Desde quando criei TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE,venho refletindo sobre o acolhimento e a calorosa recepção com o
jogo entre meus alunos leitores. Todas as experiências vividas nas diversas salas de aula de todos os graus da Educação por onde lecionei, ouvi depoimentos de alunos que diziam não conhecer, do modo como são mostradas muitas das 16 linguagens pertencentes ao jogo.
Diante do fato, farei aqui uma avaliação, procurando refletir sobre as respostas dadas pelos alunos, nos diferentes níveis de Ensino, por onde propus a experiência com o jogo, em sala de aula.
No Ensino Fundamental II, tive oportunidade de trabalhar com alunos na faixa etária dos 13 anos de idade, cursando a 7ª série. Para eles, TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM
JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE foi em todos os momentos, uma grande
novidade. O contato deles com as linguagens, diferentes materiais e propostas de trabalhos tridimensionais sugeridas no jogo foi estimulante e motivador para a descoberta e ampliação de conhecimento. Puderam demonstrar autonomia para tomadas de decisões relacionadas a retiradas, multiplicação ou acréscimos de outros materiais em seus trabalhos. No que se refere ao suporte, a própria palavra foi outra descoberta. Percebi que inicialmente sentiam- se inseguros, quase não acreditando que podiam produzir trabalhos em suportes, que não fosse apenas o papel, como, por exemplo, o chão, a parede, o corpo entre outros.
Mesmo assim, algumas produções de caráter tridimensionais demonstraram fortes tendências ligadas ao espaço bidimensional, como se estivessem desenhando no papel. Um exemplo disso está no trabalho de título: Nossa moda, 2007 (imagens 174 e 175, p. 151). Um site especific, construído em baixo de uma escada da escola, local intransitável. O resultado revela que as mudanças nas concepções que os alunos trazem sobre o que pode e como pode ser uma produção artística precisa ser exercitada inúmeras vezes para se incorporar em suas práticas.
Outro aspecto impactante e motivador foi o fato de algumas produções terem acontecido em espaços fora da sala de aula. Isso lhes provocou novas reflexões e descobertas de conhecimento. De modo geral, os alunos responderam positivamente ao
jogo. Acredito que, por conta da idade e falta de repertório, seus comentários não foram tão profundos quanto a própria experiência. Ficando mais no plano das sensações, como relatou o aluno Jonas: “eu gostei de fazer o trabalho do túnel. Foi fácil e rápido de fazer, descobri que fazer arte nas aulas do professor Pio é como brincar. Os dados são muito legais de brincar com eles, e eles indicam vários trabalhos legais de fazer. Arte contemporânea é tudo de bom!”
No Ensino Médio, trabalhei com alunos na faixa etária dos 15 aos 17 anos de idade, cursando a 1ª e 2ª série. Para eles, TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE, não diferente do Ensino Fundamental II,foi, também, em
todos os momentos, grande novidade. Do mesmo modo, o contato deles com as linguagens, diferentes materiais e propostas de trabalhos tridimensionais sugeridas no jogo foi estimulante no sentido motivador, de descobertas de conhecimento.
Os alunos demonstraram autonomia nas tomadas de decisões relacionadas a retiradas, multiplicação ou acréscimos de outros materiais em seus trabalhos. No que se refere ao suporte, igual ao Ensino Fundamental, aqui se repete, ou seja, a própria palavra foi outra descoberta. Para eles foi novidade, também, poder produzir trabalhos em suportes que não fosse apenas o papel. Refletirem sobre o conceito de apropriação de materiais do cotidiano na construção de seus trabalhos.
Viver a experiência estética no envolvimento com o trabalho foi outro aspecto importante na fala de alguns alunos. Assim, foi impactante descobrirem valores simbólicos em materiais do cotidiano que compuseram suas metáforas artísticas.
O trabalho em grupo foi um importante gerador de diálogos, planejamentos e tomadas de decisões em busca da construção de conhecimento. A linguagem da performance foi um estímulo para os adolescentes abordarem temas sociais, de seu universo, com vigor e relação semântica.
