4.4 Omstillingsprosessen ved akuttpsykiatrisk avdeling
4.4.3 Effekter av omstillingen
Surgida no final dos anos 70 e inícios dos anos 80, a perspectiva bottom-up foi formulada como uma clara crítica às teorias top-down, referindo que os estudos da implementação também devem ter em consideração as relações dos funcionários de base com os beneficiários, bem como a capacidade que diferentes contextos locais poderão ter nos impactos da política (Pülzl e Treib, 2007: 92).
Os bottom-uppers referem ainda que as metas e objectivos definidos pelos policy-designers são frequentemente ambíguos (dada a racionalidade limitada da tomada de decisão) e que raramente as políticas comportam apenas um único estatuto legal, contrapondo assim dois pressupostos das teorias top-down (Birkland, 2001: 182).
Rejeitando a ideia de que os implementadores têm de seguir os objectivos de forma rígida, esta perspectiva defende que no estudo da implementação se deverá dar um especial destaque às redes e aos actores envolvidos na política (Pülzl e Treib, 2006: 92). Inerente ao comportamento destes, estão processos de conflito (factor que os próprios modelos racionais já reconheciam, mas que encaravam como disfuncional e como resultado de falta de coordenação) e, por conseguinte, processos de negociação e de criação de consensos (Parsons, 1995: 469).
Considerando pois a implementação como a continuação do jogo de conflitos e compromissos que sucedem na fase da formulação (Birkland, 2001: 182-183), constata-se que a principal tónica desta escola é a componente relacional entre policy-makers e policy-delivers (Parsons, 1995: 469), bem como destes últimos com os beneficiários (Pülzl e Treib, 2007: 92).
Howlett e Ramesh (2003: 190) referem que a grande maioria dos estudos que se enquadram nesta 2.ª geração se debruçam sobre os diversos actores (públicos e privados) que intervêm na implementação e inquire-os relativamente a: a) objectivos pessoais e organizacionais; b) estratégias de implementação utilizadas; e, c) redes de contacto erigidas. Contudo, e apesar de se preocuparem com as diversas redes de actores e relações formais e informais que estes estabelecem (Birkland, 2001: 183; Howlett e Ramesh, 2003: 190), a principal ênfase dos estudos bottom-up é realmente no
comportamento dos funcionários de base – street-level bureaucrats ou workers, como Lipsky (1971)55
os designou (Hudson e Lowe, 2004: 208).
Considerado o pai fundador da perspectiva bottom-up, Lipsky refere a dificuldade de controlar o comportamento dos street-level bureaucrats (Hill e Hupe, 2002: 51-52), e a importância de que esse facto se reveste para o processo de implementação, na medida em que são eles quem se relaciona com os cidadãos destinatários (Pülzl e Treib, 2006: 93). Tal como Lipsky refere, “street-level
bureaucrats respond to work-related pressures in ways that, however understandable, or well- intentioned, may have invidious effects on citizen impressions of governmental responsiveness and equity performance.” (Lipsky (1976)56 por Parsons, 1995: 467).
Tendo de lidar com a pressão de operarem num sistema burocrático complexo, sentindo-se inclusivamente alienados e subvalorizados (Hudson e Lowe, 2004: 209), os street-level bureaucrats lidam com um paradoxo, já que ao mesmo tempo dispõem de um significativo grau de autonomia e poder discricionário. A este propósito, Lipsky afirma que “as decisões dos street-level bureaucrats, as
rotinas que estabelecem, e as ferramentas que inventam para lidar com as incertezas e pressões do seu trabalho, tornam-se efectivamente nas políticas públicas que passam a ser implementadas”
(Lipsky (1980)57 por Hill e Hupe, 2002: 52). Tendo de lidar com a pressão do tempo e recursos limitados, e com necessidades ilimitadas, estes funcionários tendem a estereotipar “clientes” uma vez que isso lhes permite desenvolver “soluções mais fáceis e mais rápidas” (Hudson e Lowe, 2004: 209). Desta forma, não é de estranhar que a grande maioria dos estudos de 2.ª geração tenham chegado à conclusão que o sucesso ou insucesso de muitas políticas depende “frequentemente do compromisso e das competências dos actores directamente envolvidos na implementação de programas” (Lipsky (1980)58 por Howlett e Ramesh, 2003: 190). Para Lipsky, a criação de cadeias de comando hierárquicas com objectivos muito bem definidos, não só não é suficiente para conter este poder discricionário, como ainda aumenta a tendência dos street-level para a despreocupação e estereotipação (Hill e Hupe, 2002: 53).
