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Para definirmos o espectro do sector vitivinícola português, deveremos inserir aqui todos os operadores que se dedicam à produção de uva para vinho e de vinho em Portugal. Vinho, entende‐se como um produto obtido exclusivamente por fermentação alcoólica a partir de uvas frescas esmagadas ou não, ou de mostos de uvas (Ladeira, 2005).

Atualmente e no enquadramento da União Europeia (UE), existem duas principais categorias: Os vinhos de qualidade produzidos em determinadas regiões (VQPRD) e os vinhos de mesa. Conforme referido no ponto anterior, em 1986 com a nossa adesão a Comunidade Económica Europeia, os vinhos que então estavam enquadrados numa denominação de origem ficaram

automaticamente inseridos na classificação VQPRD. Os vinhos inseridos no termo “vinhos de mesa”, diz respeito aos restantes produtos industriais. Estes vinhos não podem indicar nenhuma proveniência geográfica, sendo enquadrados numa “terceira” classificação, com uma regulação menos exigente (intermédia e que aponta para regiões de Portugal). Assim sendo, atualmente, dentro das denominações de origem, temos (infovini, 2012):  VQPRD ‐ significa Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada;  VLQPRD – significa Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em Região

Determinada;

 VEQPRD – significa Vinho Espumante de Qualidade Produzido em Região Determinada;

 VFQPRD – significa Vinho Frisante de Qualidade Produzido em Região Determinada.

A designação VQPRD abrange os vinhos classificados como DOC e IPR:

 DOC (Denominação de Origem Controlada): Vinhos provenientes das regiões produtoras mais antigas e, por isso, sujeitos a legislação própria (características dos solos, castas, vinificação, engarrafamento);

 IPR (Indicação de Proveniência Regulamentada): Vinhos de regiões que, dentro de um prazo mínimo de 5 anos, têm de cumprir as regras de produção dos vinhos de qualidade, para serem classificadas como DOC. Em relação aos Vinhos regionais, os quais correspondem a vinhos de mesa com Indicação Geográfica, são vinhos que são produzidos numa região específica, cujo é adoptado o nome da região, desde que no mínimo 85% das uvas sejam provenientes da produção da região e de castas recomendadas e autorizadas e sujeitos a um sistema de certificação. Em Portugal temos os vinhos regionais: “Minho”, “Trás‐os‐Montes”, “Beiras”, “Ribatejo”, “Estremadura”, “Alentejo”, “Terras do Sado”, “Algarve”, “Açores” e “Madeira”.

O sector vitivinícola caracteriza‐se ainda por 18 Comissões Vitivinícolas Regionais e Entidades certificadoras, responsáveis pelo controlo, gestão e acompanhamento dos vários agentes económicos na produção de vinhos certificados (Wines Of Portugal, 2011, p. 8).

Por fim, temos ainda o Instituto do Vinho e da Vinha (IVV), um órgão publico que se encontra à data (2012), inserido no Ministério da Agricultura, Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, sendo a instância de contacto com a União Europeia, desenvolvendo as políticas vitivinícolas, gestão e valorização do património, fazendo a articulação com as organizações interprofissionais para aplicação dos sistemas de controlo e certificação. Adicionalmente, existem mais dois órgãos complementares o IVDP e IVM, responsáveis pela estratégia e orientação das produções feitas nas regiões, respetivamente, do Douro e da Madeira.

No que diz respeito, à promoção dos Vinhos Portugueses além fronteiras, foi criado em 1997 uma associação interprofissional, a qual tem como principal objetivo a promoção dos Vinhos, espirituosos e vinagres, tanto no mercado interno, como na sua internacionalização. A ViniPortugal é uma organização que integra associações profissionais e outras associados ao comércio de vinhos (ACIBEV e ANCEVE), produção (FENAVI e FEVIPO), cooperativas (FENADEGAS), destiladores (AND), agricultores (CAP), regiões delimitadas (ANDOCIA) e governo (IVV) (ViniPortugal, 2010).

