4.4.5.1 Comportamento das exportações dos Vinhos Portugueses desde 2000
Primeira década do séc. XXI
Muitos progressos tem sido conseguidos na última década, desde que foram apresentados pela Monitor Group, os planos para o aumento da competitividade do Cluster dos vinhos portugueses e das respectivas exportações. Ainda assim, longe do objetivo de alcançar em 2010, 1 Bilião de euros nas exportações de vinhos portugueses.
Figura 44 ‐ Evolução das Expedições / Exportações de produtos vínicos Fonte: Instituto do Vinho e da Vinha
A evolução da primeira década do século XXI encontra‐se na Figura 44, onde podemos verificar que o pico de exportações em valor foi em 2007, com um preço médio de €1,78/l e o pico das exportações em volume foi em 2004, com um preço médio de €1,70/l. Uma segunda leitura que podemos fazer da figura, é que entre o período de 2000 e 2009, os Vinhos DOP têm vindo a aumentar em volume e em valor ainda que com algumas oscilações menos positivas. O mesmo se passa na forma inversa em relação aos vinhos licorosos DOP. Exportações em 2010 e 2011
Ao fecho das exportações do ano de 2011, o IVV revela que os vinhos portugueses totalizaram 657 Milhões de euros, o que representa 1,6% das exportações nacionais e 66% dos produtos “bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres” (IVV - Instituto da Vinha e do Vinho, 2012, p. 1).
Figura 45 ‐ Principais Países destino (sem Porto e Madeira) Fonte: (IVV - Instituto da Vinha e do Vinho, 2012, p. 2)
O mesmo relatório, refere ainda:
‐ Vinhos tranquilos crescem (+10% em valor + 22% em volume), enquanto os vinhos licorosos sofrem uma quebra (‐3,3% em valor e ‐3,4% em volume);
‐ Valor das exportações dos vinhos tranquilos representou 51% do total das exportações o que se revela um marco histórico, sendo a primeira vez que ultrapassam o valor dos vinhos licorosos;
‐ De acordo com a Figura 45, os principais mercados a crescer em volume são: China (123%) França (32,2%), Angola (27,9%), Alemanha (16,4%), Brasil (14,1%), UK (4,7%) e EUA (2,1%)
‐ Os maiores em termos de crescimento em valor são: China (91,7%), Angola (30,6%), Brasil (18,7%), França (6,8%), Alemanha (5,5%)
‐ Numa tendência inversa, o decréscimo em valor verifica‐se nos seguintes países: USA (4,1%), UK (2,6%).
‐ Destaque ainda para o Canadá que é o 9º em volume e 7º em valor, revelando o 2ª melhor preço médio por litro (€3,12), atrás da Finlândia (€3,71) que acaba por ter pouca expressão em termos de volume e valor absoluto.
Reconhecimento Internacional dos Vinhos Portugueses
Se as exportações entre 2003 e 2011 tiveram um crescimento de 19% em valor, estando ainda muito aquém do 1 Bilião de euros definido como meta para o sector (Monitor Group, 2003), na verdade torna‐se redutor fazer uma análise sobre a qualidade dos vinhos por este prisma.
Se em 2002 no International Wine Challenge, Portugal arrecadou 22 medalhas de ouro (vinhos licorosos – Vinho do Porto) + 6 para os restantes tipos de vinho (Monitor Group, 2003), em 2011, foram registados os seguintes prémios (Figura 46) para os Vinhos Portugueses.
Figura 46 ‐ Vinhos Portugueses premiados em 2011
Fonte: (Wines of Portugal, 2012) (IVV - Instituto do Vinho e da Vinha, 2012)
Com quem competimos?
Os vinhos Portugueses enquadram‐se no Top 10 dos exportadores mundiais de vinho. O nosso ténue crescimento contrasta com alguns verdadeiros casos de sucesso. Na Figura 47, podemos verificar que em 2000, existam dois países (África do Sul e Argentina) que se encontravam com volumes de exportação mais baixos que os nossos. Em 2011, já fomos ultrapassados pelos mesmos países e ocupamos atualmente o número 10 do ranking.
Excelente performance de Espanha que quase triplica o seu volume e forte crescimento nos últimos 6 anos por parte da Itália, a darem uma forte resposta enquanto produtos do “Velho Mundo”, aos concorrentes emergentes do “Novo Mundo”.
Figura 47 ‐ Os 10 Principais exportadores de vinho (Milhares de hectolitros) Fonte: (IVV - Instituto do Vinho e da Vinha, 2012, p. 12)
4.5 O sector dos Vinhos Portugueses 4.5.1 Breve história dos Vinhos Portugueses A origem dos vinhos em Portugal remonta a cerca de 2000 a.C. altura em que os mesmos eram utilizados como moeda de troca. Com a romanização da Península a produção do vinho em Portugal foi consolidada, assim como em outros países da Europa para satisfazer o consumo exigido pelo Império de Roma. A expansão do cristianismo nos séculos VI e VII contribui também para alargar os horizontes do vinho. Com a chegada dos povos bárbaros, o vinho foi adoptado como uma bebida “civilizada” e portanto o seu valor na sociedade foi preservado.
