4 Empirical strategy
5.3 Sensitivity Analysis
Com a finalid ad e d e refletir a resp eito d a em balagem p ara p rod u tos d a fru ticu ltu ra na sociedade contemporânea, estudou-se o Design Moderno, o contexto no qual ele surgiu como forma de concepção de produtos, uma vez que a embalagem moderna está inserida no contexto do Design Moderno ou modernista.
A p artir d o levantam ento d e d ad os sobre o Design Mod erno, foi feita u m a breve revisão bibliográfica a resp eito d a em balagem m od erna, su a origem , su a d efinição, seu d esign, su as fu nções, com a finalid ad e d e ap resentar as norm as d e padronização p ara o transp orte d e em balagens, e ap ontar os p rincip ais m ateriais e m atérias p rim as, com o introd u ção ao objeto d e estu d o d a p esqu isa: as em balagens de transporte para produtos da fruticultura.
Em segu id a, foram exp ostos no terceiro cap ítu lo os d ad os coletad os na bibliografia e nas p esqu isas d e cam p o. N ele foram ap resentad as as form as observadas de transportar e acondicionar os produtos da fruticultura.
No cap ítu lo qu atro ap rofu nd ou -se o tem a d esenvolvid o, exp ond o a análise d o estu d o sobre as em balagens p ara p rod u tos d a fru ticu ltu ra qu e p ossu em seu s form atos cond icionad os p elos m od elos d e transp orte e arm azenam ento e ou tros fatores. Para realizar tal análise, foi estu d ad o o p ensam ento sistêm ico, holístico ou ecológico. Os dados foram relacionados e dispostos em forma de mapas sistêmicos, com o propósito de mostrar a inter-relação entre eles.
Ao longo d as p esqu isas d e cam p o constatou -se qu e as em balagem p ara p rod u tos d a fru ticu ltu ra raram ente ap resentam u m d esign esp ecífico p ara o fru to qu e ela com p orta. O form ato d as em balagens está vincu lad o ao form ato d os mecanismos de transporte e unitização de carga.
Com o se sabe, p rod u tos d a fru ticu ltu ra não se su stentam p or si só em fu nção d a necessid ad e d e em p ilham ento, p ortanto, p recisam ser integralm ente p rotegid os p elas em balagens. Os p rod u tos, d entro d as em balagens d e transp orte, na m aior p arte d as vezes não p ossu em p roteção e chocam -se u ns contra os ou tros ou contra as p ared es internas d a em balagem . As em balagens m u itas vezes não assegu ram ao fru to u m bom estad o d e conservação, p erm itind o u m a boa
ap resentação e consu m o d os m esm os, tendo em vista o cu rto tem p o p erecível, gerando enormes perdas pós-colheita.
Existe u m a incoerência nos p rojetos no qu e d iz resp eito à p arte estru tu ral, u m a vez qu e em balagens inorgânicas e d e form ato sim étrico são u sad as p ara arm azenar p rod u tos orgânicos qu e, p or su a natu reza, são assim étricos. Os atu ais m od elos d e pallet, carrocerias e a estru tu ra arqu itetônica d as u nid ad es d e abastecimento também estão relacionados a essa incoerência estrutural.
Notou-se tam bém qu e a m aioria d as em balagens não incorp ora conceitos com o su stentabilid ad e, reciclagem e d escartabilid ad e. As em balagens, p ortanto, não refletem u m a p reocu p ação com u m a tão d esejad a e reclam ad a socied ad e sustentável, e, m esm o qu and o higienizad as, p ossu em p roblem as estru tu rais qu e continu am a cau sar p erd a d e alim entos. Isto evid encia a p arca atu ação d os designers nesta área.
Existe aind a, com o observad o, resistência p or p arte d os p rod u tores em aceitar m od elos d escartáveis ou recicláveis d evid o principalmente ao alto cu sto e à p rojetos m al p lanejad os e execu tad os. De fato, continu a-se u tilizand o caixas não- higienizáveis com o a d e p lástico e caixas qu e p od em ferir o p rod u to com o a “caixa k” p ara consegu ir vantagens financeiras na vend a d e seu s p rod u tos através d e u m custo mais baixo nas embalagens.
