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durante a realização dos ensaios. Apesar de em ambos os materiais a resposta inicial ser  linear,  após  este  patamar,  o  CFRP  apresenta  uma  região  em  forma  de  serrilha  representativa  de  uma  série  de  fendas  e  indicando  uma  propagação  relativamente  estável  da  fenda.  No  caso  dos  provetes  colados  com  GFRP,  após  o  patamar  linear,  verifica‐se uma diminuição brusca na carga causada pela abertura extensiva da fenda.  Esta resposta nos provetes de GFRP indica um comportamento mais frágil e instável da  ligação  GFRP/betão.  Os  provetes  colados  com  GFRP  tiveram  ainda  uma  menor  deformação  na  ruptura  (4,5mm)  quando  comparados  com  os  provetes  colados  com  CFRP (7,8mm). No entanto, os provetes colados com CFRP apresentam uma carga de  ruptura  média  mais  alta  (1641N)  do  que  os  provetes  colados  com  GFRP  (1267N).  Em  termos de energia de fractura e para o betão de menor resistência, a ligação CFRP/betão  revelou ter uma energia de fractura média de 0,597 N/mm, isto é, cerca de 28% superior  à energia de fractura da ligação GFRP/betão cuja energia de fractura média foi igual a  0,427N/mm. 

  A  escolha  do  processo  de  decapagem  da  superfície  de  colagem  desempenha  ainda um papel crucial no desempenho final da ligação e far‐se‐á, no Sub‐Capítulo 2.7,  uma  descrição  mais  pormenorizada  sobre  este  tema.  Refira‐se,  por  exemplo,  que  os  provetes colados com GFRP de Davalos et al. [68] revelaram ter uma energia de fractura  de  0,301N/mm  em  provetes  de  betão  com  maior  resistência  mecânica.  Verificou‐se,  portanto, uma diminuição, em cerca de 30% da energia de fractura que está, segundo  Davalos  et  al.  [68],  directamente  ligada  com  a  baixa  porosidade  da  superfície  dos  provetes de betão com maior resistência. 

 

2.4.3. Ensaio de flexão de Ueda e Dai [4] 

O  ensaio  está  representado  na  Figura  2.11c  e  é,  aparentemente,  igual  ao  ensaio  de  arrancamento  representado  na  Figura  2.11b.  Para  além  da  utilização  e  colagem  do  compósito  de  FRP  em  dois  blocos  de  betão,  o  ensaio  permite  reproduzir  uma  combinação de modos de fractura (Modos I e II) que é, aliás, a situação mais vulgar nas  estruturas correntes. Este tipo de ensaio é, de acordo com [4], de difícil instrumentação  (por  exemplo,  medição  dos  deslocamentos  no  compósito  de  FRP)  e  avaliação,  não  existindo modelos, até então, capazes de reproduzir fielmente o modo de ruptura. No  entanto,  o  modo  de  ruptura  neste  ensaio  de  flexão  de  Ueda  e  Dai  [4]  pode  ser  condicionado. Por exemplo, se se pretender obter uma ruptura por escorregamento do  compósito  de  FRP  deve‐se  limitar  as  fendas  diagonais  reforçando  o  bloco  de  betão  armado ao esforço transverso através da inclusão de mais armadura interna (estribos)  ou através do encamisando dos blocos de betão armado com mais compósito de FRP.  Com efeito, a influência da armadura de esforço transverso é referida em [4] onde vigas  com maior percentagem de armadura de esforço transverso, conseguiram ter uma maior  carga de ruptura, em cerca de 10%, como também conseguiram apresentar uma maior  ductilidade quando comparadas com as vigas de referência.    Um ensaio semelhante ao ensaio de flexão de Ueda e Dai [4] foi reproduzida em  1996 por Karbhari e Engineer [74] com vista a avaliar os diferentes mecanismos e modos  de fractura envolvidos no processo de descolamento do compósito de FRP da superfície  de  betão.  Para  o  efeito,  estes  autores  reproduziram  uma  combinação  dos  ensaios 

30  CAPÍTULO 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE  O DESEMPENHO E A MODELAÇÃO DA LIGAÇÃO FRP/BETÃO  esquematizados nas Figuras 2.11b e 2.11e, ou seja, o compósito de FRP foi submetido a  uma força com componentes horizontal e vertical na sua extremidade livre. 

 

2.4.4. Ensaio com o compósito de FRP envolvido pelo betão 

Daqui  em  diante,  os  esquemas  dos  ensaios  tentam  reproduzir  apenas  o  Modo  II  de  fractura e o ensaio com compósito de FRP envolvido por dois blocos de betão conforme  representado  na  Figura  2.11d  será,  provavelmente,  o  menos  popular  por  dificultar  o  controlo das extensões ao longo do compósito. Como consequência, a distribuição das  tensões de aderência bem como a distribuição do deslizamento ao longo das superfícies  coladas  fica  comprometida.  No  entanto,  não  deixa  de  permitir  o  controlo  do  deslizamento total da interface. 

