Após a comunicação das especificidades descritas a mediação segue seu curso regular. Os encontros são pré-agendados mensalmente para cada família acontecem uma vez por semana e duram em torno de duas horas, podem ser até seis encontros (pode este número ser mais ou menos a depender de cada caso) e quando resultam em acordo ou termo de entendimento são feitos mais um ou dois encontros de acompanhamentos.
São desenvolvidas nos encontros as etapas da mediação: Etapa I – Organização do Processo. Etapa II – Relato dos Mediados; Etapa III: Construção da Agenda; Etapa IV- Fechamento do Processo21.
Para a organização do processo de mediação, os mediadores previamente leem o Procedimento Administrativo encaminhado e retornam aos Promotores de Justiça se é caso de mediação, quem serão os mediados convidados e qual será a data do encontro. Organizam uma agenda eletrônica com atualização semanal dos casos para serem atendidos, em média são três ou quatro famílias por mês, cada família sendo atendida uma vez por semana e os encontros sendo agendados mensalmente22
No primeiro encontro chamado de pré- mediação os mediadores de campo realizam a fala de abertura na qual são explicados o risco que o idoso se encontra, que foram convidados para trabalharem a comunicação familiar e os cuidados ao idoso, como serão os encontros e os princípios da
21 Conforme material Instituto Familiae: Mediação Abordagem Transformativa Reflexiva. Curso de
Mediação Abordagem Transformativa Reflexiva p. 14-36.
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O Projeto de Mediação foi construído e permanece em constante construção conforme o contexto local, as famílias atendidas são numerosas, muitas vezes em um encontro estão presentes de 6 a 8 mediados. Quando os mediados comparecem aos encontros de mediação a presença é justificada por atestados fornecidos pelo Ministério Público, foi solicitado pelos mediados que os encontros fossem agendados uma vez por mês, em face da justificação da falta ao trabalho no horário do atendimento. Foi positivo também este espaço entre os encontros para que as famílias tenham um tempo para se organizarem em combinados e cuidados que constroem durante os encontros.
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mediação e princípios éticos do mediador. Conversam como será a organização das falas e ao final do encontro (ou no próximo encontro) faz-se a leitura ou explicação do termo de adesão.
O Termo de Adesão é um documento elaborado pelos mediadores que é lido e assinado pelos mediados neste termo consta o que é a mediação, os principais princípios, e as exceções com relação do princípio da confidencialidade.
As principais ferramentas trabalhadas pelos mediadores nos atendimentos são o: rapport, a escuta ativa e as perguntas. O rapport se traduz em acolhimento, bem receber e no não julgamento. A escuta ativa é a escuta atenta e cuidadosa dos mediadores que possibilita empatia e confiança por parte dos mediados e o desenvolvimento das perguntas.
Nesse sentido ALMEIDA T. (2014 p. 66) esclarece:
A Escuta ativa apoia-se no tripé legitimação, balanceamento e perguntas e tem por objetivos: (i) oferecer uma qualidade de interlocução cujo acolhimento possibilite que as pessoas se sintam legitimadas em seus aportes e participação; (ii) conferir equilíbrio entre dar voz e vez aos integrantes da conversa e viabilizar uma escuta que inclua o ponto de vista do outro; (iii) oferecer perguntas que gerem informação, propiciem progresso e movimento ao processo de Mediação.
Com relação aos tipos de perguntas feitas pelo mediador PARKINSON (2016, p. 200) esclarece:
Aberta: convida a uma resposta genérica ou espontânea: então o que vocês esperam da mediação?
Fechada: limita a informação que pode ser dada na resposta. Mantém o controle do processo
Indireta: Pode ser respondida por qualquer uma das partes: vocês têm algum tipo de acordo em andamento?
Direta: Dirigida a uma das partes de cada vez.
Orientada para o passado: recolhe informações sobre o passado se necessário
Orientada para o presente: esclarece as medidas que estão em curso
Orientadas para o futuro: foca a atenção no futuro: como é que vocês gostariam que isto funcionasse no ano que vem?
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8. 1 . Relatos das histórias ou fase das narrativas
Nos primeiros encontros os familiares estão muito envoltos no conflito e possuem dificuldades tanto em se reunirem, quanto em contarem suas histórias. Durante o caminhar da mediação são trabalhadas escuta ativa para a ampliação das narrativas
Os mediadores são os organizadores do processo na distribuição da fala, do tempo, da solicitação da fala respeitosa, do agendamento dos próximos encontros.
As famílias são numerosas, mas em geral, o conflito se relaciona a dois mediados: entre dois irmãos, ou entre pais e um dos filhos, entre um pai e um (a) filho, entre a mãe e um (a) filho (a) e repercutem em toda a família.