Contu d o, p ercebeu -se também qu e os m ateriais e form atos d as em balagens não variam . Os forneced ores d e m ateriais p ara em balagens d esse tip o p rod u zem p ou cas variações, tornand o os m od elos existentes há m ais d e 30 anos aparentemente imutáveis.
A p esqu isa ap onta as falhas d os p rojetos atu ais d e em balagem e su as influ ências d entro d a red e na qu al está inserid a, a fim evid enciar qu e m od elos obsoletos e carentes possuem um impacto muito maior do que se imagina.
Por fim , a falta d e visão sistêm ica, o d esconhecim ento d o d esign e a negligência com os projetos de design de embalagens para produtos da fruticultura p or p arte d e designers, engenheiros agrônom os, engenheiros d e em balagem , d iretores d e centrais d e abastecim ento, p rod u tores e ou tros, são as p rincip ais causas dos fatos relatados ao longo da pesquisa.
Ficou bem claro, d u rante as visitas às u nid ad es d a CEASA, qu e há u m grande d esconhecim ento p or p arte d e p rod u tores, atacad istas e d iretores a resp eito do design e do designer e de sua importância.
O d esign tem u m im p ortante p ap el no p lanejam ento d e u m fu tu ro resp onsável e com p rom etid o com a socied ad e. Os d esigners d evem ser cu id ad osos com aqu ilo qu e criam , fazend o com qu e seu p rod u to venha a som ar e enriqu ecer a sociedade.
Para qu em é d a área d e estu d o d o d esign, sabe-se qu e o d esigner não é d efinid o com o aqu ele qu e d esenvolve o p rojeto sozinho, m as com o p esqu isad or qu e interage com ou tras áreas, qu e com p õe e conhece a fu nd o as características d o p rod u to e d o u su ário. Além d isso, tem a resp onsabilid ad e d e evidenciar o qu e o consu m id or não vê, p ara efetu ar essa com u nicação entre em p resa, econom ia, m ercad o, socied ad e, consu m id or e am biente natu ral e sócio-cultural através d a embalagem.
N este contexto, o d esigner interp reta os d ad os e cond ições e qu alifica fu ncional e visu alm ente o p rod u to, d and o form a à em balagem . O d esigner é qu e confere significação à em balagem e é d e su a incu m bência a solu ção d os elem entos formais, funcionais, estruturais e visuais do projeto.
O p rod u to e a em balagem estão se tornand o tão inter-relacionad os qu e já não p od em os consid erar u m sem o ou tro. Segu nd o Banzato e Mou ra (1997) a embalagem não deve ser planejada apenas com base no bom senso, pois integra um sistem a com p lexo d e m ateriais, fu nções, form as e p rocessos d e engenharia, marketing, comunicação, legislação e economia.
Para Giovannetti (1997), tod a a p arte d e p rojeto relacionad a à fu nções estru tu rais é resolvid a p elo d esign, enqu anto as fu nções d e com u nicação são definidas pelo marketing e realizadas pelo design gráfico.
À escolha d os m ateriais, resistência, conservação, além d e seu s elem entos visu ais, d entre ou tros, fazem p arte d as com p etências d o d esign. Logo, tanto a em balagem d e consu m o qu anto a d e transp orte p ossu em lim itações técnicas e d evem ser p ercebid as e p lanejad as p ara qu e p ossam transm itir inform ações d e maneira consistente.
O d esigner d e em balagens não se lim ita a inovar a p arte exterior d e u m p rod u to, su gerind o d iferenças d e valor d e u so e troca, p or m eio d e m u d anças nos asp ectos exteriores d a em balagem , ele vai além , p rojetand o os asp ectos estru tu rais e elementos que irão garantir a qualidade do produto, o qual ela contém.
De acord o com Mestriner (2002), a em balagem p recisa cu m p rir as funções d e arm azenagem , p roteção, transp orte e exp osição. As d u as p rim eiras são técnicas e, p ortanto, têm seu s p rocessos d e envase e em balam ento d efinid os p elo cliente. Send o assim , a influ ência d o d esigner, nestas etap as, é lim itad a. Afirm a tam bém , qu e a m issão d o d esign é a exp osição d o p rod u to, a com u nicação d os atribu tos d e seu conteú d o, e, p rincip alm ente, a u tilização d a em balagem com o instru m ento d e venda.
