5.2 Asset Allocation with Skewness
5.2.4 Sensitivity to Outliers - 15 stocks
Segundo a Grammaire Française Complète, de Brachet e Dussouchet (1893), redigida
conforme os programas de ensino secundário do ensino moderno e do ensino primário
superior, os verbos são divididos em duas grandes classes (que, por sua vez, se subdividem
em outras categorias): transitivos e intransitivos. Chamam-se verbos transitivos os que passam
a ação do sujeito ao complemento; assim, o verbo chamado transitivo tem ou pode ter um
complemento direto. Já os intransitivos expressam um estado ou uma ação que não é exercida
sobre um objeto.
Em francês, o verbo também pode ter três tipos de complemento, ou objeto: direto,
indireto e circunstancial. O complemento direto é o que completa a significação do verbo
diretamente, sem a ajuda de outra palavra, enquanto o indireto completa a significação do
verbo indiretamente, ou seja, com a ajuda de palavras chamadas preposições. Brachet
e
Dussouchet (1893) atentam para o fato de que o verbo ativo pode ter três tipos de
complemento, ao passo que o passivo e o neutro podem ter apenas complementos indiretos ou
circunstanciais.
Quanto ao complemento indireto, especificamente,
os autores dizem
que ele se junta
ordinariamente ao verbo com a ajuda das preposições à, de e par, excluindo, assim, as demais
48
preposições. Mencionam que alguns verbos se unem aos seus complementos com ou sem
preposição e alistam alguns deles: “aider, applaudir, assurer, atteindre, changer, commander,
croire, insulter, manquer, penser, regarder, retrancher, servir, toucher, traiter, etc” (p. 314),
respectivamente “ajudar”; “aplaudir”; “assegurar”; “atingir”; “mudar”; “encomendar”,
“governar”; “crer”; “insultar”; “faltar”, “errar”; “pensar”; “olhar”; “retirar”; “servir”; “tocar”;
“tratar”.
Além disso, assinalam que esses mesmos verbos são considerados neutros quando
empregado com a preposição.
Brachet e Dussouchet também não se esquecem dos verbos que admitem o emprego
de preposições diferentes, que marcam nuanças de sentido nem sempre são facilmente
distinguíveis: “commencer, continuer, contraindre, défier, demander, s’efforcer, s’empresser,
emprunter, s’ennuyer, forcer, se lasser, obliger, s’occuper, participer, solliciter, venir, etc.”
(p. 315), respectivamente “começar”; “continuar”; “constranger”; “desafiar”; “pedir”,
“perguntar”; “esforçar-se”; “dedicar-se”, “apressar-se”; “emprestar”; “entediar-se”; “forçar”;
“cansar-se”, “entediar-se”; “obrigar”; “ocupar-se”, “cuidar”; “participar”; “solicitar”; “vir”.
Loiseau, em sua Grammaire Française (1976), destinada primariamente a estudantes
estrangeiros, lembra que certos verbos têm sentido diferente segundo a forma do
complemento, e enumera alguns exemplos, como o verbo croire (crer) (p. 68-69):
• croire + complemento nominal de construção direta = acreditar que a pessoa
representada pelo complemento diz a verdade (Je vous crois “Acredito em você”);
• croire que + verbo = acreditar que o que está sendo dito é verdade (Je crois qu’il
viendra bientôt “Acredito que ele venha logo”);
• croire à + complemento nominal = acreditar que a coisa dita existe (Je crois à son
• croire + complemento infinitivo de construção direta = acreditar que o que é dito é
possível (Je crois pouvoir faire ce travail en 3 jours “Acredito poder fazer esse
trabalho em três dias”).
O autor ainda cita como exemplo os verbos dire (“dizer”), manquer (“faltar, carecer,
livra-se de algo”), parler (“falar”), penser (“pensar”), servir (“servir”) e tenir (“ter, dar
importância”).
Outra obra que também nos chamou bastante atenção foi a Grammaire Larousse du
Français Contemporain (1964), que nos lembra de que alguns verbos se constroem apenas
com objeto indireto, enquanto outros se constroem com objeto direto ou com indireto. Alguns
dos exemplos dados para o primeiro grupo são attenter à, bénéficier de, douter de, jouir de,
plaire à, ressembler à, survivre à, respectivamente “atentar para”, “beneficiar-se de”,
“duvidar de”, “gozar de”, “agradar a”, “parecer a”, “sobreviver a”. Já para o segundo são
regarder (à), goûter (à), connaître (de), croire (en) (à), décider (de), témoigner (de),
répondre (de), discuter (de) (p. 72), respectivamente “olhar”; “apreciar”, “provar”;
“conhecer”; “crer”; “decidir”; “testemunhar”; “responder”; “discutir”. A Grammaire Larousse
ainda observa que alguns verbos se constroem com um e outro ou com dois objetos indiretos,
assim como também o faz Fernandes (1991) quanto ao português.