São trabalhados pelos mediadores a possibilidade de encontros separados, chamados cáucus23, com as partes em conflito e depois
encontros conjuntos com os demais familiares, que podem acontecer a qualquer momento tanto por solicitação dos mediados, como os mediadores podem consultar se possuem interesse conforme a necessidade que aconteçam.
Como são vários os presentes os mediadores equilibram tempo de escuta e perguntas que possam contemplar a todos, e que todos se sintam inseridos e participantes deste processo. Quando acontece a necessidade de um encontro privado a mesma oferta é feita a todos, com distribuição de tempo, pode acontecer em um mesmo dia que vários mediados sejam escutados em separado, ou que em dois atendimentos seja ofertada essa possibilidade. Faz-se necessário em alguns casos alguma flexibilização do número de encontros em situações excepcionais, levando em consideração que a mediação tem um tempo e limites para acontecer.
23“Caucus: são os encontros privados dos mediadores com cada mediando, individualmente. Esses
encontros podem acontecer após a decisão de todos os envolvidos em participar da mediação e a qualquer tempo, no curso da mediação. A decisão sobre a utilização ou não dessa ferramenta de trabalho caberá aos mediandos ou quando for solicitada por, pelo menos, um mediado” (GROSMAN e MALDELBAUN, p. 319).
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Nos encontros os mediadores por meio de perguntas, procuram trabalhar os princípios do empoderamento e da autodeterminação de todos os mediados. Entende-se por empoderamento o protagonismo e fortalecimento dos mediados para encontrarem soluções para os impasses que vivenciam e autodeterminação o a possibilidade deles próprios chegarem a construções de alternativas possíveis.
Na fase das narrativas os mediadores escutam atentamente as diversas histórias que cada mediado traz, a partir de uma escuta ativa, do não julgamento, do cuidado com sua imparcialidade e postura não verbal e da utilização de ferramentas como exemplos: perguntas, validação, recontextualização, resumo e visitar o lugar do outro.
Segundo Almeida T. (2014):
As perguntas (p.75) “ são a intervenção mais significativa em
mecanismos autocompositivos, uma vez que tem a intenção de gerar reflexão, informação e ideias-alicerces desta natureza de processo”;
A validação (p. 69) “ tem por objetivo legitimar no sentido de
justificar positivamente “;
Recontextualizar (p.281) é: “redefinir, definir novamente“, “é
encontrar motivação legítima ou intenção positiva no que foi dito ou feito”;
Resumo (p.284): “destina-se a condensar um certo volume de
fala e dela selecionar o que a subjetividade do mediador considera significativo/relevante para o caso em um determinado momento”.
Visitar o lugar do outro (p. 279): “ imaginar-se em situação ou
posição semelhante no presente, ou no futuro; promover a reflexão. ”
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Na fase de construção da agenda ou busca de opções de soluções: esta etapa, quando possível, acontece quando os mediados conseguem refletir no que podem fazer para melhorar a situação que o idoso se encontra e para melhorarem a comunicação familiar. São utilizadas pelos mediadores as técnicas da negociação de Harvard baseada em princípios tendo como pontos fundamentais (FISHER, 2006 p. 28):
separar as pessoas do problema: para os mediados reflitam qual é problema comum que possuem .
focar nos interesses e não nas posições: posições são as falas que os mediados trazem, os mediadores trabalham com perguntas sobre quais são os reais interesses que possuem, o que está oculto em suas falas.
gerar opções, buscar pontos comuns – a mediação não caminha nos impasses, somente consegue avançar nos pontos que são positivos e comuns.
utilização de critérios que sejam objetivos nas soluções encontradas pelos mediados que necessitam ser possíveis de acontecerem na prática, os mediadores atuam como agentes de realidade, por exemplo na contratação de um cuidador, as perguntas são de como será esta contratação ( horário, pagamento, divisão das despesas, etc).
8.3. Encerramento do Processo
Quando acontecem todos os encontros e/ ou quando é possível o desenvolvimento de todas as fases a mediação se encerra com a etapa final que é o fechamento do processo.
Quando a comunicação familiar é restabelecida e são possíveis combinados, estes são redigidos em um acordo ou termo de entendimento representado em um documento com um breve relato que é lido para os mediados.
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Após pode ser agendado um encontro conjunto com o Promotor de Justiça responsável pelo Procedimento Administrativo para ciência dos combinados e validação das decisões, que confere novamente as proposições, com a possibilidade da homologação e constituição de um título executivo extrajudicial em que uma das partes pode exigir da outra o cumprimento da obrigação assumida.