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4.3 Henrik Smith

4.3.4 Henrik og det siste forsvaret av Severin

O domínio da linguagem, como atividade e discursiva e cognitiva, e o domínio da língua, como sistema simbólico utilizado por uma comunidade linguística, são condições de possibilidade de plena participação social. Pela linguagem os homens e as mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam e defendem pontos de vista, partilham ou constroem visões de mundo, produzem cultura. Assim, um projeto educativo comprometido com a democratização social e cultural atribui à escola a função e a responsabilidade de contribuir para garantir a todos os alunos o acesso aos saberes linguísticos necessários para o exercício da cidadania. (PCN, 1998, p. 19).

O Módulo 01 de língua portuguesa, no contexto deste trabalho, representa um importante instrumento de transformação do conceito de leitura e escrita para os educandos da EJA, do segundo segmento do Ensino Fundamental, por representar o principal elemento de inserção ao universo textual pelo qual jovens e adultos poderão conhecer outras realidades, mudar velhas opiniões enraizadas pela ignorância, tornar-se uma pessoa mais crítica.

A elaboração do módulo nessa perspectiva textual exigiu que as atividades de compreensão integrassem a leitura e a escrita em um processo cognitivo bem mais complexo, uma vez que a construção do sentido do texto, na maioria das vezes, exigiu dos alunos uma análise mais profunda dos aspectos linguístico-discursivos que envolviam o gênero em estudo, pois muitas das respostas solicitadas não estavam na superfície do texto, mas imbricadas em uma rede de informações que dependiam de conhecimentos mais amplos.

Apesar de observadas algumas dificuldades iniciais quanto a esse nível de leitura, pode-se dizer que os alunos se sentiram desafiados a estabelecer esse contato mais profundo com o texto, pois o que se percebeu nas falas dos alunos durante o atendimento personalizado, e nas próprias respostas ao questionário, é que o estudo por meio de gêneros textuais propiciou uma compreensão bem melhor da dimensão que texto adquire para os conteúdos gramaticais e linguísticos que se desencadearam do estudo do gênero. A aluna E, por exemplo, justificou que o contato com vários textos no primeiro módulo a ajudou a compreender melhor o Módulo 02, do qual já fez a avaliação escrita e foi aprovada.

Quanto às opiniões das professoras sobre o ensino proposto no Módulo 01, estas também destacam a “contextualização” do módulo como um aspecto positivo. A professora 01, por exemplo, ao estabelecer a comparação entre o módulo 01 da coleção atual e o módulo 01 reelaborado, considera que aquele “consegue suprir muitas de nossas necessidades didáticas”, mas que ainda há a separação entre texto e gramática. Em relação ao novo módulo, ela diz que a elaboração foi positiva, pois as “interligações dos assuntos” facilitaram a

compreensão dos alunos. Para a professora 03, o novo material “tenta adequar os assuntos às novas propostas de ensino da língua materna, focalizando os gêneros textuais e suas condições de produção”. Já a professora 02 enfatiza que o novo módulo “contempla mais a leitura e a compreensão de texto” ao se comparar com o módulo atual.

Com relação à organização didática do material, e sua função pedagógica na promoção da autoaprendizagem, as avaliações também foram positivas pela maioria dos alunos. Para o aluno F é “bem explicativo e fácil de entender”; para o aluno A “é bem respondido e explicado”; o aluno D considerou que “está bem organizado e claro para o estudo”; a aluna E disse que conseguiu entender e estudar e até relembrar alguns assuntos, mas que “teve algumas complicações”, entretanto que não foi “pela apostila”; já a aluna C enfatizou que o material “ajudou a prender”, mas que aprendeu mais com a professora. Sobre a avaliação das professoras a respeito dos conteúdos trabalhados, todas as opiniões foram favoráveis, pois consideraram os conteúdos “adequados”. A professora 03 fez uma observação quanto à necessidade de revisões sistemáticas do material didático para adequar-se ao “modo como a língua é trabalhada acompanhando seu natural processo de renovação de sentidos”.

E, para finalizar a análise dos dados coletados nesta pesquisa, e a relação com os objetivos deste trabalho, serão feitas algumas considerações acerca da prova escrita como forma de avaliar o processo de ensino-aprendizagem no módulo 01. Será observado o desempenho apenas dos alunos cujas provas foram objeto de amostra na seção sobre a avaliação escrita, para se estabelecer uma comparação quanto ao nível de compreensão exigido em cada um dos tipos selecionados: o tipo II e o tipo III.

As cinco primeiras questões da prova tipo II exigiam dos alunos alguma reflexão sobre o sentido do texto, pois as respostas deveriam ser construídas e não somente copiadas. Mesmo para a questão 01 que, em princípio, pedia uma transcrição do texto, havia a necessidade de uma análise sobre as representações do que seria oral ou escrito para uma resposta correta. As outras questões, principalmente as objetivas (questões 2 e 4), necessitavam de uma leitura mais atenta, uma vez que as respostas não estavam textualmente expressas; os alunos deveriam assinalar uma opção de resposta por meio da pressuposição, considerando-se as ideias globais do texto. A questão 2, por exemplo, à qual as professoras 01 e 03 atribuíram como correta a opção c), ao se fazer uma análise mais atenta dos recursos linguísticos do texto, entende-se que a resposta deveria ser b), pelo fato de o texto, desde o título, revelar uma linguagem mais espontânea, o que confirma o teor informal expresso pelo

locutor do texto. Afora essa questão, pode-se dizer que os alunos B e F conseguiram atingir um nível de compreensão satisfatório, pois as respostas se mantiveram dentro do limite esperado. A respeito da produção escrita solicitada na prova, conforme se pode constatar, os alunos conseguiram entender o objetivo da questão e escreveram adequadamente o bilhete, assumindo o papel do locutor escolhido. Porém, ao se fazer um juízo de valor quanto ao desempenho dos alunos na avaliação, percebe-se que o Aluno F estava mais bem preparado para a realização da prova do que a aluna B.

Quanto à prova do tipo III, as questões eram mais diretas, pois tinham como propósito a identificação dos elementos estruturais do gênero “carta familiar”. Entretanto, para uma resposta correta, os alunos precisariam conhecer os aspectos composicionais do gênero: remetente, destinatário, conteúdo linguístico-discursivo. Nesse sentido, observa-se que os alunos A e D dominavam o conteúdo estudado, pois responderam a contento. A produção escrita também expressa um nível de aprendizagem satisfatória, pois o os alunos souberam organizar o texto conforme a proposta solicitada: uma carta em resposta àquela que correspondia ao texto inicial da prova.

Assim, pela análise dos resultados anteriores, todos provenientes de uma ação educativa consistente e profundamente embasada em propostas teórico-metodológicas que visam um ensino de linguagem mais próximo da realidade social de alunos jovens e adultos, pode-se dizer que o material didático proposto neste trabalho conseguiu atender plenamente às expectativas de uma intervenção pedagógica de qualidade.