Além dos objetos já identificados anteriormente, a Grammaire Larousse (1964)
menciona o “complemento do objeto interno”, que corresponde à realidade da ação expressa
pelo verbo, embora julgue inconveniente o termo “objeto” (p. 179). Observa de modo
pertinente que inúmeros verbos mudam de construção com o passar do tempo,fenômeno em
constante processo, e que, exatamente por isso, o tema de regência é muito complexo para ser
inteiramente exposto numa gramática. Devido a essa permanente mudança na construção
verbal há a dificuldade de se classificar os verbos franceses, assim como em português, em
transitivos ou intransitivos. Assim, a Grammaire Larousse prefere se referir a “construções
50
transitivas e intransitivas” em que o verbo admite ou não um complemento (direto ou
indireto) (p. 321) e sugere que se recorra, para se saber a particularidade de cada verbo, a um
bom dicionário (p. 181).
Por fim, a Grammaire méthodique du français, de Riegel, Pellat e Rioul (2001), cita
que a gramática tradicional define o complemento do objeto como “a pessoa ou o objeto sobre
o qual passa (“transita”) a ação expressa pelo verbo e efetuada pelo sujeito”
3(p. 218), mas
discutem que a concepção de transitividade (a qual caracteriza os diferentes tipos de
construção verbal, que pode ser intransitiva, transitiva direta ou indireta, com dupla
complementação, ou ainda com três tipos de complementos) é inadequada porque cai por terra
em numerosos contra-exemplos.
Poderiam ilustrar esse fenômeno vários verbos que passaram por variação de
construção sem mudar de sentido ao longo da história da língua francesa, como o obéir (obéir
son mari – “obedecer seu marido”); inversamente, verbos como contredire, prévoir e ignorer
(“contradizer”, “prever” e “ignorar”, respectivamente) já foram construídos com
complemento nominal indireto, à diferença do que ocorre hoje. Os autores mencionam, ainda,
verbos que se constroem com dois objetos preposicionados, como parler, discuter, débattre,
répondre, servir, aller e passer (“falar”, “discutir”, “debater”, “responder”, “servir”, “ir” e
“passar”, respectivamente).
Especificamente sobre o complemento do verbo, Riegel, Pellat e Rioul (2001) definem
o complemento indireto como sendo introduzido por diversas preposições, e citam pelo
menos 12 delas. Ensinam a identificar se o complemento é indireto ou circunstancial
aplicando diferentes critérios que permitem reconhecer cada um. Sobre a ordem dos
complementos na construção, o objeto indireto precede o direto para evitar ambiguidades.
3
La personne ou l’objet sur laquelle passe (“transite”) l’action exprimée par le verbe et effectuée par
Verbos com dupla complementação também mudaram de construção: persuader qqch à qqn
(“persuadir algo a alguém”) hoje é expresso persuader qqn de qqch (“persuadir alguém a, de
algo”).
Em relação à nossa própria experiência durante as aulas de redação em língua francesa
na graduação, testemunhamos a ausência de materiais em francês, mono ou bilíngues, que
pudessem ajudar os aprendizes na questão da regência verbal. Um caso ilustrativo que ocorreu
muito frequentemente foi com o verbo “brincar”, com o sentido de “fazer de conta que exerce
alguma função”, cuja estrutura em português é “brincar de algo”, enquanto que em francês é
jouer à qqch. Outro exemplo que trazia dúvida constante era o verbo “tocar” com o sentido de
“pôr a mão, ter contato”, cuja estrutura em português é “tocar em algo” e em francês torna-se
toucher à qqch, podendo a preposição até mesmo ser apagada (toucher
Ø). Para sanar essas
dúvidas, a única opção que tínhamos era saber do professor qual a estrutura correta. E se um
aprendiz não conhece a construção verbal na LE
e falta-lhe material para consulta, ele pode
reproduzir a estrutura que conhece, isto é, a de sua própria LM, tendo como consequência
uma redação inadequada.
