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5.2 Metoder

5.2.1 Metodeprinsipper

5.2.1.1 Separasjonsmetoder

No decorrer da revisão de literatura, tornou-se progressivamente mais saliente que, na Sociedade do Conhecimento, a aprendizagem não pode mais ser descurada. Neste sentido, a aprendizagem organizacional torna-se a via para o Desenvolvimento Organizacional.

Neste sentido, iremos discutir os resultados obtidos para cada um dos Montados relativamente à aprendizagem que cada proprietário-gestor considera haver no cumprimento das suas funções de gestão, no relacionamento que tem com outros gestores ou proprietários de Montados de Sobro da região e as possibilidades que cada um encontra para cooperar no sentido de aumentar os conhecimentos da sua organização na busca de soluções para problemas existentes na sua actividade de gestão do Montado.

Na entrevista ao proprietário-gestor do Montado 1, verificámos que o pouco relacionamento que este tem com outros gestores de Montado da região dificulta a partilha de informação e consequentemente a aprendizagem. Apesar do próprio afirmar que o seu conhecimento é “empírico, dos anos de trabalho que tenho”, declara igualmente que “ao falar com

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silvicultores, manageiros, cortadores [de cortiça], outros administradores, [vai] bebendo da informação que cada um deles tem”. Apesar desta constatação, considera que não há uma relação de confiança e de partilha nos relacionamentos donde recolhe informação. Quanto à cooperação com o ensino superior na busca de uma solução para a cobrilha, considera que esta seria uma boa via, tal como dar início à investigação e desenvolvimento no seu Montado, bem como nos Montados da região.

Com uma posição diferente surge o proprietário-gestor do Montado 2, que alega aprender sempre com os outros gestores de Montados e que a partilha de aprendizagem emerge do facto de os gestores dos Montados fazerem aquilo que gostam. Além disso, vê os problemas como oportunidades para aprender, na medida que considera que a cooperação, não só do seu Montado mas de todo o sector produtor de cortiça, com a ciência e ensino superior é uma oportunidade de desenvolvimento da sua actividade. E “mesmo que no final não valesse muito comercialmente valia para a protecção da árvore”.

O proprietário-gestor do Montado 3 vai no mesmo sentido, considerando que, caso surja um organismo ou um Município que o convide a participar numa iniciativa de cooperação para investigação e desenvolvimento, irá certamente participar, desde que sejam várias explorações a participar e a financiar a iniciativa. A resposta quanto à cooperação com a ciência e ensino superior para a investigação de melhorias à prática da sua actividade é semelhante, recaindo a principal preocupação novamente sobre os custos de financiamento.

Finalmente, o proprietário-gestor do Montado 4 constata que já existem colaborações entre proprietários de Montados em algumas associações de produtores para que haja uma actualização de informação, o que proporciona uma aprendizagem de onde todos poderão retirar benefícios. Em termos de investigação e desenvolvimento, afirma que são efectuados e custeados estudos individualmente, não tendo conhecimento de partilhas de custos entre Montados para a investigação. Todavia, está em fase de constituição um plano de estudo da cobrilha partilhado entre Montados. No mesmo sentido, afirma que o estudo para combate à cobrilha é caro e que o valor da cortiça não permite a muitos custear esses estudos.

Podemos apurar através das quatro entrevistas que existem poucos relacionamentos entre os proprietários ou gestores dos Montados da região. Embora o proprietário-gestor do Montado 2 seja quem demonstra ter maior confiança recíproca, o que contribui para a partilha de informação e conhecimento, acaba por ser o proprietário-gestor do Montado 4 quem demonstra ter maior conhecimento sobre associações entre produtores de cortiça (para actualização de informação) e constituição de uma iniciativa de cooperação para estudar a cobrilha. Daqui podemos inferir que, apesar das relações do proprietário-gestor do Montado 4

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assentarem numa rede de relações essencialmente familiar, esta permite-lhe aceder a informação relevante acerca de iniciativas entre produtores.