N ão obstante, é necessário u m qu estionam ento am p lo e sistêm ico. É resp onsabilid ad e d o d esigner p rojetar objetos p arar su p rir as necessid ad es d o u su ário, p rom over o p rod u to e su a m arca. Contu d o, a p reocu p ação com os p rocessos d e envase tam bém são com p etência d o d esigner, qu e p ossu i resp onsabilid ad e social com os consu m id ores e com o m eio am biente. Portanto, intervir nestes p roced im entos, nos sistem as qu e facilitem a arm azenagem e a proteção também são atividades projetuais que cabem a este profissional.
A em balagem d eve ser p lanejad a e p ensad a em tod o o seu ciclo d e vid a, ou seja, enqu anto p rojeto, d u rante su a p rod u ção e seu u so e em seu d escarte. O p lanejam ento d o p rod u to abrange tod as estas características p rojetu ais. Tais p reocu p ações são im p rescind íveis p ara u m a em balagem qu e esteja d e acord o com seu conteú d o, o consu m id or e com o am biente. Send o assim , o p ap el d o d esign na ind ú stria d e em balagens abrange u m cam p o m u ito m aior d o qu e a com u nicação e utilização desta como instrumento de venda, como sugerido pelo autor.
Faggiani (2006) afirm a qu e o d esigner d e em balagem é resp onsável p elo p rojeto, d esenvolvim ento e d esenho d os fatores trid im ensionais, form ais, com u nicacionais e técnicos d e invólu cros esp ecíficos p ara cad a tip o d e p rod u to, assim como seu tratamento gráfico e visual.
O design de embalagem é uma área de interseção entre o design de produto, d o d esign gráfico, e d o eco-design. Paixão e Em annu elli (2006) afirm am , segu nd o
o d esign d e em balagem com eça a ap arecer com o m atéria com p lem entar nos currícu los e qu e a em balagem é o terceiro cam inho, além d e d esenho ind u strial e com u nicação visu al. N esse sentid o, é p ossível e necessário o su rgim ento d e novos cu rsos esp ecíficos nesse cam p o d e atu ação não ap enas p ara gerar conhecim ento d a área, mas também para integrá-lo com uma futura sociedade sustentável.
Deste m od o, o d esigner tem com p etência p ara p rojetar em balagens em tod o o seu p rocesso d e p rod u ção, d istribu ição e consu m o, e não ap enas em su a com u nicação visu al. O d esigner d e p rod u to qu e é ap to a p lanejar em balagens, seja d e transp orte ou d e consu m o, em tod o seu p rocesso, é d enom inad o d esigner d e embalagem.
Contu d o, com o se tem afirm ad o, o cam p o d e em balagem é vasto e abrange d iversas áreas d e atu ação. Este setor vem crescend o e se d esenvolvend o grad ativam ente no Brasil. Para com p reend er m elhor o p rogresso, faz-se necessário u m breve esboço d a evolu ção d a em balagem e d os p rocessos relacionad os a ela neste país e sua atual conjuntura.
É necessário que haja conscientização de que um projeto de embalagem bem feito enriqu ece e agrega valor ao p rod u to e qu e fru tas são m ercad orias qu e necessitam d e u m cu id ad o m aior d evid o à su a baixa resistência a choqu es, necessitando de um cuidado maior em seu projeto.
A p esqu isa bu scou form ar u m novo olhar sobre o assu nto, p ara qu e o design p ossa contribu ir p ara u m a socied ad e m elhor. É im p rescind ível não ap enas qu e o d esign, m as tam bém qu e ou tras áreas interrelaciond as se m obilizem p ara tentar su p rim ir estes p roblem as, ou , p elo m enos, red u zi-los. Esp era-se qu e a p esqu isa viabilize novos estu d os com foco na su stentabilid ad e e d esenvolvim ento de novos materiais e processos produtivos.
Com o afirm am os reiterad am ente, os resu ltad os d a p esqu isa ap ontam u m a red e d e fatores interligad os à em balagem p ara p rod u tos d a fru ticu ltu ra, ind issociáveis e interd ep end entes, qu e se relacionam entre si, qu e cond icionam seu formato e causam desperdício de alimentos.