• No results found

Tabela 2.3: Propostas de cálculo para a determinação do comprimento de transferência de acordo 

com diversos autores. 

Autores  Reforço  Lt  Observações 

Chen e  Teng et al.  [105]    ‐  cm f f f t E    As unidades a utilizar devem estar em N  e em mm.  Matthys  [107]  ‐  ctm f f F f t E c     57 , 1

Com  α=0,9  e  cF=0,202mm.  O  parâmetro  cF corresponde à relação entre a energia  de fractura (GF) e a resistência à tracção  do betão (fctm). O valor 1,57 corresponde,  na prática, a π/2.  Neubauer  e Rostásy  [115]  CFRP  ctm f f f c t E   2   Com c2=2.  Ouezdou  et al. [119]  ‐          cm f f f E t 012 ,

0   A expressão foi obtida a partir de vários resultados  experimentais  recolhidos  na  literatura. 

 

2.6. Modelação numérica 

O  colapso  prematuro  ou  inesperado  de  edifícios,  barragens  ou  pontes  na  Engenharia  Civil  como  noutras  áreas  da  engenharia  em  barcos,  aviões,  comboios,  entre  outros  exemplos  têm  vindo  a  marcar  a  história  da  indústria  mundial.  Grande  parte  destes  acontecimentos ficaram a dever‐se a dimensionamentos insuficientes [38]. Contudo, nos  dias  de  hoje  sabe‐se  que  muitos  desses  colapsos  se  ficaram  a  dever  a  microfendas  pré‐existentes  nos  materiais  que  posteriormente  despoletavam  e  que  se  desenvolviam  originando a fractura do material. Esta descoberta levou, por conseguinte, ao que hoje se  denomina por Mecânica da Fractura. A Mecânica da Fractura pode ser assim definida  como a ciência que estuda a resposta e ruptura de uma estrutura como consequência da  iniciação  da  fendilhação  e  consequentemente  da  sua  propagação.  Assim,  é  com  naturalidade  que  se  tem  assistido  a  uma  crescente  necessidade  de  modelar  computacionalmente  os  comportamentos  não  lineares  dos  materiais.  Como  as  fendilhações  são  a  grande  causa  das  respostas  não  lineares  das  estruturas  de  betão  armado,  tem‐se  procurado  desenvolver  modelos  que  permitam  prever  esses  comportamentos da forma mais real possível. Com efeito, existem diferentes métodos  numéricos  capazes  de  simular  tais  comportamentos,  destacando‐se  aqui  os  dois  modelos: (i) modelos discretos de fendas (Discrete Crack Models – DCM); e (ii) modelos  de distribuição contínua de fendas (Smeared Crack Models – SCM) que se descrevem nos  sub‐capítulos  seguintes.  Como  exemplo  de  programas  de  cálculo  comerciais  que  recorrem  a  estes  tipos  de  modelos  refiram‐se  o  CRACKER,  o  FRANC  (FRacture  ANalysis Code) e o MERLIN [120] que permitem o uso da DCM, o DIANA e o ATENA  [121] que se baseiam na SCM para modelar os elementos de betão. 

  A escolha do modelo a adoptar na análise numérica depende da sua finalidade e  também  da  estabilidade  numérica  que  se  pretende  incutir  na  modelação.  Em  termos  globais, se a relação carga‐deslocamento é primordial, sem grandes preocupações pelos  padrões  de  fendilhação  e  de  estimativa  das  tensões  locais,  o  SCM  é  provavelmente  a 

60  CAPÍTULO 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE  O DESEMPENHO E A MODELAÇÃO DA LIGAÇÃO FRP/BETÃO  melhor escolha. Se o interesse reside no detalhe do comportamento local do modelo, a  adopção do DCM deverá ser necessária [46]. 

 

2.6.1. Modelos discretos de fendas (DCM) 

A  primeira  modelação  de  elementos  de  betão  armado  por  elementos  finitos  foi,  de  acordo  com  [46],  desenvolvida  por  De  Ngo  e  Scordelis  em  1967  [122],  tendo  desenvolvido uma análise elástica linear em vigas com padrões de fendas pré‐definidos.  As  fendas  foram  modeladas  através  da  separação  de  pontos  nodais  da  malha  de  EF  criando  assim  um  modelo  discreto  de  fendas.  Em  1981,  Saouma  e  Ingraffea  [123],  introduziram  no  modelo  numérico  as  descontinuidades  do  campo  dos  deslocamentos  resultantes  da  FPZ.  A  análise  da  fendilhação  assim  produzida,  não  é  de  tarefa  fácil  e  requer  que,  para  um  dado  nível  de  solicitação,  a  solução  tenha  em  conta  não  só  as  tensões e extensões dos materiais, como também tenha em conta as formas geométricas  e  as  forças  envolvidas  na  FPZ  que  formam  parte  das  condições  de  fronteira  do  problema. 

