe uma ligação dupla por isso o AO também é conhecido como cis-9-ácido octadecanóico ou de forma abreviada C18:1[6,38]. Além disso, a molécula de AO apresenta no primeiro carbono uma ligação dupla com oxigênio (=O) e uma ligação simples com a hidroxila (OH-), esta última responsável pelo caráter polar da molécula de AO [12].
Na configuração cis a molécula de AO encontra-se em forma de “V” com sua dupla ligação (C=C) no vértice e oito átomos de carbono para cada lado [5,12]. Esta configuração torna a molécula de AO indiferente à presença das outras moléculas, devido ao débil rearranjo molecular (interação do tipo van der Waals). Por esta razão, à
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temperatura ambiente, o AO está na fase líquida [39]. A figura (3.2) mostra a forma mais comum do AO:
Fig. 3.2 - Molécula de ácido oléico na forma cis (cis-9-ácido octadecanóico).
O AO também possui um isômero trans que pode ser obtido através de um processo de hidrogenação, a molécula adquire então a forma linear. Este processo é usado pela indústria alimentícia para dar consistência aos ácidos graxos, todavia, os ácidos graxos trans (gordura trans) são prejudiciais à saúde podendo ocasionar doenças do coração, câncer, diabete entre outras. A figura (3.3) mostra a forma trans do AO:
Fig. 3.3 - Molécula de ácido oléico na forma trans (trans-9-ácido octadecanóico). O ácido oléico utilizado na preparação das amostras para este trabalho estava na forma cis e foi adquirido da Sigma-Aldrich possuindo 99% de pureza, sendo usado sem qualquer purificação adicional ou tratamento físico-químico. Algumas propriedades físicas do ácido oléico são mostradas na tabela (3.2):
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Tabela 3.2 – Propriedades Físicas do Ácido Oléico [12].
3.3. Betacaroteno
Os carotenóides são pigmentos orgânicos que ocorrem naturalmente em plantas e em alguns organismos fotossintéticos. Existem cerca de 600 carotenóides conhecidos que estão divididos em duas classes: xantofilas e carotenos [40]. Os carotenóides têm dois papeis fundamentais nas plantas: absorver a luz necessária ao processo de fotossíntese e proteger a clorofila de danos causados pela radiação [41]. Para os seres humanos o carotenóide mais importante é o BC que é precursor da vitamina A, pigmento essencial para boa visão, alem de agir como antioxidante.
O BC é um caroteno não oxigenado, ou seja, formado apenas por átomos de carbono e hidrogênio, a maioria dos carotenóides apresentam-se nesta forma exceto as xantofilas. Com 40 átomos de carbono e altamente conjugado, BC é lipofílico. O BC tem uma cor vermelho-alaranjada que está diretamente ligada à sua estrutura química, as duplas ligações carbono-carbono (C=C) interagem uma com a outra por um processo chamado conjugação, que permite que elétrons movam-se livremente pela cadeia
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carbônica da molécula. Quando o número de duplas ligações aumenta, os elétrons associados ao sistema conjugado têm mais mobilidade o que exige menos energia para um elétron mudar de estado esta é a causa da cor característica do BC [42]. A figura (3.4) mostra a estrutura química do BC:
Fig. 3.4 - Molécula de betacaroteno na forma trans.
O BC utilizado para preparação das blendas foi adquirido da Rexall Sundown Inc. em cápsulas com 10.000 UI (~0.03g) [38] e foram usados sem qualquer purificação adicional ou tratamento físico-químico. Algumas propriedades físicas do BC são mostradas na tabela 3.3.
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3.4. Blendas PS/AO
Para este trabalho as amostras foram todas preparadas no Laboratório de Físico-Química de Polímeros da Universidade de Brasília. O PS e o AO foram dissolvidos numa solução de clorofórmio, em diferentes concentrações, sob agitação mecânica durante 4 h a temperatura ambiente e em seguida a solução foi transferida para uma placa de Petri, para secagem a vácuo para retirada do solvente restante. A figura (3.5) mostra o esquema de preparação das amostras de PS modificadas com AO ou com BC.
Fig. 3.5 – Esquema de preparação das blendas PS/AO e PS/BC [6].
