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Semantisk komposisjonalitet og den syntaktiske analysen

3. Metode

5.5 Semantisk komposisjonalitet og den syntaktiske analysen

Como vimos Ockham, ao explicar o uso da palavra “signo”, fornece duas acepções básicas. Iremos mostrar que além dessas duas acepções, existem mais duas que, juntas com as anteriores, compõem a totalidade dos tipos de signos que podemos atribuir a Ockham.

A formação de quatro tipos de signo para Ockham é baseada nas combinações entre dois critérios de classificação dos elementos constituintes de um signo que ele deixa sugerido ao longo do trecho em que fala sobre os usos da palavra “signo”. O primeiro critério é relativo ao modo de origem do signo, que explica como algo vem a se tornar um signo, o segundo, ao modo de funcionamento, ou seja, é relativo à maneira que ocorre a significação de um signo. Isso de modo que todo signo deva ter um tipo específico de origem e um tipo específico de funcionamento. Esses dois critérios são independentes entre si, visto que a gênese de um signo não implica em um tipo específico de modo de ação ou funcionamento desse signo, da mesma maneira que a significação de um signo pode ser conduzida de modo alheio a como esse signo chegou a ter esse poder de significação que tem.

Os tipos de origem de um signo para Ockham, segundo o trecho já mencionado, podem ser dois, sendo ou natural ou convencional. A significação também pode ser de dois tipos, sendo ou linguístico ou representativo, sendo esse último considerado como um tipo de significação não linguística geral, onde sua qualificação se dá mediante sua capacidade ampla de poder significar sem carecer de um meio linguístico para isso. A associação entre as possibilidades de modo de origem com as possibilidades de modo de significação é o que faz resultar um total de quatro tipos de signo.

O 1º tipo de signo que podemos obter assim é o signo que tem uma origem natural e a significação representativa, ou seja, que significa para além de contextos linguísticos; o 2º tipo de signo é o de origem natural e funcionamento linguístico, o 3º

tipo de signo é o convencional representativo e o 4º tipo é o convencional linguístico.

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Modo de Origem Modo de Significação Exemplos

1º tipo

Natural

Representativo

Pegadas e nuvens de chuva

2º tipo

Natural

Linguístico

Conceitos

3º tipo

Convencional

Representativo

Bandeiras e círculos em tabernas

4º tipo

Convencional

Linguístico

Palavras faladas e escritas.

Como vimos, Ockham ele mesmo explicita apenas duas dessas acepções ao falar sobre a palavra “signo”. De acordo com nossa reconstrução, essas duas acepções de signo mencionadas por Ockham equivalem respectivamente ao nosso 1º tipo de signo, o signo natural e representativo, que é o tipo de signo equivalente ao signo agostiniano, e ao nosso 4º tipo de signo, o signo convencional linguístico. De fato, Ockham consegue representar as possibilidades de classificação geral dos tipos de signo com apenas esses dois tipos de signos, visto que esses tipos mencionados por ele são opostos entre si tanto com relação à origem quanto com relação ao modo de significação. Assim, para o propósito de mostrar que há signos que não são linguísticos, e que não são esses tipos de signos a serem abordados no seu texto em questão, basta para Ockham apenas considerar esses dois tipos de signos explicitados por ele. Para Ockham não há uma necessidade em se detalhar tanto os tipos de signos em geral, visto que o interesse dele é focar-se nas significações possíveis dos termos propriamente lógicos.

