• No results found

Kapittel 4 Analyse i henhold til tradisjonelle dypstrukturer

4.2. Sensualitet versus seksualitet

Fig. 65 - Nemausus, Jean Nouvel, Nimes (França).

Como este projecto se destinava a um conjunto de pessoas com diferentes necessidades, o arquitecto decidiu focar-se, em cada apartamento, na localização dos serviços (instalações sanitárias e cozinha) e nos acessos verticais, deixando o resto da área livre. Existe uma grande variedade de apartamentos: 17 modelos para 114 apartamentos. Estes variam entre uma divisão até cinco divisões principais, bem como de tipologias simples a dúplex e triplex, com áreas desde os 52m2 até os 170m2. As tipologias dúplex e triplex acrescentam um

elemento ao espaço doméstico interior - a escada - que, em alguns casos, Nouvel agrega aos serviços. O acesso aos diferentes apartamentos é feito através de escadas exteriores e pontes pedestres metálicas.

Nos esquemas do projecto (fig. 66) é possível visualizar as várias maneiras como o arquitecto dispõe o bloco de serviços (composto por instalações sanitárias e cozinha) nas diferentes tipologias. Num dos apartamentos (fig.66 a) o arquitecto posiciona o bloco de serviços encostado a um dos limites deste, distribuindo-o longitudinalmente. Deste modo, agrupa todos os serviços num corredor de 80 cm (medida mínima para colocar loiça sanitária), libertando o espaço restante para os ocupantes o usufruírem da maneira que desejarem. Em outro apartamento (fig.66 b) Nouvel coloca a cozinha encostada às instalações sanitárias, partilhando a parede das tubagens, economizando o processo de construção do apartamento. Este bloco de serviços situa-se num dos cantos da divisão mais espaçosa, deslocado da parede, formando um corredor de acesso às instalações sanitárias. Deste modo, ficam resolvidos problemas como odores indesejáveis ou falta de privacidade, pois o acesso ao bloco de serviços não está directamente ligado às divisões principais.

a) b)

Devido à existência de dúplex e triplex, é necessária a colocação de acessos verticais. Jean Nouvel resolve a disposição dos serviços e das escadas do seguinte modo (fig.67 a): agrupa estes elementos e posiciona-os no centro do apartamento, repartindo a habitação em duas grandes áreas e deixando dois corredores de acesso nas extremidades. Faz com que o conjunto de escadas com o bloco de serviços funcione como um elemento divisório de dois compartimentos. Outro dúplex (fig.67 b) é resolvido de maneira diferente. Em vez de juntar o bloco de serviços com a escada, separa-os, colocando os serviços numa extremidade do apartamento e as escadas na outra, distribuídos longitudinalmente. Assim, o espaço central da habitação fica desimpedido e apto a ser utilizado de variadas formas.

a) b)

Fig. 67 - Nemausus, diferentes plantas. a) Apartamento duplex 1. b) Apartamento duplex 2.

É notória a intenção do arquitecto em facultar o máximo espaço vazio possível para os ocupantes habitarem. As diferentes estratégias utilizadas na organização e composição da cozinha, instalações sanitárias e comunicações verticais, nomeadamente agrupando-as em blocos localizados no centro ou periferia dos fogos, possibilitaram a sua intenção de proporcionar maior área útil na habitação, criando plantas vazias e livres (fig. 68).

Wall-less House, Shigeru Ban, Nagano (Japão).

O projecto Wall-less House, de Shigeru Ban, em Nagano (Japão, 1997) (fig. 69), é a oitava casa de uma série de “Case Study Houses” concebidas pelo arquitecto (que lidam com o tema da transparência e liberdade espacial), com claras influências da arquitectura de Mies van der Rohe e habitação tradicional japonesa. O objectivo de Shigeru Ban foi conseguir libertar o mais possível a habitação de divisórias rígidas, conseguindo criar uma planta livre, com grande amplitude espacial e descompartimentada.

Fig. 69 - Wall-less House, Shigeru Ban, Nagano (Japão).

A habitação está construída na encosta íngreme de uma floresta e metade da casa está embutida no solo. Na parte que seria a fachada cega do edifício a laje (uma placa de betão com 60m²) enrola-se de encontro ao tecto, absorvendo de forma natural a carga imposta pela terra. A cobertura de aço leve é plana e está apoiada na laje que se enrola, estando portanto praticamente em consola, o que liberta as três colunas na parte da frente de quaisquer cargas horizontais. Como resultado de apenas suportarem cargas verticais, estas colunas puderam ser reduzidas a um mínimo de 55mm de diâmetro.

De modo a expressar o mais possível o conceito estrutural, todas as paredes e caixilharias foram removidas deixando-se apenas painéis deslizantes (fig. 70). Deste modo, a única parede fixa existente na habitação é na realidade uma extensão da laje. Cria-se um open-space definido apenas por dois layers – chão e cobertura.

A cozinha e as instalações sanitárias não estão compartimentadas, mas podem facilmente ser divididas do resto da habitação através das paredes deslizantes interiores em madeira. As paredes exteriores são constituídas por painéis deslizantes em vidro. O material utilizado no pavimento é todo igual, menos nas instalações sanitárias. O sistema de sombreamento é feito através de telas, que se podem recolher, apoiadas em caixilhos horizontais que estão no prolongamento da cobertura. Todo este sistema construtivo e estrutural permitiu criar uma superfície aberta, onde a neutralidade espacial foi levada ao extremo.

Forward Residence, REX, Nova Iorque (EUA).

Forward Residence, do ateliê REX, em Nova Iorque (EUA, 2008), é um projecto para uma penthouse com 260 m², num edifício icónico da baixa de Manhattan (fig. 71). A ideia do

projecto partiu do pedido do cliente, que necessitava que criassem uma habitação adaptável ao seu indeterminado estilo de vida – estudante, homem de negócios, homem de família -, por um período mínimo de dez anos. Pediu igualmente que fosse evitada a multiplicação de divisões com um único uso, facto que sobrecarregava a sua antiga casa. Ao mesmo tempo, necessitava de espaço para colocar a sua extensa colecção de livros e de garrafas de vinhos, e uma colecção de arte em expansão. Queria ainda um retorno significativo do seu investimento.

Fig. 71 - Forward Residence, REX, Nova Iorque (EUA). Foto do edifício onde se iria intervir e maquete do apartamento.

A solução encontrada pelos arquitectos, para conseguir responder a todos estes requisitos, foi inserir um único elemento no apartamento, dividindo-o em espaços com características distintas, mas sem que os seus usos fossem fixos. Este elemento contém os espaços essenciais para o dia-a-dia, tais como a cozinha e as instalações sanitárias, facilmente acessíveis a partir de todos os pontos do apartamento, permitindo que o proprietário reconfigure os quatro espaços circundantes sempre que queira (fig. 72). Assim, consoante as suas necessidades se modificam também as funções dos espaços podem mudar (por exemplo, um quarto pode tornar-se num escritório, e, por sua vez, tornar-se numa sala de estar), sem que seja necessário fazer alguma alteração no elemento central.