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5.5 Omstillingsprosessen i lys av praktiske teorier om endring

5.5.2 Sett i lys av perspektivene

A preocupação com a coordenação tem (re)emergido, de facto, como um tema premente. Contudo, a utilização deste termo terá de ser feita com cuidado, dado que o termo coordenação tem aplicações para os 3 modelos de Governação. Rogers e Whetten (1982)119 referem-nos 3 tipos de estratégias de coordenação: 1) corporate strategies, que se reportam à coordenação através de regras formais e o uso de autoridade central; 2) mutual adjustment, em que as metas autónomas prevalecem, não ocorrendo, contudo, contacto entre os actores (situação que se poderá aplicar ao modelo de Mercado); 3) alliances, que se baseiam na negociação e no estabelecimento de acordos (Kickert e Koppenjan, 1997: 44).

Christensen, Lie e Laegreid (2007c: 25) dão-nos conta exactamente destas 3 tendências de

evolução pós-NPM: 1) o reverso para formas mais hierárquicas de actuação do Estado; 2) a continuação da actuação em regime de mercado, se bem que com uma nova preocupação na regulação dos mercados; e, 3) a hibridação de soluções organizacionais. A figura 13 espelha exactamente estes 3 mecanismos de coordenação diferentes.

De realçar que estes 3 mecanismos constituem uma “simplificação” da realidade, já que elementos de cada um podem coexistir e coexistem de facto (Osborne, 2010b.: 2). Contudo, em todos eles se denota a tendência do “ressurgimento do Centro”, divergindo apenas, entre os três mecanismos de coordenação, o papel que os actores oficiais desempenham.

119 Rogers, D. L.; Whetten, D. A. (Eds). 1982. Interorganizational Coordination: Theory, Research, and Implementation. Ames:

Figura 13: Mecanismos de Coordenação MECANISMOS DE

HIERÁRQUIA MECANISMOS DE MERCADO REDE / COMUNIDADES MECANISMOS DE

Base de interacção Autoridade e dominação Trocas e competição Cooperação e solidariedade

Recursos

necessários Autoridade e Poder

Negociação, Informação

e Poder Cooptação e Confiança

Papel dos órgãos

estatais Produtor e implementador de regras top-down guardião) dos mercados Regulador (criador e Gestor, participante e facilitador de redes

Orientação Normas, standards, rotinas entre a procura e a oferta Mão Invisível: encontro Valores e visão comuns

Controlo Supervisão e Controlo • Mecanismo do Preço

• Lucros e Prejuízos

Recíproco com base na interdependência

Avaliação Inspecção Tribunais;

Entidades Reguladoras

Avaliação Informal - Reputação

Base Teórica Burocracia Weberiana Neo-Institucionalismo Económico Teoria das Redes

Designações de

(Novo) Paradigma Neo-Weberian State Re-Regulação Democratic Governance

Exemplos de instrumentos de Coordenação • Reestruturação organizacional • Reorganização das linhas e níveis de controlo • Criação de funções ou entidades de coordenação • Criação de funções ou entidades de regulação • Criação da figura do “provedor” • Criação de associações de defesa do consumidor • Criação de sistemas de troca de informação • Corpos consultivos e de Negociação

• Entidades para a tomada de decisão colectiva • Criação de uma organização agregadora, controlada pelas diferentes partes Eventuais Vantagens • Firmeza e rapidez de decisão • Equidade e objectividade • Responsabilidades claras (clareza contratual)

• Incentivos para bom desempenho

• Oferta iguala a procura

(em concorrência perfeita)

• Legitimidade das decisões

• Criação de sinergias • Policy learning – partilha

de boas práticas

Eventuais

desvantagens • Falta de legitimidade • Pouca flexibilidade

• Demasiada ênfase nos interesses das organizações e na competição • Instabilidade do sistema • Desequilíbrio de informação • Processos difíceis e lentos

• Falta de clareza das responsabilidades • Falta de capacidade

para levar ao cumprimento Fonte: baseado em Bouckaert, Peters e Verhoest, 2010: 35, 56-66, 269

