5. Summary of papers
6.3 Sense of agency in the aftermath of childhood trauma
O fumo de tabaco é o segundo meio mais popular de uso de drogas recreativas160, atrás apenas do álcool. Apesar de alguns autores afirmarem sua presença no oriente antigo, sua origem mais reconhecida circunscreve-se à América. Os Maias foram os primeiros a utilizar folhas de tabaco para fumar e já o faziam há quatro mil anos161.
Quando os conquistadores espanhóis chegaram ao Novo Mundo em 1492, encontraram no que hoje é o Haiti, à época denominada Tabago162, um indígena que se dedicava a "tragar com deleite a fumaça produzida por folhas dispostas em forma de cilindros, queimando em um de seus extremos"163164. Cristóvão Colombo levou a droga e o hábito de
fumar para a Europa que, de lá, se expandiu rapidamente165 para o resto do mundo.
Imaginando possíveis virtudes terapêuticas, os conquistadores da América Hispânica levaram sementes do tabaco à Europa, no início do século XVI. Os espanhóis também passaram a cultivá-lo na Prússia e Filipinas, de onde se expandiu até a China166.
Entre o final do século XVI e início do século XVII, os portugueses levaram o cultivo do tabaco à África Ocidental, juntamente com o milho, feijão, batata-doce e outras culturas típicas do Novo Mundo. Entre 1590 e 1610, Portugal introduziu o tabaco na Índia, Java,
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Nesse mesmo sentido, assevera Thomas C. Rowe: "A maconha, porém, apresenta um quadro completamente diferente da cocaína e dos opiáceos. Em primeiro lugar, é um alucinógeno leve que não produz dependência física, como os opiáceos. Tem um baixo potencial de dependência psicológica, diferente dos opiáceos e da cocaína. Fisicamente, seu uso intenso provavelmente resulta em danos ao corpo equivalentes àqueles causados pelo tabaco e, assim como o tabaco, do ponto de vista estatístico, causa menos danos aos tecidos do corpo (que podem matar rapidamente). Psicologicamente, altera as sensações e retarda os reflexos, tornando-se perigosa para ser usado durante a operação de máquinas ou para dirigir. No entanto, certamente não deixa seus usuários insanos e não os leva a cometer atos violentos. Seu uso não estava difundido nos primeiros vinte e cinco anos do século XX, começando a se espalhar por volta de 1937. Naturalmente, esta não foi a forma em que a droga foi apresentada ao congresso" (ROWE, Thomas C. Op. cit., p. 552. Traduzido do inglês para o português).
160
IVERSEN, Leslie L. Op. cit., p. 18.
161
CORRÊA DE CARVALHO, José Theodoro. Op. cit.
162
Ibid.
163
ALFONSO SANJUAN, Mario; IBAÑEZ LOPEZ, Pilar. Todo sobre las drogas legales e ilegales. Madri: Dykinson, 1992. p. 398. Traduzido do espanhol para o português.
164
Em sentido semelhante: "Os europeus conheceram o tabaco em 1492, quando dois membros da missão de Colombo observaram os índios taínos utilizando folhas enroladas em grandes charutos de fumo. Contatos posteriores revelaram que índios também mastigavam e cheiravam as drogas, métodos de administração que um dia seriam utilizados por milhões de europeus" (COURTWRIGHT, David T. Op. cit., p. 288. Traduzido do inglês para o português).
165
IVERSEN, Leslie L. Op. cit., p. 18.
166
Japão e na região do que hoje é o Irã. Da Índia se expandiu ao Ceilão, do Irã para a Ásia Central, do Japão à Coréia, da China para o Tibete e Sibéria, a partir de Java para a Malásia a Nova Guiné. Em 1620, o tabaco já era uma cultura global167.
Apesar de algumas medidas restritivas em determinados países, seu uso se estendeu rapidamente, especialmente na Europa. Depois, os governos trocaram sua atitude proibicionista por medidas de controle e taxação168. Com a invenção da máquina de cigarros, em 1855, o consumo de tabaco cresceu abruptamente e a industrialização levou as empresas tabaqueiras a deter grande poder comercial, especialmente nos Estados Unidos, Europa Turquia e China169. "Ironicamente, a princípio as companhias de tabaco anunciavam os benefícios do fumo para a saúde"170.
Mais que o álcool, o cigarro conquistou o status de imunidade em razão da cultura e dos interesses econômicos e fiscais das nações que detinham maior influência diplomática, de forma que sua proscrição nunca se fez presente, de maneira séria e efetiva, na agenda da comunidade internacional.
O impacto econômico do setor e a abrangência das operações conferiram a essa droga uma medida de imunidade. A industrialização em larga escala do cigarro expandiu o consumo, aprofundou a dependência e aumentou a rentabilidade. Tudo isso antes que os malefícios de seu uso fossem sugeridos ou provados. Somente nos Estados Unidos da América, no ano de 1964, o negócio do fumo envolvia mais de setenta milhões de fumantes, dois milhões de acionistas, agricultores, operários, varejistas, editores, empresas de radiodifusão e outros que, de forma direta ou indireta, dependiam do cigarro171.
Com o cultivo e o consumo expandindo para os países em desenvolvimento, a participação econômica do tabaco cresceu progressivamente. Em 1983, a distribuição e produção mundial representavam dezoito milhões de empregos em tempo integral. Calculando em número de membros das famílias dos trabalhadores, mais operários em tempo parcial e sazonais, cerca de cem milhões de pessoas dependiam do cigarro para a sua subsistência172.
167
COURTWRIGHT, David T. Op. cit., p. 294.
168
CORTES BLANCO, Manuel. Tabaco: de panacea a epidemia en cinco siglos de historia. Revista Proyecto
Hombre, Madri, n. 43, p. 16-21, 2002. p. 20. 169
CORRÊA DE CARVALHO, José Theodoro. Op. cit.
170
IVERSEN, Leslie L. Op. cit., p. 18.
171
COURTWRIGHT, David T. Op. cit., p. 3332.
172
Assim, estima-se que, na metade da década de 1990, havia cerca de um bilhão e cem milhões de fumantes (um terço da população com mais de quinze anos), consumindo cinco trilhões e quinhentos milhões de cigarros por ano173.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano, seis milhões de pessoas morrem em decorrência do tabaco, incluindo seiscentos mil fumantes passivos174.