Fica muito claro que, alguns trabalhos, por sua natureza, na prática, colaboram na fixação de seus conceitos. Um exemplo disso foi a intervenção urbana (Imagens 183 e 184, p. 161), que fez a classe sair da escola e ir até à praça, apreciar o trabalho do grupo. De modo geral, os alunos do Ensino Médio, também, responderam positivamente ao jogo e percebeu-se que seus comentários trazem reflexões que vão além das sensações em direção às elaborações cognitivas.
Na experiência com a Educação para Jovens e Adultos (EJA), percebí muitas semelhanças com o Ensino Fundamental II. Assim, TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE, para os alunos, foi, com mais ênfase em todos os momentos, novidade. O contato deles com as linguagens, diferentes materiais e propostas de trabalhos tridimensionais sugeridas no jogo foi até excessivo, porém, motivador e propositor de descobertas e novos conhecimentos. Puderam demonstrar, apesar de certa insegurança, autonomia para tomadas de decisões relacionadas a retiradas, multiplicação ou acréscimos de outros materiais em seus trabalhos. No que se refere ao suporte, a própria palavra foi, também, outra descoberta. Percebi que se sentiam inseguros, quase não acreditando que podiam produzir trabalhos em suportes que não fosse apenas o papel. De modo que a maioria optou por utilizar o chão.
Assim, como aconteceu no Ensino Fundamental II, na EJA, algumas produções de caráter tridimensionais demonstraram fortes tendências ligadas ao espaço bidimensional, como se estivessem desenhando no papel. Um exemplo disso está no trabalho de título: Homem, 2007 (imagens 199 e 200, p. 173). Que era uma proposta de instalação, mas que se distanciou das características daquela linguagem, permitindo-me reavaliar meu modo de mediar e rever naquela sala, os conceitos e características da linguagem.
Nos comentários sobre seus trabalhos, na roda de conversa, os estudantes da EJA sentiam-se mais à vontade para socializar suas ideias, falando do processo de desenvolvimento do trabalho, dos acertos, suas dificuldades e descobertas. Acredito que, de modo geral, os alunos aqui responderam positivamente ao jogo como citou Rubens: “o trabalho foi um jeito especial de aprender arte. É uma novidade para mim, usar materiais comuns para fazer trabalhos!”
Na Universidade Cruzeiro do Sul, trabalhei com alunos do segundo semestre do curso de licenciatura em Educação Artística. Para eles, TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM
JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE foi também, novidade. Muitas das linguagens do jogo eram desconhecidas pela maioria. Fato que motivou a turma a estudar e se envolver com os conteúdos propostos. Assim, percebi que, na universidade, encontrei também, alunos muito carentes de informações sobre arte e sua história.
Nas jogadas, puderam demonstrar autonomia para tomadas de decisões relacionadas a retiradas, multiplicação ou acréscimos de outros materiais em seus trabalhos. No que se refere ao suporte, para alguns foi uma descoberta, como também, refletirem sobre o conceito de apropriação de materiais do cotidiano na construção de seus
trabalhos. Por serem alunos universitários, tinham mais repertório sobre arte do que os do Ensino básico. E, naturalmente, mostraram-se envolvidos com produções reflexivas e trabalhos de melhor qualidade técnica e estética. Foi possível perceber que o jogo estimulou e motivou os alunos a estudarem conceitos como o de arte de protesto, produzirem mais, com mais segurança e organização, como fez o grupo que produziu o happening, na lanchonete do McDonalds do Shopping Anália Franco.
Na universidade, tive com o jogo a impressão de que ele provocou pesquisas, promoveu conhecimento e os alunos ficaram mais interessados em conhecer elementos da arte, sobretudo, as diversas linguagens e seus cruzamentos híbridos, na contemporaneidade.
