Imagem 177 - Túnel, 2007, Instalação, pedras, papel e lápis. Foto de Pio Santana
8. Ao jogar, o grupo obedeceu ao sorteio dos dados ou escolheu cada dado para construir o trabalho? Comente se isso é importante:
Nós ficamos com as pedras, papel e lápis. Resolvemos não usar os outros materiais que saíram nos dados que foram: tecido e objetos domésticos.
9. Comentário individual sobre o trabalho: o que você achou da experiência de realizar este trabalho? O que você aprendeu sobre arte contemporânea e o que mais chamou sua atenção?
André: eu adorei esse trabalho, foi fácil com os materiais; as pedras nós pegamos aqui mesmo na
escola. O papel foi do caderno e o lápis é o que já temos.
Guilherme: eu gostei do trabalho, foi divertido e fácil de fazer o túnel. Acho que arte contemporânea
é como brincar e aprender fazendo trabalhos de arte.
Caique: foi bem divertido fazer este trabalho. Muito fácil e tinha uma história que inventamos com o
Jonas: eu gostei de fazer o trabalho do túnel. Foi fácil e rápido de fazer, descobri que fazer arte nas
aulas do professor Pio é como brincar. Os dados são muito legais de brincar com eles, e eles indicam vários trabalhos legais de fazer. Arte contemporânea é tudo de bom!
O grupo, também, teve autonomia e decidiu eliminar alguns materiais e usar outros. Semelhante aos anteriores, os comentários ficaram no plano das emoções, o que penso ser também importante. Mas se o jogo, por sua natureza lúdica, favorece esse clima emocional, não podemos nos esquecer de pensar as questões da arte diante das produções. Assim, novas descobertas podem acontecer e ampliar o conhecimento sobre arte e vida. O espírito de brincadeira presente no jogo é apenas um elemento motivador para a mediação de conhecimento. Conforme Vigotsky (2007, p. 124), “a essência do brinquedo é a criação de uma nova relação entre o campo do significado e o campo da percepção visual – ou seja, entre situações no pensamento e situações reais”.
Para André, a facilidade foi um aspecto motivador no trabalho, pois encontrar no próprio ambiente da escola os materiais necessários para o trabalho de seu grupo, parece ter impulsionado sua curiosidade. O comentário dá a impressão de que o aluno ampliou o olhar para o valor simbólico dos materiais. O aluno ignorou as outras perguntas da ficha.
Guilherme, perigosamente, generalizou o conceito de arte contemporânea, ao prazer no envolvimento com o trabalho. Por suas palavras e pelo resultado do trabalho, acredito que o aluno tenha aprendido conceitos como os de apropriação, descobriu o suporte como elemento do trabalho, o uso do espaço físico e aprendeu a ressignificar os materiais, com um olhar simbólico, que o levou a uma nostálgica situação de brincadeira infantil. A arte contemporânea tem, muitas vezes, caráter lúdico. Talvez Guilherme, no contato com as imagens do caderno, tenha pressentido esse caráter, generalizando seu comentário.
Caique nos ajudou a pensar sobre seu aprendizado, demonstrando, também, um nostálgico momento de brincadeira infantil ao se referir à brincadeira de carrinho. Mas, em seguida, evidencia a “preocupação com o meio ambiente” Em suas palavras, dá a impressão de que havia uma narrativa que envolvia o túnel e os carrinhos. Ao situar o trabalho como uma instalação, o grupo remete ao genérico uso de maquetes sem escalas a que estão acostumados a produzir em outras disciplinas.
O aluno Jonas achou muito prático o trabalho que produziu, remetendo, também, ao processo de brincadeira e sintetizando aí sua opinião sobre o que fez. Ao analisar os dados
do jogo, o aluno qualificou-os como indicadores de produções e pensamentos sobre arte contemporânea, sempre remetendo para o prazer de fazer.
Aqui estamos observando os trabalhos de alunos na faixa dos 13 anos de idade, quando é mais comum encontrar comentários em tons emocionais do que racionais. Diferente do que escreveram na ficha de registro, na roda de conversa para a leitura do trabalho, os alunos, falaram do processo de desenvolvimento do trabalho, das ideias anteriores, das dificuldades com os materiais, dos acertos, descobertas e, de como se relacionaram com os outros componentes do grupo.
Os trabalhos desenvolvidos com o Ensino Fundamental II foram exemplos dos primeiros exercícios com o jogo. Trabalho que, após sua primeira apresentação e comentários na sala de aula, passou pelo processo de apuramento. Além das experiências na sala de aula com o objetivo de ampliar o conhecimento artístico e cultural, TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE sugere em seu
dado das linguagens o contato vivo do aluno, com o universo cultural da arte, nos museus e instituições culturais da cidade. Para, assim, viverem experiências estéticas no contato com a obra de arte original. Desse modo, Martins e Picosque afirmam que:
A experiência estética pode ampliar o contato com o contexto social e cultural e acervo imaginário de tal modo que obras e artistas passem a integrar o patrimônio pessoal como um bem simbólico interno, um repertório conectado à vida para a leitura do mundo, das coisas do mundo e da própria arte. (MARTINS e PICOSQUE, 2008, p. 134).
No meio do processo de estudos com o jogo, chegamos a realizar várias visitas/expedições culturais em busca do contato com a arte. Martins, cita:
A visita/expedição pode, neste momento, condensar um caráter investigativo. Perguntas formuladas sobre o conteúdo antes da visita poderão encontrar respostas no próprio percurso da expedição, ampliando o que já está sendo pesquisado e estudado. (MARTINS, 2008, p. 61).
As imagens abaixo mostram alguns momentos de expedições culturais com alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Imagens 178, 179 e 180 - Alunos dentro de ônibus, a caminho de visitas às exposições de arte em Instituições culturais
da cidade de São Paulo. Fotos de Pio Santana e de um aluno.
Imagem 181 - Alunos chegam ao Instituto Cultural Itaú. Foto de Pio Santana.
Imagem 182 - Alunos na sala do Setor educativo do Centro Cultural Banco do Brasil. Foto de Pio Santana.
Visitar exposições de arte é viver momentos especiais e ricos de conhecimento. Portanto, as visitas/expedições propostas por TERRITÓRIO CONTEMPORÂNEO EM JOGO: UMA PROPOSTA LÚDICA PARA O ENSINO DA ARTE promovem o contato do aluno com a cultura, mudando sua rotina e o aprendizado ocorre de forma diferenciada.