Relativamente aos proprietários-gestores dos Montados 1 e 3, verificamos que ambos não têm conhecimento de iniciativas de cooperação ou de associações de produtores que promovam a partilha e actualização de informação ou que busquem a resolução conjunta de problemas. Algo que é consensual entre todos é que as iniciativas de cooperação para procurar soluções para a cobrilha exige uma partilha de custos. E na mesma perspectiva, o proprietário-gestor do Montado 4 afirma que estes estudos são dispendiosos e que é difícil aos produtores terem meios para financiar investigações à cobrilha devido à existência de um monopólio na indústria da cortiça. Igualmente consensual é a constatação de uma inércia perante os problemas, que acabam por ser comuns a todos os Montados da região alentejana em análise. Ainda no que concerne à aprendizagem e partilha de informação, verificamos que os diferentes proprietários-gestores têm opiniões diferentes quanto ao número de vacas por hectare que é aconselhável ter, o que se reflecte em decisões de gestão diferentes. Enquanto que todos os entrevistados restringem o acesso do gado (seja bovino, ovino ou caprino) devido ao perigo de este destruir e/ou comer os sobreiros novos, verificamos que apenas os proprietários-gestores dos Montados 1 e 4 referem o problema que o gado pode constituir para os solos. Todavia, apenas os gestores dos Montados 1, 2 e 4 têm recursos para separarem em espaços físicos diferentes o gado e a cortiça conforme as necessidades de desmatação do Montado. Tal permite-nos reflectir sobre as diferenças entre os recursos físicos de cada proprietário-gestor. Dado que alguns têm Capital Físico para colocar o gado em zonas de pastagem, fora do Montado de Sobro, e que outros não têm capacidade para dividir a exploração de gado, nomeadamente doméstico, da exploração florestal, seria importante a partilha de informações entre os gestores de Montados da região relativamente à variabilidade do impacto que determinado tipo (e quantidade) de gado tem sobre o Montado.

Neste sentido começamos, através da aprendizagem partilhada, a caminhar no sentido da estratégia.

Como temos vindo a verificar através da revisão da literatura e dos resultados obtidos, a cooperação possibilita potenciar as capacidades adaptativas dos vários actores nela envolvidos. Cada proprietário-gestor tem um contexto de recursos e necessidades próprio, mas no mesmo contexto ambiental e no mesmo sector da cadeia de valor da cortiça. E dado o aumento da procura que alguns entrevistados relataram, as exigências à nascente do mercado da cortiça vão-se intensificar e haverá certamente mudanças mais bruscas e maior turbulência, na demanda por uma execução mais rápida do descortiçamento (produtividade), bem como de

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uma maior produção de cortiça (número de sobreiros em idade de dar cortiça). Neste sentido, começamos a entrar no Sistema de Relacionamento entre Actores no contexto do Desenvolvimento Organizacional.

Apesar de a produção de cortiça ser um processo longo e cujo rendimento é repartido em 9 anos, tem de existir uma reacção constante ao mercado que procura esta matéria-prima. Quem demonstrou estar melhor capacitado para esta situação foi o proprietário-gestor do Montado 4, pois foi o único a reportar que estuda o seu Montado de Sobro analisando a cortiça, o solo e as quantidades extraídas, recolhendo amostras ao longo de vários pontos do Montado com vista a saber zonas de maior rentabilidade, que tipo de cortiça produz mais, que necessidades os diferentes solos do Montado estão a exigir segundo as variações climatéricas, focos de doenças como a cobrilha, entre outros8. Tal permite-lhe fazer projecções quanto ao rendimento que a cortiça lhe dará este ano e no próximo, correlacionando o seu estudo do Montado com o contexto de preços (previsto) do mercado.

Esta questão vai ao encontro de Freire (1997, citado por Moreira, 2007), que considera que no limite a estratégia é agir. No actual contexto económico e financeiro do país, os apoios monetários comunitários e governamentais correm o risco de estagnar, levando na maré a capacidade produtiva e de manutenção do Montados. Este factor faz com que a estratégia intencionada de cada gestor de um Montado tenha constantemente que se adaptar ao que já referimos, tornando-se assim numa estratégia não realizada, na medida em que sofre deliberadamente uma transformação que faz emergir uma nova estratégia, que quando é relizada permite efectuar a distinção entre: estratégia intencionada; estratégia deliberada; e estratégia realizada (Figura 6) (Mintzberg e Waters, 1984, citados por Moreira, 2007).

Neste processo da estratégia, a aprendizagem organizacional tem um papel preponderante. Porém, já verificámos que há falta de iniciativas de cooperação entre produtores de cortiça, espontâneas ou institucionalmente induzidas, o que não permite uma partilha de informações e conhecimentos, capaz de fortalecer o sector produtor natural de cortiça através da aprendizagem inter-organizacional. Num plano meramente teórico, a Escola da Configuração de Mintzberg et al. (1998, citados por Moreira, 2007) está correcta quanto à sua atitude integradora e de não divisão da estratégia em escolas, considerando que todas elas estão presentes numa empresa de forma integrada.

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Esta informação foi prestada pelo proprietário-gestor do Montado 4 após o final da entrevista, razão pela qual não a colocámos enquanto resultado decorrente da entrevista.

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