4 Lovverk og behandlingsprosess
5.1 Merknader til søknad og konsekvensutredning
5.1.2 Sentrale myndigheter og interesseorganisasjoner
Para Bakhtin (2014 [1929], p.114), a linguagem está vinculada às interações verbais, por isso é importante considerar, para ele, que a linguagem não se caracteriza como “um ato puramente individual” ou uma representação do pensamento, um objeto de uma comunicação “monológica” ou um conjunto abstrato de competências linguísticas. Pensar na linguagem é entendê-la como lugar de interação; como um processo situado, vinculado a uma situação concreta e constitutiva dos mais diversos atos dos sujeitos nos diferentes contextos sociais, isto é, nas diferentes esferas de comunicação humana, conforme afirma o autor:
A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema de formas linguísticas nem pela enunciação monológica isolada, mas pelo fenômeno da interação verbal [...] A língua vive e evolui na comunicação verbal concreta [...] Não poderá jamais ser compreendida e explicada fora desse vínculo com a situação concreta (BAKHTIN, 2014 [1929], p. 127-128).
Bakhtin (2014 [1929], p. 116) explicita nessa posição que a linguagem é sempre uma atividade fundamentada na interação entre locutor e interlocutor, sujeitos “socialmente organizados” e que pertencem a um “horizonte social definido” e ideologicamente marcado. Ainda, a linguagem, segundo o autor, não se apresenta de forma neutra ou abstrata, como já mencionado, mas se efetua por meio de enunciados (orais ou escritos), também “concretos e únicos” (BAKHTIN, 2011[1979], p. 261), denominados por ele de gêneros discursivos que, por sua vez, refletem e refratam as condições sociais de cada sujeito e de cada esfera de comunicação social.
De acordo com Bakhtin (2011[1979], p. 282), os gêneros são formas de ação social que ocorrem (e se desenvolvem) continuamente nas diversas situações comunicativas ou esferas sociais. Segundo o autor, nosso discurso é organizado através desses gêneros, isto é, em termos teóricos, “mesmo desconhecendo inteiramente” a existência deles, na prática do dia-a-dia, “os empregamos de forma segura e habilidosa”. Assim, é possível dizer que nos comunicamos por meio de diversos gêneros sem perceber seu funcionamento. Bakhtin (2011 [1979], p. 283) salienta, desse modo, que essa heterogeneidade dos gêneros é determinada “pelo fato de que eles são diferentes em função da situação, da posição social e das relações pessoais de reciprocidade entre os participantes”. Além disso, por conta dessa heterogeneidade, há formas de gêneros mais familiares e outras menos familiares, porém mais elevadas.
Essa, portanto, é uma distinção pertinente discutida pelo autor que, no intuito de nos orientar sobre a “riqueza e diversidade dos gêneros discursivos” (BAKHTIN, 2011 [1979], p.262), organiza-os da seguinte forma: gêneros discursivos primários e gêneros discursivos secundários. Enquanto os gêneros primários estariam relacionados aos gêneros cotidianos, mais familiares (carta, relato do dia-a-dia, entre outros), os gêneros secundários estariam para os gêneros formais, mais complexos (romances, textos científicos, ensaios, entre outros).
Para Bakhtin (2011[1979], p. 262), no entanto, essa diferença entre os gêneros não é funcional, isto é, não está relacionada simplesmente à função que um Gênero ou outro deve assumir, separando-os em polos distantes. Mas, ao contrário, essa distinção põe em questão “o repertório de gêneros do discurso que cresce e se diferencia à medida que desenvolve e se complexifica um determinado campo”. Em outras palavras, isso quer dizer que há uma diversidade de gêneros discursivos nos diversos campos de atividade humana, nos diferentes contextos sociais.
A partir desse ponto de vista, o autor (2011[1979], p. 263 e 264) esclarece que, embora “a diferença entre gêneros primários e secundários seja extremamente grande e essencial”, eles têm uma relação mútua, imbricada, tendo em vista que, os gêneros secundários, próprios de um contexto cultural mais complexo, como por exemplo, a universidade, “incorporam e reelaboram” (p. 263) diversos gêneros primários que surgiram de situações comunicativas e imediatas do cotidiano. Desse modo, ao integrar gêneros mais complexos, os gêneros primários se transformam e “adquirem um caráter especial” (p. 263) de um contexto mais complexo e desenvolvido culturalmente.
Pode-se dizer assim que há gêneros mais cotidianos e outros mais padronizados; há gêneros em que os sujeitos podem ser mais informais e criativos, outros em que serão mais formais e ponderados. Sobre isso, Bakhtin (2011 [1979], p. 285) argumenta que não saber moldar um gênero “não se trata de pobreza vocabular nem de estilo tomado de maneira abstrata” por parte dos sujeitos, mas “se resume a uma inabilidade para dominar o repertório dos gêneros”, ou seja, há uma falta de domínio no uso dos gêneros.
O autor esclarece, ainda, que o domínio de uma língua pelo falante não equivale ao domínio das formas de conduzir os gêneros nas diferentes esferas de comunicação, uma vez que “muitas pessoas que dominam magnificamente uma língua sentem total impotência em alguns campos da comunicação porque não dominam na prática as formas de gênero de dadas esferas” (p. 284). Para Bakhtin (2011 [1979]; 2014 [1929]), o domínio de um gênero ultrapassa o domínio de formas linguísticas; a construção de um enunciado, nesse sentido, leva em conta o papel interativo e dialógico entre os sujeitos.
Bakhtin (2011 [1979], p. 302) afirma que, na construção de determinado gênero, é necessário observar se o interlocutor “está a par da situação”; se “dispõe de conhecimento especiais de um dado campo cultural de comunicação”, levando
em consideração “suas concepções e convicções [...] suas simpatias e antipatias”. Tudo isso, portanto, é o que irá determinar a compreensão dos sujeitos a respeito dos gêneros. A partir dessa posição de Bakhtin (2011 [1979]), é possível afirmar que pensar sobre a apropriação dos gêneros acadêmicos é não desconsiderar os posicionamentos que os alunos constituem mediante as práticas de letramento acadêmico, uma vez que esses posicionamentos permitem a compreensão do processo de escrita deles.
Partindo do entendimento de que esses posicionamentos revelam uma imagem - Ethos - dos alunos, a qual se constitui pelos modos de dizer e, também, pela forma de atuação no contexto acadêmico, esta pesquisa centra-se na interpretação da análise da imagem que esses alunos revelam de si, nos posicionamentos que apresentam acerca da escrita acadêmica e, mais especificamente, dos gêneros que produzem, tendo em vista compreender o Ethos que se constrói nesse processo de apropriação do letramento acadêmico.
É importante salientar que o Ethos está intrinsecamente ligado à prática de letramento dos sujeitos, aos modos de dizer e se posicionar em determinado contexto social. O Ethos, portanto, é uma construção discursiva, um comportamento avaliado socialmente, que não pode ser entendido fora de uma situação de comunicação (BAKHTIN, 2014 [1929]), mas inserido nela. Assim, na seção seguinte será discutida não apenas como surgiu a noção de Ethos, mas também como esta se vincula aos modos de dizer e agir dos sujeitos, constituindo-se como parte deles, de suas práticas discursivas.