As amostras são folhas com espessuras menores que 1 cm e de coloração esbranquiçada. A figura (3.6) apresenta uma fotografia das amostras:
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Fig. 3.6 – Fotografia da blenda PS/AO: acima o capacitor fabricado com a blenda. Após o processo de fabricação as amostras foram mantidas no laboratório, numa temperatura entre 22°C e 25ºC, protegidas da luz enroladas em papel alumínio. As folhas das blendas PS/AO foram recortadas cuidadosamente na forma de pequenos retângulos para confecção dos capacitores, então, ambos os lados foram pintados com tinta prata condutora (fig. 3.6), adquirida da Joint Metal. Logo após a aplicação da metalização, os capacitores foram colocados para secar em uma estufa para evitar infiltração da tinta em alguma porosidade da blenda.
3.5. Descrição Experimental
O objetivo deste trabalho foi medir as propriedades térmicas e dielétricas das blendas PS/AO e PS/BC, mais especificamente a sua difusividade térmica e a constante dielétrica. Para tanto fizemos uso de uma técnica fototérmica denominada fotopiroelétrica para encontrar a difusividade térmica e utilizamos capacitores de placas planas e paralelas para calcular a constante dielétrica das amostras.
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Os experimentos para medir a constante dielétrica foram todos realizados no Laboratório de Física da Matéria Condensada da Universidade Federal do Pará (UFPa). O arranjo experimental para estudo das propriedades dielétricas das blendas PS/AO e PS/BC consistia dos seguintes equipamentos: RCL meter modelo PM6304 da Fluke, um controlador de temperatura modelo LFI-3751 fabricado pela Wavelength Eletronics e uma câmara de alumínio com conectores BNC, elemento Peltier e suporte para os capacitores. A figura (3.7)apresenta detalhes do arranjo experimental:
Fig. 3.7 – Arranjo experimental para medidas de capacitância.
A câmara de alumínio blindava o capacitor de ruídos elétricos ou térmicos proveniente do exterior, além de estar aterrada à rede elétrica do laboratório. Dois conectores e dois cabos BNC (uma para cada placa do capacitor) foram responsáveis por interligar os capacitores ao RCL meter.
A teoria de dielétricos é aplicável para campos estáticos alternantes que não ultrapassem o valor crítico de freqüência da ordem de 3 MHz [19]. Foram realizadas
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medidas onde foi aplicado campos oscilantes de 1.0 V de amplitude e freqüência de 10 kHz variando a temperatura entre 0 a 40 °C.
Para os estudos das propriedades térmicas foi utilizada a técnica fotopiroelétrica que consistia de um laser DPSS (diode pumped solid state) trabalhando na linha 532 nm com 120 mW de potência, um Lock-in Amplifier EG&G modelo 5302 da Princeton Applied Research, um sensor piroelétrico (PVDF) com ambas as faces metalizadas e a câmara de alumínio com suporte para sensor e amostras e conector BNC, já citada anteriormente.
O arranjo para estes experimentos é conhecido como SPPE (standard
photopyroelectric) [30], neste método o sensor, com ambas as faces metalizadas, foi
colocado em contato com o suporte e sua outra face em contato com uma das superfícies das blendas, na superfície oposta desta foi colocado uma papel alumínio pintado de preto com 10 m de espessura para que a maior quantidade possível de radiação laser fosse absorvida pelas blendas. Além disso, com o intuito de melhorar o contato térmico e a condução de calor foi usada uma pasta térmica da Implastec Votorantim nas interfaces sensor/blenda e blenda/papel alumínio. O sensor piroelétrico usado nas medidas eram folhas retangulares de PVDF com espessura de 100 m e aproximadamente 2 cm2 de área. O contato elétrico entre as partes metalizadas do sensor foi feito através de pressão entre uma máscara de metal e o suporte. O sinal proveniente do sensor era coletado por fios condutores de cobre até o conector BNC e deste até o Lock-in por meio de um cabo coaxial, as figuras (3.8) e (3.9) ilustram o arranjo.
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Fig. 3.8 – Arranjo experimental para medidas da difusividade térmica.
Fig. 3.9 – Esquema experimental da técnica fotopiroelétrica: (1) Laser DPSS modulado, (2) Espelho, (3) Câmara de Alumínio e porta amostra.
(a) Câmara de Alumínio
A câmara foi confeccionada a partir de um cilindro de alumínio e é formada basicamente de duas partes: tampa e a base sólida. A tampa possui no seu topo uma janela de quartzo que permite a entrada do feixe laser de excitação. A tampa foi fabricada a fim de se evitar flutuações de temperatura no interior da câmara, o que facilita o trabalho do elemento Peltier na estabilização da temperatura além de blindá-la
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contra ruídos térmicos e elétricos. Na parte interna da base encontramos suporte de amostras que está fixado no elemento Peltier e no seu exterior encontram-se os conectores BNC, a figura (3.10) mostra detalhes da câmara.
