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Vedlegg 4: Bildeanalyse

Tendo em consideração que a análise dos modos de vida se centra “no conjunto de

actividades domésticas e muito particularmente nas formas de organização interdependente

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Isabel Guerra, “Transformações do modo de vida e as suas implicações no habitat” em “ A futura habitação apoiada”, Edições: LNEC, Lisboa, 2000.

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entre o trabalho, a família, a utilização do tempo, os modos de consumo, etc.” 45, as alterações dos modos de vida mais frequentemente citadas são várias e pode-se, de forma sistemática e resumida, dividi-las em três: transformação na família e grupos de convivência, transformações da sociedade, trabalho e consumo e transformações da vida na habitação. Ao nível da família, as alterações mais marcantes e que mais influenciam a alteração do desenho da habitação, prendem-se com a diminuição do número de filhos e, consequente, diminuição das famílias tradicionais e também com a alteração do ciclo de vida com o aumento da esperança de vida 46.

No entanto, apesar da família tradicional continuar a ser o modelo dominante, existe um número crescente de outro tipo de famílias, tais como os casais com filhos de vários casamentos, pessoas sós, solteiras ou divorciadas, casais sem filhos, pessoas idosas, em casal ou sós, etc.

Também os comportamentos de cada elemento dos vários agregados familiares, se vai alterando, com uma distinção de tarefas do casal cada vez menos rígida, maior autonomia exigida por todos, maior permissividade atribuída às crianças, etc. Assim, não estando a família a dissolver-se, ela está, no entanto, a transformar-se, face a esta individualização das formas de viver de cada elemento da família.

Esta nova forma de estar em casa, acrescida das novas formas que irão com certeza existir, exige que se revejam conceitos que estão por base da concepção da habitação, que paradoxalmente à diminuição da dimensão da família, são crescentes as aspirações de maiores superfícies, para satisfazer as necessidades de individualização e intimidade de cada membro da família.

A sociedade encontra-se em evolução constante e são notórias várias alterações que, em conjunto, estabelecem novas regras para os programas residenciais. A saída dos jovens das casas paternas cada vez mais demorada, face às dificuldades de autonomia, uma notória diminuição dos matrimónios e um aumento da longevidade, são algumas dessas alterações mais significativas.

Existem também novos hábitos e valores na sociedade em geral, tais como a melhoria da higiene corporal, a preocupações ecológicas, alteração dos hábitos de compra (consumismo exacerbado), crescimento das actividades de ócio, etc.

As alterações dos modos de vida que se adivinham, procuram respostas arquitectónicas adequadas, e confrontam-se com a actual heterogeneidade das realidades espaciais, culturais

45 Roger Diener, “Quaderns 213 – Fórum Internacional – debates centrais”, Barcelona, 1996, p.80 (nossa

tradução).

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e sociais, na medida em que a produção da habitação tem que abrigar um grande número de pessoas, todas elas com situações sociais e culturais diversas.

Nesta constante oposição e complementaridade, encontra-se uma mistura difusa entre o quotidiano e o extraordinário, previsível e surpreendente, tendendo-se cada vez mais para articular comportamentos e experiências, em que as novas tecnologias, informáticas, e meios de comunicação em geral, assumem já um papel relevante na vida laboral e doméstica. Destes novos modos de vida, afectados por múltiplos agentes exteriores e de entre as manifestações mais destacáveis, sublinham-se:

- A transformação da unidade familiar, com um predomínio de casais sem filhos ou com poucos filhos e o individualismo como novo significado de vida;

- A maior importância do papel dos jovens e das crianças;

- A possibilidade da alteração da ideia clássica de ‘convivência’ (comunhão de comportamentos) pela ‘coabitação’ (contrato ou relação meramente espacial). Esta alteração apesar de gradual, irá favorecer a independência tanto de acções como de diversos comportamentos, o que conduz inevitavelmente ao ‘individualismo’.

“O individualismo está mais consciente das suas situações particulares, das

suas diferenças, da sua condição de ser único ” 47.

O século XX assistiu à afirmação da família nuclear sobre o anterior modelo de família alargada, extensa e produtiva. Nas sociedades industriais os espaços residenciais foram adaptando-se a essa família mais restrita, consolidando-se a diferenciação entre o espaço de trabalho e o espaço de residência. Implementou-se igualmente a compartimentação (individualização) dos espaços de uso comum, devido a uma exigência cada vez maior de privacidade. Também a especialização dos papeis dos membros da família se fez sentir no espaço doméstico que ganhou conotação feminina, por oposição ao espaço fabril predominantemente masculino.

