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5. Analysedel

5.3 Samfunnsnivå

5.3.5 Kjønnsperspektivet

É importante compreender que a questão central da pesquisa qualitativa é a ênfase na interpretação do sujeito. A teoria, assim, mostra-se como um pano de fundo e não pode ser vista como algo estático, mas como um sistema aberto, parcial e em constante desenvolvimento, que não é, em si, o resultado final e que pode, inclusive, ser replicado e contraposto. A pesquisa qualitativa possui uma série de particularidades, principalmente porque lida com a subjetividade dos pesquisados e do pesquisador, sendo esta uma de suas grandes contribuições.

É válido ressaltar que, independente do método de pesquisa adotado, a revitalização do aspecto epistemológico é uma necessidade diante da tendência de monopolizar o científico meramente a partir da relação entre os dados coletados com os instrumentos que os produzem (GONZÁLEZ-REY, 2005). Assim, não foi intenção desta etapa da pesquisa fornecer elementos de análise que gerassem novos quadros, tabelas ou gráficos. Também não se

buscou um padrão único de respostas que fosse representativo da população pesquisada. A intenção com as questões abertas do questionário foi verificar até que ponto os dados obtidos nesta etapa qualitativa apoiavam ou refutavam aqueles obtidos pelo instrumento quantitativo, ilustrando-os.

Destarte, foram utilizadas todas as sentenças escritas pelos EPs nos espaços abertos de resposta após cada questão fechada. As questões de natureza estritamente “aberta” foram tratadas nos moldes do método de análise de conteúdo (AC), que, de acordo com Bardin (1988) consiste na organização das informações em torno de três polos cronológicos: a) pré- análise; b) exploração do material; e c) tratamento dos resultados, inferência e interpretação. Cada uma destas etapas possui uma série de procedimentos que devem ser adotados, visando tirar dos materiais coletados as informações que responderão ao problema de pesquisa. Segundo Bardin (1988, p.101), os resultados brutos obtidos “são tratados de maneira a serem significativos (falantes) e válidos”. Desse modo, são utilizadas operações que “permitem estabelecer quadros de resultados, diagramas, figuras e modelos, os quais condensam e põem em relevo as informações fornecidas pela análise”

Para as entrevistas, não foram utilizadas técnicas de análise específicas; apenas utilizou-se dos relatos dos dirigentes para construir a argumentação ao longo da apresentação dos resultados. Por serem relatos muito ricos em detalhes relevantes para a pesquisa, são utilizados, frequentemente, grandes trechos transcritos na íntegra. Ademais, o discurso daqueles que ocupam um lugar de poder no governo tem todo um significado próprio, carregado de símbolos e signos, que compõem a linguagem.

Segundo Brandão (2004), na trilha aberta por Saussure, Bakhtin (ou Voloshinov, 1929) a língua é compreendida enquanto um fato social, cuja existência se fundarianas necessidades de comunicação. No entanto, este último compreende a língua como algo concreto, fruto da manifestação individual de cada falante e atribui, assim, lugar privilegiado à enunciação enquanto realidade da linguagem e coloca o enunciado como objeto dos estudos da linguagem. Para Bakhtin (ou Voloshinov, 1929), na enunciação se realiza a intersubjetividade humana.

Quanto à linguagem, segundo Brandão (2004), ela é compreendida enquanto interação social, signo dialético, vivo e dinâmico. Assim, a linguagem, enquanto sistema de significação da

realidade é um distanciamento entre a coisa representada e o signo que a representa. Nesse interstício reside o ideológico. Para Bakhtin, a palavra é o signo ideológico por excelência e, deste modo, a linguagem é o lugar em que a ideologia se manifesta concretamente.O ponto de articulação dos processos ideológicos e dos fenômenos linguísticos, portanto, é o discurso. A linguagem é o lugar de conflito, de confronto ideológico, não podendo ser estudada fora da sociedade, já que os processos que a constituem são histórico-sociais.

A linguagem comum de que dispõem os sujeitos para a objetivação de suas experiências, tem seu alicerce na vida cotidiana, sendo utilizada para dotar as experiências de significação. Como acreditam que sua vida forma um todo coerente, os sujeitos criam, individualmente, legitimações para explicar e justificar cada parte de sua vivência, integrando-as em um todo dotado de sentido. Posteriormente, essas legitimações subjetivas são articuladas e partilhadas socialmente, tendo como propósito integrar as diferentes objetivações (BERGER e LUCKMAN, 1985).Essa integração visa tornar a instituição subjetivamente plausível tanto para as pessoas que participam dos diferentes processos institucionais quanto para o sujeito que, ao longo da sua biografia, passa por várias fases dentro da ordem institucional. O conjunto de legitimações forma, por fim, o universo simbólico, que é capaz de integrar todos os setores da ordem institucional em um quadro de referência global.

A totalidade de um mundo pode ser atualizada por meio da linguagem: ela torna presente objetos que estão ausentes, tanto em termos espaciais como temporais e sociais, e constitui a ponte entre as diferentes zonas da realidade da vida cotidiana, integrando-as e, mesmo, transcendendo-as (linguagem simbólica). Simbolismo e linguagem são, portanto, essenciais à realidade da vida cotidiana e da captação, pelo senso comum, desta realidade (BERGER e LUCKMAN, 1985).O universo simbólico é concebido como a matriz de todos os significados socialmente objetivados e subjetivamente reais. Trata-se do último estágio de objetivação da realidade socialmente constituída, embora deixem claro que o universo simbólico é teórico; ou seja, as pessoas comuns vivem nele ingenuamente sem ter a necessidade de acessá-lo como um todo (BERGER e LUCKMAN, 1985).

Essa noção é compartilhada por Charlot (2000), ao afirmar que a relação com o saber é oriunda da interação entre o sujeito com o mundo, com ele próprio e com as outras pessoas, permeada por um conjunto de significados a estes atribuídos, em inter-relação com “espaço de atividades” e inscrito no tempo. “O homem só tem um mundo porque tem acesso ao universo

dos significados, ao simbólico; é nesse universo simbólico que se estabelecem as relações entre o sujeito e os outros, entre o sujeito e ele mesmo” (CHARLOT, 2000, p.78). Entretanto, não se pode negar que as palavras são signos poderosos e influenciam a construção do mundo social e o modo como ele é vivido. Assim o discurso, importante constituinte da personalidade dos indivíduos, é a principal componente do comportamento individual. Retomando Voloshinov (1973), o autor afirma que as palavras são o signo ideológico por excelência, sendo imbricadas pelas disputas que vão desembocar nas suas significações.

Os signos linguísticos, imbuídos de significados dados a priori até serem (re)significados, buscam determinar papéis a serem seguidos pelos sujeitos no interior da sociedade. Atuam delimitando espaços determinados para serem preenchidos pelas pessoas, de maneira interessada, não possuindo neutralidade possível e sendo alvo de disputas pelos sujeitos e pelas forças sociais. Assim, pode-se dizer que as estratégias discursivas são importantes componentes a serem analisados no campo dos estudos organizacionais e, mais precisamente, nas relações entre os sujeitos nas organizações e aqueles que estão em diferentes organizações.