Fig. 3.10- Detalhes da câmara de alumínio.
(b)Controle de temperatura
O controle de temperatura, tanto para as medidas de difusividade térmica quanto para as de constante dielétrica, foi feito através do feedback de um termistor, acoplado ao suporte dos capacitores, que era enviado ao controlador de temperatura para manter (inverter) o sentido da corrente aplicada ao elemento Peltier, a fim de aumentar (diminuir) a temperatura do suporte. Diferente de outros tipos de sistemas de temperatura, este equipamento permite que processos de aquecimento/resfriamento sejam realizados de forma bastante simples e eficiente. Neste sistema o elemento Peltier trabalha como uma “bomba de calor”, dependendo do sentido da corrente, ele pode fornecer calor retirando-o da base da câmara alumínio e aquecendo a amostra ou retirando calor da amostra e transferindo-o para a base, resfriando a mesma [30]. O sistema podia ser controlado de 0°C a 60°C com precisão de ±0,01°C; em nossas medidas as temperaturas variavam de 0°C a 40°C o que proporcionou uma ótima resolução quando medidas com variação de temperatura foram realizadas.
ELEMENTO PELTIER JANELA DE VIDRO
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Fig. 3.11 – Controlador de Temperatura. (c) Lock-in e RCL meter
O Lock-in é um dispositivo capaz de medir pequenas voltagens alternadas com grande precisão. Devido a essa característica este aparelho foi extremamente importante nas medidas de difusividade térmica haja vista que o sinal gerado pelo sensor piroelétrico é da ordem de alguns milivolts (mV). Na montagem experimental para o estudo de propriedades térmicas as funções do Lock-in eram: coletar o sinal do sensor e, através de um oscilador interno, modular a freqüência do pulso da luz laser. A precisão do equipamento é de até 1 V na aquisição de sinal e de 0.01 Hz na modulação do pulso do laser.
O RCL meter PM6304 da Fluke é um equipamento multímetro, ou seja, possibilita medir vários parâmetros tais como capacitância, impedância, fator de qualidade e dissipação, etc. Este equipamento tem precisão de 0.1% (uma parte em mil) em medidas de capacitância e pode-se variar a freqüência de trabalho de 50 Hz a 100 kHz. No arranjo experimental para medidas de propriedades dielétricas o RCL meter
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estava ajustado para medir capacitância, em picoFaraday, e o fator de qualidade (Q) dos capacitores fabricados com as blendas PS/AO e PS/BC. A figura (3.12) e (3.13) mostra os equipamentos acima descritos.
Fig. 3.12 – medidor RCL usado nas medidas de capacitância.
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CAPÍTULO 4
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Neste capitulo apresentamos todos os resultados encontrados e discutimos suas principais implicações para o trabalho. Resultados sobre propriedades dielétricas e térmicas das blendas PS/AO e PS/BC, com ênfase na primeira, são mostradas e analisadas em seus aspectos relevantes, utilizando como base teórica o capítulo 2 desta dissertação. Ainda neste capítulo, a constante dielétrica e a difusividade térmica das blendas estudadas são plotadas contra temperatura em conjunto com seus ajustes teóricos, realizamos também o cálculo do momento de dipolo da blenda PS/AO.
4.1 Propriedades Dielétricas
A figura 4.1 apresenta a dependência da constante dielétrica, como descrito no capítulo 3, da blenda PS/AO com a temperatura para a concentração 15% de AO. Foi observado um comportamento anômalo (um pico) na faixa entre 5°C e 25°C com valor máximo ( = 5.10) em 17º C, que possivelmente é devido a transição de fase líquido- sólido do AO, já conhecida na literatura e reportada por Kobayashi et al [43]. No AO puro a mudança de fase acontece em torno de 12º C e na nossa amostra em 17º C. Isso pode ser explicado pelas forças de tensão existentes entre cada micro-gota de AO e o meio sólido ao seu redor que é a matriz, deslocando para temperaturas mais elevadas o ponto de fusão [12]. Como a blenda é constituída pelo plástico e o ácido oléico, o comportamento apresentado por ela deve expressar o comportamento dos constituintes de forma independente e mais uma possível interação entre eles.
57 0 10 20 30 40 3.8 4.0 4.2 4.4 4.6 4.8 5.0 5.2 5.4 PS/AO 15% ε Temperatura (°C) 17°C Fig. 4.1 – Constante dielétrica versus temperatura (entre 0°C e 40°) para a blenda
PS/AO.