Os modelos de habitação vulgarizados ao longo do século XX foram previstos para a família nuclear que, entretanto, assiste hoje a uma fragmentação cada vez maior da sua estrutura. Assiste-se à inexistência de uma família padrão, contribuindo para uma diminuição na configuração familiar.

A crescente preocupação e sensibilização de novas exigências, às quais se poderiam chamar de colectivos marginais, constituídos por focos de pobreza, sem abrigo, etc. A par com esta

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Enrique Norten, “Quaderns 213 – Fórum Internacional – debates centrais”, Barcelona, 1996, p.132 (tradução própria).

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realidade, assume-se uma nova consciência de tipo de vida progressivamente disseminada pela metrópole: o espaço privado começa agora a ser substituído por espaços de serviço, como por exemplo, os bares, restaurantes, clubes desportivos, criando-se assim uma nova cidade convertida, com significação simbólica, numa grande casa dispersa, para um utilizador nómada: a “cidade-casa” e o nómada urbano 48.

A questão de uma nova complexidade ambiental interior, com novas premissas projectuais. A progressiva entrada da mulher no mercado de trabalho, com a consequente necessidade de redução de tarefas domésticas que favorece sem dúvida uma nova concepção dos espaços servidores.

A cozinha e a instalação sanitária tendem a converter-se em áreas com um forte aspecto lúdico, com um progressivo aumento da componente tecnológica.

O mercado de trabalho em constante flutuação e a sensação a ela associada de instabilidade laboral, com a consequente dificuldade de planear economicamente e a longo prazo. Manifesta-se assim, a alteração dos paradigmas que favoreciam uma progressiva aceitação da mobilidade residencial, uma necessária reversibilidade das decisões, um incremento do trabalho em casa.

Em resumo, a tendência parece levar a criarem-se novas habitações planeadas a partir da diversidade e da individualidade, mais que a partir da homogeneidade e da colectividade.

Em sociologia uma sociedade (do latim: societas, que significa “associação amistosa com outros”) é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade.

Tanto a sociedade como a cultura estão a sofrer aceleradas alterações, consequência de múltiplas circunstâncias, entre elas a televisão por cabo, vídeo, dvd, internet, que conduz inevitavelmente à globalização.

“ Enquanto uma rede electrónica global liga agora lugares e culturas numa

fusão contínua de tempo e espaço, gozando uma certa homogeneização universal de critérios e ideias, ao mesmo tempo a tendência oposta manifesta-se no surgimento de clamores próprios de expressões individuais” 49.

48 Roger Diener, “Quaderns 213 – Fórum Internacional – debates centrais”, Barcelona, 1996, p.148

(tradução própria).

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Enrique Norten, “Quaderns 213 – Fórum Internacional – debates centrais”, Barcelona, 1996, p.132 (tradução própria).

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Num universo em que as vias rodoviárias começam a ser substituídas pelas auto-estradas da informação, sendo hoje muitos dos contactos humanos efectuados por telefone, fax, computador e não pessoalmente, é inevitável uma quebra na noção de espaço e de tempo, uma ruptura da antiga forma de comunicar, que vai alterando a própria dimensão relacional humana.

Com o crescimento acelerado dos sistemas e das relações entre pessoas, organizações e territórios, a grande dimensão submergiu à pequena dimensão na maior parte das estruturas que constituem a sociedade.

Assistimos hoje, no entanto, a um fenómeno curioso e fundamental. O retomar da importância da micro dimensão como contraponto da explosão da híper dimensão, reflectido ao nível do papel acrescido do individuo, da tradição, dos nichos de diversidade e dos referenciais de identidade 50.

As alterações estruturais da sociedade contemporânea, levarão a uma transformação inevitável da Arquitectura na habitação, que acabará por surgir como uma disciplina renovada, nomeadamente nos seus princípios básicos do processo de produção e concepção da habitação.

A produção da habitação pode acompanhar estas alterações, por um lado, com a procura de novas alternativas, passíveis de alteração, para ‘abrigar’ melhor o novo habitante, que, face à globalização adquire força individual e tende a fazer distinguir-se como um ser único, incomparável e com necessidades de aspirações que vão muito além das previsíveis, e por outro, estimular a participação do habitante no processo de produção e concepção da habitação 51.