Os membros que constituem a ViniPortugal são:

 ANCEVE: Associação Nacional de Comerciantes e Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas

 CAP: Confederação dos Agricultores de Portugal

 ACIBEV: Associação dos Comerciantes e Industriais de Bebidas Espirituosas e Vinhos  FENADEGAS: Federação Nacional de Adegas Cooperativas  AND: Associação Nacional de Destiladores  ANDOVI: Associação Nacional das Denominações de Origens Vitivinícolas  FENAVI: Federação Nacional de Viticultores Independentes  FEVIPOR: Federação de Viticultores de Portugal Em termos de organização e conforme Figura 48, a organização da ViniPortugal está segmentada de acordo com as regiões e mercados de promoção dos Vinhos a nível interno e Internacional.

Para além dos recursos humanos também os recursos financeiros não são ilimitados, pelo contrário. No que diz respeito a estes, os mesmos provêm de 3 áreas distintas (ViniPortugal, 2010):

 Fees – Uma parte da receita que o IVV cobra aos produtores pela certificação dos seus vinhos

 QREN – Receitas provenientes do Quadro de Referência Estratégico Nacional

 OCM – Através de receitas incluídas no Programa para Suporte e Promoção de Vinhos em Países Terceiros.

Em baixo, as Figuras 49 e 50 demonstram o orçamento disponível em 2010, sendo a primeira na perspectiva de alocação de verbas por mercado e a segunda, numa perspectiva atividades desenvolvidas.

Figura 48 ‐ Estrutura da Organização ViniPortugal Fonte: ViniPortugal Figura 49 ‐ Orçamento de Investimentos ViniPortugal 2010 (por mercado) Fonte: (ViniPortugal, 2010, p. 17)

Figura 50 ‐ Orçamento de Investimentos ViniPortugal 2010 (por atividade) Fonte: (ViniPortugal, 2010, pp. 18, 19) 4.5.3 Objectivos da ViniPortugal e a marca Wines of Portugal 

É assumido pela ViniPortugal que o sector do vinho em Portugal tem sérias lacunas de coordenação e alinhamento com um quadro estratégico e com ações especificas de dinamização (ViniPortugal, 2010, p. 11).

As principais consequências para esta falha de coordenação entre entidades e institutos, são a essência para o não atingir das metas traçadas para o sector que revela um crescimento pouco sustentado, com estagnação e até mesmo retração em mercados considerados prioritários, o que contribui negativamente para a imagem do País e dos seus vinhos.

Para além disso, a ViniPortugal não disponha de um plano estratégico de Marketing, que desse continuidade e implementasse as atividades e orientações que foram sugeridas pelo relatório da Monitor Group de 2003.

O mesmo documento (ViniPortugal, 2010, p. 16), assume ainda que as ações implementadas nos últimos anos, não estão em sintonia com a realidade dos mercados. Os estudos e trabalhos são desenvolvidos de forma tradicional e conservadora, que na maioria dos casos ignora o mais importante: o consumidor.

Objectivos Operacionais para 2010 – 2012

Com a recente criação da Marca Wines of Portugal, foi desenhada uma estratégia para o triénio 2010‐2012, que tem como principais objectivos (ViniPortugal, 2010, p. 20):

 “To convey an image of wines with a unique personality and different positioning

 Position them in the mental listing of alternatives for consumers, through greater brand recognition

 Create emotional, symbolic relationships with the consumer, based on benefits and values”

Foi definido adicionalmente um posicionamento de “a world of difference”, bem como 3 valores core para a Marca: Adventure, Pionnering and Authenticity.

A marca Wines Of Portugal, pretende ser o elemento aglutinador de todos os vinhos de qualidade produzidos em Portugal, por forma a facilitar a sua identificação e associação com um País com largas tradições na produção de vinho.

Por fim, foram identificados como mercados prioritários para a internacionalização dos Vinhos Portugueses: 1º Brasil; 2º Estados Unidos da América; 3º Reino Unido e 4º Portugal.

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