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4. Tekstens analytiske perspektiv

4.2 Senmoderne shinto

Inicialmente, é importante explicar que a partir de novembro de 2010, a pesquisadora trabalhou no cargo de empreendedor público do governo de Minas Gerais, três meses no Programa Estado para Resultados e dezenove meses no órgão criado para substituir este programa, o Escritório de Prioridades Estratégicas. Foram 22 meses vivenciando o dia a dia do cargo, coletando materiais e construindo percepções com base na convivência com os sujeitos da pesquisa. Após pedir exoneração, afastou-se do governo para desenvolver a pesquisa empírica. Apesar de este primeiro momento não ter-se configurado como uma das etapas da coleta de dados, foi de fundamental relevância para a construção da visão sobre o governo de Minas Gerais, o papel do Escritório no contexto do governo e atuação dos Empreendedores Públicos.

Os dados da pesquisa foram coletados em três momentos distintos. Inicialmente procedeu-se à análise documental. Foram acessados, durante quatro meses, os materiais produzidos pelo próprio governo (como artigos e livros) e por outros pesquisadores acadêmicos, para construir um arcabouço teórico que falasse do cargo desde sua criação, em 2007. Também foi realizado um pré-teste do questionário, no mês de dezembro de 2012. O segundo momento teve início em janeiro de 2013, com a aplicação do questionário, já ajustado segundo resultados do pré- teste, estruturado com questões abertas e fechadas, para tentar apreender ao máximo as percepções dos ocupantes do cargo. Paralelamente, as entrevistas com os dirigentes do cargo de empreendedor público iam sendo realizadas, finalizando o terceiro e último momento da coleta de dados. Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas. Trechos delas serão

utilizados para ilustrar as análises dos questionários, bem como para complementar as percepções.

5.4.1 Da coleta dos dados documentais

Para a coleta e análise dos dados secundários, foram utilizadas fontes documentais. Gil (2006, p. 166) aponta quatro principais vantagens de seu uso: “possibilita o conhecimento do passado; possibilita a investigação dos processos de mudança social e cultural; permite a obtenção de dados com menor custo”; e “favorece a obtenção de dados sem o constrangimento dos sujeitos”.

Inicialmente, foram acessadas informações disponibilizadas pelo Escritório de Prioridades Estratégicas, como as planilhas de controle de pessoal, contendo datas de entradas e saídas, dados demográficos, informações funcionais e alocação dos empreendedores públicos nas Secretarias de Estado e projetos do governo. Também estavam disponíveis os resultados da Pesquisa de Clima realizada em julho de 2012 no Escritório e todas as avaliações dos Planos de Trabalho dos empreendedores públicos em atuação e exonerados. Além disso, havia publicações internas, artigos de congressos e livros lançados sobre o tema, que foram acessados de modo a contribuir para a construção de um arcabouço teórico.

A partir destes dados, foi criado um panorama histórico capaz de contar a origem do cargo, seus resultados para o governo de Minas Gerais na chamada “primeira geração” – 2007/2010, e de delinear o atual perfil do ocupante. Também se entendeu que os dados documentais e as entrevistas foram suficientes para compreender a experiência da primeira geração, sendo, portanto, definido o foco da pesquisa empírica com os ocupantes do cargo de empreendedor público após abril de 2011, data em que teve início a atuação da “segunda geração” de EPs.

Vale ressaltar que aproximadamente 50% dos empreendedores da “primeira geração” permaneceram no cargo após o final do primeiro exercício (cerca de 43 pessoas), quase todos nos mesmos projetos, tendo sido exonerados e renomeados para atender às conformidades da legislação que regulamenta o cargo e seu exercício. Em outras palavras, muitos dos sujeitos

da pesquisa vivenciaram os dois momentos, e o questionário permitia que eles fizessem comparações caso percebessem a necessidade.

5.4.2 Da aplicação dos questionários

Após o levantamento e a análise dos dados secundários coletados, bem como da vivência prática no cargo, foi possível conhecer o perfil geral do empreendedor público e definir a estratégia para obter os dados necessários.

Inicialmente, foi elaborado um questionário (APÊNDICE II) com perguntas fechadas e abertas, com base nos objetivos do estudo. A principal função do questionário foi mapear o perfil geral do empreendedor público que havia sido contratado após 27 de abril de 2011 e que tivesse exercido o cargo há, pelo menos 90 dias, estando ele em exercício ou exonerado, bem como compreender sua percepção sobre o cargo e sua atuação no governo de Minas Gerais.

Destaca-se que foi realizado na primeira quinzena do mês de dezembro de 2012, pré-teste com 5 sujeitos. Para tal procedimento, a pesquisadora entrou em contato com pessoas de sua confiança, 4 em exercício no governo de Minas Gerais e 1 já exonerado, sendo 3 empreendedores públicos e 2 ocupantes de cargos da estrutura (DAD) com atuação direta junto aos EPs, para que respondessem ao primeiro instrumento elaborado. Todas as considerações foram ouvidas e várias alterações realizadas.Ao final de dezembro de 2012, a versão final do questionário estava pronta. Após o pré-teste, foram eliminadas as questões que poderiam identificar os respondentes, como: prioridade estratégica em que atuavam, secretaria em que estavam alocados e projeto que desenvolviam, outras questões foram inseridas e algumas reformuladas para dar maior clareza.