Num cenário de evolução natural e observando as tendências atuais, as sociedades do futuro caminharão no sentido da conquista de uma maior liberdade individual associando a um leque de escolhas. A condição necessária para que esta evolução se verifique reside na maior consciência das responsabilidades perante a sociedade e o respeito pela diferença.

A cultura do “faça você mesmo” suportada pela oferta de programas informáticos e sistemas normalizados e modulados do tipo “kit” oferecerão amplas possibilidades de personalização tanto na elaboração de juízos, decisões e opções, como na construção de cenários físicos. O espaço/tempo contemporâneo é, sem duvida o resultado do cruzamento de duas forças de tendência inversa.

50 Carlos Zorrinho, “Ordem, Caos e Utopia: Contributos para a História do Século XXI”, Lisboa, 2001,

p.42.

51 Faz-se uma chamada de atenção para as cooperativas e habitação, que podem fugir à regra geral,

uma vez, que muitas delas produzem os projectos para clientes que já existem à partida, e geralmente incluem a sua opinião na concepção e construção das habitações.

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A primeira força de expansão, que espelha o movimento global e de ligação de todos os lugares e de todas as culturas. A segunda uma força de contracção, que tende a desenvolver as culturas locais, devolvendo expressões de pertencer a um lugar.

É necessário pois uma nova Arquitectura — se assim podemos chamar —, que se ligue simultaneamente com a continuidade transcultural e com as situações únicas e de continuidade especificas: uma nova Arquitectura que deverá conjugar a continuidade global e a expressão poética dos indivíduos e dos lugares.

“Hoje, quase todos os cidadão estão, de algum modo, obrigados a viver

uma vida dispersa. Os acontecimentos que até agora pareciam no interior da habitação estão dispersos por toda a cidade. Os cafés e as lavandarias são típicos exemplos. Os fast-food, as pizzerias e as saunas amputam a habitação não só da sala, mas também da cozinha e dos banhos. Ao fim e ao cabo, no futuro, uma cama, uma instalação de vídeo conferência e um triturador de resíduos, serão capazes de mobilar uma habitação. A absorção actual do espaço residencial privado pelo espaço urbano, permite-nos pensar uma imagem como esta: o espaço privado também em vias de fragmentação ” 52.

Interessa salientar na citação de Toyo Ito, a constante mudança de funções da casa para a cidade, sendo a sensação que permanece e que marca, a do Homem estar a tornar-se num ‘nómada urbano’, deixando que a cidade vá adquirindo aos pouco, os usos e valores de intimidade, prazer e lazer, que anteriormente eram partilhados em casa. Deste modo como é imprevisível saber quais os usos futuros a atribuir às habitações, cresce a necessidade de criar espaços flexíveis, adaptáveis a qualquer tipo de vivência ou necessidade dos utentes para um bom desempenho da habitação.

Talvez seja interessante abordar o tema de criar espaços flexíveis, adaptáveis noutros mundos....na sociedade oriental como na sociedade ocidental...

52 Toyo Ito, “Quaderns 213 – Fórum Internacional – debates centrais”, Barcelona, 1996, p.150 (tradução

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Comecemos pelo Oriente com o arquitecto Steven Holl que projectou as Casas de Fukuoka, no Japão, onde se verificam diversas soluções de conversão espacial do espaço. O projecto de Steven Holl consiste em 28 apartamentos que, resumidamente se conformam a partir de uma sequência de pátios, de espaços vazios separam e articulam as diferentes habitações. Os apartamentos entrelaçam-se como uma complexa casa chinesa, todos diferentes, suportados por paredes de carga em betão. Este bloco tem por objectivo a experimentação de prevalecer o espaço á própria construção, integrando-o na cidade e na própria comunidade, onde os seus habitantes inclusivamente mostram, numa festa, as suas próprias configurações do interior dos seus apartamentos. Diga-se que será uma modelação tipológica individualista. O conceito para o seu interior parte de uma interpretação contemporânea do “Fusuma tradicional

japonês”. Este sistema é constituído por painéis verticais opacos que se deslocam para definir

o espaço interior de uma divisão. São translúcidos e têm apenas dois ou três centímetros de espessura.

Estas casas, com portas, painéis e armários pivotantes e deslizantes, permitem variar ao longo do dia consoante as necessidades espaciais dos seus habitantes, sendo possível adicionar espaço, por exemplo, a área de estar durante o dia, adicionando-lhe as áreas dos quartos.