3. The potential role of services trade pref- pref-erences in fostering export diversification
3.3. Services provisions in the EU-CARIFORUM EPA
3.6.2.1. Introdução
O fator físico fundamental que determina e limita a capacidade de tração, frenagem e aceleração de um veículo é a aderência. Aderência é o atrito que existe entre as duas superfícies em contato, que assegura o deslocamento do veículo por se opor à patinagem da roda. No caso dos veículos ferroviários, entre a roda ferroviária e o trilho.
Esse fenômeno pode ser explicado pelo fato de que ambas as superfícies em contato possuírem um certo grau de rugosidade, e se entrelaçam durante o contato. As forças de atração intermolecular também contribuem sensivelmente para que este “agarramento" ocorra. Quando uma força tangencial é aplicada à roda, as deformações elásticas permitem uma ligeira rotação à roda, mesmo que não haja desligamento entre as duas superfícies, havendo, porém uma pequena variação entre o deslocamento linear do cubo da roda e o percurso real efetuado por um ponto situado na periferia do seu aro: o pseudodesligamento.
Esse pseudodesligamento persiste até o limite elástico do material da roda, quando então ocorre o desligamento puro da roda sobre o trilho. Saliente-se que sem essas deformações nenhuma força seria transmitida.
Pode-se observar que:
Para uma roda de 914mm (36") de diâmetro e carga de 10.000kgf, a área de contato em virtude das deformações, é de apenas 150mm2, sendo que somente uma fração disso é responsável pela aderência;
As deformações causam os seguintes esforços: NA RODA:
Na frente da superfície de contato - compressão; Atrás da superfície de contato - tração.
NO TRILHO:
Na frente da superfície de contato - tração; Atrás da superfície de contato - compressão.
Na prática, a força de tração possível de ser transmitida começa crescendo ligeiramente, e depois decresce rapidamente na medida em que a velocidade de deslizamento aumenta.
Com os sistemas modernos de detecção e correção de patinação tem sido conseguido níveis de aderência bastante elevados: cerca de 26% onde antes se atingia média de apenas 20%.
Isto pode causar um pequeno aumento do desgaste das rodas e dos trilhos, mas o acréscimo na tração é muito mais vantajoso do que este desgaste.
Por outro lado, deve-se levar em consideração o fato de que as rodas do primeiro rodeiro do veículo, além de guiarem as outras, também limpam os trilhos, melhorando assim as condições de aderência das rodas posteriores do trem; favorecendo a tração de locomotivas comandadas ou de motrizes acopladas a uma composição ferroviária.
Como observação interessante, uma locomotiva ou um carro motor moderno, com motores de tração de corrente alternada, pode manter um nível de aderência de até 36%, mesmo em condições meteorológicas adversas.
3.6.2.2. Fatores que afetam a Aderência
Os níveis de aderência podem sofrer influências de muitos fatores, como por exemplo:
Rodas desbalanceadas são um item muito importante, principalmente nas altas velocidades;
Rodas excêntricas, empenadas, ou montadas fora do centro do rodeiro; Rodas de um mesmo rodeiro com diâmetros diferentes;
Condições das superfícies dos trilhos e da via permanente, junções, fixações etc.; Efeitos de transferência de peso e de massas girantes;
Ligações elétricas dos motores de tração em série, série - paralelo ou todos em paralelo, sendo esta última condição que resulta em melhor aproveitamento da aderência;
Sistemas de detecção e correção de patinação; Habilidade do maquinista.
Saliente-se que o efeito de transferência de peso, é também conhecido como efeito de cabragem. Em tração, por exemplo, quando uma locomotiva ou carro motriz de peso bem
distribuído está estacionado, todos os seus eixos estão recebendo a mesma quantidade de carga.
Todavia, quando o veículo motriz está puxando uma composição, o centro de gravidade do veículo tende a se deslocar para trás, e em conseqüência o eixo líder de cada truque tende a empinar, transferindo parte de sua carga para os outros eixos do truque.
3.6.2.3. Efeitos da Perda de Aderência
Em um veículo ferroviário, a aderência tanto poderá ser afetada durante a tração (patinação), como na frenagem (deslizamento).
Assim, na tração são passíveis de ocorrer os seguintes defeitos: Redução, ou até mesmo, perda da força de tração; Choques internos na composição;
Problemas nos motores elétricos e geradores; Desgastes anormais nas rodas e nos trilhos;
Sobre-aquecimento súbito das rodas, com conseqüências graves.
Já na frenagem pode existir deslizamento, aumentando as distâncias de parada e causando covas (ou calos) nas superfícies de rolamento das rodas e sobre-aquecimento; sendo que este último pode ser responsável pelo aparecimento de defeitos térmicos (e mecânicos) nas rodas e nos trilhos.
As covas (calos) nas rodas são causadoras de diversos problemas, tais como: Defeitos nos comutadores dos motores de tração;
Trepidações, aumentando os “movimentos parasitas” e, por conseguinte, diminuindo o nível de aderência;
Defeitos na estrutura do veículo e nos rolamentos das mangas dos eixos; Necessidade de imobilização do veículo para torneamento das rodas; Aumento da resistência ao rolamento do trem.
3.6.2.4. Níveis de Aderência adotados para Tração
Na partida adotam-se níveis de aderência de 25% a 35%, enquanto que com o trem em marcha os valores variam de 20% a 26%.
Observe-se, ainda, que os coeficientes de aderência maiores correspondem a veículos equipados com eficientes sistemas de detecção e correção de patinação. Por outro lado, veículos equipados com motores de tração a corrente alternada, podem obter níveis de aderência superiores a 45% na partida e cerca, de 36% em marcha.
3.6.3. Resistência ao Movimento