A coleta dos dados quantitativos foi realizada no mês de janeiro de 2013. Para esta etapa, foi disponibilizado pela Superintendência de Empreendedores Públicos o mailing de todos os EPs (em exercício e exonerados) para envio do link. Cada empreendedor recebeu um e-mail, no dia 3 de janeiro de 2013, explicando a proposta da pesquisa e solicitando o preenchimento do questionário, com a garantia de anonimato e de utilização para fins acadêmicos. Foi feita a

tentativa de deixar claro no e-mail que não se tratava de uma pesquisa do governo e que a finalidade era a tese de doutorado em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais da pesquisadora. Foi dado o prazo de resposta até 31 de janeiro de 2013.

A estratégica de coleta de dados utilizada consistiu em desenvolver o questionário em uma ferramenta online, o Google Docs. Assim, os respondentes poderiam acessar o questionário por meio de um link, em qualquer computador conectado à internet, sem a necessidade de salvar e enviar, garantindo maior confidencialidade e acessibilidade. O formulário era visualmente agradável e de fácil compreensão.

Após vencido o prazo inicial de resposta, e com apenas 29 questionários respondidos, a pesquisadora pediu ajuda à diretora vice-presidente do Escritório. Ela enviou e-mail pessoal aos EPs, reforçando a importância da pesquisa e a não vinculação com o governo. Foram dados mais dez dias para os respondentes. Foram obtidos mais 15 questionários, encerrando- se, assim, a coleta de dados com 44 questionários respondidos.

Para o tratamento das informações foram utilizadas a estatística descritiva e o teste de hipótese Qui-Quadrado, que será apresentado adiante.

As questões abertas do questionário relacionavam-se às percepções individuais dos respondentes após cada item “fechado” – eles poderiam comentar aquela questão. Também foram desenvolvidas algumas questões abertas onde os sujeitos poderiam construir seu próprio conceito acerca do item pesquisado, sem que houvessem categorias de respostas estabelecidas a priori. A tentativa era de dar voz aos empreendedores, com a liberdade do anonimato do questionário.

5.4.3 Entrevistas com os dirigentes – pesquisa qualitativa

Basicamente, a pesquisa qualitativa se refere a um nível de realidade que não pode ser quantificado, porque pertence a um universo maior de significados (MINAYO, 1999). A pesquisa é resultado de um pensamento somado à ação: indagação e construção da realidade. Ou seja, o objeto é socialmente construído, não está lá aguardando para ser investigado. Ela é

definida a partir da abordagem e da postura do pesquisador, com ênfase no processo. As percepções dos sujeitos e do investigador, portanto, se completam.

Esta metodologia de pesquisa focaliza o modo como indivíduos e grupos de indivíduos veem e entendem o mundo, ou uma parte específica dele, e como constroem significado e conhecimento. Pode ser considerada uma tentativa de aproximação dos métodos de pesquisa às ciências sociais, cuja principal motivação derivou de fenômenos complexos da vida social e que não estão sujeitos à quantificação e análise estatística (MINAYO, 1999). Günter (2006) corrobora essa premissa ao sustentar que uma primeira distinção entre a pesquisa quantitativa da qualitativa refere-se ao fato de que na metodologia qualitativa existe a aceitação de forma explícita de crenças e valores sobre a teoria, a escolha dos tópicos de pesquisa e, ainda, a interpretação dos resultados.

Para Neves (1996), a pesquisa qualitativa é considerada um conjunto de técnicas interpretativas que tem por objetivo descrever e decodificar as diversas compreensões de um sistema complexo de significados e cuja finalidade é traduzir e expressar os sentidos dos fenômenos do mundo social. Godoi e Balsini (2006, p. 90; 91) reforçam que na pesquisa qualitativa o que se busca é “a compreensão dos agentes, daquilo que os levou a agir como agiram”. E isso só é possível “se os sujeitos forem ouvidos a partir da sua lógica e exposição de razões”.

Na pesquisa qualitativa, foram realizadas 6 entrevistas semiestruturadas (Apêndice III) com ocupantes de cargos de dirigentes no Escritório de Prioridades Estratégicas, órgão gestor do cargo de empreendedor público, sendo: 2 responsáveis pela gestão dos empreendedores públicos na primeira experiência (2007-2010) e que ainda atuam no Escritório, sendo uma delas superintendente do Núcleo gestor do EPs; 2 coordenadores de Núcleo do Escritório (com status de sub secretários no governo), sendo um deles o gestor do Núcleo dos EPs e a diretora vice-presidente do Escritório. Destes cinco, quatro eram empreendedores públicos na primeira geração. Também foi entrevistado o ex diretor-presidente do Escritório, coordenador do programa Estado para Resultados e um dos idealizadores do cargo de empreendedor público. Esse corpus não objetivou ser representativo de nenhum recorte da amostra anterior. Sua principal função foi complementar (corroborando ou contrapondo) os elementos presentes nos questionários, por meio das falas dos entrevistados, e, principalmente, tentar

compreender a percepção dos dirigentes sobre o que deveria ser o cargo de EP e o que realmente tem sido para o atual governo.

Quatro das entrevistas foram realizadas na Cidade Administrativa, nas salas dos dirigentes, sendo uma delas no mês de novembro de 2012 e as outras três no mês de janeiro de 2013. Uma das entrevistas foi realizada na casa da respondente, também em janeiro de 2013, e a última entrevista em março de 2013, no BDMG. As entrevistas foram gravadas, com a autorização dos entrevistados, e depois transcritas na íntegra. Os relatos, muitas vezes, corroboram as percepções dos empreendedores; outras vezes, apontam elementos que eles próprios não avaliam. Essas falas aparecerão nas análises, confrontando ou apoiando dados dos questionários e/ou da pesquisa qualitativa.