A chamada de atenção para as estruturas de implementação surge com Hjern e os seus colegas59. No seu esquema de análise, o autor considera a presença de múltiplos actores e de
relações inter-organizacionais no processo de implementação (Pülzl e Treib, 2006: 93). Realça ainda a importância das redes de actores, que rompem as fronteiras organizacionais, e analisa a forma como estas encontram soluções para os problemas (Hill e Hupe, 2002: 54; Pülzl e Treib, 2006: 93).
55 Lipsky, M.. 1971. “Street-level bureaucracy and the analysis of urban reform”. Urban Affairs Quarterly, vol. 6: 391-409 56 Lipsky, M.. 1976. “Towards a theory of street-level bureaucracy” in W. D. Hawley et al. (Eds). Theoretical Perspectives on
Urban Policy. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall
57 Lipsky, M.. 1980. Street-Level Bureaucracy: Dilemmas of the Individual in Public Services. New York: Russell Sage
Foundation
58 ibidem
59 Hjern, B.. 1982. ‘Implementation research: The link gone missing’. Journal of Public Policy, 2 (3): 301–8;
Hjern, B.; Hull, C.. 1982. ‘Implementation research as empirical constitutionalism’ in Hjern, B.; Hull, C. (Eds). Implementation Beyond Hierarchy. Amsterdam: Elsevier: pp. 105–15;
Hjern, B.; Porter, D.O.. 1981. ‘Implementation structures: A new unit of administrative analysis’. Organization Studies, 2 (3): 211–27
Perante este quadro analítico, Hjern opõe-se à posição defendia por Sabatier e Mazmanian (que referem que o controlo é sinónimo de eficácia) e à ideia de que tem de haver necessariamente um actor central, defendendo sim a criação de novos mecanismos de accountability que envolvam os diversos actores que pertencem a estas redes, nomeadamente os street-level bureaucrats e os cidadãos (Hill e Hupe, 2002: 54).
Apesar de não serem bottom-uppers, é ainda de referir as contribuições de Elmore e Bardach para a perspectiva bottom-up. O contributo de Elmore60 advém da metodologia de análise “backward
mapping”, que mencionava que o estudo de uma política pública deveria começar pelo problema que
a motivou, prosseguindo-se a análise das acções que as agências locais encontraram para o solucionar (Pülzl e Treib, 2006: 93). Já Bardach61 contribui com a consideração de que a implementação é um jogo no qual grupos e indivíduos, nomeadamente os street-level bureaucrats, actuam como agentes de conhecimento e de experiência, na tentativa de maximizar o seu poder através de mecanismos de negociação e persuasão (Parsons, 1995: 470).
Contudo, e segundo Paul Sabatier (1986)62, este poder dos street-level bureaucrats é circunscrito pelos parcos recursos de que dispõem, bem como por normas e obrigações profissionais, e a possibilidade de serem sancionados pelo não cumprimento das mesmas (Birkland, 2001: 183).
Sabatier contrapõe ainda a perspectiva bottom-up com dois outros argumentos que se opõem à
perspectiva de que os grupos-alvo (beneficiários) são participantes activos no processo de implementação (Sabatier (1986)63 por Birkland, 2001: 183):
− Existência de políticas cuja discussão só está acessível a um conjunto limitado de especialistas, dado o seu alto nível de tecnicidade;
− Nem todos os grupos-alvo estão estruturados de forma a deter poder suficiente para fazer valer a
sua opinião.