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Podemos dizer que a construção dessa proposição se iniciou a partir de uma análise de livros didáticos de Química, aprovados pelo PNLEM 2015, realizada como estudo piloto, enquanto eu ainda trabalhava como professora temporária de uma escola da Secretária de Educação do Distrito Federal (SEDF) na Região Administrativa da Ceilândia no ano de 2015. Mesmo que essa análise não faça parte dos resultados dessa dissertação constantes no próximo capítulo, resolvemos mencioná-la, pois foi a partir dela que começamos a desenhar essa dissertação. Isso ocorreu quando percebemos que esses materiais didáticos exploram superficialmente as aplicações da radioatividade na medicina e muitos não descrevem como uma radiação ionizante atua no corpo humano. Também não observamos nos livros uma

7 MERRIAM, S. B. Qualitative research in practive: examples for discussion and analysis. San Francisco:

diferenciação entre radiações ionizantes e as não ionizantes e, tampouco, há uma exploração do espectro eletromagnético.

Fizemos um estudo piloto aplicando um questionário para alunos do 2° e 3° da escola onde encontrava-me lotada no ano letivo de 2015. O objetivo foi levantar conhecimentos espontâneos de nossos alunos sobre radiação e radioatividade, avaliando se os livros didáticos e a escola tinham provocado mudanças nos conhecimentos dos participantes. A maioria dos alunos do 2° ano não tinha estudado a temática radioatividade no momento da coleta de dados e os alunos do 3° ano, na sua maioria, afirmou já ter visto ou “aprendido” o referido conteúdo. Por meio das respostas, observamos a que maior parte dos alunos tanto do 2° ano como do 3° ano não conseguiu diferenciar radiação e radioatividade, considerando-as a mesma coisa. Adicionalmente, na tentativa de analisar o conhecimento dos conceitos radioatividade, radiação, radiação ionizante, radiação não ionizante, percebemos que muitos alunos não conheciam os conceitos, mas relacionavam os termos como algo ruim, maléfico, prejudicial ao ser humano e/ou ao meio ambiente.

Isso nos impulsou a elaborar uma Proposição de Ação Profissional Docente na perspectiva de motivar esses alunos, instigando o interesse com informações que complementassem o livro didático e que se mostrassem mais relevantes e despertassem neles a vontade de aprender mais, se preparando melhor para a vida.

Acontece, que no início de 2016, quando estava me preparando para renovar o contrato de professora temporária da Secretaria de Educação do Distrito Federal, fui surpreendida com o chamado para assumir o cargo de professora permanente do quadro da SEDF, relativo a um concurso (Edital n°01-SEAP/SEE, de 04 de setembro de 2013) que havia prestado anteriormente. Devido a isso, ficou para trás a possibilidade de dar continuidade à proposição do mestrado, na instituição em que realizei o estudo piloto. Considero que esse fato teve aspectos positivos, afinal o meu desejo de ser professora efetiva da SEDF tornou-se realidade. No entanto, trocar de escola no meio do mestrado, já tendo coletado algumas concepções dos meus alunos de 2015 sobre conceitos presentes na proposição, me deixou bem insegura. Apesar disso, pesquisas na Área Ensino de Ciências nos mostram que as dificuldades de aprendizagem são universais e se assemelham. Baseado nisso, confiamos que o trabalho seria possível e assumindo os riscos que poderiam aparecer.

A Direção da nova escola me designou sete turmas, sendo quatro de 1° ano do ensino médio e três de 3° ano. Minha carga horária na escola foi estabelecida em 40 horas semanais.

Para aplicar a PAPD nas turmas de 3º ano, conversei com a Direção e expliquei a proposta. Recebi permissão para aplicação, apesar do Diretor ter me sugerido usar uma das aulas da semana para a proposta e a outra continuar com a Química Orgânica, já prevista no calendário escolar. Devido a exiguidades do prazo concedido para a defesa da dissertação optei por aplicar a PAPD em todas as aulas.

Procuramos inserir atividade que valorizassem um debate sobre o uso da radiação ionizante, já que percebemos que muitos alunos não entendiam a importância para o homem do conhecimento relacionado, pois focavam demais nos impactos lesivos gerados pelo uso inadequado das tecnologias associadas com esse conhecimento. Queríamos ainda que os alunos compreendessem algumas questões envolvidas nesse tipo de tecnologia, como por exemplo, a influência e o investimento por parte dos nossos governantes, os impactos econômicos gerados, a mudança na vida das pessoas por conta do conhecimento atinente, os debates éticos nos diferentes países, entre outros aspectos.

Com as experiências trocadas em sala de aula esperávamos dar condições para os alunos participantes compreendessem melhor sobre os diferentes tipos de radiação e questões tais como: Quão úteis ou lesivas podem ser as diferentes radiações em nossas vidas?; Como se proteger dos diferentes tipos de radiação?; Por que exames de raio X não devem ser um exame rotineiro?; Por que e quando se pode lançar mão da radioterapia no tratamento do câncer?; Por que se pode usar radioisótopos para diagnosticar e tratar câncer?; Por que é necessário um regime especial de trabalho para os profissionais que operam aparelhos que se utilizam de radiação ionizante?; Quais os cuidados com os resíduos produzidos a partir de materiais radioativos?

Para isso, articulamos conceitos da Química, da Fisica e da Biologia buscando promover a integração do conhecimento. Segundo Bonatto e colaboradores (2012, p.2): “A interdisciplinaridade é um elo entre o entendimento das disciplinas nas suas mais variadas áreas. Sendo importante, pois, abrangem temáticas e conteúdos permitindo, dessa forma, recursos inovadores e dinâmicos, onde as aprendizagens são ampliadas”.

Nossa proposição foi estruturada em nove (9) planos de aula constantes ao longo do Apêndice 1, isto é, na Proposição de Ação Profissional Docente. Cada um deles tinha uma temática principal, são elas:

1. As emissões das radiações provenientes do sol;

3. O espectro eletromagnético: faixas da luz visível e do infravermelho; 4. O espectro eletromagnético: ultravioleta, raios X e raios gama; 5. O espectro eletromagnético: raios X e raios gama;

6. Profissões que envolvem radiação ionizante;

7. Radioatividade: partículas alfa e beta, radiação gama;

8. Como a radiação ionizante atua no organismo e as principais aplicações da radiação ionizante na medicina;

9. Resíduos radioativos e outras aplicações da radiação ionizante.

No capítulo a seguir encontram-se os dados coletados durante a aplicação da proposição e a discussão deles a luz da literatura.

CAPÍTULO 3