  A modelação discreta de fendas está, por conseguinte, directamente ligada aos  princípios  da  Mecânica  da  Fractura  ou  aos  conceitos  da  fenda  fictícia  já  aqui  mencionados anteriormente. Este método é teoricamente mais cómodo na localização e  identificação  da  fenda.  Por  outro  lado,  esta  modelação  requer  uma  técnica  para  a  renovação  da  malha  de  elementos  finitos  para  se  ter  em  conta  o  fenómeno  de  desenvolvimento  progressivo  da  fenda.  Este  requisito  torna  a  modelação  excessivamente  exigente  do  ponto  de  vista  quer  de  hardware  quer  de  software  com  recurso  a  programas  mais  complexos  e  demasiadamente  específicos  [124].  É  por  esse  motivo,  a  grande  desvantagem  que  o  conceito  da  fenda  discreta  apresenta.  Esta  evidência toma ainda maior relevo quando se passa de uma análise bidimensional para  uma  análise  tridimensional.  No  entanto,  num  ponto  de  vista  macroscópico  dos  materiais, o modelo discreto aproxima‐se mais do comportamento físico das fendas já  que, se trata de uma aproximação que reflecte melhor a realidade física da abertura de  fendas no betão. 

  Com  o  intuito  de  reduzir  o  grande  esforço  computacional  de  regeneração  de  malha, refira‐se o trabalho de Shi et al. em 2003 [125] que propõe um esquema simples  para modelar a propagação discreta da fenda e que se baseia numa malha de elementos  finitos  com  elementos  triangulares  interligados  entre  si  de  forma  regular  (veja‐se  a  Figura 2.28). Esta formulação consiste na introdução de EF de duplo nó que, apesar de  serem nós independentes, partilham as mesmas coordenadas e estão ligados entre si por  intermédio  de  molas  com  coeficientes  de  rigidez.  Aquando  da  introdução  da  fenda  nesses  elementos,  a  ligação  entre  estes  nós  passa  a  ser  dominada  pelos  conceitos  da  NLFM e os coeficientes de rigidez da ligação iniciais tomados agora nulos. Conforme se  mostra pela Figura 2.28c e Figura 2.28d, após obter‐se um campo de tensões num dado  elemento, a fenda é orientada na direcção normal à força Q e o padrão presumível da  futura fenda fica definido pela reposição dos nós mais próximos da malha. 

2.6. MODELAÇÃO NUMÉRICA    61    Figura 2.28: a) e b) Modelo proposto por Shi et al. com elementos finitos de duplo nó. c) e d)  Esquema de regeneração da malha de elementos finitos. Baseado em [125]. 

 

2.6.2. Modelos de distribuição contínua de fendas (SCM) 

Os  modelos  de  distribuição  contínua  de  fendas  foram,  de  acordo  com  [46],  utilizados  pela primeira vez em 1968 por Rashid [126] e pretendem representar a fendilhação do  betão como um material elástico e ortotrópico com módulo de elasticidade reduzido na  direcção  perpendicular  ao  plano  da  fenda.  Com  esta  simulação  contínua,  os  deslocamentos  nas  fendas  são  distribuídos  por  uma  área  confinada,  ou  banda,  do  elemento finito onde o comportamento do betão fendilhado pode ser representado por  relações tensão‐COD conforme representado na Figura 2.4. 

  Apesar  destes  modelos serem  simples  de  implementar  e  que,  por  esse motivo,  serem  muito  utilizados,  apresentam  um  grande  inconveniente:  a  dependência  dos  resultados  com  o  tamanho  da  malha  de  elementos  finitos  usada  na  modelação.  O  recurso a malhas de elementos finitos grandes produzem em cada elemento um amplo  efeito  na  rigidez  estrutural,  ou  seja,  quando  um  único  elemento  abre  uma  fenda,  a  rigidez  de  toda  a  estrutura  fica  altamente  reduzida.  Esta  constatação  pode  ser  encontrada, por exemplo, em [127] relativamente a ensaios de aderência com recurso ao 

Outline

RELATERTE DOKUMENTER