Nas figuras 4.2 e 4.3 mostramos, independentemente, para o PS e para o AO o comportamento da constante dielétrica versus a temperatura, respectivamente. É importante observar que para o PS pouco se modifica na faixa de temperatura estudada como mostra a figura 4.2 e como é reportado na literatura[37], enquanto que a constante dielétrica para o AO tem comportamento característico com uma descontinuidade em 12°C que define sua transição de fase (líquido-sólido), figura 4.3, porém com uma estrutura diferente da apresentada pelo AO dentro da matriz polimérica que não apresenta uma descontinuidade, mas uma alteração suave na inclinação da curva x T em uma larga faixa de temperatura. Esta diferença pode ser explicada considerando que as gotículas de AO dentro da matriz não possuem, todas, as mesmas dimensões logo sofrem tensões diferentes e, por conseguinte congelam em diferentes temperaturas dando origem a um pico largo da figura 4.1.
58 0 10 20 30 40 1 2 3 4 5 6 PS ε Temperatura (°C)
Fig. 4.2 – Constante dielétrica versus temperatura (0°C a 40°C) para o PS.
-30 -25 -20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25 30 2,08 2,09 2,10 2,11 2,12 2,13 2,14 2,15 2,16 2,17 2,18 2,19 2,20 2,21 P.F.=11,9 oC εεεε T (0C)
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A figura 4.4 apresenta a dependência da constante dielétrica da blenda PS/BC com a temperatura, os valores da constante dielétrica são menores para esta blenda do que para blenda PS/AO e o próprio PS na mesma faixa de temperatura, e apresenta valor máximo ( = 2.80) em torno de 15°C diferente do ponto de máximo para blenda PS/AO.
0 10 20 30 40 2,1 2,2 2,3 2,4 2,5 2,6 2,7 2,8 2,9 15°C ε Temperatura (°C) PS/BC 15%
Fig. 4.4 - Constante dielétrica versus temperatura (entre 0°C e 40°C) para blenda PS/BC.
Esta última observação é intrigante, pois não existem dados na literatura sobre transição de fase ou relaxação térmica do BC ou PS nesta faixa de temperatura. Para este resultado observado que é sempre reprodutivo não encontramos um argumento que pudesse justificá-lo. Para efeito de comparação, a figura 4.5 mostra um gráfico da constante dielétrica com a temperatura para as duas blendas e o OS. De acordo com a literatura [37] a constante dielétrica do PS pode variar entre 2.8 e 3.1 próximo a temperatura ambiente o que concorda com os resultados experimentais por nós observados, porém a presença de AO ou BC altera de forma significante as propriedades
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dielétricas do PS, sendo que o primeiro eleva a constante dielétrica principalmente devido à molécula de AO possuir um caráter polar e uma transição de fase em torno de 12 °C [12], enquanto que o segundo reduz o valor de (da amostra) para o PS, que deve estar ligado às características apolares da molécula de BC [41] e possíveis interações com as cadeias do polímero. No caso do AO que apresenta momento de dipolo este interage com o meio (poliestireno) gerando um acréscimo na constante dielétrica.
0 10 20 30 40 2.0 2.2 2.4 2.6 2.8 3.0 3.2 3.4 3.6 3.8 4.0 4.2 4.4 4.6 4.8 5.0 5.2 5.4 ε Temperatura (°C) PS:AO 15% PS puro PS:BC 15%
Fig. 4.5 - Constante dielétrica versus temperatura (entre 0°C e 40°) para as blendas PS/AO, PS/BC e PS.
Com o resultado da figura 4.1 calculamos o momento de dipolo da blenda PS/AO usando os modelos de polarização tratados no capítulo 2. Coletando-se os valores da constante dielétrica a partir de 25 °C [25,26] e substituindo nas equações 2.46, 2.65 e 2.71 foi possível obter os gráficos da polarização molar (P) em função do
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inverso da temperatura absoluta (T-1) e através de um ajuste linear encontrar o momento de dipolo ( ). O gráfico para polarização de Debye é apresentado na figura 4.6:
3,18 3,20 3,22 3,24 3,26 3,28 3,30 3,32 3,34 3,36 157,0 157,5 158,0 158,5 159,0 A = 119,19 cm3/mol B = 11,86 cm3. K/mol PS/AO 15% P D ( c m 3 /m o l) T-1 x 10-3 (K-1) PD x T-1 Ajuste Linear
Fig. 4.6 – Polarização molar versus inverso da temperatura absoluta para blenda PS/AO (modelo Debye).