Com chegada dos árabes nos séculos VIII e XII, em que a sua cultura proibia terminantemente o consumo de bebidas fermentadas, a cultura da vinha e a produção de vinho manteve‐se, graças ao espírito benevolente e protetor com que os árabes encaram os agricultores.
Portugal é fundado em 1143 e a conquista da totalidade do território português aos mouros, em 1249, o que permitiu o ressurgimento do cristianismo e o vinho vê de novo o seu papel reforçado através da cerimónias religiosas e vai começando a fazer parte da dieta do homem medieval.
Na época dos descobrimentos, já referenciado no início deste documento, em que Portugal se torna o berço da Globalização, marcam um momento de evolução decisiva na história do vinho (Wines of Portugal):
“Transportado nas caravelas essencialmente como lastro, os vinhos licorosos vão envelhecendo dentro das barricas espalhadas pelos porões das galés, onde o tempo, o calor e o balanço do mar fazem um pequeno milagre, oferecendo no regresso, um vinho de qualidade ímpar, considerado precioso e vendido a peso de ouro. Chamavam‐lhe vinho de “Roda” ou “Torna Viagem” e é com ele que os portugueses começam a conhecer e trabalhar o envelhecimento do vinho. Em meados do século XVI, Lisboa era o maior centro de consumo e distribuição de vinho do império, e o vinho português chegava aos quatro cantos do mundo. No século XVII um conjunto de obras de cariz geográfico e relatos de viagem permite‐nos entender o percurso histórico das zonas vitivinícolas portuguesas, o prestígio dos seus vinhos e a importância do consumo e do volume de exportações”
Já no séc. XVII, em 1754, é criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (Wines Of Portugal, 2011, p. 4), que tem como objectivo, disciplinar a produção e o comércio dos vinhos da região e estabelecer a demarcação da região, o que vem de facto a acontecer.
No início do século XX inicia‐se o processo de ordenamento e regulamentação das denominações de origem portuguesa. Madeira, Moscatel de Setúbal, Carcavelos, Dão, Colares e Vinho Verde vão assim juntar‐se ao Vinho do Porto e aos vinhos de mesa do Douro (Wines Of Portugal, 2011, p. 5).
Durante o Estado Novo (1926‐1974), é criada a Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal (1933). Em 1937 surge a Junta Nacional do Vinho,
organismo com competências mais alargadas e com uma forte componente cooperativista.
Em 1986 a Junta Nacional dos Vinhos é substituída pelo atual Instituto da Vinha e do Vinho, organismo adaptado às estruturas impostas pela nova política de mercado decorrente da adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia. A “Denominação de Origem” é então adaptada à legislação comunitária, e é regulamentado o “Vinho Regional”, isto é, os vinhos de mesa com indicação geográfica, reforçando‐se a política de qualidade dos vinhos portugueses (Wines Of Portugal, 2011, p. 6).
Atualmente o país está dividido em 14 regiões de Vinho e 20 denominações de origem controlada (DOC) (Wines Of Portugal, 2011, pp. 8, 9). Os apoios vindos da nossa integração na Europa, representaram uma variável positiva no desenvolvimento do sector e o surgimento de inúmeras vinhas e adegas modernas que impulsionaram a atividade vitivinícola. O mundo académico acompanhou de alguma forma esta evolução, preparando uma nova geração de produtores e enólogos, permitindo‐lhes a aquisição de outras experiências no mundo vitivinícola. Portugal possui ainda diversas cooperativas, algumas das quais, excelentes e com capacidade exportadora. Surgiram ainda empresas de sucesso viradas para o Mercado interno e externo e nas últimas décadas assistiu‐ se ao crescimento de um grande número de pequenos produtores independentes.
No passado, grande parte destes produtores entregavam as suas uvas nas cooperativas. Atualmente uma parte desenvolveu os seus equipamentos e tecnologias para produzir seus próprios vinhos. Algumas vinhas são novas e modernas, com castas selecionadas em função dos atuais mercados; outras são vinhas com décadas ou centenárias, com diversas castas antigas, de baixa produtividade mas de alta concentração aromática. Empreendedores e entusiastas estão a apostar em novos e promissores locais para vinhas e a reclamar antigas propriedades. É uma revolução contínua. Hoje, Portugal possui uma seleção de bons vinhos para oferecer ao mundo como nunca antes teve. Outro ponto forte e que sustenta a forte diferenciação que os vinhos Portugueses podem fazer no contexto Internacional, é a quantidade de castas autóctones, sendo Portugal um dos maiores possuidores de castas autóctones do Mundo.