  Este tipo de ensaio está mais intimamente ligado à técnica NSMR (Near Surface 

Mounted  Reinforcement)  uma  vez  que  os  laminados  de  FRP  ficam  envolvidos  pelos 

elementos estruturais de betão armado reproduzindo‐se, de forma mais fiel, este ensaio.  A reprodução de um provete com a configuração apresentada pelo esquema da Figura  2.11d pode apresentar algumas dificuldades acrescidas. Veja‐se, por exemplo, o caso de  laminados com uma largura pequena cuja região de ligação entre o betão e o compósito  de  FRP  é  muito  pequena.  Nestes  casos,  as  duas  peças  de  betão  deverão  manter‐se  independentes  (sem  colagem  entre  si,  por  exemplo,  com  excessos  provenientes  do  adesivo  da  colagem  do  FRP)  e  deverão  ainda  ter  dimensões  suficientes  para  induzir  uma  ruptura  coesiva  (pelo  betão  junto  à  ligação  ou  pelo  laminado)  ou  uma  ruptura  adesiva  (pelas  interfaces  FRP/adesivo  ou  adesivo/betão).  Estes  cuidados,  aquando  da  escolha do provete, acabam por ser dissuasores mesmo quando se trata de um estudo  com NSMR. É por isso, mais fácil conceber provetes usando a técnica NSMR de maneira  a ficarem submetidos a ensaios de corte simples ou duplos em que apenas se tem que  adaptar  uma  chapa  de  ancoragem  para  amarração  da  força  de  corte.  Estas  condicionantes não se colocam quando se trata de um ensaio de um varão de FRP em  que,  uma  única  peça  de  betão  com  um  buraco  de  diâmetro  ligeiramente  superior  ao  diâmetro do laminado de FRP é usada. Em qualquer dos casos, uma máquina universal  de tracção pode ser o suficiente para realizar o ensaio. 

  No  campo  da  durabilidade,  e  como  os  equipamentos  de  envelhecimento  acelerado  disponíveis  não  possuem,  em  geral,  grandes  dimensões,  o  tamanho  dos  provetes  fica  assim  condicionado.  Por  isso,  dadas  as  dimensões  compactas  destes  provetes, este tipo de ensaio pode ter essa vantagem em relação aos outros ensaios aqui  descritos. 

 

2.4.5. Ensaio de corte simples e de corte duplo 

Se os ensaios com compósitos de FRP embutidos no betão são muito pouco populares, já  os ensaios de corte simples e de corte duplo esquematizados nas Figuras 2.12e e 2.12f  são,  provavelmente,  os  que  gozam  de  maior  popularidade  e  são,  por  conseguinte,  os  que  com  maior  facilidade  se  conseguem  encontrar  na  literatura  [7,  26,  30,  34,  63,  64,  75‐90]. 

2.4. ENSAIOS DE ADERÊNCIA    31        Em 1993, o estudo conduzido por Rodrigues [7] permitiu analisar os diferentes  modos de ruptura obtidos para diferentes circunstâncias de apoio. Com efeito, quando  as forças reactivas são aplicadas ao betão de forma distribuída ou quando se afastam da  junta de ligação entre os materiais, corre‐se o risco de se estar a eliminar do ensaio o  comportamento da ligação. Diferentes esquemas de ensaios foram testados de maneira a  conseguir  uma  ruptura  que  dependesse  essencialmente  das  características  da  ligação  aço‐adesivo‐betão. Os modos de ruptura neste tipo de ensaio estão esquematizados na  Figura 2.14 [7].      Figura 2.14: Modos de ruptura relatados por Chastre Rodrigues [7] num ensaio de corte duplo  onde se fez variar o esquema de aplicação das forças reactivas no bloco de betão.    As forças reactivas eram absorvidas por um perfil metálico que, por sua vez, transferia  as  cargas  ao  betão  por  intermédio  de  uma  chapa  metálica  que  assentava  directa  ou  indirectamente no betão. Na situação 1, a chapa ao ser demasiado curta provocava uma  ruptura demasiado coesiva pelo betão. O destacamento de uma quantidade significativa  de betão pode significar que a distribuição das tensões esperada ao longo da interface  fique adulterada comprometendo o estudo da ligação aço‐adesivo‐betão. No entanto, o  aumento do comprimento desta chapa de aço representado na situação 2, pode conduzir  ao  mesmo  tipo  de  ruptura.  Esta  ruptura  fica  a  dever‐se,  de  acordo  com  Chastre  Rodrigues [7], a irregularidades da superfície de betão razão pela qual, se deve acautelar  que  a  superfície  de  betão  livre  de  cofragem  não  desempenhe  um  papel  de  relevo  durante  o  ensaio.  O  esquema  apresentado  na  situação  3  concentra  as  forças  junto  da  ligação  provocando  uma  ruptura  que  depende  mais  das  características  da  ligação  aço‐adesivo‐betão.  No  entanto,  a  chapa  a  utilizar  deverá  ter  espessura  suficiente  de  maneira  a  não  se  deformar  e  permitir  a  sua  reutilização  noutros  ensaios.  Para  as  situações 4 e 5, as forças concentradas ficam afastadas da ligação, capacitando o ensaio  de  novas  rupturas  demasiado  coesivas.  Conseguiu‐se  mobilizar  uma  maior  força  de 

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