Para encontrar o valor do momento de dipolo devemos igualar o valor numérico do coeficiente angular do ajuste linear, por exemplo, na eq. (2.49):
2 3 0
11,86 10
9
A BN
k
µ
ε
−×
=
(4.1)Usando os valores conhecidos de NA, 0 e kB e a relação dada no capítulo 2 que 1D = 3,335 x 10-30 C.m, encontramos que o momento de dipolo para blenda PS/AO no modelo de Debye é = 0.04D. De forma similar calculamos o valor do momento de
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dipolo para blenda PS/AO nas curvas das figuras (4.7) e (4.8) para os modelos de polarização de Onsager e Kirkwood:
3,18 3,20 3,22 3,24 3,26 3,28 3,30 3,32 3,34 3,36 385 390 395 400 405 POns x T-1
Ajuste linear PS/AO 15%
A = 24,71 cm3/ mol B = 113,75 cm3. K / mol P O n s ( c m 3 / m o l) T-1 x 10-3 (K-1)
Fig. 4.7 - Polarização molar versus inverso da temperatura absoluta para blenda PS/AO (modelo Onsager).
63 3,18 3,20 3,22 3,24 3,26 3,28 3,30 3,32 3,34 3,36 700 702 704 706 708 710 712 714 716 718 PK x T-1
Ajuste Linear PS/AO 15%
A = 391,04 cm3 / mol B = 97,23 cm3.K / mol PK c m 3 / m o l T-1 x 10-3 (K-1)
Fig. 4.8 - Polarização molar versus inverso da temperatura absoluta para blenda PS/AO (modelo Kirkwood).
Usando as equações (2.67) e (2.73), respectivamente, temos:
2 2 2 3 0
2
113,75 10
3
3
A BN
n
k
µ
ε
−+
×
=
(4.2) 2 3 0( )
97, 23 10
3
A BN
k
µ
ε
∗ −×
=
(4.3)Na equação (4.2) n é o índice de refração da blenda PS/AO cujo valor está entre 1,45-1,60 dependendo da concentração de AO na matriz polimérica, na equação (4.3), µ• gkµ
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A tabela 4.1 apresenta os valores do momento de dipolo calculados nos modelos abordados. Os valores de para blenda PS/AO são duas ordens de grandeza menor comparada ao do AO puro que tem valor entre 1,80-2,27 D [12], de acordo com o modelo de polarização. Isso se deve ao fato de que o AO encontra-se como gotas micrométricas distribuídas pela matriz o que diminui efeitos coletivos na interação molecular AO-AO. Como conseqüência micro domínios isolados são formados em cada gota com as moléculas de AO orientadas no campo elétrico que resulta em um valor do momento de dipolo menor que o do AO líquido.
Tabela 4.1: Valores do momento de dipolo para blenda PS/AO nos modelos de Debye, Onsager e Kirkwood.
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4.2 Propriedades Térmicas
Nesta seção discutimos os resultados que concernem às propriedades térmicas especificamente a difusividade térmica. A figura 4.9 mostra um gráfico do sinal do sensor piroelétrico contra a freqüência de modulação do laser para a blenda PS/AO a temperatura de 25 °C, os quadrados pretos representam os pontos experimentais e a linha contínua o ajuste feito a partir do modelo de Madelis-Zver [31]. O valor da difusividade térmica para blenda PS/AO encontrada a partir da equação de ajuste (2.97) foi = 7.05 x 10-4 cm2/s, que é maior que o valor da difusividade térmica para o PS, que é de = 1.33 x 10-4 cm2/s [37]. 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0,000 0,001 0,002 0,003 0,004 0,005 0,006 0,007 0,008 Data: PA15252_B Model: difusividade Equation: y=P1*exp(-P2*(x)^0.5) + p3 Weighting: y No weighting Chi^2/DoF = 4.2019E-8 R^2 = 0.98777 P1 0.05341 ±0.00596 P2 2.00275 ±0.10691 P3 0.00032 ±0.00009 α = 7.05 x 10-4 cm2/s S in a l P ir o e lé tr ic o ( V ) Frequência (Hz)
Fig. 4.9: Sinal piroelétrico versus freqüência de modulação do laser para blenda PS/AO a 25°C.
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Na figura 4.10 temos um gráfico, semelhante ao da figura 4.9, para blenda