A legitimidade dessa reconstrução dos tipos de signo em Ockham em um número de quatro, ao invés apenas daqueles dois expostos por ele naquele trecho principal, é fundamentada em sua explicação acerca dos termos mentais, exemplos centrais para os signos de caráter mental. O signo mental é algo equivalente à própria atividade de inteligir ou de pensar, e detém um tipo de funcionamento linguístico em conjunto com uma explicação natural para sua origem, sendo assim um signo do 2º tipo, que esboçamos anteriormente. No seguinte trecho Ockham evidencia essas características do signo mental:

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“(...) dizem que a intelecção pela qual entendo um homem é um signo natural dos homens – natural assim como o gemido é signo de enfermidade, ou de tristeza, ou de dor – e é tal signo que pode estar pelos homens nas proposições mentais, assim como a palavra falada pode estar pelas coisas nas proposições faladas” 1

Os termos mentais compõem as proposições mentais, e tais termos têm seu poder de significação originado naturalmente, da mesma forma que a significação de um gemido é gerada naturalmente, e significa todas as suas possibilidades de objetos significados, sejam esses ou a tristeza, ou a angústia, ou a raiva, ou uma doença, etc. Apesar dessa origem natural, mediante um contato direto com a coisa significada, os termos mentais significam através de uma estrutura linguística própria, ostentando o poder de suposição dos termos, propriedade semântica exclusiva de signos linguísticos usados em contextos proposicionais.

O único tipo de signo que Ockham não fornece maiores explicações é o 3º tipo de signo de nossa reconstrução que, no geral, pode ser considerado como um detalhamento a partir de exemplos do 1º tipo de signo, ou da primeira acepção de signo dada por Ockham. É dito que o círculo na taberna é algo que significa naturalmente o vinho, seja essa significação entendida como uma relação de causalidade ou similaridade, ou ainda de outro tipo2. Contudo, a rigor, a significação natural é aquela que tem a relação entre significante e significado originada e estabelecida independentemente de usos e costumes humanos. Uma pegada na areia, uma nuvem carregada ou uma fumaça significam naturalmente, pois a ligação entre tais signos com seus objetos significados não surgiram em dependência da vontade de ninguém. De outro lado, o fato de um círculo na taberna significar o vinho, por mais que haja uma relação ou de semelhança ou de causalidade entre o formato redondo da tampa do barril com o conteúdo do barril, pressupõe a intenção prévia de se usar aquela forma circular para indicar a presença do vinho no estabelecimento, onde sem essa intenção prévia não haveria uma relação significativa entre o círculo e o vinho. Dessa forma, esse tipo de signo não seria simplesmente um signo natural representativo (1º tipo), mas antes um signo convencional representativo (3º tipo), onde a sugestão textual de que o círculo

1 Ockham, Lógica dos termos, Pg. 161. “(...) dicunt quod intellectio qua inteligo hominem est signum

naturale hominum, ita naturale sicut gemitus est signum infirmitas vel tristitiae seu doloris; et est tale signum quod potest stare pro rebus in propositionibus mentalis, sicut vox potest stare pro rebus in propositionibus vocalibus.” (em Biard, trad. Somme de Logique, I, Cap.15, Pg. 54).

2 O que assumimos aqui é que esse tipo de significação é baseado em convenção, e que o círculo

representa o vinho numa forma de metonímia. (Cf. Biard, trad. Somme de Logique, I, Cap.1, Pg. 7, nota 5).

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“significa naturalmente” (naturaliter significat) o vinho é antes uma forma de ressaltar a amplitude de certo tipo de uso da palavra “signo” que ele quer evitar em seu texto, e não uma indicação de que a origem da significação do círculo na taberna seja de fato natural. É certo que esse 3º tipo de signo é a única classificação reconstruída que podemos dizer ser destituída de sugestões mais diretas provindas de Ockham, e sua exemplificação através do exemplo do círculo na taverna seria discutível, porém ela é baseada numa distinção conceitual que é plenamente atribuível a Ockham. A ausência de uma exposição explícita sobre esse tipo de signo, como já sugerimos, é baseada no interesse de Ockham em falar sobre os signos linguísticos para uma análise lógica.

Enfim, feitas as especificações sobre todos os tipos possíveis de signos mais gerais para Ockham, podemos analisar o que seja mais detalhadamente o poder de significação linguística, e passar a investigar as relações e distinções entre a linguagem convencional e a linguagem mental, onde entenderemos melhor o lugar dos signos mentais.

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