6.3 The computational bridge models
6.3.2 Sensitivity analysis
Os campos da educação e da comunicação iniciam a criação de um novo campo hibridizado que une partes importantes para o aprendizado. Nesse contexto, as transformações radicais pelas quais vêm passando o acesso à informação e o conhecimento decorrente das revoluções tecnológicas recentes, atreladas aos processos de democratização da sociedade contemporânea, vêm transformar o aprendizado.
A terceira revolução educacional, caracterizada por movimentos de democratização e universalização do acesso ao ensino, tem como objetivo promover a inclusão de todas as pessoas nos processos educativos. O estudo das mudanças ao longo da história mostra que por muito tempo o acesso ao conhecimento foi algo restrito a poucos e que, a partir da democracia e das sucessivas mudanças na educação, se passa a buscar o acesso igualitário.
A escola, tal como a conhecemos, estruturada nos séculos XVIII e XIX sob princípios de exclusão e homogeneização, não dá conta das demandas de uma educação inclusiva, o que vem impactando as metas de qualidade do conhecimento almejadas pelas sociedades contemporâneas. Esse impasse vem demandando uma reinvenção da educação, que envolve transformações nos conteúdos, na forma e nas relações entre docentes e discentes, dentro dos espaços educativos.
Os métodos propostos pela educomunicação podem ser importantes ferramentas para melhorar o processo de aprendizagem. A inter-relação dessas áreas que vêm se desenvolvendo há duas décadas, no seu início propunha a leitura crítica da mídia, principalmente a televisão, pois esta era vista com muitas ressalvas pelos educadores. De acordo com Moreira e Costa (2011), foi a sociedade civil que primeiro despertou para a relação comunicação e educação, especialmente através das ONGs e seus programas de promoção e defesa da cidadania.
Foi a partir de sua atuação na interface comunicação e educação que os movimentos populares contribuíram para a consolidação do campo da educomunicação, especialmente a partir do golpe de 1964. Entre os objetivos estavam a produção de materiais de formação e a capacitação de suas lideranças, isso fica claro especialmente com a temática da educação popular, já que as características das áreas de intervenção da educomunicação são parte do processo de educação popular (MOREIRA; COSTA, 2011).
A história da educomunicação no Brasil está vinculada ao processo de ruptura com a ditadura, com o objetivo de democracia do país, mas também à luta por uma educação mais democrática. Parte de movimentos populares e chega às universidades, elevando a educomunicação a um campo de estudo, de trabalho e de oportunidade de desenvolvimento educacional.
No início da década de 1990, a União Cristã Brasileira de Comunicação Social fundou a Rede de Jovens Comunicadores Amigos da Infância, para dar suporte a ONGs e projetos apoiados pelo governo voltados à educação, desenvolvendo programas para o exercício da comunicação junto à Pastoral da Criança, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e, junto ao MEC, desenvolveram capacitações de radialistas na abordagem de temas voltados à educação.
A educomunicação é uma pratica social que teve início no meio acadêmico a partir da década de 1980, e em São Paulo essa área encontra-se cada vez mais desenvolvida. Em 1999, o Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo – NCE/USP, a partir de uma pesquisa, denominada Perfil, detectou que, em toda a América Latina, existiam muitas pessoas envolvidas com experiências práticas de levar as tecnologias da comunicação para desenvolver a expressão comunicativa dos educandos.
Outro exemplo bastante relevante para a história da educomunicação, que se estabelece principalmente em São Paulo, é o Projeto Educom.rádio, também conhecido como Educomunicação pelas Ondas do Rádio, criado com o objetivo de implementar as redes de ensino para se expandir posteriormente para outros espaços da cidade. Este foi desenvolvido pelo Núcleo de Comunicação e Educação da ECA/USP em parceria com a Secretaria de Educação de São Paulo. O reconhecimento à importância desse projeto pode ser percebido a partir da aderência à educomunicação do Município de São Paulo
com a publicação da Lei nº 13.941, de 28 de dezembro de 2004, instituindo o Programa EDUCOM no âmbito da Administração Municipal (ANDRADE, 2006).
O Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP deu início, em 28 de fevereiro de 2011, ao curso de Licenciatura em Educomunicação, acolhendo a primeira turma de 30 alunos. A nova proposta abriu um campo diferenciado de atuação para um novo profissional, o educomunicador. Conforme Soares (2011, p. 65), esse profissional deve ter habilidade de docente, consultor e pesquisador, e desenvolver a partir de referências dos campos da saúde, educação, psicologia, política e religião características comuns que compõem o ideário do educomunicador. Características essas que estão dispostas no quadro abaixo:
Quadro 4: Características de um educomunicador
Abertura para o outro
Diálogo na gestão dos conflitos
Capacidade de contextualizar os problemas e encontrar soluções de interesse para a coletividade
Grande poder de acolhida, assegurando a adesão de seus interlocutores às propostas que defendiam
Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Soares (2011).
A educomunicação vem ampliando sua abordagem para além da leitura crítica dos meios de comunicação. Essa área do conhecimento propõe, entre outras coisas, que educadores e educandos se apropriem das diferentes tecnologias – jornal impresso, rádio, televisão, internet – no dia-a-dia da sala de aula, do trabalho na ONG, ou de outros espaços de educação não formal, de uma maneira participativa em que o diálogo se dê horizontalmente, e que a premissa básica de uma escola que se propõe mudar seja incentivar atividades em conjunto entre os envolvidos, onde todos são acolhidos por sua potencialidade e partilhem seus conhecimentos.