Na Universidade Santa Cecília (UNISANTA), a experiência com o jogo foi com alunos do curso de Especialização em Artes Visuais, diante da disciplina Laboratórios de
Materiais Contemporâneos sob minha responsabilidade. Para eles, TERRITÓRIO
CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE, não foi diferente do que ocorreu em todos os outros níveis de Ensino já mencionados, isto é, foi também, novidade. Muitas das linguagens do jogo eram desconhecidas dos alunos, visto que em um curso de especialização, matriculam-se alunos de outras áreas do conhecimento.
Diante da novidade que foi o jogo para alguns, a turma motivou-se a estudar e envolver-se com seus conteúdos. Assim, percebi que, ali, pude mediar o conhecimento que ampliava o olhar dos alunos, sobretudo, os de outras áreas. Nas jogadas dos dados, puderam, também, demonstrar autonomia para tomadas de decisões relacionadas a retiradas, multiplicação ou acréscimos de outros materiais em seus trabalhos. No que se refere ao suporte, percebi que para alguns foi uma descoberta, como também, refletirem sobre o conceito de apropriação de materiais do cotidiano na construção de seus trabalhos.
Por serem alunos de especialização, mostraram-se mais disponíveis para produções reflexivas com mais acuidade, leituras de imagens, de textos complementares e trabalhos de boa qualidade técnica e estética. Assim, foi possível perceber que o jogo estimulou e motivou os alunos a pesquisarem sobre seus conceitos e construírem trabalhos poéticos com boa qualidade estética.
As diversas experiências com o jogo, vivenciadas nas salas de aula, de todos os níveis de ensino em que tive oportunidade de trabalhar, promoveram calorosos debates, provocaram reflexões e sempre deixaram aberto o espaço da perspectiva, isto é, da
continuação, da pesquisa, do por vir, da comparação no contato com a obra original, da mediação social e cultural e, especialmente, da troca de experiências.
Acredito que o modo como organizei o jogo, primeiro fazendo uma amostragem das imagens das obras, separadas por linguagens, levando o aluno a olhá-las por meio de palavras-chave, para suas características e especificidades básicas, tais como seus suportes, materialidades e temas, como se estivéssemos radiografando estes detalhes foi produtivo e provocador. Assim, também, apropriando-me das ações da Proposta Triangular, sugerindo visitas/expedições aos espaços culturais, como método, acredito ter provocado reações quase apaixonadas de descobertas e produção de conhecimento.
Como autor, procurei fazer que TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE não fosse um jogo pronto, fechado, acabado. Ao
contrário, por ser objeto propositor e mediador de conhecimento, sua maior característica está anunciada no centro de sua nomenclatura. O “EM JOGO” indica que o TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO,está em movimento, em continuidade, em constante transformação, em construção, pulsando, é também efêmero e vivo. Sua formatação autometamorfoseia-se, e, por ser, assim, chega a ser “líquido”, remetendo-me ao que diz Zygmunt Bauman:
O “derretimento dos sólidos”, traço permanente da modernidade, adquiriu, portanto, um novo sentido (...) os que estão derretendo neste momento, o momento da modernidade fluida, são os elos que entrelaçam as escolhas individuais em projetos e ações coletivas. (BAUMAN, 2001, p.12).
Assim, TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE dá ao aluno a oportunidade dele, também, ser criador de inúmeras propostas,
para além das sorteadas. Podendo levá-lo a inúmeras possibilidades metafóricas artísticas e culturais.
Para finalizar, o autor/educadorsugere que o alunosinta-se livre para acrescentar novas linguagens, outras imagens e aceitar ou mudar as propostas das jogadas. Tomar suas próprias decisões e, ao criar sua poética visual, articulá-las, comparando-as, em suas particularidades, com o que há de semelhante nos espaços expositivos, no meio artístico e cultural de sua cidade. O importante em todo este processo é o fazer pensar, é produzir e compartilhar conhecimento, dialogar e manter-se, também, “EM JOGO”.