Esse é um problema tão comum quanto antigo. Desde o século XVII vêm sendo
abordadas questões em torno da seguinte afirmação: o conhecimento de LM pode interferir
negativamente na aprendizagem da LE. Levando em consideração essa premissa, Fries afirma
que “os materiais pedagógicos mais eficazes são aqueles que são baseados sobre uma
descrição científica da língua a aprender, comparada com uma descrição paralela da língua
materna do aprendiz” (FRIES, apud CASTELLOTTI, 2001, p. 68), a fim de minimizar a
transferência negativa. Concordamos com Fries, pois acreditamos que os materiais
pedagógicos que comparam as duas línguas em questão, a LM e a LE, evidenciam melhor a
diferença entre o par linguístico e por isso tendem a reduzir a transferência negativa.
52
De acordo com a Linguística Aplicada ao ensino de línguas estrangeiras,
pedagogicamente os erros cometidos em LE, como, por exemplo, o uso inadequado da
preposição exigida por determinado verbo, são divididos em transitórios e permanentes. Os
erros transitórios são aqueles típicos dos diversos estágios de desenvolvimento pelos quais os
alunos passam durante o processo de aprendizagem; são erros que ocorrem ocasionalmente,
são corrigidos, mas reaparecem. Já os erros permanentes seriam os que tendem a permanecer
na interlíngua dos aprendizes, ou seja, aqueles que são corrigidos, porém não absorvidos pelo
aprendiz após a correção. De acordo com Vázquez (1998) e Durão (1999) (apud DURÃO,
1999), os erros transitórios não merecem muita preocupação por parte do professor, já que os
alunos tendem a percebê-los por si mesmos. Os erros com tendência a permanecer na
interlíngua dos aprendizes, contudo, merecem um pouco mais de atenção no contexto
didático, pois tendem a reaparecer ao longo das diferentes etapas, fossilizando-se.
Gomes (2005) recomenda aos professores maior cautela quanto ao preparo de material
didático, principalmente no que tange ao objeto indireto e indica que os alunos não estão
recebendo informação suficiente a respeito das diferenças existentes entre as línguas,
especificamente entre o português e o francês, as línguas por nós estudadas, o que tem
provocado o tipo de transferência aqui constatada, a negativa, porque uma vez não alertados
sobre a singularidade de ambas as línguas, os alunos simplesmente transferem seus
conhecimentos anteriores para a nova língua.
Outro trabalho que se destaca é o de Razuk (2006), calcado na Linguística Aplicada ao
ensino de LEs e pela Linguística Contrastiva. Ele apresenta a problemática da regência verbal
sob a perspectiva do português como LE. Os alunos de português LE, que tinham o inglês
como LM, também apresentam a interferência negativa, comprovando, assim, que a LM
influencia o uso da regência verbal pelos aprendizes de LE, e que o fenômeno da transferência
não ocorre apenas na fonologia e no léxico, mas também na sintaxe.
Razuk também chama a atenção para as estratégias utilizadas pelos aprendizes ao
“traduzirem” as regras de regência, que poderiam levá-los a interiorizar estruturas
inadequadas de LE ao se apoiarem apenas em um dicionário geral bilíngue para elaborar seus
textos, tendo em vista que esse tipo de dicionário geralmente não traz esclarecimentos
pormenorizados sobre a regência verbal.
Considerando, portanto, que informações mais detalhadas sobre as preposições
exigidas por verbos, em construções transitivas indiretas ou diretas e indiretas, não são
adequadamente explicitadas nas gramáticas nem nos dicionários de língua geral,
apresentamos no próximo capítulo a proposta de um dicionário especial que possa servir
como uma ferramenta auxiliar na abordagem da regência verbal nos cursos de ensino de
língua francesa como LE.
C
APÍTULOII
UM DICIONÁRIO ESPECIAL PARA O ENSINO DA REGÊNCIA
DE VERBOS COM COMPLEMENTOS PREPOSICIONADOS
Desde as primeiras décadas do século XX, já se percebia que os dicionários
tradicionais não atendiam adequadamente aos usuários empenhados em produção em LE.
Essa carência sugeria, então, a necessidade de se desenvolver dicionários voltados para
produção em LE. Entretanto, ainda hoje há um problema por parte dos dicionários em
contribuir para os indivíduos que escrevem em LE: sua inadequação para as necessidades de
produção textual. Um recurso para resolver esse problema seria a elaboração de uma obra
lexicográfica que atenda a necessidades pontuais durante as atividades de produção.
In document
Study on portfolio selection with skewness at Oslo Stock Exchange
(sider 47-56)