Sorenson (2006)120 refere-se, a este propósito, ao conceito de “meta-governance”, enquanto

movimento que “reconhece a necessidade de alguma delegação e devolução da governação mas, ao mesmo tempo, reconhece a necessidade de uma maior direcção central” (Peters, 2010: 37). As iniciativas do “Joined-Up Government” no Reino Unido, o “Horizontalism” no Canadá, ou o “Reviewing

the Centre” na Nova Zelândia, e algumas iniciativas semelhantes na Austrália, são disso exemplo

(Bouckaert et al., 2010: 4). Poder-se-á eventualmente incluir também o “Reinventing Government” dos EUA, já que previa não só a adopção de mecanismos de mercado mas também o empowerment de cidadãos e funcionários (Al Gore, (1994) 1996).

Também designado por 2.ª geração das reformas administrativas (Peters, (1996) 2001: 120; Christensen e Laegreid, 2007b: 11), ou “whole-of-government”, este movimento tem a ambição de alcançar uma coordenação horizontal e vertical, de forma a (Pollitt (2003)121 por Christensen e

Laegreid, 2007b: 11):

− eliminar situações nas quais diferentes políticas se enfraquecem entre si; − fazer melhor uso dos recursos escassos;

− criar sinergias através da reunião de diferentes stakeholders de um determinado domínio; − proporcionar aos cidadãos integrados, em vez de fragmentados.

Para tal, Peters (2001: 120) defende que se deverá apostar em 4 domínios, tal como mostra a figura 14:

Figura 14: Características da 2.ª Geração das Reformas Administrativas

COORDENAÇÃO ACCOUNTABILITY REREGULAÇÃO GESTÃO DE

DESEMPENHO

Diagnóstico Desagregação Excessiva inadequado Controlo Autonomia Excessiva Serviços com pouca qualidade

Estrutura Regresso à hierarquia Institui controlo de estruturas Cria reguladores Sem recomendação

Gestão Requer processos de consulta responsabilidade Cria

individual Impõe ex-post

Enfoque no desempenho

Produção de

Políticas Colaboração Considera a

Usa mecanismos de controlo

externos Mede os outputs Mede a qualidade

Fonte: Peters, 2001: 120

120 Sorenson, E.. 2006. “Metagovernance: The Changing Role of Politicians in Processes of Democratic Governance”. The American Review of Public Administration, vol. 36: 98-124

Assumindo que, de facto, independentemente da forma de coordenação, estamos, num sentido mais amplo, perante uma “rede de actores”, Kickert, Klijn e Koppenjan (1997b: 10) aludem à importância da actividade de “network management” enquanto forma de “coordenação das estratégias de actores com diferentes objectivos e preferências relativamente a um determinado problema ou medida de política no seio de uma rede de relações interorganizacionais”. De acordo com dois desses autores (Kickert e Koppenjan, 1997: 46), a “gestão de redes” envolve essencialmente as seguintes tarefas (cujas actividades específicas estão referidas na figura 15):

− game management (gestão das interacções): intervenção (com eventuais acções de reestruturação) nas relações no seio da rede;

− network structuring (estruturação da rede): desenvolvimento de condições promotoras de cooperação e do estabelecimento de consensos.

Figura 15: Actividades necessárias à Gestão de Redes

GAME MANAGEMENT NETWORK STRUCTURING

− Activação e organização da rede; − Mediação e arbitragem de conflitos; − Facilitação das relações

− Influência sobre a formulação da política;

− Influência sobre os valores, normas e percepções em torno dos assuntos debatidos;

− Mobilização de novas coligações; Fonte: baseado em Kickert e Koppenjan, 1997: 53

No entanto, subsistem dúvidas sobre a quem se deverá atribuir a responsabilidade da coordenação. De acordo com Kickert et al. (1997c : 168), essa responsabilidade poderá ser atribuída a um actor público ou privado, ou até mesmo a um conjunto de actores, em diferentes modelos de coordenação.

IV. INICIATIVA NOVAS OPORTUNIDADES: UMA POLÍTICA PÚBLICA DE